domingo, 11 de outubro de 2026

Aula de teologia nos 15 anos de Lorena

 ³ "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; ²⁴ vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." Salmos 139.

     O salmista começa com essa constatação. Deus sonda e conhece. Porque mal nos conhecemos.  E o que mais Deus deseja de nós é nossa intensidade de comunhão com ele.

   O que diz esse Salmo se aplica a cada ser humano.  Porque Deus conhece desde, e antes ainda, de sermos substância informe no seio de nossa mãe.

   E o futuro dirá se o reconhecimento da soberania de Deus como criador da vida será um dia reconhecido por esse ser ainda em formação.

    Porque sem fé, é impossível agradar a Deus. E todo assim engendrado para a vida carece da glória de Deus, carece crer e reconhecer, pela fé, que a vida é gesto de amor divino.

   Assim como cada um de nós, um dia Deus engendrou a Si mesmo no ventre de Maria. Como cada um de nós, Jesus nasceu, também reconhecido por Deus, engendrado no ventre de Sua mãe.

     E Jesus nasceu perfeito e sem pecado, para que fosse o nosso Salvador. O Deus que sonda e conhece o Filho, que por Si conhece tudo de Deus, oferece o Filho para nosso Salvador.

   O que Deus deseja é que sejamos pessoa constantemente nova. Que nos ofereçamos a Deus, como Jesus se oferece, em nosso lugar, para que sejamos, de glória em glória, transformados à imagem do Filho.

   As Escrituras mandam lembrar o que fomos antes de conhecer Jesus. Para termos advertência de que, sem a presença do Espírito Santo em nós, há o risco de termos nossa personalidade pervertida.

   Então, Deus, sonda-me e me faz conhecer. Quero Te conhecer, quero também me conhecer, para me prevenir de meus descaminhos, do que em mim pode ser engano, sedução mundana, para me afastar de Ti.

    Vê, Senhor, que (des)caminhos sou tentado(a) a seguir, porque não desejo, para mim, nenhum caminho longe, o mínimo, de Tua direção, para fazer a Tua vontade.

   Semeia, Senhor, no meu coração, e faz brotar, a 100/1 (cem por um) a Tua palavra. Desejo conhecê-la, cada vez mais, para por ela ser santidicado(a), sempre Te obedecendo, para somente ter prazer realizando a Tua vontade.

   Grato, Senhor, por acompanhar minha vida desde o ventre de minha mãe. Grato, por ter conhecido tão cedo, em minha vida, o Teu evangelho.  E grata, porque sei que meus dias serão escritos por Ti, na medida de minha fidelidade. 

sábado, 10 de outubro de 2026

Um sermão sem palavras

  Meu pai dizia que a morte é um sermão sem palavras.  O que, então, nos ensina? Primeiro, a dizer, "sermão", na linguagem comum, é algo indesejado. Alguém diria: "Lá vem você com esse sermão".

   Mas, ao invés do preconceito, importa o conteúdo. Qual o conteúdo do sermão? Porque será melhor ouvir, memorizar e praticar.

    Em se tratando de morte, como sermão, como dizia meu pai, não vai nada adiantar não querer ouvir, memorizar ou praticar, porque todos nós, todo dia, até o nosso próprio dia, cara a cara, deparamos a morte

    Hoje estive num enterramento. Triste como qualquer outro. Mas houve sermão. Por causa da história de Pio Santo Paganotto, seu nome.  Deixou marcas (ora, todos deixamos) que afetaram positiva e principalmente quatro mulheres.

   Esposa e três filhas, a princípio, porque há duas netas: Larissa e Luiza. E gravou também memória a demais familiares e amigos. Houve, sim, conteúdo neste sermão. Um dos amigos se lhe tornou patrão. Porque juntos, há uns 40 anos atrás, foram parceiros caminhoneiros.

   E muitas estradas andaram juntos. Foi muito tempo para andar juntos. Beto, como é conhecido, proprietário, em Rio Branco, AC, do café Contri, contou com lágrimas um resumo dessa caminhada, iniciada antes mesmo do nascimento das meninas Nayane e Cláudia, as duas mais novas de Pio.

    De como, certa vez, buscou Pio em Cuiabá, que havia fugido de um cativeiro, assaltado que fora, na carreta que conduzia. Se fossem contar os quilômetros rodados por Pio, daria no milhão.

   O patrão descreveu o cuidado com que Pio Santo, ora, talvez pelo nome, tratava seus caminhões como se fossem altares. Um dos seus chefes depõe que, ora, eu somente entrava descalço naquela cabine.

    Nenhum acidente. Nunca. Gercilene, a esposa, essa que acompanhou mais de perto todos esses caminhos, sem dúvida, a que mais reflete toda essa convivência. Lembro, há mais de 20 anos atrás, ela morando numa das transversais à principal rua do Tancredo Neves, eu e Regina visitando-a e compartilhando suas preocupações.

    Ainda faz parte do conteúdo deste sermão o casamento dos dois, na antevéspera de sua partida deste mundo. Sonho antigo, acalentado por todos esses anos de convivência.

   A capela do Santa Juliana, hospital de sua internação, superlotou e foram notícia no AC 24h, o jornal de mídia em Rio Branco, AC. Plena alegria, ainda que numa situação de apreensão, devido ao estado de saúde dele.

"Um paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Juliana, em Rio Branco, oficializou na tarde da terça-feira (6) a união de 40 anos com a companheira. A cerimônia ocorreu na capela da unidade hospitalar e reuniu familiares e profissionais de saúde [...] De acordo com o Santa Juliana, a celebração emocionou familiares e profissionais que acompanham a rotina do paciente na unidade." 


   Rutilene, sua filha mais velha, porque assim Pio considerava e acolhia essa sua enteada, não admitindo que não se referissem a ela de outro modo, e foi por um modo tocante que ela testemunhou, em nome de toda a família, do carinho e acolhimento dele no contexto do lar dessas quatro mulheres.

   O Pastor João Marcos leu em 2 Coríntios 1:

³ Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! ⁴ É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus."

   Este conteúdo consta no único Livro que afirma ter sido a morte vencida. Fala do consolo que Jesus, em Pessoa, representa. Entre as demais palavras ouvidas nesse dia, essa a que garante esperança de vitória sobre a morte, sem falta, a cada um dos vivos ali presentes. Basta crer em Jesus.

    Para sua família, pelo que ouvimos das filhas, Pio foi um herói. Embora ausente nas situações que, como caminhoneiro, a profissão exigia, as quatro mulheres o cercaram de toda consideração. A fé que a mãe de Gercilene, d. Lenita Fernandes Andrade Costa, transmitiu aos filhos, alcançou toda a família. Ela reside em Cruzeiro do Sul, a 680 km daqui, e mantém uma personalidade modelo de fé genuína.

    Permaneçamos firmes nesta fé. Certa vez, o próprio Jesus perguntou: ⁸ "Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?" Lucas 18. Essa pergunta Jesus não dirige aos que já não creem. Óbvio, a esses não se pergunta por fé.

     Pergunta-se aos que creem se, na verdade, um dia creram, se sua fé é real ou nunca foi, ao ponto de um dia perder esse arremedo de fé. Se é que já não se perdeu isso que, um dia, julgaram ter sido fé. 

       De todos os conteúdos desse sermão do dia, o último recado que Pio nos obrigou a ouvir, este, do conteúdo da fé, será a melhor herança. Porque se projeta para a vida eterna e não deixa esquecer que Jesus venceu a morte.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Deus tem, pelo menos, uma vocação

 ²³ "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; ²⁴ vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." Salmos 139.

   Ora, como se Deus já não tudo isso soubesse. O salmista termina este Salmo como começa. A diferença está no caráter inicial, de afirmação, e neste final, de súplica.  Afinal, que certezas tem o salmista sobre o assunto?

   Começa reconhecido que Deus optou por sondar e o conhecer. Desde substância informe, no ventre de sua mãe, antes disso, Deus tudo conheceu. E o curso de vida vivida, o que falta para diante, Deus também conhece e previu.

    ⁶ "Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir." Salmos 139.

    Pelo meio do Salmo reflete sobre o grau dessa consciência sua sobre Deus: Deus se ocupa com minha vida. Não há como me esconder. Não há trevas que me ocultem ou que ocultem Deus de mim.

   Deus tem vocação por mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais, é sobremodo elevado, não o posso atingir. O que, então, dizer? Que oração fazer? Que decisões, a curto, médio ou longo prazo?

   A samaritana perguntou a Jesus onde adorar? Jesus respondeu que o Pai é quem procura verdadeiros adoradores.  Paulo escreveu, na surpreendente carta aos Efésios, que podemos, aliás, devemos ser imitadores de Deus.

   Jesus, na oração sacerdotal, menciona que o Pai intenta repartir conosco Sua glória.  E que a igreja, não a instituição, em si, histórica que seja, ou nem um local, com GPS, mas a comunhão das pessoas, será o lugar geográfico dessa benção.

   Outro Salmo indica isso, o 133, uma síntese da aspiração divina em todo o Antigo Testamento, o lugar, o locus da benção. A Deus apraza a congregação. Somos refratários a ela. Em nós ainda prevalece o egoísmo.

    Ansiamos por reduzir a fé à nossa mesquinha compreensão. Deus põe no meio do caminho a igreja para que, continuamente, seja destruída a vocação pelo egoísmo e aprendamos amor.

   O Salmo 139 pode ser lido pela oração de Paulo, exatamente aos Efésios, pedindo que sejamos tomados de toda a plenitude de Deus. Porque Deus opta, conscientemente, por Sua vocação, e esta é o amor. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Enquanto isso

 É uma expressão generalizante. Porque "isso" é neutro, carece de especificação anterior. Enquanto "enquanto", conjunção temporal, exprime o que ocorre concomitante, ou seja, ao mesmo tempo que.

   Os profetas do AT dirigem-se, prioritariamente, ao povo eleito. Veja bem, essa história de eleito está detalhadamente explicada no Deuteronômio. Sem privilégios, a não ser esse de ser exatamente isso, ou seja, eleito.

   Enquanto isso, corre por fora o que ocorre entre todas as outras nações. Na verdade, generalizante, Deus escolhe todos e cada um. Para isso, porém, escolheu, como se fossem  cobaias dessa escolha, os judeus.

   Mas sem privilégios. Significa dizer que, não havendo correspondência à escolha de Deus, ou seja, uma vez reconhecidas intenção da escolha mas, da parte dos eleitos, ocorrer um "não estou nem aí", para a escolha de Deus, esta se anula.

   Isso quer dizer que Deus não escolhe quem não escolhe a Ele. Nunca ninguém será obrigado, pelo menos pelo próprio Deus, a ter com Ele comunhão.  Mas também nunca ninguém reduzirá Deus a um deus, ou seja, seu (da pessoa em questão) ídolo de estimação.

   Enquanto isso, nunca pense num Deus inativo. Muito do que acontece, enquanto isso, aqui embaixo, no planeta, de ruim, usualmente se quer culpar Deus pelo ocorrido.

   Esquecem ou, simplesmente, descreem do que, de bom, Deus efetua. E "viu Deus tudo quanto fez e eis muito bom". Mas o bom, ora, quem se empenha pelo bem?

   Deus não se aliena. Não é próprio dEle. Deus ama intensamente cada um. Em Atos, que Lucas magistralmente escreveu, há registros muito interessantes de conceitos teológicos agudos. Um deles segue abaixo:

¹⁷ "E contudo, [Deus] não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-nos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os nossos corações." Atos 14.

    Deus não se deixa ficar sem testemunho. Deus beneficia toda a humanidade todo o tempo. Mas o que ocorre de ruim, há tendência no ser humano em atribuir a Deus. Uma espécie de vingança pelo fracasso seu, ou seja, pelo fracasso pessoal de cada um.

   Tiago também diz:
¹³ "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. ¹⁴ Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência". Tiago 1

   Nunca transfira a Deus a sua maldade, nem a maldade alheia. Deus não é culpado da maldade. Deus não se aliena. Enquanto isso, cada detalhe dessa história, da história de cada um, da história de todos, da história da humanidade está posto na conta de Deus. Para o bem. Mas, ora, quem se empenha pelo bem?

   

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Uma questão de competência

 ¹ "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." João 1.

   João está no início de seu Evangelho. Começa alto, de onde antes nenhum outro evangelista pretendeu. E faz uma concessão à filosofia.

   Logos, no grego, traduzido Verbo, no vernáculo, para a filosofia antiga seria hoje equivalente a "design inteligente".

   Porque pressupõe-se, a partir da complexa configuração do universo, seja tanto macro, quanto microscopicamente, uma organização não aleatória.

    Daí João admitir, logo de início, em seu Evangelho, acolher a máxima filosófica de seu tempo, pois assim já propunha diálogo com seus ouvintes, assim como introduzia sua argumentação.

   Mas também logo João se afasta da filosofia.  Porque sua afirmação seguinte introduz uma polêmica que seria notória, em sua época, por introduzir (um) Deus. Então João, aqui, assemelha-se a Paulo, em Atenas.

   E afirmar que o Logos estava com Ele. Mas, como assim, estar? Pertencia, de antemão? Possuía-o? Era seu (de Deus) conselheiro, como o foi a sabedoria, na mentalidade do sábio, em Provérbios 8?

    Para logo então João cancelar a ideia de (um) Logos. Deus é Logos. Não existe Logos, existe tão somente Deus. Aqui João assume o que afirma Paulo em 2 Coríntios, ou seja, "conduzir cativo todo o pensamento à obediência de Cristo".

   Aqui a filosofia fica para trás, dando lugar ao específico da revelação, que vem por meio das Escrituras.  Não que a filosofia seja, de todo, nula. Não é, pois assim como ensina, também aprende.

   E o mesmo pode-se dizer da ciência. Esta tanto ensina, quanto aprende. O que tem a ciência a dizer sobre o ponto fundamental da fé? Vejamos o que diz Paulo:

¹³ E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. ¹⁴ E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé". 1 Coríntios 15.

   O que tem a ciência a dizer sobre ressurreição? Ressurreição, por definição, é um milagre. Milagres pertencem, tão somente, ao âmbito de Deus. Somente Deus realiza milagres.

   E Deus autentificou o Filho concedendo-lHe que, em nome do Pai, realizasse milagres. Senão, vejamos:

²² "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis, ²³ sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ²⁴ ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela." Atos 2.

   Esta longa citação acima a um só tempo afirma que os milagres realizados por Jesus autenticaram-no, como também afirma ter Deus ressuscitado o Filho.

   As Escrituras não são nem contra a filosofia, nem contra a ciência. Apenas é recomendável não sair, nenhuma das duas, do seu óbvio limite conceitual. 

     E que deixem com as Escrituras seus cacoetes, quais sejam, o que nem filosofia, nem ciência alcançam, por ser por demais sublime e inteiramente fora de sua (delas) competência. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O nome disso é amor

 ¹⁴ "Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai". Efésios 3.

  Orações são legítimo recurso. Para os que creem, dirigimo-nos a Deus para que nos ouça. Evidentemente, o assunto delas poderá refletir imaturidade. Porque, diante de Deus, qualquer um de nós é infantil. Mas se for na medida da fé, do amadurecimento que ela propõe, orações podem ser muito nobres.

  Há, nas Escrituras, muitos exemplos dessas orações. Assim como das outras, imaturas. Mas esta do apóstolo Paulo, é sublime. Inicia pela posição clássica de oração mencionada: "...de joelhos diante do Pai". Claro está que não é simplesmente a mecânica da posição corporal, mas atitude interna, a "verdade no íntimo", como menciona Davi no Salmo 51.

    Este é, objetivamente, o pedido de Paulo em sua oração: que Deus ¹⁶ "…vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior". Efésios 3. O apóstolo já esclareceu aos crentes de Éfeso que todo o que crê é selado com o Espírito Santo, em sua fé, e tornado propriedade de Deus: 

¹³ "...em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa". Ef 3.

  Esse "quem" do versículo acima é Jesus. E na oração, Paulo pede a Deus que conceda, por meio do Espírito, seja o crente autêntico fortalecido com poder. O sentido de "poder" nas escrituras é totalmente avesso ao senso comum de poder. Nas Escrituras, será poder para privar da intimidade de Deus, a fim de ser restaurado à imagem e semelhança de Deus, como proposto na ideia original lá no Gênesis.

  E Paulo vai explicitar, de modo mais completo e preciso, o que significa, pelo Espírito, ser fortalecido com poder:  ¹⁷ "…assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor". Efésios 3:17b. Será Cristo habitar no crente. Jesus mesmo já havia explicitado isso, segundo João Apóstolo mostra em seu  Evangelho: 

²³ "Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada." João 14. 

   As Escrituras definem a presença de Deus, em Pessoa, habitando naquele que crê. Deus é um só, Ele é Pai, é Filho e é Espírito Santo, portanto Ele, em cada membro da Trindade, habita em nós. Essa afirmativa específica do cristianismo, assim compreendida pelos dados das Escrituras, não deixa duvidar. E Paulo, nesta sua oração, pormenoriza a ação de cada um deles.

  E qual a finalidade dessa presença do Espírito, consubstanciada na plenitude da personalidade de Cristo em nós, Paulo vai indicar nesta oração. Podemos dizer, sobre esta oração de Paulo, uma feição de objetivo permanente para todo os crentes em todas as épocas.

  A finalidade é:    ¹⁸ "...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade" ¹⁹ "...e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Efésios 3.

  Compreender essas quatro dimensões mencionadas, seria estender ao infinito o que é possível estender em compreensão. Mas objetivamente é dito o que se deseja compreender, que é o amor de Deus. Para logo depois, indicar-se que, além de exceder todo o entendimento, é possível sim, conhecer, para ser tomado de toda a plenitude de Deus.

  A um só tempo se compreende o alcance da oração, esta sendo modelo, porque se aplica a todo e qualquer crente autêntico, indicando o objetivo específico de Deus naquele que crê, realização do Pai, Filho e Espírito Santo, demonstrado o que tornam possível naquele que crê.

  Caracteriza essa oração, em sua conclusão, um pronome indefinido adjetivo, cuja função, de si, é generalizar conceitos e, neste caso especificar e qualificar de que plenitude se trata, definindo-a: toda a plenitude de Deus. Porque, por se tratar de Deus, denuncia-se o objetivo específico dEle: sejamos tomados, cada um e todos, de toda - aqui a generalização - plenitude de Deus, referindo-se a toda a plenitude e para todos os que creem. O nome disso é amor.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cornélio Miranda: um nome bastante

    O que mais sempre clamou por minha atenção em Cornélio Miranda foi seu sorriso.  A inclinação especial do rosto, inflexão do olhar e o desenho de seu sorriso eram enigmáticos.

   Mas em que sentido enigmáticos? Reveladores. Era um sorriso revelador. Porque havia por detrás e havia o que era patente. Por detrás de Cornélio, havia a fé. E ela tem, ao mesmo tempo, um sentido enigmático e outro revelador.

   Por causa de minha origem, por mãe, nos limites da fronteira de Nilópolis, da igreja congregacional da Mena Barreto até os 9 anos, mais exatamente 1966, conheci por lá a família Miranda. Eram pura música.

   O sorriso de Cornélio a todos representa. E também nos expõe. Essa sensação eu tinha quando o via sorrir. Como se, por esse modo de ver, ele desejasse extrair de nós um máximo. Um máximo de evangelho.

    Cornélio foi alguém que extraía da gente vocação evangélica. Minha memória fugidia enxerga traços de Cornélio e Abigail em Ariquemes. Porque em agosto de 1993, numa viagem contaminante, em quatro fomos de Campo Grande do Rio até Rio Branco, Acre.

   E contagiamos Cornélio e Abigail, sua primeira esposa, porque havíamos pernoitado naquela cidade. O casal atendeu ao chamado de Deus. Ela, profeticamente falando, sempre foi auxiliadora idônea. Ficaram sobeja e vantajosamente conhecidos naquela cidade por seu modelo amoroso de dedicação.

   Trocamos correspondências, eu aqui em Rio Branco, a 700 km de Ariquemes, fomos e voltamos várias vezes até lá, inclusive no lançamento da pedra fundamental do templo congregacional no Setor 4 e algumas vezes voltando, do Rio de Janeiro, pela rodovia, para alcançar Rio Branco, hospedamo-nos bondosamente acolhidos na residência do casal.

   Há nomes que se encaixam na personagem. O Cornélio da Bíblia era também assim irrequieto. Homens assim despertam em Deus um interesse muito enorme. Por isso que Pedro teve de receber repetidos recados e reprises  - acho que pela primeira vez na Bíblia  - de visões para entender. E ainda uma cutucada do Espírito Santo, para Pedro entender a importância de Cornélio, como pura vocação apostólica. 

   Ah, quantos conheceram Cornélio, quantos querem ser como Cornélio, a quem o evangelho tanto empolga. Ah, como Deus folga, empolga e se alegra com o evangelho. O sorriso de Cornélio, eu acho, também tinha a ver com a notícia do evangelho.

   E com a alegria de repartir o evangelho. Quem e quantos ainda enxergam no evangelho essa novidade, essa alegria, essa urgência e esse poder? Passou entre nós Cornélio, homem que movia Deus e era por Ele movido, folgando em repartir evangelho.

   Ah, Pai, quanto carecemos de Cornélio e Abigail.  E de Waldira, sua segunda esposa, por quem tão amorosamente acolhidos no último contato que tive com ele em Miguel Pereira, em janeiro de 2026. Efeitos do amor, efeito da notícia essencial que nos alcança por meio do evangelho.

  Tiago se refere ao profeta Elias sendo um homem como nós. De sã consciência, jamais nos compararíamos a Elias. Cornélio, um homem como nós. Ele nos ensina, como Abel, continua falando quanto pode um homem que escancara toda a vida à graça de Deus.

  Ah, nosso amigo e irmão Cornélio, de sorriso maroto, o que esconde esse enigmático sorriso, esse modo oblíquo e tão instigante de nos olhar? Por detrás não há segredo. Há um coração que experimentou plenitude do Espírito em vida.  Privou no íntimo o que deixa Deus tão alegre.