⁸ "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai". Jo 3.
Muito não se sabe, tornando-se deveras problemático para os viventes. Imagine, em plena vigência do "século da luzes", dizer a alguém: "Não sabes".
Jesus, de quando em vez, usava essa expressão. Como na única parábola que somente Marcos registra:
²⁶ "Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; ²⁷ depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como." Mc 4.
Você não sabe. Num século onde há requintes por se inventariar tudo o que se conhece, sob regras rígidas, em forma infinitamente digital, dizer "não sabe" passa por pura provocação.
Talvez seja Jesus que não sabe. Porque o filho de um carpinteiro, sem formação acadêmica, seria convictamente desmerecido. E quanto à natureza do que se sabe?
Especialista nos dois assuntos, numa das falas Jesus se refere ao Espírito Santo que, como o vento, não se entende o mover. Na outra fala, floresce imperceptível o reino de Deus, como brota na terra uma semente.
O que dizer, diante do ceticismo deste século, sobre a relevância desses dois assuntos? Vivemos, desde o século XVIII, os efeitos do Iluminismo. É a idade da razão.
Para o século atual, nenhuma relevância. E o método científico dominante. Ninguém deseja se sentir ridículo, acolhendo como plausível o que escapa aos parâmetros do século.
Daí a irrelevância da temática abordada pelo Filho do carpinteiro. Ainda porque o que provém desse viés argumentativo cheira a cristianismo, religião depreciada ao máximo, no rol das demais, pelo alegado compromisso dela com o colonizador.
¹ "O saber ensoberbece, mas o amor edifica. ² Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber." 1 Co 8.
Essa afirmtiva acima pertence a Paulo. No que depende do Filho do carpinteiro, não será o saber, nem por sua quantidade, seja por sua celebridade, ou qual critério for. Ele pretende entender de amor.
Paulo, a Timóteo, mais uma vez se supera, ao classificar que modalidade está reservada a quem escapa do essencial, quando o assunto beira, de perto, o que interessa a Jesus:
⁶ "Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, ⁷ pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações." 1 Tm 1.
Eu acho o máximo as expressões "loquacidade frívola" e ironia requintada dizer "ousadas asseverações". Para Paulo, na mesma linha de raciocínio do Filho do carpinteiro, falar do que não se sabe é pura loquacidade frívola.
E o saber não tornou melhor a humanidade. Talvez seja essa uma missão para o amor. E Talvez seja esse o saber no qual o Filho do carpinteiro se exercita. Porque o saber ensoberbece. O amor edifica.
Não sabes. Jesus causou de afirmar. Não se sabe como o reino de Deus floresce. E também não de onde vem e nem para onde vai o Espírito.
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