terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A cruz fora do jardim

 "E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado." Gênesis 2.

   Somente uma ideia  assim, divina, de pôr num jardim que Ele mesmo plantou o homem que criou. Qual seria a intenção?

  Perdeu-se o jardim? A história, mesmo no jardim, não obteve o rumo requerido. Foi curto o período e as consequências funestas.

²⁴ "E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3.

   A árvore da vida era a ênfase principal.  Por isso que Deus a pôs no meio do jardim. Já no primeiro diálogo com a mulher, a serpente sagaz já a predispôs a mais valorizar a polarização bem x mal, aguçando curiosidade, mas omitindo todo o prejuízo da péssima escolha.

¹ Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? ² Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, ³ mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais."  Gênesis 3.

   Foram erros seguidos, indicados na resposta da mulher, revelando: 1. Falsa ênfase na troca de posição das árvores; 2. Atribuição de intransigência a Deus, pela alteração tocar/comer.

   Desde então, ainda que não se admita, a preferência pelo mal, no ser humano, supera o bem. Muito embora, mesmo que se quisesse, tornou-se impossível ao ser humano, sozinho, sem Deus, prevalecer contra o mal.

   Ainda que não se admita. Evidente que se costuma impor aos outros, esquecidos de si mesmo, mal maior. O outro é sempre pior. Até nesse aspecto configura-se o tamanho do fracasso.

   Somente as Escrituras propõem a admissão individual da culpa. Chama isso arrependimento. E afirma não se tratar de uma iniciativa humana, mas de um gesto divino de sensibilização:

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.

  Isso mesmo. A escolha errada, pelo desprezo à vida e preferência ao mal, conduziu ao acolhimento em si do mal, à expulsão do jardim e à necessidade de arrependimento.

  O caminho para a árvore da vida, desprezada no Éden, está acessível, perto e próximo, porém com uma cruz no meio do trajeto. Jesus assumiu, em nosso lugar, essa cruz, para nos legar vida.

   Fora do jardim há salvação. Em meio a esse deserto da vida. No jardim, todo o bem estava explícito e o mal sub-repitício. Na vida fora do jardim, o mal está explícito e o bem ao alcance da fé.

   Para Deus, mesmo que nus e fora do paraíso, há remédio.  "Há bálsamo em Gileade". É declarar perda total e considerar maior a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.

   Perda total, ganho total. Fora do jardim, sim, mas não impossível de obter vida. Somente quem perde todas as coisas, ganha Cristo, o bem mais sublime.  De volta à vida.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Naamã e a banalidade do lugar comum

 ¹¹ "Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso." 2 Rs 5.

    Pensar, se pensa muito, Naamã. E muito, também, no varejo, ensina-nos a sua história. A começar pela (pré)adolescente anônima que, levada cativa à Síria, proveniente de Israel, não alimentou ressentimentos.

   Ela aconselha sua senhora a encaminhar o esposo, Naamã, à sua terra natal, porque lá, como diz o próprio Eliseu, havia profeta.

⁸ "Ouvindo, porém, Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel." 2 Reis 5.

   Pois diante de Eliseu, comparece Naamã, um comandante de exército que contraíra hanseníase, para então,  finalmente, obter o que lhe fora garantido por depoimento da menina, a tão esperada cura.

   Havia criado expectativas de um ritual. Ele anteviu Eliseu, a quem ainda não conhecia, solenemente postado diante dele, erguendo aos céus uma oração e movendo a mão num gesto ritual de santa expressividade.

   Decepcionou-se. Apenas recebeu um recado do (mal) aprendiz de profeta, Geazi, dizendo que se deslocasse às margens do Jordão e desse 7 mergulhos.

   Muito indignou-se o homem. Deve ter pensado, como toda hora se pratica aqui, ele não sabe com quem está falando. E saiu fora. Seus ajudantes de ordens esperaram um pouco para, logo depois, argumentar com inteligência.

  Com permissão,  Comandante: o Sr está tão ávido pela cura, que faria qualquer coisa por ela. Veja bem, ele somente indicou esse simples remédio. Por que, então, não fazer?

   E Naamã fez e ficou curado. Entre outras lições, aprendeu que não se enquadra Deus numa caixinha de regras. Mergulhar 7 vezes no Jordão não cura hanseníase.

  Esperar um jogo de cena, com mover de mãos, presença impositiva e oração farisaica dirigida às alturas, é gesto de contravenção. Por isso Jesus adverte que, um combo de atitudes pré-moldadas de falsa autoridade e espitualidade não têm valor, nem como fantasia de bloco carnavalesco.

²² "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? ²³ Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." Mateus 7.

   Eliseu não era um blefe. E a cena imaginada pelo bem intencionado Naamã, projetada pelo seu ideário, não se encaixava na permanente, surpreendente e nunca enfadonha maneira de Deus agir. Desculpe aí, meu Comandante.

   Não há burocracia no agir de Deus. E nem atravessadores. Por exemplo, o primeiro capítulo da Bíblia já demonstra a praticidade de Deus por ordem direta de sua palavra.

  Por isso, confiar na palavra de Deus traz lucidez, consolo e segurança. Naamã saiu dali aprendido. Levou consigo a fé num Deus não burocrático, mas do contato direto, da resposta plena, pura e simples.

   Basta acompanhar as jornadas de Jesus nas páginas dos Evangelhos. E ninguém, como ele para, plenipotenciariamente representar Deus.  Jesus, por assim dizer, é teologicamente desconcertante.

   Há, sim, muita tentativa de enquadrá-lo, estilo Naamã, em regras que, muitas vezes, até primam por desqualificar as narrativas desses mesmos Evangelhos. Ora, não pode ser assim, tão desconcertante.  Mas, talvez, haja chance de um resgate à fé, simplicidade e humildade de um Naamã pós encontro com Eliseu e tudo que este profeta representava.

   E o representava muito bem. Diga ao rei que "há profeta em Israel". E autorizado. Autêntico.  Representa Deus. Mas não tente encaixá-lo no seu modelo pessoal, em sua expectativa assim, tão restrita.

   Porque nem fará a oração que você espera, o manjado jogo de cena ou ritual já consagrado (e desgastado). Não será burocrático e, quando disser "Haja luz", haverá. Ah, sim: e será por milagre, muito distante do enquadramento requisitado. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ora, às moscas

³ "Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom?" 2 Rs 1.

   Essa pergunta grita. Já dizia Salomão, que a sabedoria grita nas ruas. E passa despercebida, não porque lhe falta expressividade, mas pela indiferença alheia.

²⁰ Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; ²¹ do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras: ²² Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?" Provérbios 1.

  E não somente os baalins da vida, todos eles parentes de Baal, mas as próprias corruptelas do que chamam deus, com minúscula mesmo, pelo fato de se diminuir ou anular a glória de Deus.

   Em sua oração, chamada de sacerdotal, Jesus como que efetuou uma síntese de seu ministério e projetou para a igreja sua ênfase ministerial.

   Então Jesus se expressou afirmando ter, no mundo, glorificado o nome de Deus, seu Pai, e que transmitia, à igreja, esse mesmo ministério, para que, no mundo, até sua (de Jesus) segunda vinda, ela fosse expressão viva dessa mesma glória.

⁹ "É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ¹⁰ ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado." João 17.

   Continua, na rua, gritando a sabedoria. A pregação do evangelho corresponde, em plenitude, ao dom dessa sabedoria. Aliás,  Paulo indica como, da parte de Deus, Jesus se torna sabedoria para todo o que crer.

³⁰ "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, ³¹ para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor." 1 Coríntios 1.

    Quem não consulta Deus, não permanece neutro. Bem quisessem. Mas não funciona dessa forma.  Seja por pura superstição que se procure, alhures, deus qualquer.  Ou ainda, por pura soberba, declare-se que se não carece de Deus.

   Fiquem às moscas. Isso mesmo, um velho trocadilho hebreu para Baal-Zebul, "Senhor da Habitação", que os israelenses estigmatizaram pejorativamente para Baal-Zebube, "Senhor das Moscas".

   Sempre será prudente prestar atenção, concentrar ouvidos aos gritos da sabedoria. Eles se constituem nos termos do evangelho que, como afirma, de novo, Paulo Apóstolo, espalha-se por todo o mundo.

⁵ "...por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, ⁶ que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade". Colossenses 1.

    Está posta a opção, está feita a advertência: ou se dá atenção a Deus,  e Sua palavra, ou ao "deus das moscas". Qualquer outra opção que não seja Deus, entrega os "surdos por conveniência", ora, às moscas.  

domingo, 11 de janeiro de 2026

José do Egito: semelhanças com a igreja de Jesus

 A. Texto: ⁴ "Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente. ⁵ Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais.6 Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive. [...] Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente? E com isso tanto mais o odiavam, por causa dos seus sonhos e de suas palavras." Gn 37.


Família de José: órfão de mãe e proveniente de uma família problemática, sobre a qual o patriarca Jacó não tinha autoridade. Foco de ódio aumentado, vai sendo forjada a personalidade de José.

¹⁷ "Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros. ¹⁸ Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. ¹⁹ Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia." João 15.

1ª semelhança com a igreja é uma personalidade forjada num ambiente de ódio: Deus ama inimigos e é por causa disso que hoje estamos aqui. 

¹⁰ "Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida". Romanos 5.

²⁰ "...e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.
²¹ E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas". Colossenses 1.

B. Texto: ⁶ "Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive: ⁷ Atávamos feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e os vossos feixes o rodeavam e se inclinavam perante o meu. [...] Teve ainda outro sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim. ¹⁰ Contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o o pai e lhe disse: Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?"
Gn 37.

Nesta fase da história Deus lança mão da revelação de Sua vontade por meio de sonhos dados a José: ele se torna um especialista em traduzir. Mas alertem para a sua própria observação:

¹⁵ "Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. ¹⁶ Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó." Gn 41.

Deus prepara seu(s) servo(s) todo o tempo. Como está no Apocalipse,  ¹⁰ "Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia." Ap 19, o clã de Jacó desceria ao Egito, acolhido em providência, para ali se forjar  a nação.  Assim como no Egito se forjou  o povo, no contexto do mundo forja-se a igreja.  E ela também é um sinal de profecia.

¹¹ Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós.
¹² "Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. [...] ¹⁵ Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.
¹⁶ Eles não são do mundo, como também eu não sou. [...] ²⁰ Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; ²¹ a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste". João 17.

2ª semelhança com a igreja, está no mesmo ambiente do ministério de Jesus, para dar continuidade a  esse ministério e ponha nisso atenção, não se engane, é ambiente francamente hostil.

3ª semelhança, o sonho concedido a José e contado a toda a família, cumpriu-se cabalmente. Os irmãos odiaram o enredo, mas Jacó desconfiou que poderia ser verdade: "Seus irmãos lhe tinham ciúmes; o pai, no entanto, considerava o caso consigo mesmo." Gn 37. Porque a igreja se conduz por direção divina. Vem do alto a direção a tomar, como a nuvem no deserto 🏜  ou a coluna de fogo 🔥 : não se apagou e a nuvem não desapareceu.

C. Texto: "Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles e disse: Não lhe tiremos a vida. ²² Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cisterna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele; isto disse para o livrar deles, a fim de o restituir ao pai. [...] Então, disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? ²⁷ Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne." Gn 37.

Judá e Rubem, em meio a toda a facção, são usados por Deus para preservar a vida de José, o protegido de Deus, que entra no Egito como escravo. José,  1. Paparicado pelo pai; 2. Odiado em grau aumentado pelos irmãos; 3. Hostilizado, atirado a uma cova e vendido como escravo, em nenhum momento maldisse sua sorte.

4ª semelhança com a igreja: todas. Ela já sofreu (e sofre) no mundo o pensado e o impensado.  Mas ainda que haja maior requinte ainda, não se deixará afetar, mas seguirá guardada por Deus, como o foi José, pela profecia de amor a seu favor (e a favor do mundo) que tem de cumprir.

² "O Senhor era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio." Gn 39. Aqui já na casa de Potifar, mas o Senhor foi com José todo o tempo,  até ali.

D. Texto: ³ "Vendo Potifar que o Senhor era com ele e que tudo o que ele fazia o Senhor prosperava em suas mãos, ⁴ logrou José mercê perante ele, a quem servia; e ele o pôs por mordomo de sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. [...] ⁶ Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava."

A bênção de Deus acompanhava José e recaía sobre a casa de Potifar. O fato da esposa dele assediar José vai desencadear uma nova fase que, embora vá se constituir numa grande provação,  vai manter o caráter de José ajustado e ainda mais aperfeiçoado.

5ª semelhança com a igreja: deverá manter seu caráter no mundo ainda que venham todos os tipos de provações, havendo renovação de requinte e ainda imprevisibilidade.

¹² Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.
¹³ "Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, ¹⁴ prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Fp 3.

¹ "Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, ² olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus." Hb 12.

E. Texto: ²⁰ "E o senhor de José o tomou e o lançou no cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; ali ficou ele na prisão. ²¹ O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; ²² o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali. ²³ E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o Senhor era com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava." Gn 39.

6ª semelhança: em meio mais provações, se parecia que, agora na casa de Potifar tudo estaria encaminhado, José retorna à cova. Mas seu caráter não se altera e, no cárcere, destacou-se sua virtude. Ali decifra, pela graça de Deus, outros sonhos, o que,  2 anos depois, vai conduzi-lo a Faraó: somente Deus gere o preparo da igreja que, todo o tempo e sob qualquer circunstância, nunca o deixa de ser, para a conduzir até onde Ele deseja,  em sua providência.

F. Texto: ¹ "Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho. [...] ¹⁵ Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. ¹⁶ Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó. [...] ³⁷ O conselho foi agradável a Faraó e a todos os seus oficiais. ³⁸ Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? ³⁹ Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. ⁴⁰ Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu". Gn 41.

7ª semelhança: Deus conduz a igreja até onde quer. Ela deverá manter seu caráter, independentemente da provação que enfrentar. Como em Atos, quanto mais amadurecida, ainda assim contra ela veio assolação. E a solução de Deus foi converter Paulo. E assim como José, nele, assim como em nós, os Faraós deste mundo deverão enxergar a ação do Espírito.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Deus e o dilema de amor

 ⁵ "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Fp 2.

      O que é ter esse sentimento? E que sentimento? Comecemos por entender o dilema de Deus. E o dilema de Deus é o amor. Este sentimento define Deus.

  Deus é amor. Amei Jacó, aborreci Esaú, faz parte da escolha de Deus em amor. Israel foi o laboratório do amor de Deus. Há um texto em Oseias que expõe esse dilema:

⁷ "Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz. ⁸ Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. ⁹ Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira." Oseias 11.

   Eu sou Deus e não homem. Porque homens e mulheres são inclinados a se desviar. Pois Jesus nunca se desviou. Foi o Filho amado de todo o prazer de Deus. Essa voz declaradamente os apóstolos a ouviram:

¹⁶ "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, ¹⁷ pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. ¹⁸ Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo." 2 Pe 1. 

   Jesus é o Filho que entende, compreende e vivencia de modo pleno o dilema de amor do Pai. Aprendeu como homem. Porque partiu desse esvaziamento do Pai. NEle, no Pai, reside a fonte desse sentimento.

   Jesus,  já aos doze anos, no Templo, demonstra interesse pela palavra de Deus. Porque por meio da palavra de Deus se aprende e viver esse sentimento.

⁴⁶ "Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. ⁴⁷ E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. ⁴⁸ Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. ⁴⁹ Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?" Lc 2.

   Jesus começou a entender que nEle mesmo via toda a palavra do Pai. Neste texto, Lucas chega bem perto das declarações de João, que começa seu Evangelho dizendo ser Jesus o Verbo de Deus.

   E é por essa palavra que somos santificados.  Como afirma Paulo a Tito, o Espírito nos educa, para que o que, na tristeza e depressão do pecado, tornou-se em nós natural, herdemos, por Jesus, as perfeições do Pai.

¹¹ "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, ¹² educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, ¹³ aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus". Tito 2.

   ¹⁷ Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. ¹⁸ Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. ¹⁹ E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade." João 17.

   Santidade, outro sentimento de Jesus,  não provém de magia, mas da obediência, outorgada no batismo do Espírito,  esse que nos torna, como Jesus, filhos de Deus. Somente quem é tornado filho de Deus, aspira ao sentimento de Cristo.

   Fruto do Espírito é ter, em si, os atributos de Deus. Até mesmo o domínio próprio, quando Deus se contém, em Sua ira, para dizer: "Sou Deus e não homem". Sim, Deus a si amarrou, tanto a nós, quanto a Israel, com cordas de amor.

¹ "Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. ² Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. ³ Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. ⁴ Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer." Oséias 11.

   Jesus é, para Deus e para nós, a corda humana de amarrar em Deus, por amor. Jesus é a prova divina de amor. Jesus é quem encarna o sentimento de Deus, resolve o dilema de Deus e, por meio do Espírito, promove em nós Seu sentimento. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

2026 em aventuras com Deus

¹⁶ "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, ¹⁷ a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." 2 Tm 3.

 Para começo de ano, pensar num Deus com espírito de aventura. Não tomar o terno "espírito" no sentido de espiritualidade e nem aventura no sentido aleatório, mas definitivamente ato de fé. 

   Porque sem fé,  é impossível agradar a Deus. E porque por aventura, entenda-se que Deus retira das circunstâncias oportunidade de se revelar, pelos atos que empreende.

⁶ "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." Hb 11.

   Pelas Escrituras, descobre-se quem crê e quem não está disposto a crer. Basta ver nelas o agir de Deus. Por exemplo, o modo como o clã de Israel, que foi Jacó, o homem que lutou com Deus, chegou ao Egito.

²³ "Tomou-os e fê-los passar o ribeiro; fez passar tudo o que lhe pertencia, ²⁴ ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia." Gn 32.

   Em 400 anos de Egito, o clã que havia entrado pela providência de Deus,  pelo ministério de José, um dos meninos de Jacó,  agora era uma nação. Nesse meio tempo muita coisa mudou, e para pior.

⁷ Mas os filhos de Israel foram fecundos, e aumentaram muito, e se multiplicaram, e grandemente se fortaleceram, de maneira que a terra se encheu deles. ⁸ Entrementes, se levantou novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José. ⁹ Ele disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. ¹⁰ Eia, usemos de astúcia para com ele, para que não se multiplique, e seja o caso que, vindo guerra, ele se ajunte com os nossos inimigos, peleje contra nós e saia da terra." Êxodo 1.

  Então Deus empreendeu sua aventura. Se José entrara escravo no Egito, chegando a 1⁰ ministro, pela providência desse Deus, para acolher o clã que viraria nação, agora Deus vai enviar como escravo Moisés, que nasceu filho da rainha do Egito.

⁸ "Respondeu-lhe a filha de Faraó: Vai. Saiu, pois, a moça e chamou a mãe do menino. ⁹ Então, lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou." Êxodo 2.

  Deus, que dá fraqueza suscita força. Deus, perito nessa inversões, para que somente prevaleça Sua força, e não a do homem. Histórias das Escrituras. Aventuras de Deus. Há quem nessas histórias põe crédito. Ações de Deus na história que Ele mesmo preparava para nela revelar o Filho. Há quem se julgue mais forte do que Deus, para afirmar que nada disso Ele fez.

   Moisés quis fugir de sua vocação. Deus demonstrou a ele que, quando ele chama, morre-se ou morre-se. Morre-se para está vida, nasce-se para a vida plena, que é eterna.  Ou segue-se morto nesta vida.

   Foi assim com Paulo, foi assim com Moisés:

⁷ "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. ⁸ Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.

²⁴ "Estando Moisés no caminho, numa estalagem, encontrou-o o Senhor e o quis matar." Êxodo 4.

  Então Moisés decidiu crer:

   ²⁴ "Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, ²⁵ preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; ²⁶ porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão." Hb 11.

       Nem a igreja é a estalagem da fuga. Nem Deus é dos covardes.  Jeremias apenas pensou em se esconder.  Neemias recusou refúgio no templo. Homens (e mulheres) de Deus não fogem: morrem para a futilidade da vida, para seguir sua própria vocação.

² "Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, são um bando de traidores". Jr 9

¹¹ "Porém eu disse: homem como eu fugiria? E quem há, como eu, que entre no templo para que viva? De maneira nenhuma entrarei." Neemias 6.

   Moisés então avistou-se com Faraó. Os "cientistas" dele garantiram que os sinais indicados por Moisés eram pura farsa. Mas já no terceiro, abdicaram. Faraó teimou, passando a acreditar que a sequência de calamidades era ocasional.  Mas ninguém pode ser mais teimoso do que Deus.

  A fé é a negação da teimosia. Por ela, acreditamos no que a Escritura afirma que Deus fez. E Deus é pura aventura.  Aventure-se com Deus a cada dia de 2026. Guie-se pelo que a Escritura diz que Ele faz.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O dia

 ³⁴ "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." Mt 6.

   Depois de um dos mais lindo textos, em meio ao sermão do monte, assim chamado, Jesus encerra com esse destaque.

  Para que lembrar o mal? Amanhã será o primeiro dia de 2026. Olhando para 2025, a essa altura, exibindo-se todas as Retrospectivas, vêm misturadas as coisas boas com as ruins.

   Deus desejou, nos dias da criação, deixar fora de nós, consequentemente fora do mundo, as coisas ruins. Ele é (o único) bom. Avaliou tudo o que criou como bom.

³¹ "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom." Gênesis 1.

   Mas não conseguimos manter em nós sua, de Deus,  bondade. Em nós se misturou o bem e o mal, por isso os dias são (bons e) maus.

  Mas Deus não nos abandonou aos nossos dias. Ele seguiu com a criação. E sempre se insinuou com bondade.  Uma das confusões muito frequentes é (a tentativa de) culpar Deus pela maldade humana.

  A cruz deixa isso bem claro e faz essa separação nitidamente: Deus deu o Filho, como cabal prova de amor.

¹⁶ "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3.

  Nós o matamos, naquele dia. Deus o ressuscitou.  Fica claro onde maldade humana e dádiva divina tem sua fronteira?

   As Escrituras, por causa da maldade humana, chamam os viventes de mortos vivos. Seja porque,  um dia, sem escapatória, todos vão morrer.

   Seja porque matar é a prática mais frequente dos humanos.  Mata-se, literalmente, ou, como é novidade deste século dizer, virtualmente.

  Mas, para Jesus, é sempre matar. E ele sofreu isso, também literalmente, em Sua própria carne. Mas morreu, na história, num dia, somente uma vez.

²⁶ "Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, ²⁷ que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu." Hebreus 7.

   Entenda esse sacerdócio. Acolha essa morte desse dia. Não o mate, a Jesus, de novo, contínua e virtualmente. Muda teu dia. Pela promessa de fé,  é possível esperar de 2026 o que afirma o salmista:

⁶ "Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre." Salmos 23.