³ "Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos." Judas.
Meu professor de hermenêutica em 1978, Martineis Anjo Gonçalves, de saudosa memória, disse certa vez que podemos começar entendendo um texto fazendo (inteligentes) perguntas a ele.
Poderíamos perguntar, então: Como pôde Deus, de sã consciência (permissão para falar assim), pensar em entregar aos santos (no caso, aos que creem) a fé santíssima?
²⁰ "Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo".
Preciosa, de extremado valor, entregue alhures. Por ela (ou a ela, não se sabe o que ocorre primeiro) temos acesso ao evangelho. Paulo (ele, sim, apóstolo) esclarece isso no clássico texto de Romanos 5:
¹ "justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; ² por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus."
Em minha congregação cansaram de me ouvir mencionar outro texto clássico, em Marcos 1, onde ele afirma quem primeiro pregou o "evangelho de Deus": Jesus.
¹⁴ "Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, ¹⁵dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho."
Por esse texto, indica-se: 1. O Apocalipse já começou; 2. Arrependimento está vigente e é urgente; 3. O reino de Deus está próximo, ou seja, ao alcance por acesso, mas também cronológica, histórica e iminentemente perto.
Uma vez tendo recebido fé e evangelho, era então para saber: o que fé e evangelho são capazes de fazer conosco, operantes em nossas vidas?
E não o contrário, ou seja, o que somos (ou fomos, até aqui), capazes de fazer deles. Cada um tem o evangelho que merece.
Inversão da Reforma. Saímos dela, dizemos, tendo resgatado as Escrituras de seu cativeiro na ortodoxia romana. O erro deles, dissemos, foi desprezar as Escrituras.
Elevaram sua ortodoxia acima das Escrituras, ao estipular que é o Magistério da Igreja que lê e que normatizava o que vai escrito.
Aí, formamos nossos guetos de ortodoxia. As Escrituras ensinam fé e aprofundam vivência do evangelho. Ortodoxia atiça vaidades.
Em cada gueto, supõe-se ortodoxia superior a todas as outras. Enquanto isso, o que cabe às Escrituras ensinar, fica obscurecido. Cada um tem o evangelho que merece.
Desprestigiadas, as Escrituras nada têm a ensinar. E as ortodoxias também nada ensinam. As Escrituras estão acima de todas elas. O Sola Scriptura prevalece como princípio, mas não como método.
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