terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A cruz fora do jardim

 "E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado." Gênesis 2.

   Somente uma ideia  assim, divina, de pôr num jardim que Ele mesmo plantou o homem que criou. Qual seria a intenção?

  Perdeu-se o jardim? A história, mesmo no jardim, não obteve o rumo requerido. Foi curto o período e as consequências funestas.

²⁴ "E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3.

   A árvore da vida era a ênfase principal.  Por isso que Deus a pôs no meio do jardim. Já no primeiro diálogo com a mulher, a serpente sagaz já a predispôs a mais valorizar a polarização bem x mal, aguçando curiosidade, mas omitindo todo o prejuízo da péssima escolha.

¹ Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? ² Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, ³ mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais."  Gênesis 3.

   Foram erros seguidos, indicados na resposta da mulher, revelando: 1. Falsa ênfase na troca de posição das árvores; 2. Atribuição de intransigência a Deus, pela alteração tocar/comer.

   Desde então, ainda que não se admita, a preferência pelo mal, no ser humano, supera o bem. Muito embora, mesmo que se quisesse, tornou-se impossível ao ser humano, sozinho, sem Deus, prevalecer contra o mal.

   Ainda que não se admita. Evidente que se costuma impor aos outros, esquecidos de si mesmo, mal maior. O outro é sempre pior. Até nesse aspecto configura-se o tamanho do fracasso.

   Somente as Escrituras propõem a admissão individual da culpa. Chama isso arrependimento. E afirma não se tratar de uma iniciativa humana, mas de um gesto divino de sensibilização:

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.

  Isso mesmo. A escolha errada, pelo desprezo à vida e preferência ao mal, conduziu ao acolhimento em si do mal, à expulsão do jardim e à necessidade de arrependimento.

  O caminho para a árvore da vida, desprezada no Éden, está acessível, perto e próximo, porém com uma cruz no meio do trajeto. Jesus assumiu, em nosso lugar, essa cruz, para nos legar vida.

   Fora do jardim há salvação. Em meio a esse deserto da vida. No jardim, todo o bem estava explícito e o mal sub-repitício. Na vida fora do jardim, o mal está explícito e o bem ao alcance da fé.

   Para Deus, mesmo que nus e fora do paraíso, há remédio.  "Há bálsamo em Gileade". É declarar perda total e considerar maior a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.

   Perda total, ganho total. Fora do jardim, sim, mas não impossível de obter vida. Somente quem perde todas as coisas, ganha Cristo, o bem mais sublime.  De volta à vida.

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