⁸ "E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado." Gênesis 2.
Somente uma ideia assim, divina, de pôr num jardim que Ele mesmo plantou o homem que criou. Qual seria a intenção?
Perdeu-se o jardim? A história, mesmo no jardim, não obteve o rumo requerido. Foi curto o período e as consequências funestas.
²⁴ "E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3.
A árvore da vida era a ênfase principal. Por isso que Deus a pôs no meio do jardim. Já no primeiro diálogo com a mulher, a serpente sagaz já a predispôs a mais valorizar a polarização bem x mal, aguçando curiosidade, mas omitindo todo o prejuízo da péssima escolha.
¹ Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? ² Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, ³ mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais." Gênesis 3.
Foram erros seguidos, indicados na resposta da mulher, revelando: 1. Falsa ênfase na troca de posição das árvores; 2. Atribuição de intransigência a Deus, pela alteração tocar/comer.
Desde então, ainda que não se admita, a preferência pelo mal, no ser humano, supera o bem. Muito embora, mesmo que se quisesse, tornou-se impossível ao ser humano, sozinho, sem Deus, prevalecer contra o mal.
Ainda que não se admita. Evidente que se costuma impor aos outros, esquecidos de si mesmo, mal maior. O outro é sempre pior. Até nesse aspecto configura-se o tamanho do fracasso.
Somente as Escrituras propõem a admissão individual da culpa. Chama isso arrependimento. E afirma não se tratar de uma iniciativa humana, mas de um gesto divino de sensibilização:
¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.
Isso mesmo. A escolha errada, pelo desprezo à vida e preferência ao mal, conduziu ao acolhimento em si do mal, à expulsão do jardim e à necessidade de arrependimento.
O caminho para a árvore da vida, desprezada no Éden, está acessível, perto e próximo, porém com uma cruz no meio do trajeto. Jesus assumiu, em nosso lugar, essa cruz, para nos legar vida.
Fora do jardim há salvação. Em meio a esse deserto da vida. No jardim, todo o bem estava explícito e o mal sub-repitício. Na vida fora do jardim, o mal está explícito e o bem ao alcance da fé.
Para Deus, mesmo que nus e fora do paraíso, há remédio. "Há bálsamo em Gileade". É declarar perda total e considerar maior a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus.
⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.
Perda total, ganho total. Fora do jardim, sim, mas não impossível de obter vida. Somente quem perde todas as coisas, ganha Cristo, o bem mais sublime. De volta à vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário