domingo, 7 de junho de 2026

Igreja, alegria de Deus

 ⁴ "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor." Apocalipse 2.

    Éfeso era uma megaigreja.  Tão ao feitio de muitas de nossos dias. Aliás, há uma penca de crentes que, se não for numa delas, não serve para eles.

   Mas pode ocorrer que nem haja, por parte de (algumas dessas) igrejas, uma síndrome de grandeza, o que seria muito perigoso. Afinal, soberba não combina com Jesus.

   E sabemos da parte de quem provém soberba e a falência que representa. E ela pode ser coletiva e/ou individual. Amor também, só que, na igreja, identitariamente, precisa ser individual e coletivo. E somente tem única origem.

   Em Éfeso, quando Jesus afirma que era emergencial retornar ao primeiro amor, foi porque toda a igreja havia perdido o alvo. Que houvesse crentes nela que mantinham amor, mas a maioria doente superou e comprometeu, para si, o testemunho dessa minoria injustamente desprezada.

   Se considerarmos que as características descritas por Lucas, em 2,42-47, definem o modo saudável dessa igreja nascente de Atos se desenvolver, e que foi uma descrição completa, nenhuma igreja sadia pode abrir mão de nenhum dos itens que Lucas menciona.

   Portanto, vamos entender que, inegavelmente, a observação feita por Jesus a Éfeso, não se aplicaria à igreja descrita por Lucas. E que elementos eram prática comum nesta igreja de Atos? Eram perseverantes em:

   Doutrina: cuidado com isso. Lucas se refere à dos apóstolos. Que signfica, hoje, o que temos na Bíblia.  O erro tem sido o que antes, na Reforma, criticamos na Igreja única que existia: pôr o que hoje se chama doutrina acima das Escrituras.

   Nenhuma doutrina ensina amor. As Escrituras ensinam amor. Avaliar que a doutrina de uma igreja ou grupo o coloca acima das outras ou de outros não é Escritura, não é  "doutrina dos apóstolos", não é amor.

   Comunhão: mais um conceito das Escrituras. Aliás, o principal personagem das Escrituras, Jesus, é Deus feito homem para estabelecer uma comunhão perfeita com o Pai. E é ele que afirma: "Edificarei a minha igreja".

      Comunhão define igreja. E não é comunhão estilo Éfeso, na qual a competência do grupo passou a definir as atividades da igreja. A lista que Jesus enumera, incluído até o fato de terem suportado afrontas por causa de sua fé, não lhes garantiu identidade, porque faltava amor.

   E se falta amor, a comunhão é falsa. Jesus expressa na sua assim denominada oração sacerdotal:

²¹ "... a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." João 17.

   Comunhão é resultado de ação do Espírito na vida individual de cada membro, assim como o resultado final promovido em todos, por todos, em comunhão com o Pai, em Cristo, por esse mesmo Espírito. E o resultado é ação no mundo.

   Oração: essa igreja, denominada primitiva, tão mencionada como exemplo, orava junto, rapartia seu tempo juntos, participavam de refeições juntos, visitavam-se casa a casa, atividades que mantinham ininterrupta sua comunhão.

   A vida moderna apresenta fatores que, ao mesmo tempo, podem aproximar ou afastar, podem incrementar ou anular comunhão. Mas não se pode confundir estratégias de consumo, qualquer associação de grupo, seja que finalidade for, com a comunhão de ser igreja.

   Igrejas não são ONGs. Elas existem como resultado da cruz, que proporciona perdão do pecado, santificação em Jesus e ação do Espírito, para testemunho ao mundo.

   Qualquer outra finalidade para a igreja, distorce sua identidade. O problema atual principal é seu desvio de função. Os que se ajuntam, não mais se identificam pela redenção pelo sangue de Jesus, mas como reunião de afago do ego pessoal de cada um ou uma identidade qualquer que os defina como grupo.

   Temor: nenhuma outra identidade se aplica à igreja. Em cada alma havia temor, representa seriedade e santidade perante Deus. Pode-se dizer que Lucas descreve características gerais e práticas da igreja. Mas todas são teológicas.

   Onde mais aprender temor senão nas Escrituras? E como aplicar isso ao viver, senão aplicando as Escrituras ao viver? Elas também serão o manual prático-teológico do amor e da comunhão.

   E a igreja, no seu dia a dia, será escola de amor, comunhão e temor ao Senhor. Cuja cartilha será a Bíblia.  Quando Atos afirma que dia a dia assim procediam, pode ser que a rotina de vida daqueles irmãos lhes permitisse, diariamente, encontrar-se.

   Pois na nossa realidade, pode ser improvável (não impossível) reunir-se todo o dia, mas viver igreja todo dia, a todo instante, onde estiver, é absoluto, necessário, insubstituível.  Daí prodígios e sinais. Tudo decorrente da igreja ou da vida individual de cada membro é prodígio e sinal.

   Porque igreja é ação de Deus no mundo, por meio da vida dos que creem. E para aqueles irmãos, viver igreja era o essencial. Por isso que, para nós, precisa ser essencial viver igreja.  E justo e especificamente neste nosso contexto de vida.

    O fruto:  louvar a Deus, contar com a simpatia de todo o povo e acolher os que o Senhor lhes acrescentava, era fruto, resultado natural dessa experiência que somente Deus proporciona.

   Igreja é a inédita experiência de Deus na vida daquele que crê. Com alegria e singeleza de coração, de parte a parte.  Alegria de Deus é segurança para nós. 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Afinal, com quem caminhar junto?

 ²¹ "Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha." Êxodo 33.

   Quando Moisés pede a Deus que lhe mostre a sua (de Deus) glória, provável ter sido insegurança dele (de Moisés). Então Deus decide, ao mesmo tempo, mostrar e esconder.

   Porque ver a face de Deus nunca ninguém. Proferir um nome para Deus, assim como ver face a face não pertence à condição humana.

   Mas compreender as intenções de Deus, vivendo por fé, sim, compete aos que creem. Por isso Deus afirma a Moisés o que se lê acima. E isso basta.

   E o contexto dessa cena, com Moisés, tratava especificamente da necessidade de Deus estar junto. De um polo a outro, Arão e a permissividade da adoração ao bezerro de ouro, a orgia resultante, a consequente guerra civil no arraial, quase 3 mil mortos e todo o processo de reconciliação com Deus estiveram na agenda.

   Moisés foi o mediador. Surpreendeu Deus, positivamente, por sua reação, assim como foi por Deus surpreendido. E também nos surpreende com sua afirmação da identidade do povo de Deus, fosse a congregação do (daquele) deserto, seja a congregação (do deserto) de hoje, que é a igreja.

   ¹⁶ "Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?" Ex 33.

   O mundo é o deserto. E Jesus afirma, sim, a igreja está no mundo, mas a igreja não é mundo. Cada vez que a igreja, no mundo, assumir mais nitidamente a identidade de Jesus, mas reação contrária a si vai amealhar, abarcar, assumir.

   ¹⁵ "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. ¹⁶ Eles não são do mundo, como também eu não sou." João 17.

   Por, então, caminhar no mundo, há uma presença que segue conosco. Deus não substitui por ninguém mais o que a Ele é exclusivo realizar. Moisés nos surpreende quando afirma isso.

   Distingue-nos o fato de Deus seguir conosco. Somos separados, significa dizer somos santificados pela ação de Deus em nossa vida. O Novo Testamento cansa por mencionar ser imitadores de Deus.

¹ "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." Efésios 5.

   E o Filho viveu, neste mundo, agindo deste modo. Jesus manteve comunhão perfeita com o Pai, não somente para ser vago modelo dessa comunhão, mais do que isto, para realizar nEle e por Ele nossa comunhão com o Pai.

¹⁹ "Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz." João 5.

   Tudo que Deus realizou em Cristo e por meio dEle, de modo pleno, visa nos alcançar, mais do que somente sensação de um vaga presença, mas inteira e verdadeira comunhão.

  A igreja é o lugar dessa comunhão. E o lugar da igreja, onde Deus habita, está em nós. Deus segue conosco, estamos sobre essa penha, a Rocha, que é Jesus, edificados sobre Ele como pedras que vivem.

⁵ "...também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." 1 Pedro 2.

    Pedro compreendeu o sentido de dizer que a Pedra é Jesus.  Afirmar "tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" significa reconhecer e assumir para si mesmo tão grande salvação.

    Este é o lugar junto a Deus, edificados sobre Jesus, caminhando neste mundo, como povo distinguido por Deus, para testemunho entre todos. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Feliciano Amaral: cantor de várias gerações

 

Feliciano do Amaral, conhecido carinhosamente como o “Rouxinol do Sertão”, foi um lendário pastor batista e o precursor absoluto da música gospel no Brasil. Consagrado internacionalmente, ele entrou para o Guinness Book em 2013 como o cantor mais velho do mundo em atividade musical.Origem e Início de VidaNascimento: 20 de outubro de 1920, na cidade de Miradouro, Minas Gerais.Juventude: Antes de se dedicar exclusivamente ao ministério, trabalhou como músico, sapateiro e cantor popular.Conversão: Foi batizado em 7 de março de 1943 na Igreja Batista de Muriaé.Pioneirismo Histórico na MúsicaPrimeiro Registro Gospel: Em 1948, gravou o que é considerado o primeiro disco de música evangélica do país em 78 RPM pelo Serviço Noticioso Atlas, contendo os hinos “Mensagem Real” e “Vem a Cristo”.Show Histórico no Maracanã: Em 1974, alcançou um marco inesquecível ao ser o único cantor de música sacra a se apresentar para mais de 35 mil pessoas no Maracanã, durante a histórica cruzada do evangelista americano Billy Graham.Ministério Pastoral e Grandes HinosAtuou fortemente como pastor, liderando igrejas tradicionais ao longo das décadas de 50 e 60, como a Igreja Batista de Croslândia e a Igreja Batista da Pavuna. Suas interpretações eram famosas por soarem como verdadeiras pregações em forma de melodia.Entre suas interpretações e canções mais emblemáticas estão:”O Rosto de Cristo””O Eterno Fanal””Eu Preciso de Ti””Lindo Céu””A Cada Passo”Falecimento e LegadoApós morar em Recife e ser membro da Igreja Batista da Capunga, Feliciano mudou-se para Porto Velho (Rondônia) por motivos de saúde.O pastor faleceu em 7 de julho de 2018, aos 97 anos de idade.

Depoimentos:

Roberto Guimarães
Eu tive o privilégio de estar no Maracanã em 1974 e me converter na igreja da Pavuna (pastoreada por ele), em 09/09/1979, e fui batizado (depois de frequentar e ser secretário da classe dele)em 16/03/1980, meus filhos foram ninados com seus hinos e quando choravam , somente o hino dele acalmava-os. Era muito maravilhoso!
Quem o denominou: "Rouxinol dos Evangélicos" acertou , pois era mesmo!

Paulo Francisco Alves
Tive o privilégio de convidá-lo para cantar no aniversário de 80 anos de minha mãe, irmã Rita Alves, que gostava muito dele e de seus hinos. Ele veio e cantou 5 hinos. Quando terminou de cantar os 5 hinos, ele pediu pra eu ligar para o motorista e dizer que viesse buscar ele depois, pois , ele queria cantar mais. E cantou mais 4 hinos. Nesse tempo, ele e irmã Rubenita estavam morando em Recife.

Antonio Neto da Silva
O saudoso irmão em Cristo e cantor evangélico deixou um grande legado na obra do senhor e salvador Jesus Cristo! Feliciano Amaral cantava de coração para Deus.Sua voz era muito privilegiada e bonita através das suas canções.
Sempre gostei muito de ouvir Feliciano Amaral cantando desde a minha infância até os dias atuais.

Eunice Luiza Johnson Batista
Foi meu pastor na PIB em Rondônia. Voz maravilhosa . A igreja lotava aos domingos à noite para ouvir suas mensagens cantada. Mesmo após seu período de Pastorado oficial da PIB/Porto Velho Rondônia foi membro da PIB/RO até a sua volta para a Casa do Pai no lar Celestial que tanto mencionou em suas canções. Dou Glórias a Deus por sua vida e canções.

Clineu Ananias
Que tive o prazer de ouvi-lo a partir de 1950, com 8 anos de idade. Hoje estou com 83 anos, e quando ouço o cantor e pastor Feliciano, sinto algo muito forte e maravilhoso na minha alma. A palavra cantada pelo irmão Feliciano é uma mensagem linda e inspiradora.

Edson Silva
A primeira vez que tive o privilégio de ouvir o pastor Feliciano foi na 1a. Igreja Presbiteriana de Nova Iguaçu, por ocasião do aniversário da Igreja, na década de 70.

Brigida Garcia
Muita unção na voz , seus louvores verdadeiras profecias cantada que falam a nossa alma. Realmente foi muito linda a comparação da sua voz ao canto do Rouxinol, sua voz seus louvores alcançam as gerações.. Minha mãe gostava dos louvores do Feliciano Amaral , escutava no rádio o programa do Josias Menezes Peça o seu hino preferido!! Eu cresci ouvindo essas maravilhas meus filhos e hoje uma das minhas netas só dorme ouvindo o louvor Sou feliz com Jesus de Feliciano Amaral !!

Arão Alves da Silva
Gostaria de fazer uma ressalva nesse contexto, porque Feliciano Amaral, durante sua trajetória , pastoral e musical, nunca fez afirmação de que fazia parte desse mundo moderno conhecido por gospel, isso é coisa nova de linguagem um tanto moderna, sendo ele conservador. Porém, nos idos dos anos 2000, o colocaram como sendo desse meio, sem contudo, ele próprio fazer tal referência. Gospel, é modernismo, nunca divino, com todo respeito. Deveríamos termos mais zelo com as coisas relacionadas a Deus. Nem tudo que fala em nome de Deus, é prá louvor d'Ele.

Sinesio Vilaça
Tive o Privilégio de Conhecer Croslandia, um município no norte de Minas, proximo a Grão Mogol, onde ele criou uma igreja Batista nós anos 40, e um trabalho social que arranjei toda a região , hoje o templo construído por ele e tombado pelo Patrimônio estadual , uma obra prima em pleno sertão .

Enoque Ferreira
Meu saudoso pai ouvia muitos LPs dele. Seguimos seu exemplo e o ouvimos ainda, mesmo que pelo YouTube e como mp3. Edificantes canções e voz ungida no louvor do Senhor.

Cid Mauro
Sim, o meu também: no dia em que nos deixou, vitimado por um brusco acidente, esteve ouvindo na sala de casa um dos hinos que falava, exatamente, sobre o céu. Despediu-se ouvindo Feliciano Amaral.
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Aqui ele canta o meu preferido:

terça-feira, 19 de maio de 2026

Eugène Burnand - Pedro e João correndo ao túmulo

⁹ "Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios. ¹⁰ E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam. ¹¹ Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram." Marcos 16.






Ver na net: Ultimato 419

domingo, 17 de maio de 2026

Deus que todo o tempo fala

 ¹ "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ² nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo." Hebreus 1.

      Ecoa até hoje essa introdução da célebre epístola anônima do Novo Testamento. Ele afirmar que Deus fala de muitas maneiras e agora mais ainda fala pelo Filho representa total proximidade e transparência.

    Mas adiante, esse autor também vai mencionar que, sem fé, é impossível agradar a Deus.  Porque somente quem crê reconhece que Deus fala, ouve e identifica Sua voz.

⁶ "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam."Hebreus 11.

   E não venham com a ideia de que fé é salto no escuro. Porque fé é migrar, definivamente, das trevas para a luz. Data do Gênesis, no primeiro ato da Criação, Deus dizer "Haja luz", e separar luz e trevas. E Jesus afirmar ser a "luz do mundo" e, quem o seguir, "Não andará em trevas, mas terá a luz da vida".

³ "Disse Deus: Haja luz; e houve luz. ⁴ E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. ⁵ Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia." Gênesis 1.

¹² "De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. [...] ⁵ "Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo." João 8/9.

    Portanto, Jesus transfigura-se todo o tempo, de modo a manter que a luz que ilumina quem crê seja permanente.  Isso não nega o conflito também permanente com as trevas, presente na vida humana desde os pais Adão e Eva.

    Jesus transfigura-se. Temos as Escrituras, cartilha do Espírito. Temos a igreja, que significa, ao mesmo tempo, ter Cristo e termo-nos uns aos outros. Quanto a ter-se um ao outro, logo me vem à mente o "espírito de Diótrefes". Segue abaixo a definição dada por João Apóstolo a esse sintoma:

"Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida." 3 João 1.

   A marca da soberba é sutil e autenticamente diabólica. É o inverso de ser igreja. Porque esta ensina depender, ao mesmo tempo, de Jesus e cada um do outro. Paulo indica esse modo de crescimento na fé:

¹⁵ "Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, ¹⁶ de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor." Efésios 4.

    Nessa aula acima, está escrito: 1. seguir a verdade em amor; 2. crescer em tudo em Cristo; 3. o corpo (igreja) inteiro; 4. auxílio de cada junta a justa cooperação de cada parte (se alguém sai, prejudica a si e ao corpo); 5. efetua-se aumento e edificação em amor.

   As Escrituras dão aulas. O Espírito, que selecionou quem a escreveu, acode a quem lê e a interpreta. Jesus transfigura-se nas e pelas Escrituras. O Espírito é fiel a Ele, às Escrituras e a nós nessa iluminação. Ouçamos então, com clareza, a voz de Deus, que agora nos fala pelo Filho. 

sábado, 16 de maio de 2026

3 João e o WattsApp do século I - Amor

 ¹ "O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. [...] os quais, perante a igreja, deram testemunho do teu amor.".3 João 1.

    Ora, João não poderia deixar de falar em amor. Proveniente dele, mencionar que ama e ainda reconhecer quem ama é bem peculiar. Neste seu zap, que abarca alegria, andar na verdade, faltava completar com amor.

   Essencial. João mesmo vai, num trecho de sua 1ª carta, enunciar uma aula de amor. Provém dela a frase síntese da personalidade divina:

⁸ "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor." 1 João 4.

   Aliás, não somente síntese da personalidade divina, porém síntese da vida cristã. Mencionar "aquele que não ama" distinguido daquele que ama, ou, de quem ama, é distinguir o falso do verdadeiro.

  E com ele, fecha Paulo em argumento, quando escreve aos Efésios, e não é mera coincidência que previna àquela igreja que atente ao amor, pois o próprio Jesus, agora nos tempos apocalípticos do exílio de João, na ilha de Patmos, vai reclamar ausência de amor em Éfeso.

¹⁷ "...e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, ¹⁸ a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." Efésios 3.

   Esta a aula de Paulo: 1. habitar Cristo, em amor, no coração; 2. compreender o amor, que excede todo o entendimento; 3. ser tomado de toda a plenitude de Deus.

   Paulo afirma que para isso existe a igreja. Eféso, ao tempo e época do Apocalipse, como que tinha de lembrar o significado do processo de conversão, na verdade, lugar e raiz do amor, devido ao efetivo batismo pelo Espírito na cruz de Cristo:

⁵ "Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras". Apocalipse 2.

   Crer em Cristo é ter efetiva participação no Seu amor. Ele mesmo é a maior prova do amor de Deus.  E o próprio Jesus ensina sobre amor no célebre texto da figueira em João 15.

⁸ "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." Romanos 5.

¹⁰ "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço." João 15.

   Igreja é o lugar onde aprendemos com Jesus amar, do mesmo modo que ele aprendeu com o Pai. E amar tem ligação radical com obedecer. Somente Jesus é Mestre para essas lições. 

  Para quem achava que não havia WattsApp na Bíblia, fica este de João Apóstolo: curto, rápido e completo. Não é necessário dizer mais. 

3 João e o WattsApp do século I - Andar na verdade

 ⁴ "Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade." 3 João 1.

    Em sua carta diminuta, um zap do século I, João dirá que há algo que lhe traz ainda maior alegria: que seus filhos andam na verdade.

   Deus nos fez a Sua imagem e semelhança. Mas o desvio do pecado mergulhou-nos na mentira.  Conversão, a principal mensagem tanto do Antigo, quanto do Novo Testamento, implica retorno à verdade.

    Enoque, uma dos notáveis da antiguidade, marcou sua citação nas Escrituras como aquele que andou com Deus. Pois essa é definição e o sentido do que signfica andar com Deus.

²⁴ "Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si." Gênesis 5.

   Não é para pensar que ele tenha sido o único que andou com Deus. Como também será engano afirmar que, por andar com Deus, qualquer um(a) será arrebatado(a).

    Andar com Deus é rotina na agenda do crente fiel.  Há muitos que se constituem exemplo. Paulo aos Gálatas explica como se dá essa possibilidade que, como consta em Atos, resulta do derramamento do Espírito.

¹⁶ "Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne." Gálatas 5.

  Sim, andar no Espírito é andar com Deus.  E ter a mesma experiência de Enoque. Com arrebatamento garantido, como explica Paulo, desta vez aos Tessalonicenses, na volta do Senhor Jesus.

   Andar com Deus, por sua vez, idêntico a andar na verdade, implica conhecer as Escrituras. E do modo padrão, idêntico à recomendação de Deus a Josué, sucessor de Moisés.

⁸ "Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido." Josué 1.

   Meditar, cumprir e falar do padrão expresso nas Escrituras, é garantia de ser bem-sucedido. Ora, mas que coincidência, garantia também de toda a felicidade, como expresso no salmo que Introduz o saltério.

¹ "Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. ² Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite."
Salmos 1.

   As Escrituras são fonte de alegria e, por ela, treina-se andar na verdade. O que mais alegra, senão andar na verdade. Isso significa ser restaurado no padrão de Deus, esse o original, por mais estranho que nos pareça.

   Nada mais lindo do que a santidade de Deus.  Por mais que nos soe tão estranha. Olhando o mundo à volta, parece que santidade de Deus nele é algo desatualizado. Mas refletindo sobre a vida de Jesus, pelo que os Evangelhos nos mostram, esse homem a viveu, espontânea, plenificado pelo Espírito Santo.

   João (esse sim) Apóstolo, em seu zap do século I, enfatiza mais esse tópico especial e distintivo da vida cristã autêntica: andar na verdade.  Fácil não será, mas essencialmente necessário.