sábado, 13 de junho de 2026

Muitos cristianismos, fé e Fake News

"...penduraram Jesus de Nazaré na véspera da Páscoa, pois praticava a feitiçaria e levava Israel à perdição." Talmude babilônico, Tratado Sinédrio, 43b.

³³ "Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram". Lucas 23.

   Talmude, no hebraico, signfica "estudo" ou "aprendizado". Tanto que a palavra "talmid" significa aluno.

   Desde o exílio em Babilônia, em 605 a.C., os religiosos judeus desenvolveram longa tradição de interpretação da Lei de Moisés, o que restou após as grandes perdas de 587 a.C.: queimado o Templo, toda Jerusalém e deposto e morto seu último rei.

    Pois o trecho inicial acima, de fonte judaica, é um testemunho extrabíblico da crucificação de Jesus. O texto seguinte, um testemunho bíblico, fonte lucana neotestamentária.

   Ambos fazem a mesma afirmação. Trata-se da história do mais famoso galileu, assim reconhecido, assassinado sem nenhuma acusação justificada, por volta do ano 33 de nossa era.

   Nele se baseia toda a história da religião cristã. O que se constrói, ao longo de séculos, denominado cristianismo, provém de uma longa evolução a partir do que dele se conta nos chamados Evangelhos.

   E o que mais se diz em todo o restante do chamado Novo Testamento. O sistema religioso decisivo na emolduração de toda a cultura ocidental, com reflexos no restante do mundo, tem origem na crucificação desse homem.

    Paulo Apóstolo, alguém de quem já se disse ter sido, por causa da influência de seus escritos, inventor da religião cristã, afirma ser a ressurreição de Jesus a principal, senão a única âncora dessa religião.  Eis o que ele diz:

¹⁶ "Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. ¹⁷ E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados". 1 Coríntios 15.

    Por incrível que parece, nesse trecho ele argumentava com crentes da igreja de Corinto, dentro dela porém descrentes da ressurreição.  Tremendamente influenciados pela filosofia grega, que admitia ser um absurdo essa crença.

   Mas ressurreição é o esteio do cristianismo. Se por acaso, pelo efeito de sua dimensão histórica, não há como negar o cristianismo como religião, ele continuará sendo, apenas, religião, caso seja negada a ressurreição.

   Se o crucificado às vésperas da Páscoa, acusado de feitiçaria e de conduzir Israel à perdição, de fato, não ressuscitou ao terceiro dia, do modo como afirmam os quatro Evangelhos e mais Paulo, a fé é  vã.

   Há, definivamente, distinção entre fé e religião. A fé diz respeito a fatos de Deus. Desde o Gênesis afirma-se "No princípio, Deus". Ele diz e acontece, ele faz e aparece. Outro autor neotestamentário, desta vez anônimo, afirma:

⁶ "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. "Hebreus 11.

   De fato. A fé é um fato. Deus é um fato. A ressurreição de Jesus é um fato. Assim como também foi a sua crucificação.  Sim, de fato, cremos no galileu assassinado crucificado e na sua ressurreição.

   Cristianismos há muitos. Quanto ao evangelho, cada um tem o que merece. Deveria ser mais o que o evangelho pode fazer por nós, do que o que nós fazemos dele. E quanto ao judeu assassinado morto na cruz, não é Fake, é fé: aquele judeu, queiram ou não queiram, é salvador do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário