domingo, 8 de fevereiro de 2026

Advertências em Hebreus

 A identidade de Jesus

¹ "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ² nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo..³ Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, ⁴ tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles." Hebreus 1.

1ª advertência:
Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.  Hebreus 2.

2ª advertência 
¹ Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, ² o qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus." Hebreus 3.

3ª advertência 
¹ "Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. ² Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Hebreus 4.

4ª advertência 
¹⁴ "Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão."  Hebreus 4.

5ª advertência 
¹² "Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. ¹³ Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança." Hebreus 5.

6ª advertência 
¹ "Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito". Hebreus 6.

7ª advertência 
¹¹ "Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; ¹² para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas." Hebreus 6

A segurança da salvação

¹³ "Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, ¹⁴ dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. ¹⁵ E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. ¹⁶ Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. ¹⁷ Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, ¹⁸ para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; ¹⁹ a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, ²⁰ onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Hebreus 6.

⁴ "Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos." Hebreus 7.

1. Melquisedeque: o quase anônimo personagem, sem genealogia, o que se revelava essencial aos judeus, é o homem a quem Abraão, o patriarca considerado o pai da fé, entrega o dízimo de seus bens e acata como seu sacerdote: Melquisedeque tipifica Jesus.

2. O sacerdócio de Jesus: perfeito é superior ao levítico que, aliás, existia em função de qualificar profeticamente o sacerdócio eterno, suficiente e perfeito de Jesus.

3. Nosso acesso ao tabernáculo definitivo: o tabernáculo terreno, onde Jesus nunca entrou, por ser judaíta e não levita, tipificava o céu, morada de Deus, onde Jesus está e ainda como nosso precursor, ou seja, onde todos os que nEle creem um dia estarão. 

A ousadia do acesso aos céus

¹⁹ "Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, ²⁰ pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, ²¹ e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, ²² aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. ²³ Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. ²⁴ Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. ²⁵ Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima." Hebreus 10.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A respeito da paz: a conta gotas

 

Fim de linha?                                                       ¹⁷ "Já não sei mais o que é paz e esqueci o que é felicidade." Lamentações 3.

Verdade ou mentira?
¹⁴ "Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz." Jeremias 6.

⁸ "Desconhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; quem anda por elas não conhece a paz." Isaías 59.

Veredito?
²⁵ "Vem a destruição; eles buscarão paz, mas não há nenhuma." Ezequiel 7.

²¹ "Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz." Isaías 5.

Quem é ele?
³⁷ "E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, ³⁸ dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!" Lucas 19.

⁷⁸ "...graças à entranhável misericórdia de nosso Deus,  pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, ⁷⁹ para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz." Lucas 1.

¹⁴ "Porque ele [Jesus  Cristo] é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade". Efésios 2.

²⁷ "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize."
João 14.

³⁴ "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada." Mateus 10.

Vai passar
⁸ "...tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz." Eclesiastes 3.

Efeito não colateral 
¹⁷ "O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre." Isaías 32.

⁷ "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus." Filipenses 4.

³⁷ "Observa o homem íntegro e atenta no que é reto; porquanto o homem de paz terá posteridade." Salmos 37.

²⁰ "Há fraude no coração dos que maquinam mal, mas alegria têm os que aconselham a paz." Provérbios 12.

Continue procurando 
⁷ "Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz." Jeremias 29.

¹⁴ "Aparta-te do mal e pratica o que é bom;
procura a paz e empenha-te por alcançá-la." Salmos 34.

¹⁹ "Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros." Romanos 14.

Paz para você, paz para mim
⁸ "Por amor dos meus irmãos e amigos,
  eu peço: haja paz em ti!" Salmos 122.

¹⁶ "Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias. O Senhor seja com todos vós." 2 Tessalonicenses 3.

¹¹ "O Senhor dá força ao seu povo,
  o Senhor abençoa com paz ao seu povo."
Salmos 29.

⁷ "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus." Filipenses 4.

¹ "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Romanos 5.

Revista ULTIMATO, Paz, Edição 417

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Síntese de ser igreja

 ¹ "Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, ² completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento." Fp 2.

   Há textos na Bíblia que sintetizam o que representa ser igreja.  Não significa que esgotam o conceito, mas que esboçam o alcance do que ela representa.

   Parecem evocar as medidas ao infinito de Paulo, em sua oração aos Efésios. E o amor é o essencial:

¹⁸ "...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Efésios 3.

   Também aparece "consolação de amor" neste texto.  A exortação em Cristo é o ponto de partida. O amor o maior consolo. A comunhão é dádiva do Espírito. E a natureza nova de afetos e misericórdias é dom de Deus.

⁷⁸ "...graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas". Lucas 1.

   Essa característica de Deus, exclusiva dele, é transmitida a nós. Igreja é o lugar, na graça de Deus, que nos faculta, como afirma Pedro, ser "coparticipante da natureza de Deus".

⁴ "...pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo". 2 Pedro 1.

  Por isso Paulo expressa que é possível a plenitude de uma alegria completa. A segunda parte do texto indica até onde Deus nos conduz em Sua graça.

  A comunhão de um só pensamento, qual seja, experiência de tudo o que se refere à ser igreja.  Em Atos, Lucas expõe essas características, num texto abrangente:

⁴² "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. ⁴³ Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. ⁴⁴ Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. ⁴⁵ Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. ⁴⁶ Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, ⁴⁷ louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos." Atos 2.

   Doutrina, quer dizer, Bíblia. Comunhão, temor, milagres, unidade, solidariedade (não somente interna, mas externa), e mais presença na igreja, mais comunhão, louvor, simpatia e resultados por conversões.

   Esse perfil da igreja primitiva está sintetizado nessas segundas afirmativas do texto. Por isso igreja é milagre que Deus realiza em nós. É o lugar que Deus escolhe para repartir conosco seu caráter, personalidade e atributos.

  E nos ensinar um sentimento que, como seres humanos, não é natural em nós. Somente Jesus soube praticar com intensidade. E pode formar em nós, contanto que aprendamos com Ele, nesse contexto que Ele mesmo estabelece: a igreja.

¹⁶ "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. ¹⁷ Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. ¹⁸ Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mateus 16.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Aleijões de Deus

 ² "Jornada de onze dias há desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia."  Deuteronômio 1.

   Os roteiros expressos no Pentaeuco, mormente em Números e Deuteronômio, têm pouca chance de ser históricos, dizem os estudiosos, genericamente assim chamados.

   Mas nenhum deles se chama Raimundo Nonato, Severino Barata, João ou José Silva. Porque seus nomes são, notável e principalmente alemães.

  Nada contra eles. Mesmo porque nem lhes entendo a língua. Mas são cerca de 1500 anos mais velhos do que nós. Basta dizer que, na adolescência destas paragens, apenas 1517, deu-se toda a confusão do Renascimento, embutida a Reforma.

   Daí se dizer que temos complexo de vira-latas. Eu sou um deles.  Por isso, acredito como históricos cada trajeto. Ora, diz-se, também e, talvez, principalmente, a arqueologia não dá sinal nenhum de passagem pelo deserto.

   Por exemplo, dos maias sobram evidências, mas de seu trajetos, pouco se sabe, ainda que pela ajuda dessa ciência. Mas dos hebreus, muito se sabe de seu roteiro, mas não há crédito, porque é Bíblia.

   Ora, será muito difícil se dar credibilidade ao livro sem que sejam verdadeiros esses roteiros. Porque de Deus é aleijado de agir do modo como os autores do livro indicam, vai-se embora a credibilidade deles, do livro e, consequentemente, do que se atribui a Deus que tenha efetivamente feito.

   Talvez seja por isso que vacila a vocação das igrejas evangélicas. Porque acreditava-se na integridade do livro. Acusou-se a antiga igreja, chamada Católica, por desprezá-lo. Ela, que canoniza milhares de santos ao longo de seus alegados 2 mil anos de história, credita-lhes milagres.

   Mas aqueles narrados nas Escrituras, descaredita-os. Eu acho que o problema reside mesmo no livro. Muito incomoda. Eivado de absurdos. A começar pelo princípio, isso mesmo, o Gênesis.

   Afirma que Deus fala. "E disse Deus: haja luz". Afirma que Deus cria: "E houve luz". Ora, a ciência está aí para desmentir. E Deus falar, o homem ouvir, é deveras absurdo. E ainda não abordamos aqui o inverso, que é falarmos e Deus ouvir.

   Deus radicaliza tanto, que o livro vai afirmar que Ele se fez homem. Encarnou-se numa virgem, nascendo homem, saído de dentro dela. E, pelo visto, não são somente os muçulmanos que riem, afirmando ter nosso Deus sido expelido pelo canal de uma mulher.

   Seremos salvos pela mitologia cristã. Basta transformá-la em teologia. Com sobrenomes nórdicos ou anglo-saxões, talvez uns poucos românicos, visto que somos vira-latas.

  Eu sou um deles.  Não acredito nessa mitologia. Não fui resgatado pelo século das luzes. Minha razão vacila. Até provarem a mim o contrário, há uma "jornada de onze dias, desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia".
   
    Fecho com o Deus da Bíblia, como assim definido, com todas as suas incapacidades e aleijões. Ah, assunto para uma outra escaramuça: também acredito que, da boca desse time de profetas do AT sim, sai palavra autêntica. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A cruz fora do jardim

 "E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado." Gênesis 2.

   Somente uma ideia  assim, divina, de pôr num jardim que Ele mesmo plantou o homem que criou. Qual seria a intenção?

  Perdeu-se o jardim? A história, mesmo no jardim, não obteve o rumo requerido. Foi curto o período e as consequências funestas.

²⁴ "E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3.

   A árvore da vida era a ênfase principal.  Por isso que Deus a pôs no meio do jardim. Já no primeiro diálogo com a mulher, a serpente sagaz já a predispôs a mais valorizar a polarização bem x mal, aguçando curiosidade, mas omitindo todo o prejuízo da péssima escolha.

¹ Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? ² Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, ³ mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais."  Gênesis 3.

   Foram erros seguidos, indicados na resposta da mulher, revelando: 1. Falsa ênfase na troca de posição das árvores; 2. Atribuição de intransigência a Deus, pela alteração tocar/comer.

   Desde então, ainda que não se admita, a preferência pelo mal, no ser humano, supera o bem. Muito embora, mesmo que se quisesse, tornou-se impossível ao ser humano, sozinho, sem Deus, prevalecer contra o mal.

   Ainda que não se admita. Evidente que se costuma impor aos outros, esquecidos de si mesmo, mal maior. O outro é sempre pior. Até nesse aspecto configura-se o tamanho do fracasso.

   Somente as Escrituras propõem a admissão individual da culpa. Chama isso arrependimento. E afirma não se tratar de uma iniciativa humana, mas de um gesto divino de sensibilização:

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.

  Isso mesmo. A escolha errada, pelo desprezo à vida e preferência ao mal, conduziu ao acolhimento em si do mal, à expulsão do jardim e à necessidade de arrependimento.

  O caminho para a árvore da vida, desprezada no Éden, está acessível, perto e próximo, porém com uma cruz no meio do trajeto. Jesus assumiu, em nosso lugar, essa cruz, para nos legar vida.

   Fora do jardim há salvação. Em meio a esse deserto da vida. No jardim, todo o bem estava explícito e o mal sub-repitício. Na vida fora do jardim, o mal está explícito e o bem ao alcance da fé.

   Para Deus, mesmo que nus e fora do paraíso, há remédio.  "Há bálsamo em Gileade". É declarar perda total e considerar maior a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.

   Perda total, ganho total. Fora do jardim, sim, mas não impossível de obter vida. Somente quem perde todas as coisas, ganha Cristo, o bem mais sublime.  De volta à vida.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Naamã e a banalidade do lugar comum

 ¹¹ "Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso." 2 Rs 5.

    Pensar, se pensa muito, Naamã. E muito, também, no varejo, ensina-nos a sua história. A começar pela (pré)adolescente anônima que, levada cativa à Síria, proveniente de Israel, não alimentou ressentimentos.

   Ela aconselha sua senhora a encaminhar o esposo, Naamã, à sua terra natal, porque lá, como diz o próprio Eliseu, havia profeta.

⁸ "Ouvindo, porém, Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel." 2 Reis 5.

   Pois diante de Eliseu, comparece Naamã, um comandante de exército que contraíra hanseníase, para então,  finalmente, obter o que lhe fora garantido por depoimento da menina, a tão esperada cura.

   Havia criado expectativas de um ritual. Ele anteviu Eliseu, a quem ainda não conhecia, solenemente postado diante dele, erguendo aos céus uma oração e movendo a mão num gesto ritual de santa expressividade.

   Decepcionou-se. Apenas recebeu um recado do (mal) aprendiz de profeta, Geazi, dizendo que se deslocasse às margens do Jordão e desse 7 mergulhos.

   Muito indignou-se o homem. Deve ter pensado, como toda hora se pratica aqui, ele não sabe com quem está falando. E saiu fora. Seus ajudantes de ordens esperaram um pouco para, logo depois, argumentar com inteligência.

  Com permissão,  Comandante: o Sr está tão ávido pela cura, que faria qualquer coisa por ela. Veja bem, ele somente indicou esse simples remédio. Por que, então, não fazer?

   E Naamã fez e ficou curado. Entre outras lições, aprendeu que não se enquadra Deus numa caixinha de regras. Mergulhar 7 vezes no Jordão não cura hanseníase.

  Esperar um jogo de cena, com mover de mãos, presença impositiva e oração farisaica dirigida às alturas, é gesto de contravenção. Por isso Jesus adverte que, um combo de atitudes pré-moldadas de falsa autoridade e espitualidade não têm valor, nem como fantasia de bloco carnavalesco.

²² "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? ²³ Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." Mateus 7.

   Eliseu não era um blefe. E a cena imaginada pelo bem intencionado Naamã, projetada pelo seu ideário, não se encaixava na permanente, surpreendente e nunca enfadonha maneira de Deus agir. Desculpe aí, meu Comandante.

   Não há burocracia no agir de Deus. E nem atravessadores. Por exemplo, o primeiro capítulo da Bíblia já demonstra a praticidade de Deus por ordem direta de sua palavra.

  Por isso, confiar na palavra de Deus traz lucidez, consolo e segurança. Naamã saiu dali aprendido. Levou consigo a fé num Deus não burocrático, mas do contato direto, da resposta plena, pura e simples.

   Basta acompanhar as jornadas de Jesus nas páginas dos Evangelhos. E ninguém, como ele para, plenipotenciariamente representar Deus.  Jesus, por assim dizer, é teologicamente desconcertante.

   Há, sim, muita tentativa de enquadrá-lo, estilo Naamã, em regras que, muitas vezes, até primam por desqualificar as narrativas desses mesmos Evangelhos. Ora, não pode ser assim, tão desconcertante.  Mas, talvez, haja chance de um resgate à fé, simplicidade e humildade de um Naamã pós encontro com Eliseu e tudo que este profeta representava.

   E o representava muito bem. Diga ao rei que "há profeta em Israel". E autorizado. Autêntico.  Representa Deus. Mas não tente encaixá-lo no seu modelo pessoal, em sua expectativa assim, tão restrita.

   Porque nem fará a oração que você espera, o manjado jogo de cena ou ritual já consagrado (e desgastado). Não será burocrático e, quando disser "Haja luz", haverá. Ah, sim: e será por milagre, muito distante do enquadramento requisitado. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ora, às moscas

³ "Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom?" 2 Rs 1.

   Essa pergunta grita. Já dizia Salomão, que a sabedoria grita nas ruas. E passa despercebida, não porque lhe falta expressividade, mas pela indiferença alheia.

²⁰ Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; ²¹ do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras: ²² Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?" Provérbios 1.

  E não somente os baalins da vida, todos eles parentes de Baal, mas as próprias corruptelas do que chamam deus, com minúscula mesmo, pelo fato de se diminuir ou anular a glória de Deus.

   Em sua oração, chamada de sacerdotal, Jesus como que efetuou uma síntese de seu ministério e projetou para a igreja sua ênfase ministerial.

   Então Jesus se expressou afirmando ter, no mundo, glorificado o nome de Deus, seu Pai, e que transmitia, à igreja, esse mesmo ministério, para que, no mundo, até sua (de Jesus) segunda vinda, ela fosse expressão viva dessa mesma glória.

⁹ "É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ¹⁰ ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado." João 17.

   Continua, na rua, gritando a sabedoria. A pregação do evangelho corresponde, em plenitude, ao dom dessa sabedoria. Aliás,  Paulo indica como, da parte de Deus, Jesus se torna sabedoria para todo o que crer.

³⁰ "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, ³¹ para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor." 1 Coríntios 1.

    Quem não consulta Deus, não permanece neutro. Bem quisessem. Mas não funciona dessa forma.  Seja por pura superstição que se procure, alhures, deus qualquer.  Ou ainda, por pura soberba, declare-se que se não carece de Deus.

   Fiquem às moscas. Isso mesmo, um velho trocadilho hebreu para Baal-Zebul, "Senhor da Habitação", que os israelenses estigmatizaram pejorativamente para Baal-Zebube, "Senhor das Moscas".

   Sempre será prudente prestar atenção, concentrar ouvidos aos gritos da sabedoria. Eles se constituem nos termos do evangelho que, como afirma, de novo, Paulo Apóstolo, espalha-se por todo o mundo.

⁵ "...por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, ⁶ que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade". Colossenses 1.

    Está posta a opção, está feita a advertência: ou se dá atenção a Deus,  e Sua palavra, ou ao "deus das moscas". Qualquer outra opção que não seja Deus, entrega os "surdos por conveniência", ora, às moscas.