sábado, 2 de maio de 2026

A rainha Ester

 A história de Ester, a judia anônima do exílio que se tornou rainha da Pérsia, cerca de 482-478 a.C., revela o modo como Deus age, por meio de Sua providência, sem que seus desígnios sejam frustrados. E, para isso, lança mão de servos fiéis que, exercendo sua fé, deixam-se conduzir sob Sua benéfica vontade.

1. Banquetes do Oriente Antigo

¹ Nos dias de Assuero, o Assuero que reinou, desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias [...] ² no trono do seu reino, que está na cidadela de Susã, ³ no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete [...] no qual se representou o escol da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes das províncias estavam perante ele." Ester 1.

Aplicação: Na Antiguidade, operava-se o inverso, o Oriente era riquíssimo e o Ocidente paupérrimo. Os Medo-Persas, em aliança, haviam vencido os babilônios e, no ano 536 a.C. haviam libertado para Jerusalém o povo de Israel cativo. A história de Ester ocorre com o remanescente que escolheu permanecer na Mesopotâmia. 

2. Vasti, uma feminista fora de hora

¹⁰ Ao sétimo dia, estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou [...] os sete eunucos [...] ¹¹ que introduzissem à presença do rei a rainha Vasti [...] para mostrar aos povos e aos príncipes a formosura dela [...] ¹² Porém a rainha Vasti recusou vir por intermédio dos eunucos, segundo a palavra do rei; pelo que o rei muito se enfureceu e se inflamou de ira." Ester 1.

Aplicação: Olhando de nossa época, para trás, vamos dizer, ora, Vasti não se prestava a ser objeto da vaidade de um rei beberrão. Mas olhando de lá, para cá, o fato de ser rei, cercado por centenas de homens prepotentes e machistas, levando em consideração também a volatilidade da condição de rainha, naqueles dias, Vasti adiantou-se muito em seus direitos.

3. Um concurso de beleza

"Então, disseram os jovens do rei, que lhe serviam: Tragam-se moças para o rei, virgens de boa aparência e formosura. [...] ⁴ A moça que cair no agrado do rei, essa reine em lugar de Vasti. [...] na cidadela de Susã havia certo homem judeu, benjamita, chamado Mordecai [...] que fora transportado de Jerusalém com os exilados que foram deportados com Jeconias [...] ⁷ Ele criara a Hadassa, que é Ester, filha de seu tio [...] e era jovem bela, de boa aparência e formosura. [...] Mordecai a tomara por filha [...] ⁸levaram também Ester à casa do rei, sob os cuidados de Hegai, guarda das mulheres. ⁹ A moça lhe pareceu formosa e alcançou favor perante ele". Ester 2.

Aplicação: O rei da Pérsia escolhe Ester, não por acaso. Vamos constatar que a providência de Deus para com Seu povo não cochila. Uma exilada, cativa e residente distante de sua terra vai superar todas as outras candidatas, certamente muitas delas persas de origem. Também vai se revelar o contexto de onde provém, origem da educação recebida do primo que a tomou por filha. A fé que compartilharam os preparou para uma tamanha vocação que logo se vai revelar. 

4. A virtude de Ester em destaque 

¹⁷ "O rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as virgens; o rei pôs-lhe na cabeça a coroa real e a fez rainha em lugar de Vasti." Ester 2.

Aplicação: Pode-se dizer que um rei do porte deste seria volúvel em seu amor. Mas Ester vai se destacar por sua sabedoria. Portanto, o rei, mesmo sem que o soubesse, amou a pessoa certa. E ainda sem o saber, a providência de Deus operava a seu favor, assim como a favor de Ester e todos o seu povo. A fé de Ester e sua vocação, ainda que, a essa altura, não plenamente percebida, habilitava-a para cumprir plenamente a vontade de Deus.

5. Mordecai e sua postura decisiva

²¹ "Naqueles dias, estando Mordecai sentado à porta do rei, dois eunucos do rei, dos guardas da porta, Bigtã e Teres, sobremodo se indignaram e tramaram atentar contra o rei Assuero. ²² Veio isso ao conhecimento de Mordecai, que o revelou à rainha Ester, e Ester o disse ao rei, em nome de Mordecai. ²³ Investigou-se o caso, e era fato; e ambos foram pendurados numa forca. Isso foi escrito no Livro das Crônicas, perante o rei." Ester 2.

Aplicação: Servos fiéis, bem amadurecidos e atentos, onde estiverem podem ser usados por Deus.  A posição de Mordecai era estratégica, ao mesmo tempo próximo a Ester, com percepção aguçada sobre a notícia dos fatos e nunca alheio ao propósito de Deus. Houve apenas um ensaio inicial da articulação que seria o instrumento de Deus para preservar todo o povo. A memória desse livramento será decisiva. Aguardem. 

6. Hamã, escolha equivocada do rei

¹ "Depois destas coisas, o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, e o exaltou, e lhe pôs o trono acima de todos os príncipes que estavam com ele. ² Todos os servos do rei, que estavam à porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha ordenado o rei a respeito dele. Mordecai, porém, não se inclinava, nem se prostrava." Ester 3.

Aplicação: Se foi sábia a escolha da rainha, não foi a do "primeiro ministro". Logo vai se revelar mestre de intrigas. Dele será a ideia de subverter todos os judeus. Para não se dobrar perante ele, Mordecai se revela judeu. Esse detalhe Hamã vai usar para generalizar maldade contra todos os judeus. Deus em sua providência cercou o rei persa de duas personalidades decisivas: servos fiéis do Senhor são referencial em qualquer lugar ou condição. 

7. A perseguição ao povo de Deus

⁸ "Então, disse Hamã ao rei Assuero: Existe espalhado, disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino, um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as do rei; pelo que não convém ao rei tolerá-lo. ⁹ Se bem parecer ao rei, decrete-se que sejam mortos, e, nas próprias mãos dos que executarem a obra, eu pesarei dez mil talentos de prata para que entrem nos tesouros do rei." Ester 3.

Aplicação: O povo de Deus sempre será perseguido. Jesus garantiu aos apóstolos que haveria ódio contra eles, por extensão, contra a igreja. Aqui uma intriga de um líder com desvio de personalidade, muito próximo ao rei típico de seu tempo, facilmente influenciável, fomenta intriga e obtém autorização para exterminar os israelitas. E uma ordem expedida pelo monarca persa seria irredutível. 

8. Mordecai clama, solidariza-se e avisa Ester

¹ "Quando soube Mordecai tudo quanto se havia passado, rasgou as suas vestes, e se cobriu de pano de saco e de cinza, e, saindo pela cidade, clamou com grande e amargo clamor [...] ³ Em todas as províncias aonde chegava a palavra do rei e a sua lei, havia entre os judeus grande luto, com jejum, e choro, e lamentação [...] Então, vieram as servas de Ester e os eunucos e fizeram-na saber [...] e mandou roupas para vestir a Mordecai e tirar-lhe o pano de saco; porém ele não as aceitou. Então, Ester chamou a Hataque [...] e lhe ordenou que fosse a Mordecai para saber que era aquilo [...] Mordecai lhe fez saber tudo quanto lhe tinha sucedido". Ester 4.

Aplicação: O livro de Ester, muito provavelmente, narra sua história sem mencionar o nome de Deus, para que os leitores reconheçam Sua soberania, ainda que não leiam Seu nome. O próprio povo persa e seus aliados e vizinhos conheceram o tamanho do livramento do povo judeu, mediante o testemunho silencioso de Mordecai, porém inabalável, com clamor, jejum e, como era costume, panos de saco e cinza denunciavam a Quem se dirigiriam essas atitudes particulares. 




A história de Boaz e Rute

  Uma mulher moabita, descendente de um povo que surge a partir de um incesto das filhas do Ló, com o próprio pai, fará parte da genealogia de Jesus, como bisavó do rei Davi, demonstrando que não deve haver preconceito contra ninguém, nenhuma gente ou povo, porque a fé, o arrependimento e a salvação são para todo povo, tribo, língua e nação. 

1. Voto e conversão de Rute, a moabita.

¹⁶ "Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus." Rute 1.

Aplicação: Inesperado para Noemi, o argumento irredutível de Rute não foi apenas por simpatia com a condição de sua sogra, que perdera, ao mesmo tempo, o esposo e os dois filhos. Mas era conversão ao Deus de Israel. Não foi uma decisão fácil para Rute, mas foi a radical escolha, como é toda e qualquer conversão, da maior e definiva bênção. João 6,39-40; Fp 3,8-9.

2. Mágoa e ressentimento de Noemi

²¹ "Ditosa eu parti, porém o Senhor me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o Senhor se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido?" Rt 1.

Aplicação: Não é da natureza de Deus posicionar-se contra ninguém, nem mesmo afligir. Deus se posiciona contra o pecado. Aflição é consequência do pecado. Grande soma de sofrimento, muita maldade e injustiça humanas decorrem da condição humana de pecado. O papel de Deus é amar o ser humano, ofertar a cura do pecado e esperar para ter misericórdia.  Rm 1,18-19; Is 30,18.

3. A providência de Deus sobre a vida de Rute

⁵ "Depois, perguntou Boaz ao servo encarregado dos segadores: De quem é esta moça? ⁶ Respondeu-lhe o servo: Esta é a moça moabita que veio com Noemi da terra de Moabe. Rt 2.

Aplicação: A fé nos coloca, definivamente, sob os cuidados de Deus. A vida de Rute não mais eataria entregue às escolhas fortuitas, mas aos cuidados da previdência de Deus. A fama de sua opção pelo Deus de Israel, assim como o acolhimento de Boaz, servo fiel do Senhor, garantem para esse encontro garantia de bênçãos permanentes. Rute (e Boaz) pertenciam ao Senhor. Dt 30,19-20; 2 Co 5,17.

4. Rute e Boaz reúnem virtudes da fidelidade 

¹¹ "Respondeu Boaz e lhe disse: Bem me contaram tudo quanto fizeste a tua sogra, depois da morte de teu marido, e como deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra onde nasceste e vieste para um povo que dantes não conhecias." Rute 2.

Aplicação: Rute e Boaz, quando se encontram, não são como dois estranhos, mas identificam-se pela virtudes que adquirem como fruto de sua vida com Deus. Marcam a vida dos dois decisões fruto de amor. Por isso a vida deles combina, antes de tudo, pela maturidade espiritual, resultado das escolhas feitas a partir da expressa vontade de Deus em suas vidas. Sl 37,3-6; Fp 4,8-9.

5. Comunhão, acolhimento e proteção 

¹⁴ "À hora de comer, Boaz lhe disse: Achega-te para aqui, e come do pão, e molha no vinho o teu bocado. Ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu grãos tostados de cereais; ela comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou." Rute 2. 

Aplicação: Boaz, na refeição a que convidou Rute, confirmou em Deus a comunhão deles dois. Foi uma mini páscoa, com pão e vinho: quem, na última noite no Egito, estava dentro da casa, mantinha comunhão, acolhimento e proteção do sangue do cordeiro, esta a profecia mais decisiva do Antigo Testamento.  A casa representa a igreja de Cristo, batismo e comunhão em Jesus, pelo Espírito, lugar onde estão os que foram levados no sangue dEle. Ef 2,11-13. Hb 10,19-22.

6. Noemi e a felicidade de Rute

¹ "Disse-lhe Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar-te um lar, para que sejas feliz?" Rute 3.

Aplicação: Quem disse que por pura pretensão se alcança um lar feliz? Noemi não pretendia, para Rute, um lar ou casamento aleatório, por palpite e risco. Mas por ação de Deus, visando reunir duas pessoas de porte e maturidade espirituais condizentes. Boaz e Rute passaram no teste. Não basta, apenas, pretender um lar, por formalidade e protocolo, mas buscar em Deus os fundamentos de lar e família duradouros, uma casa sobre a rocha. Mt 7,24-25. Josué 24,14-15.

7. Boaz, resgatador de Rute

"Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és resgatador." Rute 3:9.

Aplicação: Em nada está Rute diminuída por se chamar serva, porque está diante de um homem digno. A dignidade do propósito de Deus, no casamento, valoriza por igual homem e mulher, porque foram criados um para o outro, ambos à imagem de Deus. A função de Boaz tipifica o resgate da condição humana pecadora realizado por Jesus. Entre Boaz e Rute não seria, apenas, a formalidade da lei do levirato, mas verdadeiro amor. Gn 1,27; Ct 4,7.

 8. Boaz e Rute: compromisso e respeito mútuo 

¹¹ "Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa." Rute 3.

Aplicação: Rute foi a moabita que obteve reconhecimento por sua fé e conduta, aceita como mulher virtuosa por toda a Belém. Não se constrói relação duradoura sem compromisso com Deus e mútuo respeito. O caráter tanto de Boaz, quanto de Rute, construídos no compromisso com Deus lhes permitiu estabelecer uma relação duradoura. O amor nasce consolidando-se na comunhão, maturidade e compromisso com Deus. Pv 31,10-11; Pv 31,25-27.

9. Testemunho público da integridade de Boaz

¹⁰ e também tomo por mulher Rute, a moabita, que foi esposa de Malom [...] ¹¹ e tu, Boaz, há-te valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém." Rute 4.

Aplicação: A fama de Boaz residia em sua integridade, diante de Deus, para com seus empregados, para com Noemi e sua família, para com Rute e para com todos em sua cidade. Diante do conselho de juízes, à porta da cidade, comprometeu-se pública e juridicamente a casar-se com a viúva moabita. Caráter se forma, ao longo da vida, para se colher frutos de dignidade, o que influi e beneficia todas as áreas do viver. Boaz era o marido estimado de uma mulher virtuosa. Pv 31,23; 

10. ¹⁴ Então, as mulheres disseram a Noemi: Seja o Senhor bendito, que não deixou, hoje, de te dar um neto [...] ¹⁵ Ele será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice, pois tua nora, que te ama, o deu à luz, e ela te é melhor do que sete filhos." Rute 4.

Aplicação: Noemi e Rute se tornaram amiga. O testemunho da família de Noemi alcançou sua nora. E mesmo com toda a tragédia e perdas, Rute se tornou dádiva do Senhor àquela mulher solitária. O que Noemi avaliou como mágoa e aflição, da parte de Deus, tornou-se bênção com o casamento e nascimento de Obede. Os efeitos do amor de Deus em nossa vida nos torna dádiva e bênção sob todo sofrimento. Is 41,10; Sl 34,19.

Conclusão: Tragédias fazem parte da condição humana. Jesus nos garante que passamos por aflições, mas que Ele nos concede bom ânimo. A família de Noemi marcou tão decisivamente a vida da moabita, que sua sincera conversão reverteu em bênção, na hora da aflição. E Rute encontrou um verdadeiro homem de fé, de caráter provado, e juntos construíram uma família forte, abençoada e abençoadora. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Êxodo: identidade do povo de Deus

 Tarefa: ler Êxodo capítulos 32 a 33.

1. Sem Deus, facilmente o ser humano idolatra:

 ⁵ "Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao Senhor. [...] ⁸ e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito." Ex 32.

 Aplicação: não é por ser chamado "povo de Deus", por Ele escolhido, que Israel não tivesse necessidade de se converter. Haviam saído do Egito, mas o Egito ainda não saíra deles. E também Arão falhou em seu lugar de apoio a Moisés e liderança, mostrando-se extremamente fraco: não seria "festa ao Senhor, mas adoração ao bezerro  de Ouro. Basta não se converter ao Senhor, para estar, definivamente, aberto à idolatria. Rm 1,20-23. 

2. Moisés intercede pelo povo.

¹¹ "Porém Moisés suplicou ao Senhor, seu Deus, e disse: Por que se acende, Senhor, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão? [...] ¹⁴ Então, se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de fazer ao povo." Ex 32.

Aplicação: Moisés, como intercessor, tipifica Jesus, o perfeito mediador entre Deus e o pecador. Deus arrepender-se não tem o mesmo sentido do arrependimento humano, porque este pressupõe pecado. Com Deus, refere-se ao Seu amor e a pessoa certa a quem Ele vocacionou, Moisés, que com Deus aprendeu a amar. Hebreus aponta em Moisés as qualidades antecipadas, vistas em Jesus. Hb 11,24-26.

3. O alerta equivocado de Josué 

¹⁷ "Ouvindo Josué a voz do povo que gritava, disse a Moisés: Há alarido de guerra no arraial. ¹⁸ Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vencedores nem alarido dos vencidos, mas alarido dos que cantam é o que ouço." Ex 32.

Aplicação: Josué vai se tornar o melhor habilitado servo e futuro substituto de Moisés. Mas aqui ele define de modo precipitado o diagnóstico no arraial. A crise apenas se inicia, Moisés antecipa todo o problema. Aprendemos que as consequências do pecado, da rebelião e desobediência sempre terão resultados desastrosos. Nunca devemos aceitar trilhar esses desvios. Rm 6,11-14.

4. Consequências desastrosas do pecado 

²⁵ "Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio dos seus inimigos, ²⁶ pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do Senhor venha até mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi, ²⁷ aos quais disse: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho." Ex 32.

Aplicação: Houve guerra civil no arraial, irmão contra irmão. Levi era 1 tribo entre outras 11 tribos. E o povo estava tão desenfreado que, se Moisés não ordenasse espada, a tribo de Levi é que seria chacinada. Essa rebelião vai gerar, em meio ao povo, impacto de frear seu desatino. Mas vai provocar o afastamento de Deus. Sem arrependimento do pecado, não há proximidade com Deus. Is 59,1-2.

5. Moisés de novo intercessor a favor do povo

" ³¹ Tornou Moisés ao Senhor e disse: Ora, o povo cometeu grande pecado, fazendo para si deuses de ouro. ³² Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste. ³³ Então, disse o Senhor a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim." Ex 32.

Aplicação: O pecado é sempre individual. Embora Moisés interceda, o arrependimento deverá ser de cada um. Ele demonstra tão intensamente seu amor pelo povo, que se antepõe argumentando como Deus deveria fazer, incluindo-o entre os que não se arrependessem. Deus corrige Moisés: fora do livro ficarão os que não se arrependerem. Ap 20,15. 

6. Deus não seguirá com o povo

³⁴ "Vai, pois, agora, e conduze o povo para onde te disse; eis que o meu Anjo irá adiante de ti; porém, no dia da minha visitação, vingarei, neles, o seu pecado." Ex 32.

Aplicação: Moisés vai entender o grau da falta cometida pelo povo e a falha da liderança de seu irmão Arão. Esse o ponto central da crise: Deus não mais seguiria, enviando o Anjo em Seu lugar. Assim, a identidade do povo estaria comprometida. Somente Deus habitando no meio do povo, como mais tarde o Tabernáculo bem representará, confirma ser povo de Deus. 

7. O povo e a extensão do seu pecado 

⁴ Ouvindo o povo estas más notícias, pôs-se a prantear, e nenhum deles vestiu seus atavios. ⁵ Porquanto o Senhor tinha dito a Moisés: Dize aos filhos de Israel: És povo de dura cerviz; se por um momento eu subir no meio de ti, te consumirei; tira, pois, de ti os atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer." Ex 33.

Aplicação: Ser de "dura cerviz" é não se dobrar com facilidade. O arrependimento, condição necessária e irredutível para a conversão, ocorre com intensidade igual para todos. Não se determina pela quantidade ou pelo tipo de pecado, mas pela "tristeza segundo Deus" que move ao arrependimento, pela "bondade de Deus que conduz ao arrependimento". Foi essa a necessidade urgente do povo e a proposta de Deus, tendo Moisés como intercessor. 

8. A intimidade do Senhor 

¹¹ "Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda." Ex 33.

Aplicação: Dizer que Deus e Moisés tratavam-se face a face, significa dizer que Moisés, além de ser, no Antigo Testamenro, modelo de servo, peofeta e intercessor, foi modelo de intimidade e comunhão com Deus. Essa intimidade prenuncia a conquista da plena comunhão com Deus, por meio de Jesus, e da intimidade dela decorrente. E o próprio Jesus afirma que, mais do que servos, somos feitos por Ele amigos de Deus. 

9. A identidade do povo de Deus

¹⁴ Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. ¹⁵ Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. ¹⁶ Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?" Ex 33.

Aplicação: Moisés chegou até onde Deus o desejava conduzir. Desde o início da crise, quando Deus disse que não mais seguiria no meio do povo, Moisés havia radicalizado como intercessor, como se quisesse ser riscado do livro da vida. Agora ele reconhece que a identidade do povo é ter Deus seguindo com eles, para que sejam santificados, separados do pecado, para o Senhor, sendo testemunhas a todos os demais povos da terra. Essa condição, para Israel, antecipa o que hoje se aplica à igreja. 

10. Vendo a glória de Deus

¹⁸ "Então, ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. ¹⁹ Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer." Ex 33.

Aplicação: Após uma crise, qualquer que seja, mesmo as que exigem arrependimento do pecado, Deus sempre manifesta a sua glória. Em Jesus, ela transparece plena. Mas também na igreja de Cristo, visto que ela manifesta ao mundo a glória de Deus. Aqui Moisés a contempla, pelas costas e protegido pelo próprio Deus. Também na igreja, de glória em glória a contemplamos, até o dia de vermos Deus como por Ele somos vistos.

Conclusão: Partindo da idolatria e total desgoverno, passando pelo trauma de uma guerra civil, de quase 3 mil mortos, a rebelião contra Deus, manifestada na idolatria e orgia no arraial resolve-se pela experiência do amor de Deus e intercessão de Moisés. Ele escolhe colocar-se do lado do povo, experimentando com eles o caminho do arrependimento, definindo a identidade do povo que tem Deus consigo e se distingue em santidade de todos os demais. Essa também é a qualificação da igreja com relação a Jesus e seu testemunho no mundo.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Zacarias e suas visões

Tarefa: ler Zacarias, capítulos 1 a 6.

 O livro do profeta Zacarias inicia-se com uma exortação à conversão, dirigida aos remanescentes do exílio em Babilônia (605-535 a.C.). 

⁴ "Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos, agora, dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me atenderam, diz o Senhor." Zacarias 1.

   Seguem-se as visões em que o profeta reforça que atitudes Israel deve agora adotar. Podemos estender essa mensagem, como dirigida à igreja de Jesus, entendendo como segue.

1. Palavras de consolação: 1ª visão. 

¹³ Respondeu o Senhor com palavras boas, palavras consoladoras, ao anjo que falava comigo. ¹⁴ E este me disse: Clama: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande empenho, estou zelando por Jerusalém e por Sião.

¹⁶ Portanto, assim diz o Senhor: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; a minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém. Zacarias 1.

Aplicação: Naqueles dias, as palavras consoladoras a Israel seriam de retorno do exílio e edificação dos muros, com Neemias, e do Templo, com Esdras. Hoje podemos entender o evangelho como palavra boa e consoladora, como maior demonstração da misericórdia de Deus e considerar a igreja de Cristo como a casa edificada, que acolhe em Cristo os que creem. Mateus 16,18.

2. Ordem que de nós afasta o mal: 2ª visão.
"...estes ferreiros, pois, vieram para os amedrontar, para derribar os chifres das nações que levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para a espalhar. Zacarias 1.

Aplicação: Na simbologia do Antigo Testamenro, chifres indicam poder. Os babilônios, que haviam levado cativos os judaítas, foram derrotados pelos persas, sob Ciro, como profetizara Isaías. Assim como contra a igreja, como afirma Jesus, nem o poder das portas do inferno pode prevalecer, vamos seguir edificados em Cristo, vivenciando Sua comunhão, estando protegidos pelo Seu poder. João 10,27-29. 

3. Limites de santidade ao redor: 3ª visão.
⁵ "Pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória." Zacarias 2.

Aplicação: O verdadeiro cristão é chamado a uma vida da santidade. É testemunha de Jesus no mundo e, como afirma Jesus em sua oração sacerdotal, reflete em seu viver a glória de Deus. A igreja de Jesus é lugar protegido por Deus, onde habitam os que refletem no mundo a glória dEle, assim como Jesus procedeu em sua vida. João 17,22-23. 2 Ts 1,11-12.

4. Modelo de sacerdócio: 4ª visão.
⁸ Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti". Zacarias 3.

Aplicação: Josué, sumo sacerdote indicado nesta visão de Zacarias, tanto antecipa profeticamente a condição de Jesus, nosso sumo sacerdote pleno, perfeito e eterno, como aponta para o sacerdócio dos crentes e da igreja. O que Israel não obteve em sua história, a igreja cumpre, por reunir em seu seio o sacerdócio universal dos fiéis. Ex 19,5-6. 1 Pe 2,9-10.

5. A bênção do batismo no Espírito: 5ª visão. 
"Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. ³ Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda. Zacarias 4.

Aplicação: O vaso de azeite que supre o candelabro, que não cessa sua luz, como era no Tabernáculo do deserto, representa a igreja e cada crente suprido pelo Espírito, em sua identidade e ministério no mundo. Jesus afirmou ser a luz do mundo, quem o segue não anda em trevas, mas tem consigo a luz da vida. Essa é, no mundo, a identidade permanente de cada crente e de toda a igreja. João 8,12. Mt 5,14-15.

6. O rolo que se revolve: 6ª visão. 
¹ "Tornei a levantar os olhos e vi, e eis um rolo voante. ² Perguntou-me o anjo: Que vês? Eu respondi: vejo um rolo voante, que tem vinte côvados de comprimento e dez de largura." Zacarias 5.

Aplicação: De modo geral, na vocação de cada profeta existe um livro, a ser comido, como aquele no Apocalipse, escrito por dentro e por fora. Ele representa as Escrituras e seu papel na revelação de Deus e na condução, em sabedoria, de seu povo na terra. Toda a vez em que Israel desprezou a profecia, sofreu por sua desobediência. Pois nós, como igreja, nunca devemos desprezar o que segue revelado na Palavra de Deus, a Bíblia. Isaías 8,20. Mateus 24,35. 1 Tm 3,16.

7. A mulher e sua casa suspeita: 7ª visão. 
¹⁰ "Então, perguntei ao anjo que falava comigo: para onde levam elas o efa? ¹¹ Respondeu-me: Para edificarem àquela mulher uma casa na terra de Sinar, e, estando esta acabada, ela será posta ali em seu próprio lugar." Zacarias 5.

Aplicação: A terra de Sinar é onde, há muito tempo atrás, ergueu-se a Torre de Babel, onde também, posteriormente, situou-se a Babilônia, sempre representa lugar de rebelião a Deus. No Apocalipse, Babilônia representa, no mundo, todo o sistema vil, corrompido e pecador. A igreja o enfrenta com suas armas, nunca a violência ou misturada ao sistema político, mas proclamando a mensagem de salvação, amor, perdão e conversão do pecado. 2 Co 10,4-5. Ap 18,2-3. Ap 17,14.

8. O evangelho que percorre toda a terra: 8ª visão. 
⁷ "Saem, assim, os cavalos fortes, forcejando por andar avante, para percorrerem a terra." Zacarias 6.

Aplicação: Esses carros e seus cavaleiros, que percorrem toda a terra, representam o alcance do evangelho. Já na época de Paulo, em sua carta aos Colossenses, igreja que não conhecia, Paulo aponta os efeitos e o alcance da mensagem do evangelho: em todo o mundo produz frutos. Esse é o desafio premente para a igreja, proclamar continuamente o evangelho, aqui, ao redor e até os confins da terra. Cl 1,5-6. 1 Ts 1,8. 

Conclusão: As palavras das Escrituras, sejam dirigidas diretamente a Israel, como dirigidas à igreja, sempre apontam para Jesus, como profecia no Antigo Testamento, seja como cumprimento da profecia, no Novo Testamento.

¹⁰ "Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia." Apocalipse 19:10.

 Por isso é possível fazer essa transposição, compreendendo o modo como a revelação de Deus, ao longo de toda a história da humanidade, caminha para uma mesma finalidade: apontar Jesus como o ponto máximo da revelação e o evangelho como mensagem de acesso à salvação. 

sábado, 25 de abril de 2026

Isaías 53 - estrelinhas - Jesus cara a cara

 ³ "...e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso." Isaías 53.

   O descaso em relação a Jesus, lembro até da sequência de referências feitas pelos discípulos de Emaús. Porque em referência a Jesus, há somente uma opção.

¹⁹ "Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo". Lucas 24.

   Não, Cleopas: não. Não adianta enfileirar, com relação a Jesus, qualquer sequência de títulos honoríficos. Com relação a ele, vale somente a fé em sua ressurreição, seguida das razões do porquê de sua morte.

   Não somente um "varão profeta poderoso em obras e palavras". Mas sim aquele que Ele mesmo revela ser, de quem as Escrituras são o testemunho fiel. 

²⁷ "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras." Lucas 24.

   Desprezo, descaso, repugnância de volver o rosto, isso é retrato da fuga do que Jesus representa para todo o ser humano.  Porque as mazelas humanas, assumidas por Jesus, estão refletidas na face dEle.

  Na verdade, desviamos o rosto de ver a nós mesmos.  O mundo moderno, designação essa de fuga, porque em nada evoluiu em sua condição moral, continuamente despreza, trata com descaso, mantém sua indiferença.

   E Jesus continua a ser o escolhido de Deus, o "Filho amado no qual Deus tem o Seu prazer",  o discernimento mais sublime em toda a história do humanidade.

²¹ "... também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, ²² e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo." Lucas 3.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Filipenses 3.

   Como o Pai, olhar Jesus cara a cara e ter prazer nEle. Considerar Jesus sublime, e tudo o mais perda. Com muita relutância a soberba atual do ser humano empreende esse tipo de troca.

   Perda total. Ganho total em Jesus. Volver os olhos, para encarar Jesus no rosto, cara a cara, porque Jesus é o rosto de Deus.

¹⁸ "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." João 1.

¹⁵ "Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação". Cl 1.

⁹ "...porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade." Colossenses 2

³ "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser". Hebreus 1.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O altar e as expectativas

 ⁷ "Apareceu o Senhor a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera." Gênesis 12.

    O que se espera quando se ergue um altar? Pelo menos, há  duas expectativas: a de quem ergue o altar e aquela de a quem se ergue o altar.

   Abrão ergueu o altar ao Deus que lhe aparecera. Ainda prevalecem expectativas. Deus tem uma intenção, com relação a Abrão, assim como com relação a nós e a cada um.

   A experiência de Agar foi deparar Deus, para o qual estava muito distraída. Talvez porque sua ansiedade era muito grande. Mas Deus desde antes não a havia abandonado.

¹³ "Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?" Gênesis 16.

   Deus sempre vê, sempre está junto, sempre se pode invocar Seu nome. A vocação de Deus é o amor e deseja que a nossa também o seja.

   Não há distância e não há tamanho. Por isso Paulo diz que, conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, é ser tomado de toda a plenitude de Deus.

¹⁸ "...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade
¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." Efésios 3.

   O altar, como a igreja, são lugar de comunhão.  Trata-se de individualidade, no trato com Deus, e não individualismo.  Paulo nos ensina isso:

²⁷ "Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo."
1 Coríntios 12.

   E também:  ¹⁷ "Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão." 1 Coríntios 10.

   Somente com Deus somos coletiva e individualmente corpo de Jesus Cristo, em comunhão como igreja.  Ser igreja é andar em Cristo:

⁶ "Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, ⁷ nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças." Colossenses 2.

   Deus conduziu tanto a história de Abrão, o homem que ergueu o altar, quanto a história de Agar, a mulher distraída da presença de Deus.

   As promessas de Deus a Abrão podem ter gerado nele uma expectativa ainda não bem compreendida. Seu neto Jacó, por exemplo, na visão da escada, esteve ainda imaturo para compreender.

²⁰ "Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, ²¹ de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus". Gênesis 28.

   É assim. Com Deus, expectativas para menos ou para mais, imaturidade, dimensão do amor, intensidade da comunhão, sempre mais se acrescenta.

  Porque o Deus insondável se dá a conhecer.  Revela-se inteiramente em Jesus, o Filho, que guarda perfeita e completa identidade com o Pai.

   ¹⁹ "Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz." João 5.

  Por isso o Filho nos convida à mesma comunhão. E isso é igreja. Não somos nós que escolhemos ter comunhão. Deus escolhe, busca e a forma em nós.

   Por isso Paulo nos convida a ser imitadores de Cristo, aliás, imitadores do Pai, tanto faz:

¹ "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." 1 Coríntios 11

¹ "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." Efésios 5.

    Expectativas de Deus. A Bíblia ensina que, na igreja, Deus compartilha conosco sua identidade. Jesus Cristo é o rosto de Deus. E ele também espera que, em nossa passagem por este mundo, possamos refletir Sua glória. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Isaías 53 - entrelinas - dores e padecimento

 ³ "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer". Isaías 53.

     Nem sempre. Há quem mencione o nome "Jesus" como clichê, para angariar fama para si mesmo. Vai ser assunto para o juízo final:

²² "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? ²³ Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." Mateus 7.

  Sim, muitos, diz o texto. Porque o que Jesus revela e representa ao ser humano, por isso é rejeitado. Ninguém almeja, voluntário, ter revelada sua perversidade.

    Estampada na face de Cristo suas dores e padecimentos por Sua opção de envolvimento com as mazelas humanas. Mas quem deseja ver associada a si, intencionalmente, suas mazelas?

   Jesus é homem de dores, homem das nossas dores, porque toma para si o pecado que é nosso, purga o preço, ainda que seja tido como intruso.

   Porque os instrumentadores de sua própria maldade não a querem denunciada, para não perder o que, para eles, é pura vantagem.

   As dores que Cristo toma sobre si serão atendidas somente para quem é, por Deus, entristecido para arrependimento e, então, reconhece seu pecado.

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.

   Porque é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento e não a simulação de bom caráter, como máscara pública de hipocrisia.

⁴ "Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" Romanos 2.

   Quem rejeita Jesus, o autêntico, não o inventado, assim procede porque não deseja que sua máscara seja desvelada.

  Quem se solidariza com Jesus em Sua dor e padecimento, é porque enxerga nEle o pecado do qual é portador. A dor e o padecimento de Jesus são por minha causa. Por isso não o rejeito.

   Porque Jesus eliminou-me a culpa, revelando Seu amor, não somente por mim, mas por tantos e quaisquer que nEle creem.

   ¹³ "E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; ¹⁴ tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; ¹⁵ e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz." Colossenses 2.