terça-feira, 10 de março de 2026

Entre o preferível e o detestável

 ¹⁵ "Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que  detesto." Rm 7.

     A citação acima, do apóstolo Paulo aos Romanos, não significa livre conduto para o pecado. E somente autênticos convertidos ao evangelho entendem o que vai escrito.

    Paulo quer dizer que no seu íntimo, escondido e embutido no velho homem, persiste uma disposição vil, somente contida, após ter sido desmascarada, na conversão ao evangelho de Jesus.

    Então se inicia essa luta interna contra a disposição vil, somente contida na vida de quem é suprido pelos recursos da Trindade. Sim, porque na luta contra o pecado somos supridos por Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

    Isso mesmo: são um e são três ao mesmo tempo. Veja, abaixo, na oração de Paulo aos Efésios, o que ele pede a Deus, em Efésios 3:

¹⁶ "...para que, segundo a riqueza de sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; ¹⁷ e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, ¹⁸ a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus."

   Pelo Espírito, Cristo habita no coração de quem crê e, alicerçado no amor de Deus, esse que crê passa a conhecer o amor que excede todo o entendimento, sedo tomado de toda a plenitude de Deus.

   A conversão ao evangelho não é menos do que isso. Pedro, outro apóstolo, assíduo leitor das cartas de Paulo afirma, os que cremos, ser "coparticipante da natureza de Deus", e somente assim libertos da disposição para o pecado.

   ⁴ " ... [Deus] nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo." 2 Pe 1.

      E Paulo continua na argumentação de seu (dele e nosso) dilema: ¹⁸ "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo." Rm 7.

     Não habita bem nenhum. Em outro trecho desta carta aos Romanos, Paulo exorta a nunca desconsiderar que é a bondade de Deus, e não eventualmente a nossa, que conduz ao arrependimento.

   Somente sendo coparticipante da natureza de Deus há viabilidade de se livrar das paixões que há no mundo, que agora também habitam dentro, incorporadas no pecado.

   Quando Eva decidiu que comeria do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a serpente não havia dito que jamais então ela dominaria o mal.

   Tornar-se-ia participante do mal. Foi como se ela dissesse: "Como, como sim, e ainda dou ao meu marido." Se não foi dito, essa foi a intenção. Ela o disse com sua atitude.

   Adão foi imediatista, talvez dizendo consigo, "por que não?". Todo pecado é blasfemo  e imediatista. E somente na conversa com Deus, fosse Adão, ou fosse Eva, esta mais sincera do que o marido, puderam ser confrontados, já de uma vez possuídos por um desejo incontido de, continuamente, pecar.

    A morte se tornou consolo. Sim, porque caso, indevidamente, aspirassem à eternidade, seriam eternamente separados de Deus. A morte põe fim ao pecado. Por isso Jesus a experimentou. E, por não ter pecado, Deus pôde ressuscitá-lo.

¹ "Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, ² o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, ³ com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi ⁴ e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor". Rm 1.

   Esse homem sem pecado, Jesus, morreu a nossa morte, tomou sobre si o nosso pecado, e ressuscitou para que, todo o que crer nesse evangelho, seja resgatado de sua condição vil.

   Pelo evangelho, há chance de fazer o que agrada a Deus, dando preferência  à  Sua vontade, rejeitando o que for detestável.  A Trindade opera em nós essa vontade, qual seja, ser coparticipantes da natureza de Deus.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Efeitos da fé

³² "... e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se." Mateus 13.

    Grande privilégio me concedeu o Pr Nerval de me receber em sua igreja para realizarmos juntos o casamento de João Marcos e Andreia.

   Foi a última vez em que estivemos juntos, estando separados por mais de 4 mil quilômetros. Trata-se da mesma responsabilidade, ou seja, o ministério pastoral.

   Até 1995, ano em que vim para o Acre, convivemos nos encontros e desencontros da rotina congregacional.  Ele representa um tempo que já se pode chamar antigo.

   Mas que traz à memória belas recordações. Uma delas foi sua convivência de anos a fio com o Pr Porto Filho, sendo ovelha dele e participando da história da Campograndense.

   O que essa fase representou marcou definitivamente a nossa vida. Ainda alcancei o pastor Porto Filho professor no externato, em 1978, trazendo consigo sua especialidade, eclesiologia, a doutrina de ser igreja.

   Com ele, o que conhecíamos da Campograndense, com os traços de seu ministério e o testemunho de tanta gente, que eu não conseguiria enumerar, mas cujo efeito desse testemunho é fruto permanente.

    Pedra de Guaratiba era o ponto de encontro máximo, talvez mais do que as Assembleias Gerais, por sua multivariedade de irmãos ali reunidos, na fantástica, naqueles idos, Festa do Abrigo.

   Pastor Nerval desempenhava papel decisivo em seu lugar no time de sua igreja. Não me perguntem a quantidade de goals ou sua posição no ataque, mas sua leveza sempre foi destaque.

   E seu sorriso sua marca decisiva. Chegou a mim a história de uma falta desclassificante de um dos brutamontes zagueiros. Até desconfiava-se que era, vamos dizer, terceirizado, ou seja, não membro eventual de igreja, mas em campo.

   Toda a assistência  em volta do velho campo se assustou com o ímpeto com que se levantou o atacante, partindo incotinente em direção ao muralha. Ora, juntando as duas coxas do atacante não se tinha uma que fosse do inimigo.

   Não apareceu o sorriso de sempre. Mas se impôs uma bruta descompostura, em tom e gestos de autoridade, talvez já antecipando a vocação pastoral. O que se conta é que o time adversário ficou com um a menos, pelo efeito desorientador da exortação recebida.

   Não fui tão íntimo da turma do pastor Nerval.  Convivi com um bom grupo de Campo Grande, devido à forte integração daqueles dias. Pastor Paulo Leite, um novo convertido naquela igreja, foi meu colega de Seminário.

   Mas pouco ao lado do pastor Nerval sempre foi muito. Porque fé não tem tamanho. Jesus até sugeriu que, se tivesse, seria grão de mostarda. Mas os efeitos são belos, fiéis e permanentes.

   Permiti-me reunir esses traços de memórias que tenho desses momentos vividos próximo da Campograndense, perto da gente de lá, experimentando, vendo e compartilhando flashes dessa história, para expressar a Deus gratidão.

   Geração marcante essa. Agora entendi o fim da parábola. Testemunhamos ao mesmo tempo de ser participantes desse efeito. Fez-se árvore, expandindo-se, de modo a acolher gente após gente, assim como espalhar semente.

   Marcante, pastor, o seu sorriso. Também a sua trajetória e seu testemunho. Fico imaginando o encontro desses dois sorrisos, o seu e Jesus te recebendo com o sorriso dele. 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Sim, há consolação de amor

¹ Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. ² Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados. ³ Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. ⁴ Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. ⁵ A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse ." Isaías 40.

    Aqui o profeta Isaías anuncia que o consolo de Israel será o anúncio do retorno do exílio em Babilônia. Essa saída de lá, para o retorno à Palestina, após 70 anos de exílio, é considerado o Segundo Êxodo.

    Esse anúncio de Isaías foi aplicado à mensagem de identidade do ministério de João Batista, agora indicando que todo o consolo vem por meio de Jesus, aquele que definitivamente liberta, livrando da escravidão do pecado e promovendo o último e definitivo Êxodo.

   Todos nós temos nosso Êxodo. E Jesus é a consolação de amor que promove o Êxodo definitivo. Israel foi um povo escolhido, para ser o primeiro evangelizado. A eles foi pregado, primeiro, o evangelho.

² "Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Hebreus 4.

   Desde sempre a Israel foi anunciado o evangelho. E essa palavra de Isaías aplicada a João Batista, o profeta definitivo, que aponta Jesus, prenuncia Aquele que promove o último Êxodo.

  Toda a Bíblia é um livro do Êxodo. Porque é todo o esforço para "libertar do império das trevas e transportar para o reino do Filho, Jesus, do seu, de Deus, amor:

¹³ "Ele [Deus] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho  do seu amor, ¹⁴ no qual temos a retenção, a remissão dos pecados." Cl 1.

    Agora, nessa altura de sua profecia, Isaías anuncia que Ciro, o persa, chamado servo do Senhor, será o braço de libertação para o povo que estava no exílio, que nem mesmo ele sabe, conscientemente, que está sendo dirigido por Deus na libertação do povo de Israel.

¹ "Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão." Isaías 45.

   E exílio, como êxodo, também tem sentido figurativo aplicado à história da salvação. Porque significa estar em terra estranha, após perda total.

  Israel perdeu os principais símbolos de sua identidade. A terra prometida a Abraão lhes foi usurpada, o templo que representava a presença do Senhor em seu meio foi totalmente queimado e demolido e o rei, prefigurativo da liberdade e da pessoa do Messias foi aprisionado e perderam sua liberdade e autonomia.

    A palavra de consolo aplicada a Jesus prenuncia que somos súditos do reino de Deus, sendo Jesus nosso rei, libertos do pecado e da terra estranha que é o mundo e, ainda em nossa peregrinação neste mundo, temos a igreja como refúgio e somos o templo do Espírito Santo de Deus.

   O consolo de amor é concedido pela dádiva de Jesus. Ao longo de toda a história do povo de Israel, dentro da história de toda a humanidade, Deus manifesta seu desejo de nos consolar em amor, libertando-nos do jugo do pecado, para sermos servos, sim, mas dEle, em amor. Sim, há consolação de amor.

¹ "Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, ² completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento." Fp 2.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sendo igreja, segundo Paulo ensina aos Filipenses

 ¹ "Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, ² completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento." Fp 2.

  Paulo circunscreve sua avaliação do que representa ser igreja a essas exortações aos Filipenses.  O ponto de partida é afirmar que toda exortação tem Cristo como origem e somente é dirigida à igreja.

  Por quê? Porque antes de ser igreja, nenhuma exortação faz efeito nenhum em ninguém. Portanto, o que torna alguém igreja, de modo a quem exortação de Cristo o alcance e, uma vez atendida, tenha efeito?

   A resposta já antecipadamente se inclui no combo dessas afirmativas paulinas, no item "pensem em conjunto": ou seja, pensar a mesma coisa não significa uma homogeneidade despersonalizada, mas atinar no que significa ser igreja.

   Para ser igreja provém-se de uma condição negativa, de escravidão ao pecado. E não adianta tentar uma classificação do nível de maldade anterior à conversão, como se alguém precisasse menos do sangue de Cristo.

²⁰ "...e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. ²¹ E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, ²² agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis" Cl 1.

  De onde viemos e o que nos tornou igreja é a primeira coisa a pensar, em conjunto, para que não se perverta origem e finalidade.  Há ainda outro texto aos Colossenses que aborda a realidade de nossa origem e a transformação que Deus operou em nós:

¹³ "E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; ¹⁴ tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz." Cl 2.

   E o que nos torna igreja? Não é o batismo de João Batista que nos torna igreja. Esse último profeta, o maior deles, pois apontou Jesus em Pessoa, aliás, que batizou o próprio Jesus, apontou também aquele que batiza com o Espírito Santo, ninguém senão o próprio Jesus. Este batismo a seco, sem água, é que autentica a fé.

   É isso que Paulo alinha acima, quando menciona comunhão do Espírito, afetos e misericórdias entranhados e consolação de amor.  E que somente tem efeito se opera em quem foi, por Cristo, batizado no Espírito.

  Determinante porque, por ele, não somente somos convertidos, do pecado para a santidade, da morte (espiritual) para a vida, mas somos feitos filhos de Deus, porque batizados em Cristo, e adquirimos comunhão, não somente com Cristo, pelo Espírito, mas com Deus, pelo Filho.

¹⁶ "...para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; ¹⁷ e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor". Ef 3.

   Por isso Paulo menciona consolação de amor. O maior dom de consolo é ser amado por Deus e, uma vez reconhecido esse amor, por ele sermos feitos filhos de Deus.  João diz que somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou plenamente o que havemos de ser.

¹ "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. ² Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é." 1 João 3.

   E quando Paulo menciona que há entranhados afetos e misericórdias, jamais isso fará parte de nossa condição, a não ser por ação do Espírito em nós. Entranhas de afetos e misericórdias, como mencionou Zacarias em seu cântico, são privativo de Deus.

⁷⁶ "Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, ⁷⁷ para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, ⁷⁸ graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, ⁷⁹ para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz". Lc 1.

   A igreja de Cristo é o lugar onde Deus compartilha com os salvos sua personalidade.  Paulo menciona o sentimento de Cristo pelo menos três vezes aos Filipenses.  Referindo-se ao próprio Jesus, a Timóteo e à igreja.

   Daí a possibilidade de ser servo, em plenitude, por meio do aprendizado e função primordial exercida na e pela igreja. Igreja é o lugar onde se aprende a imitar Jesus. É o lugar no qual se priva pela coparticipação na natureza  de Deus.

¹ "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." 1 Coríntios 11.

¹ "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." Efésios 5.

³ "Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, ⁴ pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo". 2 Pe 1.

    Na igreja, por meio do Espírito, somos tornados participantes da natureza de Deus. Nela, pelo fruto do Espírito, somos feitos participantes dos atributos tramissíveis de Deus.  A glória de Deus, como Jesus menciona em sua oração sacerdotal, marca a nossa identidade, no aperfeiçoamento que se torna contínuo.

¹⁸ "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." 2 Co 3.

   Que outra benção há, por meio do evangelho, que privilégio maior existe, senão esse?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Isso é perdão

    O perdão é problemático. Porque para que seja, por definição, o que é, não há limite para a falta, nem tamanho ou intensidade.  A cruz está posta.

  Paulo aos Colossenses disse que devemos perdoar como Deus perdoa: ¹³ "...perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós." Colossenses 3.

   E há somente esse tipo de perdão. Não há meios termos. A falta primordial abriu caminho para todos os outros tipos de falta. E todos nós somos possíveis e capazes de cometê-las.

Portanto, não podemos nos constituir juízes das faltas alheias. Porque se não as vemos em nós, é pela misericórdia de Deus, o único capaz de pôr freio às faltas.  

   Somos cúmplices de todo o pecado, a não ser que, em nós, Deus tenha operado o perdão.  E, para isso, à frente vem o arrependimento.  Que precisa ser sincero e verdadeiro.

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz  morte." 2 Coríntios 7.

  O mais chocante é avaliar que qualquer falta pode ser perdoada, porque o trauma de cruz supre toda carência de justiça. 

  Por somente alimentar sede de vingança, principalmente diante de faltas que arbitramos as mais cruéis, evidentemente sempre atribuídas a outrem, nunca a nós mesmos.

   Mas inexiste escalonamento de faltas. Pode até existir consequência mais dramática, trauma maior ou sordidez mais acentuada.

   Porém todas dependem do derramar do mesmo sangue, da brutalidade da cruz, da remissão do mesmo e único sacrifício, que é exatamente o de Jesus.

  É por isso que, muitas vezes, como antídoto ao desejo de vingança, expresso pelo trauma da constatação de uma falta brutal, somente vai restar o perdão.

   Por mais absurdo que possa parecer, Deus antepõe (ou antepõe-Se) amor distante de desfaçatez do pecado. Isso pode soar incompreensível, exatamente por ser amor, que excede todo o entendimento. 

¹⁹ "... e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Efésios 3:19.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Advertências em Hebreus

 A identidade de Jesus

¹ "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ² nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo..³ Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, ⁴ tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles." Hebreus 1.

1ª advertência: Apegar-se às verdades ouvidas 
Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.  Hebreus 2.

2ª advertência: Considerar atentamente Jesus
¹ Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, ² o qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus." Hebreus 3.

3ª advertência: Cuidar de falha no ouvir 
¹ "Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. ² Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Hebreus 4.

4ª advertência: Conservar firme a confissão 
¹⁴ "Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão."  Hebreus 4.

5ª advertência: Ser experiente na palavra 
¹² "Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. ¹³ Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança." Hebreus 5.

6ª advertência: Atender ao que é perfeito
¹ "Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito". Hebreus 6.

7ª advertência: Ser diligente, não indolente
¹¹ "Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; ¹² para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas." Hebreus 6

A segurança da salvação

¹³ "Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, ¹⁴ dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. ¹⁵ E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. ¹⁶ Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. ¹⁷ Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, ¹⁸ para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; ¹⁹ a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, ²⁰ onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Hebreus 6.

⁴ "Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos." Hebreus 7.

1. Melquisedeque: o quase anônimo personagem, sem genealogia, o que se revelava essencial aos judeus, é o homem a quem Abraão, o patriarca considerado o pai da fé, entrega o dízimo de seus bens e acata como seu sacerdote: Melquisedeque tipifica Jesus.

2. O sacerdócio de Jesus: perfeito é superior ao levítico que, aliás, existia em função de qualificar profeticamente o sacerdócio eterno, suficiente e perfeito de Jesus.

3. Nosso acesso ao tabernáculo definitivo: o tabernáculo terreno, onde Jesus nunca entrou, por ser judaíta e não levita, tipificava o céu, morada de Deus, onde Jesus está e ainda como nosso precursor, ou seja, onde todos os que nEle creem um dia estarão. 

A ousadia do acesso aos céus

¹⁹ "Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, ²⁰ pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, ²¹ e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, ²² aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. ²³ Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. ²⁴ Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. ²⁵ Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima." Hebreus 10.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A respeito da paz: a conta gotas

 

Fim de linha?                                                       ¹⁷ "Já não sei mais o que é paz e esqueci o que é felicidade." Lamentações 3.

Verdade ou mentira?
¹⁴ "Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz." Jeremias 6.

⁸ "Desconhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; quem anda por elas não conhece a paz." Isaías 59.

Veredito?
²⁵ "Vem a destruição; eles buscarão paz, mas não há nenhuma." Ezequiel 7.

²¹ "Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz." Isaías 5.

Quem é ele?
³⁷ "E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, ³⁸ dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!" Lucas 19.

⁷⁸ "...graças à entranhável misericórdia de nosso Deus,  pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, ⁷⁹ para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz." Lucas 1.

¹⁴ "Porque ele [Jesus  Cristo] é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade". Efésios 2.

²⁷ "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize."
João 14.

³⁴ "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada." Mateus 10.

Vai passar
⁸ "...tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz." Eclesiastes 3.

Efeito não colateral 
¹⁷ "O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre." Isaías 32.

⁷ "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus." Filipenses 4.

³⁷ "Observa o homem íntegro e atenta no que é reto; porquanto o homem de paz terá posteridade." Salmos 37.

²⁰ "Há fraude no coração dos que maquinam mal, mas alegria têm os que aconselham a paz." Provérbios 12.

Continue procurando 
⁷ "Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz." Jeremias 29.

¹⁴ "Aparta-te do mal e pratica o que é bom;
procura a paz e empenha-te por alcançá-la." Salmos 34.

¹⁹ "Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros." Romanos 14.

Paz para você, paz para mim
⁸ "Por amor dos meus irmãos e amigos,
  eu peço: haja paz em ti!" Salmos 122.

¹⁶ "Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias. O Senhor seja com todos vós." 2 Tessalonicenses 3.

¹¹ "O Senhor dá força ao seu povo,
  o Senhor abençoa com paz ao seu povo."
Salmos 29.

⁷ "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus." Filipenses 4.

¹ "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Romanos 5.

Revista ULTIMATO, Paz, Edição 417