sábado, 20 de junho de 2026

Sempre um gesto de amor

 ⁶ "...lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão, e no monte Hermom, e no outeiro de Mizar." Salmo 42.

    O outeiro de Mizar foi marcante memória para o salmista [Salmo 42]. Porque Deus o soergueu de seu abatimento. Em qualquer lugar e todo o tempo Deus pode resgatar do abatimento.

   Para o salmista, foi Mizar. Será que, como Elias no Horebe, foi lá buscar refúgio? Lugar aprazível, na região próxima ao Hermon, monte de 2184 m, com neve no cimo na maior parte do ano.

    Situa-se próximo às Colinas de Golã, atualmente ocupadas por Israel, ao norte, fronteira com a Síria. Tornou-se uma experiência marcante para o salmista.

   Quantas iguais já tivemos? Não precisa sentir abatimento, nem se deslocar ao outeiro de Mizar. Mas será essencial orar. O próprio salmista reconhece isso.

⁸ "Contudo o Senhor, durante o dia, me concede a sua misericórdia, e à noite comigo está o seu cântico, uma oração ao Deus da minha vida."

   Para orar, temos Jesus, o Filho, como (único) Mediador, e o Espírito Santo para assistir-nos na oração, por uma razão simples, porém flagrante.

²⁶ "Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis." Rm 8.

⁵ "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem". 1 Tm 2.

   Toda oração, pela mediação do Filho e assistência do Espírito constitui-se numa experiência estilo Mizar. Aliás, esta palavra significa "pequeno". Típico de Deus: gestos sempre simples, pequenos, porém notáveis. Marcantes. 

   Sempre será uma experiência especial. É claro que a urgência de qualquer oração, diante dos dilemas e, até como o próprio Jesus preveniu, diante das aflições, serão proporcionalmente mais marcantes.

    Mas o Deus será sempre o mesmo. E a prontidão sempre igual. Ainda que haja qualquer tipo de distração, como foi a de Agar:

¹³ "Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?" Gn 16.

    Ore agora.  Por gratidão ao Deus que sempre vê.  E que está também sempre perto e pronto a ouvir.  Deve ser muito lindo e aprazível o outeiro de Mizar. 

⁷ "Tendo-a achado o Anjo do Senhor junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur". Gn 6.

   Mas também aprazível a fonte do caminho de Sur, no deserto. Onde Deus o achar. Sempre perto. Sempre pronto a ouvir. Por mediação do Filho e assistência do Espírito.  Toda Trindade cabe num mesmo gesto de amor.

Nosso Grande Amigo Armando

Gratidão a Deus pela preciosa vida de Armando Escamilha Macedo. Grande amigo de meus pais. E a fidelidade de sua amizade se estendeu a mim e minha família.  A entrevista abaixo realizamos numa visita muito agradável a sua casa e família, ainda em dias da pandemia. Esse sorriso foi sua marca a vida inteira. E o testemunho de sua fé o maior consolo, para ele, para sua família e para nós, neste momento de despedida, mas na certeza de que continua sorrindo, agora ao lado do sorriso de Jesus. 

 Como foi a encrenca do Neném Costa? Mas o Armando já contou alguma coisa? Não. Está pedindo para vc contar.

Nessa época éramos muito crianças. Para saber alguma coisa... A gente ouvia falar por alto. Mas o que eu sei é que foi por causa de umas espigas de milho.

Parece que o Zezé pegou umas espigas de milho do tio Neném. Plantava, assim, na beira da estrada. Fosse amendoim, fosse milho. Vinha do baile, das festas, passava a mão, assim, macio, e começava a comer.

Houve a afronta, de tio Neném, então foi a casa, pegou da espingarda e acertou o pulmão do tio Neném.  E tio Neném pobre, casado, cheio de filhos, ferido, em cima da cama. Diz que o cheiro da infecção ia longe...

Foi por pouco que ele não morreu. Tio Zezé contava isso chorando, anos e anos depois. Eu vi. Contava para meu pai e começava a chorar. Meu pai dizia, Zezé, isso era coisa de quem não era crente. Mas Cid, como fui fazer isso? Mas você agora é convertido, Zezé.

Ele ficou bom e viveu muitos anos. Convertido também. Isso não sei. Mas a Dercília, a filha mais velha de Zezé, contou-me essa história. Mas sim, parecida com essa minha.

Vai que seja, porque essa do milho surrupiado ela não contou. Lado ruim do pai... Hahahaha...Nada, emenda Luzia: Não era ruim. Era comum. Você vinha, de madrugada, de uma festa em que não comeu nada, aí, passa na beira da estrada, aquela espiga bonitona ali, nem leva pra casa, para assar, nem nada.

Essa história da espiga não contou. Mas a do sitiante que tinha seus cachorros ela contou. E um deles mordeu dois dos filhos de Zezé. Ora, na casa de tio Neném tinha cachorros. Certo. Mas acho que, desta vez, não foram eles não.

Aí a encrenca cresceu. Que vai acertar contas, essas coisas, e o dono dos cachorros matou o que mordeu. Embora sem nada demais, uma mordida na altura do pulmão em Delacir, e uma dentadinha nas nádegas de Dinair, mas nada demais, estão vivos e sadios até hoje.

E o cara disse que sobrava uma bala para quem mais viesse resolver. Mas Zezé nessa época, já conta meu pai, estava agarrado com a Bíblia, virou um cara manso, decidido e corajoso, mas manso.

Mas conta que Dianair, muito bonita, como eram todas as filhas de Zezé, acho que minha avó era mistura de negra com índio, o que dizem, vocês que a conheceram? Não. Já falecera quando nascemos. 

Tarde em Itaocara:

sexta-feira, 19 de junho de 2026

No tempo de nossos pais - Louvores

 1. https://www.youtube.com/watch?v=ZpF-CCuODsQ

2. https://www.youtube.com/watch?v=sW0EE1ky4tY

3. https://www.youtube.com/watch?v=e4YwGScLR3Y

4. Quem tem posto a mão no arado

 https://www.youtube.com/watch?v=0T7REvYxf7o

5. O Senhor é minha força

https://www.youtube.com/watch?v=qo1KCytqsgk

6. O Verbo habitou entre nós

https://www.youtube.com/watch?v=Xvk6kEzdD2U

7. Sinceramente

https://www.youtube.com/watch?v=jCPKEcqVL5Y

8. Não tem jeito não

https://www.youtube.com/watch?v=DAPFSxQijm4

9. Só o poder de Deus

https://www.youtube.com/watch?v=9VWti35Ku1A

10. Coletivo Candieiro

https://www.youtube.com/watch?v=JQ6CGNlKvn8

11. Tudo há de passar

https://www.youtube.com/watch?v=LG3E4mCDAlc

12. O dia da vitória

https://www.youtube.com/watch?v=6eqauL0oXzs

13. Número especial - Tudo podes, meu amado Senhor

https://www.youtube.com/watch?v=OgZ3OiduMW0

Guetos de ortodoxia

 ³ "Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos." Judas.

     Meu professor de hermenêutica em 1978, Martineis Anjo Gonçalves, de saudosa memória, disse certa vez que podemos começar entendendo um texto fazendo (inteligentes) perguntas a ele.

   Poderíamos perguntar, então: Como pôde Deus, de sã consciência (permissão para falar assim), pensar em entregar aos santos (no caso, aos que creem) a fé santíssima?

²⁰ "Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo".

   Preciosa, de extremado valor, entregue alhures. Por ela (ou a ela, não se sabe o que ocorre primeiro) temos acesso ao evangelho. Paulo (ele, sim, apóstolo) esclarece isso no clássico texto de Romanos 5:

¹ "justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; ² por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus."

   Em minha congregação cansaram de me ouvir mencionar outro texto clássico, em Marcos 1, onde ele afirma quem primeiro pregou  o "evangelho de Deus": Jesus.

¹⁴ "Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, ¹⁵dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho."

    Por esse texto, indica-se: 1. O Apocalipse já começou; 2. Arrependimento está vigente e é urgente; 3. O reino de Deus está próximo, ou seja, ao alcance por acesso, mas também cronológica, histórica e iminentemente perto.

   Uma vez tendo recebido fé e evangelho, era então para saber: o que fé e evangelho são capazes de fazer conosco, operantes em nossas vidas?

   E não o contrário, ou seja, o que somos (ou fomos, até aqui), capazes de fazer deles. Cada um tem o evangelho que merece.
   
    Inversão  da Reforma. Saímos dela, dizemos, tendo resgatado as Escrituras de seu cativeiro na ortodoxia romana. O erro deles, dissemos, foi desprezar as Escrituras.

    Elevaram sua ortodoxia acima das Escrituras, ao estipular que é o Magistério da Igreja que lê e que normatizava o que vai escrito.

   Aí, formamos nossos guetos de ortodoxia. As Escrituras ensinam fé e aprofundam vivência do evangelho. Ortodoxia atiça vaidades.

   Em cada gueto, supõe-se ortodoxia superior a todas as outras. Enquanto isso, o que cabe às Escrituras ensinar, fica obscurecido. Cada um tem o evangelho que merece.

    Desprestigiadas, as Escrituras nada têm a ensinar. E as ortodoxias também nada ensinam. As Escrituras estão acima de todas elas. O Sola Scriptura prevalece como princípio, mas não como método. 

EVANGÉLICOS NO BRASIL

SÉRIE: EVANGÉLICOS NO BRASIL
Número 2


[Se você ainda não leu o Número 1, recomendo começar por ele: “Evangélicos no Brasil: o que os dados do Censo realmente revelam?”]

Os números chamam atenção.
Mas talvez eles não contem a história mais importante.

Enquanto boa parte do debate religioso brasileiro continua concentrada nas grandes capitais do Sudeste, os dados do Censo revelam que algo diferente está acontecendo na Amazônia.

Por que justamente o Norte se tornou a região mais evangélica do país?

O que migração, urbanização, mobilidade social e busca por pertencimento têm a ver com isso?

E, mais importante:
Estamos apenas observando estatísticas ou aprendendo a interpretar as transformações profundas da sociedade brasileira?

Minha proposta não é discutir quem está crescendo mais.
Não se trata de competição. Muito menos de estabelecer qualquer oposição aos católicos.

Meu interesse é refletir sobre o que os números podem revelar a respeito da missão da igreja em um Brasil que está mudando rapidamente.

Suas opiniões são muito bem-vindas.

Faço um convite especial aos irmãos e irmãs da Região Norte, incluindo alunos e graduados da FTSA: compartilhem suas percepções, experiências e discernimentos.

Vocês vivem uma realidade que muitos de nós observamos apenas à distância.

Talvez tenham muito a nos ensinar sobre o que está acontecendo nessa importante região do país.

Deslize e participe da conversa.

#DescomplicandoaTeologia #EvangelicosNoBrasil #MissaoUrbana #Censo2022 #TeologiaPublica
 você ainda não leu o Número 1, recomendo começar por ele: “Evangélicos no Brasil: o que os dados do Censo realmente revelam?”]

Os números chamam atenção.
Mas talvez eles não contem a história mais importante.

Enquanto boa parte do debate religioso brasileiro continua concentrada nas grandes capitais do Sudeste, os dados do Censo revelam que algo diferente está acontecendo na Amazônia.

Por que justamente o Norte se tornou a região mais evangélica do país?

O que migração, urbanização, mobilidade social e busca por pertencimento têm a ver com isso?

E, mais importante:
Estamos apenas observando estatísticas ou aprendendo a interpretar as transformações profundas da sociedade brasileira?

Minha proposta não é discutir quem está crescendo mais.
Não se trata de competição. Muito menos de estabelecer qualquer oposição aos católicos.

Meu interesse é refletir sobre o que os números podem revelar a respeito da missão da igreja em um Brasil que está mudando rapidamente.

Suas opiniões são muito bem-vindas.

Faço um convite especial aos irmãos e irmãs da Região Norte, incluindo alunos e graduados da FTSA: compartilhem suas percepções, experiências e discernimentos.

Vocês vivem uma realidade que muitos de nós observamos apenas à distância.

Talvez tenham muito a nos ensinar sobre o que está acontecendo nessa importante região do país.










Deslize e participe da conversa.

#DescomplicandoaTeologia #EvangelicosNoBrasil #MissaoUrbana #Censo2022 #TeologiaPublica

Ver na net:

sábado, 13 de junho de 2026

Muitos cristianismos, fé e Fake News

"... penduraram Jesus de Nazaré na véspera da Páscoa, pois praticava a feitiçaria e levava Israel à perdição." Talmude babilônico, Tratado Sinédrio, 43b.

³³ "Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram". Lucas 23.

   Talmude, no hebraico, signfica "estudo" ou "aprendizado". Tanto que a palavra "talmid" significa aluno.

   Desde o exílio em Babilônia, em 605 a.C., os religiosos judeus desenvolveram longa tradição de interpretação da Lei de Moisés, o que restou após as grandes perdas de 587 a.C.: queimado o Templo, toda Jerusalém e deposto e morto seu último rei.

    Pois o trecho inicial acima, é de fonte judaica, é um testemunho extrabíblico da crucificação de Jesus. O texto seguinte, um testemunho bíblico, fonte lucana neotestamentária.

   Ambos fazem a mesma afirmação. Trata-se da história do mais famoso galileu, assim reconhecido, assassinado sem nenhuma acusação justificada, por volta do ano 33 de nossa era.

   Nele se baseia toda a história da religião cristã. O que se constrói, ao longo de séculos, denominado cristianismo, provém de uma longa evolução a partir do que dele se conta nos chamados Evangelhos.

   E o que mais se diz em todo o restante do chamado Novo Testamento. O sistema religioso decisivo na emolduração de toda a cultura ocidental, com reflexos no restante do mundo, tem origem na crucificação desse homem.

    Paulo Apóstolo, alguém de quem já se disse ter sido, por causa da influência de seus escritos, inventor da religião cristã, afirma ser a ressurreição de Jesus a principal, senão a única âncora dessa religião.  Eis o que ele diz:

¹⁶ "Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. ¹⁷ E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados". 1 Coríntios 15.

    Por incrível que parece, nesse trecho ele argumentava com crentes da igreja de Corinto, dentro dela porém descrentes da ressurreição.  Tremendamente influenciados pela filosofia grega, que admitia ser um absurdo essa crença.

   Mas ressurreição é o esteio do cristianismo. Se por acaso, pelo efeito de sua dimensão histórica, não há como negar o cristianismo como religião, ele continuará sendo, apenas, religião, caso seja negada a ressurreição.

   Se o crucificado às vésperas da Páscoa, acusado de feitiçaria e de conduzir Israel à perdição, de fato, não ressuscitou ao terceiro dia, do modo como afirmam os quatro Evangelhos e mais Paulo, a fé é  vã.

   Há, definivamente, distinção entre fé e religião. A fé diz respeito a fatos de Deus. Desde o Gênesis afirma-se "No princípio, Deus". Ele diz e acontece, ele faz e aparece. Outro autor neotestamentário, desta vez anônimo, afirma:

⁶ "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. "Hebreus 11.

   De fato. A fé é um fato. Deus é um fato. A ressurreição de Jesus é um fato. Assim como também foi a sua crucificação.  Sim, de fato, cremos no galileu assassinado crucificado e na sua ressurreição.

   Cristianismos há muitos. Quanto ao evangelho, cada um tem o que merece. Deveria ser mais o que o evangelho pode fazer por nós, do que o que nós fazemos dele. E quanto ao judeu assassinado morto na cruz, não é Fake, é fé: aquele judeu, queiram ou não queiram, é salvador do mundo.

domingo, 7 de junho de 2026

Igreja, alegria de Deus

 ⁴ "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor." Apocalipse 2.

    Éfeso era uma megaigreja.  Tão ao feitio de muitas de nossos dias. Aliás, há uma penca de crentes que, se não for numa delas, não serve para eles.

   Mas pode ocorrer que nem haja, por parte de (algumas dessas) igrejas, uma síndrome de grandeza, o que seria muito perigoso. Afinal, soberba não combina com Jesus.

   E sabemos da parte de quem provém soberba e a falência que representa. E ela pode ser coletiva e/ou individual. Amor também, só que, na igreja, identitariamente, precisa ser individual e coletivo. E somente tem única origem.

   Em Éfeso, quando Jesus afirma que era emergencial retornar ao primeiro amor, foi porque toda a igreja havia perdido o alvo. Que houvesse crentes nela que mantinham amor, mas a maioria doente superou e comprometeu, para si, o testemunho dessa minoria injustamente desprezada.

   Se considerarmos que as características descritas por Lucas, em 2,42-47, definem o modo saudável dessa igreja nascente de Atos se desenvolver, e que foi uma descrição completa, nenhuma igreja sadia pode abrir mão de nenhum dos itens que Lucas menciona.

   Portanto, vamos entender que, inegavelmente, a observação feita por Jesus a Éfeso, não se aplicaria à igreja descrita por Lucas. E que elementos eram prática comum nesta igreja de Atos? Eram perseverantes em:

   Doutrina: cuidado com isso. Lucas se refere à dos apóstolos. Que signfica, hoje, o que temos na Bíblia.  O erro tem sido o que antes, na Reforma, criticamos na Igreja única que existia: pôr o que hoje se chama doutrina acima das Escrituras.

   Nenhuma doutrina ensina amor. As Escrituras ensinam amor. Avaliar que a doutrina de uma igreja ou grupo o coloca acima das outras ou de outros não é Escritura, não é  "doutrina dos apóstolos", não é amor.

   Comunhão: mais um conceito das Escrituras. Aliás, o principal personagem das Escrituras, Jesus, é Deus feito homem para estabelecer uma comunhão perfeita com o Pai. E é ele que afirma: "Edificarei a minha igreja".

      Comunhão define igreja. E não é comunhão estilo Éfeso, na qual a competência do grupo passou a definir as atividades da igreja. A lista que Jesus enumera, incluído até o fato de terem suportado afrontas por causa de sua fé, não lhes garantiu identidade, porque faltava amor.

   E se falta amor, a comunhão é falsa. Jesus expressa na sua assim denominada oração sacerdotal:

²¹ "... a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." João 17.

   Comunhão é resultado de ação do Espírito na vida individual de cada membro, assim como o resultado final promovido em todos, por todos, em comunhão com o Pai, em Cristo, por esse mesmo Espírito. E o resultado é ação no mundo.

   Oração: essa igreja, denominada primitiva, tão mencionada como exemplo, orava junto, rapartia seu tempo juntos, participavam de refeições juntos, visitavam-se casa a casa, atividades que mantinham ininterrupta sua comunhão.

   A vida moderna apresenta fatores que, ao mesmo tempo, podem aproximar ou afastar, podem incrementar ou anular comunhão. Mas não se pode confundir estratégias de consumo, qualquer associação de grupo, seja que finalidade for, com a comunhão de ser igreja.

   Igrejas não são ONGs. Elas existem como resultado da cruz, que proporciona perdão do pecado, santificação em Jesus e ação do Espírito, para testemunho ao mundo.

   Qualquer outra finalidade para a igreja, distorce sua identidade. O problema atual principal é seu desvio de função. Os que se ajuntam, não mais se identificam pela redenção pelo sangue de Jesus, mas como reunião de afago do ego pessoal de cada um ou uma identidade qualquer que os defina como grupo.

   Temor: nenhuma outra identidade se aplica à igreja. Em cada alma havia temor, representa seriedade e santidade perante Deus. Pode-se dizer que Lucas descreve características gerais e práticas da igreja. Mas todas são teológicas.

   Onde mais aprender temor senão nas Escrituras? E como aplicar isso ao viver, senão aplicando as Escrituras ao viver? Elas também serão o manual prático-teológico do amor e da comunhão.

   E a igreja, no seu dia a dia, será escola de amor, comunhão e temor ao Senhor. Cuja cartilha será a Bíblia.  Quando Atos afirma que dia a dia assim procediam, pode ser que a rotina de vida daqueles irmãos lhes permitisse, diariamente, encontrar-se.

   Pois na nossa realidade, pode ser improvável (não impossível) reunir-se todo o dia, mas viver igreja todo dia, a todo instante, onde estiver, é absoluto, necessário, insubstituível.  Daí prodígios e sinais. Tudo decorrente da igreja ou da vida individual de cada membro é prodígio e sinal.

   Porque igreja é ação de Deus no mundo, por meio da vida dos que creem. E para aqueles irmãos, viver igreja era o essencial. Por isso que, para nós, precisa ser essencial viver igreja.  E justo e especificamente neste nosso contexto de vida.

    O fruto:  louvar a Deus, contar com a simpatia de todo o povo e acolher os que o Senhor lhes acrescentava, era fruto, resultado natural dessa experiência que somente Deus proporciona.

   Igreja é a inédita experiência de Deus na vida daquele que crê. Com alegria e singeleza de coração, de parte a parte.  Alegria de Deus é segurança para nós.