quinta-feira, 30 de abril de 2026

Êxodo: identidade do povo de Deus

 Tarefa: ler Êxodo capítulos 32 a 33.

1. Sem Deus, facilmente o ser humano idolatra:

 ⁵ "Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao Senhor. [...] ⁸ e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito." Ex 32.

 Aplicação: não é por ser chamado "povo de Deus", por Ele escolhido, que Israel não tivesse necessidade de se converter. Haviam saído do Egito, mas o Egito ainda não saíra deles. E também Arão falhou em seu lugar de apoio a Moisés e liderança, mostrando-se extremamente fraco: não seria "festa ao Senhor, mas adoração ao bezerro  de Ouro. Basta não se converter ao Senhor, para estar, definivamente, aberto à idolatria. Rm 1,20-23. 

2. Moisés intercede pelo povo.

¹¹ "Porém Moisés suplicou ao Senhor, seu Deus, e disse: Por que se acende, Senhor, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão? [...] ¹⁴ Então, se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de fazer ao povo." Ex 32.

Aplicação: Moisés, como intercessor, tipifica Jesus, o perfeito mediador entre Deus e o pecador. Deus arrepender-se não tem o mesmo sentido do arrependimento humano, porque este pressupõe pecado. Com Deus, refere-se ao Seu amor e a pessoa certa a quem Ele vocacionou, Moisés, que com Deus aprendeu a amar. Hebreus aponta em Moisés as qualidades antecipadas, vistas em Jesus. Hb 11,24-26.

3. O alerta equivocado de Josué 

¹⁷ "Ouvindo Josué a voz do povo que gritava, disse a Moisés: Há alarido de guerra no arraial. ¹⁸ Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vencedores nem alarido dos vencidos, mas alarido dos que cantam é o que ouço." Ex 32.

Aplicação: Josué vai se tornar o melhor habilitado servo e futuro substituto de Moisés. Mas aqui ele define de modo precipitado o diagnóstico no arraial. A crise apenas se inicia, Moisés antecipa todo o problema. Aprendemos que as consequências do pecado, da rebelião e desobediência sempre terão resultados desastrosos. Nunca devemos aceitar trilhar esses desvios. Rm 6,11-14.

4. Consequências desastrosas do pecado 

²⁵ "Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio dos seus inimigos, ²⁶ pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do Senhor venha até mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi, ²⁷ aos quais disse: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho." Ex 32.

Aplicação: Houve guerra civil no arraial, irmão contra irmão. Levi era 1 tribo entre outras 11 tribos. E o povo estava tão desenfreado que, se Moisés não ordenasse espada, a tribo de Levi é que seria chacinada. Essa rebelião vai gerar, em meio ao povo, impacto de frear seu desatino. Mas vai provocar o afastamento de Deus. Sem arrependimento do pecado, não há proximidade com Deus. Is 59,1-2.

5. Moisés de novo intercessor a favor do povo

" ³¹ Tornou Moisés ao Senhor e disse: Ora, o povo cometeu grande pecado, fazendo para si deuses de ouro. ³² Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste. ³³ Então, disse o Senhor a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim." Ex 32.

Aplicação: O pecado é sempre individual. Embora Moisés interceda, o arrependimento deverá ser de cada um. Ele demonstra tão intensamente seu amor pelo povo, que se antepõe argumentando como Deus deveria fazer, incluindo-o entre os que não se arrependessem. Deus corrige Moisés: fora do livro ficarão os que não se arrependerem. Ap 20,15. 

6. Deus não seguirá com o povo

³⁴ "Vai, pois, agora, e conduze o povo para onde te disse; eis que o meu Anjo irá adiante de ti; porém, no dia da minha visitação, vingarei, neles, o seu pecado." Ex 32.

Aplicação: Moisés vai entender o grau da falta cometida pelo povo e a falha da liderança de seu irmão Arão. Esse o ponto central da crise: Deus não mais seguiria, enviando o Anjo em Seu lugar. Assim, a identidade do povo estaria comprometida. Somente Deus habitando no meio do povo, como mais tarde o Tabernáculo bem representará, confirma ser povo de Deus. 

7. O povo e a extensão do seu pecado 

⁴ Ouvindo o povo estas más notícias, pôs-se a prantear, e nenhum deles vestiu seus atavios. ⁵ Porquanto o Senhor tinha dito a Moisés: Dize aos filhos de Israel: És povo de dura cerviz; se por um momento eu subir no meio de ti, te consumirei; tira, pois, de ti os atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer." Ex 33.

Aplicação: Ser de "dura cerviz" é não se dobrar com facilidade. O arrependimento, condição necessária e irredutível para a conversão, ocorre com intensidade igual para todos. Não se determina pela quantidade ou pelo tipo de pecado, mas pela "tristeza segundo Deus" que move ao arrependimento, pela "bondade de Deus que conduz ao arrependimento". Foi essa a necessidade urgente do povo e a proposta de Deus, tendo Moisés como intercessor. 

8. A intimidade do Senhor 

¹¹ "Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda." Ex 33.

Aplicação: Dizer que Deus e Moisés tratavam-se face a face, significa dizer que Moisés, além de ser, no Antigo Testamenro, modelo de servo, peofeta e intercessor, foi modelo de intimidade e comunhão com Deus. Essa intimidade prenuncia a conquista da plena comunhão com Deus, por meio de Jesus, e da intimidade dela decorrente. E o próprio Jesus afirma que, mais do que servos, somos feitos por Ele amigos de Deus. 

9. A identidade do povo de Deus

¹⁴ Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. ¹⁵ Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. ¹⁶ Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?" Ex 33.

Aplicação: Moisés chegou até onde Deus o desejava conduzir. Desde o início da crise, quando Deus disse que não mais seguiria no meio do povo, Moisés havia radicalizado como intercessor, como se quisesse ser riscado do livro da vida. Agora ele reconhece que a identidade do povo é ter Deus seguindo com eles, para que sejam santificados, separados do pecado, para o Senhor, sendo testemunhas a todos os demais povos da terra. Essa condição, para Israel, antecipa o que hoje se aplica à igreja. 

10. Vendo a glória de Deus

¹⁸ "Então, ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. ¹⁹ Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer." Ex 33.

Aplicação: Após uma crise, qualquer que seja, mesmo as que exigem arrependimento do pecado, Deus sempre manifesta a sua glória. Em Jesus, ela transparece plena. Mas também na igreja de Cristo, visto que ela manifesta ao mundo a glória de Deus. Aqui Moisés a contempla, pelas costas e protegido pelo próprio Deus. Também na igreja, de glória em glória a contemplamos, até o dia de vermos Deus como por Ele somos vistos.

Conclusão: Partindo da idolatria e total desgoverno, passando pelo trauma de uma guerra civil, de quase 3 mil mortos, a rebelião contra Deus, manifestada na idolatria e orgia no arraial resolve-se pela experiência do amor de Deus e intercessão de Moisés. Ele escolhe colocar-se do lado do povo, experimentando com eles o caminho do arrependimento, definindo a identidade do povo que tem Deus consigo e se distingue em santidade de todos os demais. Essa também é a qualificação da igreja com relação a Jesus e seu testemunho no mundo.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Zacarias e suas visões

Tarefa: ler Zacarias, capítulos 1 a 6.

 O livro do profeta Zacarias inicia-se com uma exortação à conversão, dirigida aos remanescentes do exílio em Babilônia (605-535 a.C.). 

⁴ "Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos, agora, dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me atenderam, diz o Senhor." Zacarias 1.

   Seguem-se as visões em que o profeta reforça que atitudes Israel deve agora adotar. Podemos estender essa mensagem, como dirigida à igreja de Jesus, entendendo como segue.

1. Palavras de consolação: 1ª visão. 

¹³ Respondeu o Senhor com palavras boas, palavras consoladoras, ao anjo que falava comigo. ¹⁴ E este me disse: Clama: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande empenho, estou zelando por Jerusalém e por Sião.

¹⁶ Portanto, assim diz o Senhor: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; a minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém. Zacarias 1.

Aplicação: Naqueles dias, as palavras consoladoras a Israel seriam de retorno do exílio e edificação dos muros, com Neemias, e do Templo, com Esdras. Hoje podemos entender o evangelho como palavra boa e consoladora, como maior demonstração da misericórdia de Deus e considerar a igreja de Cristo como a casa edificada, que acolhe em Cristo os que creem. Mateus 16,18.

2. Ordem que de nós afasta o mal: 2ª visão.
"...estes ferreiros, pois, vieram para os amedrontar, para derribar os chifres das nações que levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para a espalhar. Zacarias 1.

Aplicação: Na simbologia do Antigo Testamenro, chifres indicam poder. Os babilônios, que haviam levado cativos os judaítas, foram derrotados pelos persas, sob Ciro, como profetizara Isaías. Assim como contra a igreja, como afirma Jesus, nem o poder das portas do inferno pode prevalecer, vamos seguir edificados em Cristo, vivenciando Sua comunhão, estando protegidos pelo Seu poder. João 10,27-29. 

3. Limites de santidade ao redor: 3ª visão.
⁵ "Pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória." Zacarias 2.

Aplicação: O verdadeiro cristão é chamado a uma vida da santidade. É testemunha de Jesus no mundo e, como afirma Jesus em sua oração sacerdotal, reflete em seu viver a glória de Deus. A igreja de Jesus é lugar protegido por Deus, onde habitam os que refletem no mundo a glória dEle, assim como Jesus procedeu em sua vida. João 17,22-23. 2 Ts 1,11-12.

4. Modelo de sacerdócio: 4ª visão.
⁸ Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti". Zacarias 3.

Aplicação: Josué, sumo sacerdote indicado nesta visão de Zacarias, tanto antecipa profeticamente a condição de Jesus, nosso sumo sacerdote pleno, perfeito e eterno, como aponta para o sacerdócio dos crentes e da igreja. O que Israel não obteve em sua história, a igreja cumpre, por reunir em seu seio o sacerdócio universal dos fiéis. Ex 19,5-6. 1 Pe 2,9-10.

5. A bênção do batismo no Espírito: 5ª visão. 
"Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. ³ Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda. Zacarias 4.

Aplicação: O vaso de azeite que supre o candelabro, que não cessa sua luz, como era no Tabernáculo do deserto, representa a igreja e cada crente suprido pelo Espírito, em sua identidade e ministério no mundo. Jesus afirmou ser a luz do mundo, quem o segue não anda em trevas, mas tem consigo a luz da vida. Essa é, no mundo, a identidade permanente de cada crente e de toda a igreja. João 8,12. Mt 5,14-15.

6. O rolo que se revolve: 6ª visão. 
¹ "Tornei a levantar os olhos e vi, e eis um rolo voante. ² Perguntou-me o anjo: Que vês? Eu respondi: vejo um rolo voante, que tem vinte côvados de comprimento e dez de largura." Zacarias 5.

Aplicação: De modo geral, na vocação de cada profeta existe um livro, a ser comido, como aquele no Apocalipse, escrito por dentro e por fora. Ele representa as Escrituras e seu papel na revelação de Deus e na condução, em sabedoria, de seu povo na terra. Toda a vez em que Israel desprezou a profecia, sofreu por sua desobediência. Pois nós, como igreja, nunca devemos desprezar o que segue revelado na Palavra de Deus, a Bíblia. Isaías 8,20. Mateus 24,35. 1 Tm 3,16.

7. A mulher e sua casa suspeita: 7ª visão. 
¹⁰ "Então, perguntei ao anjo que falava comigo: para onde levam elas o efa? ¹¹ Respondeu-me: Para edificarem àquela mulher uma casa na terra de Sinar, e, estando esta acabada, ela será posta ali em seu próprio lugar." Zacarias 5.

Aplicação: A terra de Sinar é onde, há muito tempo atrás, ergueu-se a Torre de Babel, onde também, posteriormente, situou-se a Babilônia, sempre representa lugar de rebelião a Deus. No Apocalipse, Babilônia representa, no mundo, todo o sistema vil, corrompido e pecador. A igreja o enfrenta com suas armas, nunca a violência ou misturada ao sistema político, mas proclamando a mensagem de salvação, amor, perdão e conversão do pecado. 2 Co 10,4-5. Ap 18,2-3. Ap 17,14.

8. O evangelho que percorre toda a terra: 8ª visão. 
⁷ "Saem, assim, os cavalos fortes, forcejando por andar avante, para percorrerem a terra." Zacarias 6.

Aplicação: Esses carros e seus cavaleiros, que percorrem toda a terra, representam o alcance do evangelho. Já na época de Paulo, em sua carta aos Colossenses, igreja que não conhecia, Paulo aponta os efeitos e o alcance da mensagem do evangelho: em todo o mundo produz frutos. Esse é o desafio premente para a igreja, proclamar continuamente o evangelho, aqui, ao redor e até os confins da terra. Cl 1,5-6. 1 Ts 1,8. 

Conclusão: As palavras das Escrituras, sejam dirigidas diretamente a Israel, como dirigidas à igreja, sempre apontam para Jesus, como profecia no Antigo Testamento, seja como cumprimento da profecia, no Novo Testamento.

¹⁰ "Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia." Apocalipse 19:10.

 Por isso é possível fazer essa transposição, compreendendo o modo como a revelação de Deus, ao longo de toda a história da humanidade, caminha para uma mesma finalidade: apontar Jesus como o ponto máximo da revelação e o evangelho como mensagem de acesso à salvação. 

sábado, 25 de abril de 2026

Isaías 53 - estrelinhas - Jesus cara a cara

 ³ "...e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso." Isaías 53.

   O descaso em relação a Jesus, lembro até da sequência de referências feitas pelos discípulos de Emaús. Porque em referência a Jesus, há somente uma opção.

¹⁹ "Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo". Lucas 24.

   Não, Cleopas: não. Não adianta enfileirar, com relação a Jesus, qualquer sequência de títulos honoríficos. Com relação a ele, vale somente a fé em sua ressurreição, seguida das razões do porquê de sua morte.

   Não somente um "varão profeta poderoso em obras e palavras". Mas sim aquele que Ele mesmo revela ser, de quem as Escrituras são o testemunho fiel. 

²⁷ "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras." Lucas 24.

   Desprezo, descaso, repugnância de volver o rosto, isso é retrato da fuga do que Jesus representa para todo o ser humano.  Porque as mazelas humanas, assumidas por Jesus, estão refletidas na face dEle.

  Na verdade, desviamos o rosto de ver a nós mesmos.  O mundo moderno, designação essa de fuga, porque em nada evoluiu em sua condição moral, continuamente despreza, trata com descaso, mantém sua indiferença.

   E Jesus continua a ser o escolhido de Deus, o "Filho amado no qual Deus tem o Seu prazer",  o discernimento mais sublime em toda a história do humanidade.

²¹ "... também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, ²² e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo." Lucas 3.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Filipenses 3.

   Como o Pai, olhar Jesus cara a cara e ter prazer nEle. Considerar Jesus sublime, e tudo o mais perda. Com muita relutância a soberba atual do ser humano empreende esse tipo de troca.

   Perda total. Ganho total em Jesus. Volver os olhos, para encarar Jesus no rosto, cara a cara, porque Jesus é o rosto de Deus.

¹⁸ "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." João 1.

¹⁵ "Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação". Cl 1.

⁹ "...porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade." Colossenses 2

³ "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser". Hebreus 1.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O altar e as expectativas

 ⁷ "Apareceu o Senhor a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera." Gênesis 12.

    O que se espera quando se ergue um altar? Pelo menos, há  duas expectativas: a de quem ergue o altar e aquela de a quem se ergue o altar.

   Abrão ergueu o altar ao Deus que lhe aparecera. Ainda prevalecem expectativas. Deus tem uma intenção, com relação a Abrão, assim como com relação a nós e a cada um.

   A experiência de Agar foi deparar Deus, para o qual estava muito distraída. Talvez porque sua ansiedade era muito grande. Mas Deus desde antes não a havia abandonado.

¹³ "Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?" Gênesis 16.

   Deus sempre vê, sempre está junto, sempre se pode invocar Seu nome. A vocação de Deus é o amor e deseja que a nossa também o seja.

   Não há distância e não há tamanho. Por isso Paulo diz que, conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, é ser tomado de toda a plenitude de Deus.

¹⁸ "...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade
¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." Efésios 3.

   O altar, como a igreja, são lugar de comunhão.  Trata-se de individualidade, no trato com Deus, e não individualismo.  Paulo nos ensina isso:

²⁷ "Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo."
1 Coríntios 12.

   E também:  ¹⁷ "Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão." 1 Coríntios 10.

   Somente com Deus somos coletiva e individualmente corpo de Jesus Cristo, em comunhão como igreja.  Ser igreja é andar em Cristo:

⁶ "Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, ⁷ nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças." Colossenses 2.

   Deus conduziu tanto a história de Abrão, o homem que ergueu o altar, quanto a história de Agar, a mulher distraída da presença de Deus.

   As promessas de Deus a Abrão podem ter gerado nele uma expectativa ainda não bem compreendida. Seu neto Jacó, por exemplo, na visão da escada, esteve ainda imaturo para compreender.

²⁰ "Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, ²¹ de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus". Gênesis 28.

   É assim. Com Deus, expectativas para menos ou para mais, imaturidade, dimensão do amor, intensidade da comunhão, sempre mais se acrescenta.

  Porque o Deus insondável se dá a conhecer.  Revela-se inteiramente em Jesus, o Filho, que guarda perfeita e completa identidade com o Pai.

   ¹⁹ "Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz." João 5.

  Por isso o Filho nos convida à mesma comunhão. E isso é igreja. Não somos nós que escolhemos ter comunhão. Deus escolhe, busca e a forma em nós.

   Por isso Paulo nos convida a ser imitadores de Cristo, aliás, imitadores do Pai, tanto faz:

¹ "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." 1 Coríntios 11

¹ "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." Efésios 5.

    Expectativas de Deus. A Bíblia ensina que, na igreja, Deus compartilha conosco sua identidade. Jesus Cristo é o rosto de Deus. E ele também espera que, em nossa passagem por este mundo, possamos refletir Sua glória. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Isaías 53 - entrelinas - dores e padecimento

 ³ "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer". Isaías 53.

     Nem sempre. Há quem mencione o nome "Jesus" como clichê, para angariar fama para si mesmo. Vai ser assunto para o juízo final:

²² "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? ²³ Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." Mateus 7.

  Sim, muitos, diz o texto. Porque o que Jesus revela e representa ao ser humano, por isso é rejeitado. Ninguém almeja, voluntário, ter revelada sua perversidade.

    Estampada na face de Cristo suas dores e padecimentos por Sua opção de envolvimento com as mazelas humanas. Mas quem deseja ver associada a si, intencionalmente, suas mazelas?

   Jesus é homem de dores, homem das nossas dores, porque toma para si o pecado que é nosso, purga o preço, ainda que seja tido como intruso.

   Porque os instrumentadores de sua própria maldade não a querem denunciada, para não perder o que, para eles, é pura vantagem.

   As dores que Cristo toma sobre si serão atendidas somente para quem é, por Deus, entristecido para arrependimento e, então, reconhece seu pecado.

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.

   Porque é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento e não a simulação de bom caráter, como máscara pública de hipocrisia.

⁴ "Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" Romanos 2.

   Quem rejeita Jesus, o autêntico, não o inventado, assim procede porque não deseja que sua máscara seja desvelada.

  Quem se solidariza com Jesus em Sua dor e padecimento, é porque enxerga nEle o pecado do qual é portador. A dor e o padecimento de Jesus são por minha causa. Por isso não o rejeito.

   Porque Jesus eliminou-me a culpa, revelando Seu amor, não somente por mim, mas por tantos e quaisquer que nEle creem.

   ¹³ "E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; ¹⁴ tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; ¹⁵ e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz." Colossenses 2.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Isaías 53 - entrelinhas - o conceito de beleza

 ²...como raiz de uma terra seca". Isaías 53.

   Que importância ou destaque a uma raiz de terra seca. Esse foi o conteúdo da pregação? Que marketing para esse renovo?

  Segue a qualificação correspondente: raiz de terra seca não tem perspectiva.  1.sem aparência; 2. formosura; 3. ou beleza. Trata-se de Jesus.

  Sua visão é preciosa aos olhos do Pai:
⁴ "Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa". 1 Pedro 2.

  É necessário enxergar em Jesus o que o Pai vê. O valor de Jesus para o Pai precisa ser o mesmo valor que dermos. Crer consiste em incorporar para si mesmo tudo o que Jesus representa.

   Não havia beleza. Mas sim, havia beleza. Não enxergar beleza é ter a visão nua e crua do pecado. Por essa condição Jesus, o Servo Sofredor, entrega sua própria vida, ou seja, para redimir do pecado.

⁴⁵ "Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos." Marcos 10.

   E é mais sublime enxergar em Jesus o valor do ato da cruz, o sentido eterno de sua entrega, o sacrifício vivo que Deus acolhe em favor de todo o que crer.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Filipenses 3.

   Entre o conceito divino de beleza e o reducionismo humano. Na filosofia, a definição de arte inscreve-se no capítulo da moral. Arte seria:

  Perfeita condição sob que corresponde, de maneira perfeita, à intenção do artista. Deus, o artista, criou-nos para o que é belo. Desse modo, belo está associado à moral, ao verdadeiro e ao prático.

   Ao agir. Por isso Jesus, no sermão do monte, assim chamado, exortou a não somente ouvir, mas praticar sua palavra:

²⁴ "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; ²⁵ E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha." Mateus 7.

   Para as Escrituras, a Bíblia, o conceito de belo está definivamente associado a Jesus. Ele restaura o belo e o verdadeiro na condição humana. Vale a pena ouvir-lHe as palavras. 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Isaías 53 - estrelinhas - a pregação

 ¹ "Quem creu em nossa pregação?" Isaías 53.

      Pregação é feita para se crer. Tem conteúdo e público. No caso, vai definir o personagem do famoso capítulo 53 de Isaías, cognominado "Servo Sofredor".

    Também identificado como "braço do Senhor". Nos versículos anteriores, definido como alvo de pasmo para tantos reis, mas do que desinformados. Verdadeiros "reis de nada", em Isaías 52:

¹³ Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado e será mui sublime. ¹⁴ Como pasmaram muitos à vista dele (pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens), ¹⁵ assim causará admiração às nações, e os reis fecharão a sua boca por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que não ouviram, entenderão."

    Cegos para essa perspectiva, não creram na pregação. "A quem foi revelado o braço do Senhor", pergunta seguinte?

¹⁶ "Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria  justiça o sustenta." Isaías 59.

   Deus, desde o Éden, tem uma proposta. O primeiro casal falhou, assim comprometendo toda a sua descendência e frustrando os propósitos inclusivos de Deus para comunhão íntima dele com o ser humano, homem e mulher que criou.

   Então Deus mesmo se faz homem. Paulo, aos Romanos, denomina "segundo Adão", Isaías, aqui, nomeia em detalhes personalidade e sofrimento do Servo Sofredor.

¹⁷ "Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo." Romanos 5.

   É prudente pôr vista nessa personagem. Percorrer, passo a passo, com o profeta etapa a etapa do drama pessoal desse Servo Sofredor. Porque ele é o "braço do Senhor".

    O quanto custa crer numa pregação? Há uma carga de preconceito, em função da denúncia de mediocridade associada à qualquer pregação. Mas essa assinalada acima é a voz de Deus.

   E essa pregação anuncia Jesus, o braço do Senhor, Servo Sofredor, a solução de Deus para a falha do casal primordial.

   O que Adão e Eva não alcançaram diante de Deus, torna-se possível a quem decide dar ouvidos à pregação. E vai descrito, passo a passo, o processo que torna possível, por meio de Jesus, alcançar o padrão de Deus.

   Tal pregação tem conteúdo, fonte segura e finalidade precípua. Creia na pregação. Não apenas dar crédito que exista, em sua originalidade. Mas que produz efeito, segundo adverte a própria qualificação do profeta.

   ¹⁰ "Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, ¹¹ assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei." Isaías 55.