sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Enquanto isso

 É uma expressão generalizante. Porque "isso" é neutro, carece de especificação anterior. Enquanto "enquanto", conjunção temporal, exprime o que ocorre concomitante, ou seja, ao mesmo tempo que.

   Os profetas do AT dirigem-se, prioritariamente, ao povo eleito. Veja bem, essa história de eleito está detalhadamente explicada no Deuteronômio. Sem privilégios, a não ser esse de ser exatamente isso, ou seja, eleito.

   Enquanto isso, corre por fora o que ocorre entre todas as outras nações. Na verdade, generalizante, Deus escolhe todos e cada um. Para isso, porém, escolheu, como se fossem  cobaias dessa escolha, os judeus.

   Mas sem privilégios. Significa dizer que, não havendo correspondência à escolha de Deus, ou seja, uma vez reconhecidas intenção da escolha mas, da parte dos eleitos, ocorrer um "não estou nem aí", para a escolha de Deus, esta se anula.

   Isso quer dizer que Deus não escolhe quem não escolhe a Ele. Nunca ninguém será obrigado, pelo menos pelo próprio Deus, a ter com Ele comunhão.  Mas também nunca ninguém reduzirá Deus a um deus, ou seja, seu (da pessoa em questão) ídolo de estimação.

   Enquanto isso, nunca pense num Deus inativo. Muito do que acontece, enquanto isso, aqui embaixo, no planeta, de ruim, usualmente se quer culpar Deus pelo ocorrido.

   Esquecem ou, simplesmente, descreem do que, de bom, Deus efetua. E "viu Deus tudo quanto fez e eis muito bom". Mas o bom, ora, quem se empenha pelo bem?

   Deus não se aliena. Não é próprio dEle. Deus ama intensamente cada um. Em Atos, que Lucas magistralmente escreveu, há registros muito interessantes de conceitos teológicos agudos. Um deles segue abaixo:

¹⁷ "E contudo, [Deus] não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-nos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os nossos corações." Atos 14.

    Deus não se deixa ficar sem testemunho. Deus beneficia toda a humanidade todo o tempo. Mas o que ocorre de ruim, há tendência no ser humano em atribuir a Deus. Uma espécie de vingança pelo fracasso seu, ou seja, pelo fracasso pessoal de cada um.

   Tiago também diz:
¹³ "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. ¹⁴ Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência". Tiago 1

   Nunca transfira a Deus a sua maldade, nem a maldade alheia. Deus não é culpado da maldade. Deus não se aliena. Enquanto isso, cada detalhe dessa história, da história de cada um, da história de todos, da história da humanidade está posto na conta de Deus. Para o bem. Mas, ora, quem se empenha pelo bem?

   

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Uma questão de competência

 ¹ "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." João 1.

   João está no início de seu Evangelho. Começa alto, de onde antes nenhum outro evangelista pretendeu. E faz uma concessão à filosofia.

   Logos, no grego, traduzido Verbo, no vernáculo, para a filosofia antiga seria hoje equivalente a "design inteligente".

   Porque pressupõe-se, a partir da complexa configuração do universo, seja tanto macro, quanto microscopicamente, uma organização não aleatória.

    Daí João admitir, logo de início, em seu Evangelho, acolher a máxima filosófica de seu tempo, pois assim já propunha diálogo com seus ouvintes, assim como introduzia sua argumentação.

   Mas também logo João se afasta da filosofia.  Porque sua afirmação seguinte introduz uma polêmica que seria notória, em sua época, por introduzir (um) Deus. Então João, aqui, assemelha-se a Paulo, em Atenas.

   E afirmar que o Logos estava com Ele. Mas, como assim, estar? Pertencia, de antemão? Possuía-o? Era seu (de Deus) conselheiro, como o foi a sabedoria, na mentalidade do sábio, em Provérbios 8?

    Para logo então João cancelar a ideia de (um) Logos. Deus é Logos. Não existe Logos, existe tão somente Deus. Aqui João assume o que afirma Paulo em 2 Coríntios, ou seja, "conduzir cativo todo o pensamento à obediência de Cristo".

   Aqui a filosofia fica para trás, dando lugar ao específico da revelação, que vem por meio das Escrituras.  Não que a filosofia seja, de todo, nula. Não é, pois assim como ensina, também aprende.

   E o mesmo pode-se dizer da ciência. Esta tanto ensina, quanto aprende. O que tem a ciência a dizer sobre o ponto fundamental da fé? Vejamos o que diz Paulo:

¹³ E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. ¹⁴ E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé". 1 Coríntios 15.

   O que tem a ciência a dizer sobre ressurreição? Ressurreição, por definição, é um milagre. Milagres pertencem, tão somente, ao âmbito de Deus. Somente Deus realiza milagres.

   E Deus autentificou o Filho concedendo-lHe que, em nome do Pai, realizasse milagres. Senão, vejamos:

²² "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis, ²³ sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ²⁴ ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela." Atos 2.

   Esta longa citação acima a um só tempo afirma que os milagres realizados por Jesus autenticaram-no, como também afirma ter Deus ressuscitado o Filho.

   As Escrituras não são nem contra a filosofia, nem contra a ciência. Apenas é recomendável não sair, nenhuma das duas, do seu óbvio limite conceitual. 

     E que deixem com as Escrituras seus cacoetes, quais sejam, o que nem filosofia, nem ciência alcançam, por ser por demais sublime e inteiramente fora de sua (delas) competência. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O nome disso é amor

 ¹⁴ "Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai". Efésios 3.

  Orações são legítimo recurso. Para os que creem, dirigimo-nos a Deus para que nos ouça. Evidentemente, o assunto delas poderá refletir imaturidade. Porque, diante de Deus, qualquer um de nós é infantil. Mas se for na medida da fé, do amadurecimento que ela propõe, orações podem ser muito nobres.

  Há, nas Escrituras, muitos exemplos dessas orações. Assim como das outras, imaturas. Mas esta do apóstolo Paulo, é sublime. Inicia pela posição clássica de oração mencionada: "...de joelhos diante do Pai". Claro está que não é simplesmente a mecânica da posição corporal, mas atitude interna, a "verdade no íntimo", como menciona Davi no Salmo 51.

    Este é, objetivamente, o pedido de Paulo em sua oração: que Deus ¹⁶ "…vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior". Efésios 3. O apóstolo já esclareceu aos crentes de Éfeso que todo o que crê é selado com o Espírito Santo, em sua fé, e tornado propriedade de Deus: 

¹³ "...em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa". Ef 3.

  Esse "quem" do versículo acima é Jesus. E na oração, Paulo pede a Deus que conceda, por meio do Espírito, seja o crente autêntico fortalecido com poder. O sentido de "poder" nas escrituras é totalmente avesso ao senso comum de poder. Nas Escrituras, será poder para privar da intimidade de Deus, a fim de ser restaurado à imagem e semelhança de Deus, como proposto na ideia original lá no Gênesis.

  E Paulo vai explicitar, de modo mais completo e preciso, o que significa, pelo Espírito, ser fortalecido com poder:  ¹⁷ "…assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor". Efésios 3:17b. Será Cristo habitar no crente. Jesus mesmo já havia explicitado isso, segundo João Apóstolo mostra em seu  Evangelho: 

²³ "Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada." João 14. 

   As Escrituras definem a presença de Deus, em Pessoa, habitando naquele que crê. Deus é um só, Ele é Pai, é Filho e é Espírito Santo, portanto Ele, em cada membro da Trindade, habita em nós. Essa afirmativa específica do cristianismo, assim compreendida pelos dados das Escrituras, não deixa duvidar. E Paulo, nesta sua oração, pormenoriza a ação de cada um deles.

  E qual a finalidade dessa presença do Espírito, consubstanciada na plenitude da personalidade de Cristo em nós, Paulo vai indicar nesta oração. Podemos dizer, sobre esta oração de Paulo, uma feição de objetivo permanente para todo os crentes em todas as épocas.

  A finalidade é:    ¹⁸ "...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade" ¹⁹ "...e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Efésios 3.

  Compreender essas quatro dimensões mencionadas, seria estender ao infinito o que é possível estender em compreensão. Mas objetivamente é dito o que se deseja compreender, que é o amor de Deus. Para logo depois, indicar-se que, além de exceder todo o entendimento, é possível sim, conhecer, para ser tomado de toda a plenitude de Deus.

  A um só tempo se compreende o alcance da oração, esta sendo modelo, porque se aplica a todo e qualquer crente autêntico, indicando o objetivo específico de Deus naquele que crê, realização do Pai, Filho e Espírito Santo, demonstrado o que tornam possível naquele que crê.

  Caracteriza essa oração, em sua conclusão, um pronome indefinido adjetivo, cuja função, de si, é generalizar conceitos e, neste caso especificar e qualificar de que plenitude se trata, definindo-a: toda a plenitude de Deus. Porque, por se tratar de Deus, denuncia-se o objetivo específico dEle: sejamos tomados, cada um e todos, de toda - aqui a generalização - plenitude de Deus, referindo-se a toda a plenitude e para todos os que creem. O nome disso é amor.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cornélio Miranda: um nome bastante

    O que mais sempre clamou por minha atenção em Cornélio Miranda foi seu sorriso.  A inclinação especial do rosto, inflexão do olhar e o desenho de seu sorriso eram enigmáticos.

   Mas em que sentido enigmáticos? Reveladores. Era um sorriso revelador. Porque havia por detrás e havia o que era patente. Por detrás de Cornélio, havia a fé. E ela tem, ao mesmo tempo, um sentido enigmático e outro revelador.

   Por causa de minha origem, por mãe, nos limites da fronteira de Nilópolis, da igreja congregacional da Mena Barreto até os 9 anos, mais exatamente 1966, conheci por lá a família Miranda. Eram pura música.

   O sorriso de Cornélio a todos representa. E também nos expõe. Essa sensação eu tinha quando o via sorrir. Como se, por esse modo de ver, ele desejasse extrair de nós um máximo. Um máximo de evangelho.

    Cornélio foi alguém que extraía da gente vocação evangélica. Minha memória fugidia enxerga traços de Cornélio e Abigail em Ariquemes. Porque em agosto de 1993, numa viagem contaminante, em quatro fomos de Campo Grande do Rio até Rio Branco, Acre.

   E contagiamos Cornélio e Abigail, sua primeira esposa, porque havíamos pernoitado naquela cidade. O casal atendeu ao chamado de Deus. Ela, profeticamente falando, sempre foi auxiliadora idônea. Ficaram sobeja e vantajosamente conhecidos naquela cidade por seu modelo amoroso de dedicação.

   Trocamos correspondências, eu aqui em Rio Branco, a 700 km de Ariquemes, fomos e voltamos várias vezes até lá, inclusive no lançamento da pedra fundamental do templo congregacional no Setor 4 e algumas vezes voltando, do Rio de Janeiro, pela rodovia, para alcançar Rio Branco, hospedamo-nos bondosamente acolhidos na residência do casal.

   Há nomes que se encaixam na personagem. O Cornélio da Bíblia era também assim irrequieto. Homens assim despertam em Deus um interesse muito enorme. Por isso que Pedro teve de receber repetidos recados e reprises  - acho que pela primeira vez na Bíblia  - de visões para entender. E ainda uma cutucada do Espírito Santo, para Pedro entender a importância de Cornélio, como pura vocação apostólica. 

   Ah, quantos conheceram Cornélio, quantos querem ser como Cornélio, a quem o evangelho tanto empolga. Ah, como Deus folga, empolga e se alegra com o evangelho. O sorriso de Cornélio, eu acho, também tinha a ver com a notícia do evangelho.

   E com a alegria de repartir o evangelho. Quem e quantos ainda enxergam no evangelho essa novidade, essa alegria, essa urgência e esse poder? Passou entre nós Cornélio, homem que movia Deus e era por Ele movido, folgando em repartir evangelho.

   Ah, Pai, quanto carecemos de Cornélio e Abigail.  E de Waldira, sua segunda esposa, por quem tão amorosamente acolhidos no último contato que tive com ele em Miguel Pereira, em janeiro de 2026. Efeitos do amor, efeito da notícia essencial que nos alcança por meio do evangelho.

  Tiago se refere ao profeta Elias sendo um homem como nós. De sã consciência, jamais nos compararíamos a Elias. Cornélio, um homem como nós. Ele nos ensina, como Abel, continua falando quanto pode um homem que escancara toda a vida à graça de Deus.

  Ah, nosso amigo e irmão Cornélio, de sorriso maroto, o que esconde esse enigmático sorriso, esse modo oblíquo e tão instigante de nos olhar? Por detrás não há segredo. Há um coração que experimentou plenitude do Espírito em vida.  Privou no íntimo o que deixa Deus tão alegre. 

domingo, 13 de setembro de 2026

Única e autêntica unção

 ² "Toma Arão, e seus filhos, e as vestes, e o óleo da unção, como também o novilho da oferta pelo pecado, e os dois carneiros, e o cesto dos pães asmos ³ e ajunta toda a congregação à porta da tenda da congregação." Levítico 8.

   Óleo da unção, de si, nada vai acrescentar. Mas é sinal indicativo da vocação de Deus. Esta sim é determinante.  Por isso, Jesus é chamado Messias, quer dizer, ungido. O Ungido.

   E nEle, todos o somos:
²⁰ "E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento…" 1 João 2:20a.

   Para de dizer que alguém está cheio de unção.  Porque todos os que creem em Jesus têm unção. Signfica ter o Espírito Santo habitando em si. Agora, ser pleno do Espírito é outro distinto processo.

  O selo é a unção:
¹³ "...em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; ¹⁴ o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória." Efésios 1:13,14.

   Arão e seus filhos, vocacionados por Deus levitas, ministros do culto e da doutrina, careciam ser cheios do Espírito. Não era somente o ritual do óleo que conferia ou transmitia "unção", como costuma dizer o vulgo.

   Tanto Saul quanto Davi receberam, sobre sua cabeça, o óleo da unção, proveniente do mesmo profeta, juiz e sacerdote, Samuel. Mas quem mais deu lugar ao Espírito em sua vida foi Davi. Muitas tentativas houve na vida de Saul, mas o Espírito tinha nele menos lugar.

   Em Davi, embora com muita luta e eventuais clamorosas derrotas, o Espírito agiu com maior liberdade.  No cerimonial da ordenação pastoral de Arão e seus filhos havia três sacrifícios representativos da vocação divina.

   O sacrifício pelo pecado, o primeiro deles, significando que o ponto de partida da comunhão com Deus é a cruz. A comunhão com Deus não é diletante, porque justo não há nenhum. Ela inicia na vida dos que são resgatados do seu pecado.

   O segundo sacrifício era um holocausto. Porque comunhão e resgate implicam na entrega total da vida ao Senhor Deus. Perda total. A vida que era entregue, como escrava, ao pecado, uma vez resgatada, é santa ao Senhor, a Ele pertence e ao Seu serviço será dedicada.

¹⁴ "Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. ¹⁵ E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2 Coríntios 5:14,15.

   E o terceiro e último sacrifício é o da consagração. Porque na entrega ao Senhor e opção consciente ao Seu serviço todas as etapas são voluntárias e em cada uma está presente o Espírito legitimando.

  Consagração signfica se reconhecer servo, reconhecer o lugar preciso onde Deus coloca, para agir em nome dEle, e buscar, todo o tempo, a plenitude do Espírito em servir. 

   O Espírito presente no resgate do pecado, na oferta total decorrente da vida completa e na dedicação ao serviço do Senhor. É possível intervir em qualquer dessas etapas. Elas estão entrelaçadas e ser ungido de Deus representa acolher e ser acolhido completo.

   A interferência do ser humano pode ser rejeitar o resgate do pecado, descrendo de sua pertinência. Nunca menospreze o que provém do Senhor. Ainda que não haja rejeição, a entrega pode não ser integral, resultando numa consagração inautêntica.

   Honre a unção que provém do Santo. 

sábado, 12 de setembro de 2026

Vila Abunã - Ruínas da Madeira-Mamoré

 





Ruínas da velha estrada de ferro
Madeira-Mamoré






Uma visão mais ampla de como era o museu da Madeira-Mamoré criado no antigo galpão número 1, que nos tempos da ferrovia servia de depósito para as grandes mercadorias como a borracha (nos tempos áureos as locomotivas passavam por dentro do galpão). Era apenas uma fração do que existiu no acervo patrimonial da ferrovia, alguns móveis da administração, máquinas de datilografia, calculadoras que ficavam nos postos, cofres, telefones dos postos, várias ferramentas que eram usadas pelos trabalhadores, algumas máquinas e pequenos tornos,, sinos, manômetros, várias peças de locomotivas, geradores, máquina do plano inclinado, grandes balanças, carrinhos, entre outros. E a locomotiva Coronel Church que não aparece na foto pois está no lado oposto do fotógrafo. Dava gosto visitar o museu quando tinha este acervo. Vale ressaltar que ainda há um bom acervo que havia ai, mas infelizmente está jogado nos fundos das oficinas, sem cuidado algum, jogados como lixo, e sem qualquer perspectiva de estarem acomodados no museu.












sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Com firma reconhecida

   Costuma-se culpar as Escrituras. Pondo a culpa no autor ou, mais rotineiro ainda, em Deus. Isso porque é pressuposto ter ocorrido uma parceria na autoria do Livro.

   Eu, mais uma vez, por pretensão de um deslize, qual seja, tentar engenharia elétrica, em 1977, achei ter entendido o que seja uma redução ao absurdo.

  Vou aplicar. Supondo não existir Deus, mulher, árvore e serpente terão qualquer significado que se queira atribuir. Vamos, então, arbitrar.

  Árvore significará vida, serpente será ardil e mulher será pecado. Talvez seja consensual árvore significar vida. Quanto aos outros dois simbólicos, pode-se cambiar entre si: mulher, significando ardil, e serpente, pecado.

   Mais preconceituoso, impossível.  Mas o que se deseja destacar é exatamente isso, qual seja, a capacidade de arbitrar sentidos, independente de afetação prévia.

   O autor bíblico misturou os três.  Mas não gruda, em nenhum deles, qualquer arbitrariedade, porque o simbólico nesse contexto foi eventual. 

   A outra árvore, por exemplo, era (não somente do conhecimento, como mentiu a serpente) da experiência do mal, porque o bem não estava nela. Não somente da experiência, mas do império do mal (ou das trevas, como denomina Paulo Apóstolo).

   E a serpente, erguida  no deserto, representou Jesus erguido na cruz.  E quanto à mulher, em Maria o Verbo, que na teologia de João, é Deus, encarnou. Deus jamais encararia num ser tão vil, como deveras se tentou atribuir.

  Portanto, simbologia é arbitrário. O mistério do Gênesis não reside em dirimir a dúvida de quem seja mais culpado, se a serpente, a mulher ou, como denuncia Tiago que tentam fazer, o máximo culpado é Deus.

   Mas demonstrar que o ser humano chamou o mal para dentro de si e, em sua orgia, se esbalda. Redução ao absurdo, seria afirmar: Deus não existe.  Ora, resolva-se, então, sem Deus, o problema do mal.

   E quando se tentar culpar Deus, lembrar-se do discurso de Jesus:

²¹ "Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, ²² a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. ²³ Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem." Marcos 7.

    Procuremos dentro de nós a origem do mal. Resolvamos em Jesus a origem deste mal. E vamos cessar essa atribuição esquiva de procurar alhures (em qualquer lugar) a origem do mal. Pois ele tem nosso nome, assinatura e autoria. Com firma reconhecida.