Apocalipse Now
Nome de um famoso filme sobre a presença americana no Vietnam. Acertaram, sem querer, o sentido do livro. Sim, porque, querendo dizer que aquela guerra foi antessala do apocalipse profetizado, indicaram uma característica permanente do autor do livro: Apocalipse é sempre agora.
João Apóstolo assumiu o gênero apocalíptico, inaugurado com Ezequiel e Daniel, porque desejava indicar que é necessário, permanetemente, alertar para a realidade de um apocalipse iminente.
Trata-se de um gênero textual de impacto, em função das cenas descritas. Criaturas horrendas e fantásticas, visões celestiais e narrativas de ferrenhas batalhas mexem com o imaginário do leitor.
O livro é um grande cenário teatral, abarcando como tema a cena final da história. Tem tudo que uma peça teatral reúne como elementos que a compõe: dedicatória às igrejas, abertura, com a grande cena celestial, suspense inicial, que desencadeia a ação, grandes conflitos que antecipam o clímax e, por fim, o desfecho final.
Na verdade, "apocalipse", a primeira palavra do livro, significa "revelação", que João aponta como recebida por meio do anjo que, por sua vez, recebeu de Jesus, que recebeu de Deus. É que a essa palavra, por causa mesmo do jeitão do livro, foram associadas as ideias de "fim do mundo", "criaturas horrendas", como as bestas e dragões, e o "medo do texto", ao qual muitas pessoas aludem.
Mas uma visão de conjunto, uma leitura com método, a compreensão de sua linguagem e o entendimento de sua simbologia, proporcionam uma ideia geral da estratégia inteligente utilizada pelo autor, no uso desse gênero, de modo a gravar uma imagem permanente de advertência, quanto aos fatos e profecias que antecedem e anunciam o fim dos tempos.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Ora, a visão de Ezequiel. Uma vez comentada sua especificidade, comparada a que nos diz respeito, presa ao modo e visto como Deus se revela, individualmente.
Avistou um revolver de nuvens que procediam do norte, a princípio típica de uma concentração de cumulus nimbus, porém progressivamente mais horrenda do que o aspecto daquelas. Muito mais do que isso.
Assomava-se. Vinha em sua direção. Não era somente ameaça de uma segura tempestade, porque aquela concentração tinha algo específico a revelar ao profeta.
Houve um limiar, um limite, uma fronteira na percepção dele, desde que considerasse ser apenas um acúmulo corriqueiro, porém estranho, de nuvens, para, na verdade, torná-lo consciente de que não era rotina.
Como Elias, em conflito pessoal com sua própria vocação, deprimido e fugindo de Deus, no interior da caverna, não sabia discernir se Deus estava no temporal, nos raios que caíam ou no terremoto. Em nenhum deles. Deus sempre está.
Como nós, que tentamos discernir as circunstâncias do viver, perguntando como pode? Onde Deus está, que não impõe limites e põe freios à maldade. Querendo deterninar os modos de Deus, quando nem os nossos nem os dos outros determinamos.
O ser humano não é dono de
nenhuma coerência. Mas deseja determinar, para Deus, uma teologia. Ezequiel, junto aos exilados, perguntava como e por quê? Eles perderam, a um só tempo, sua terra, seu rei, sua liberdade. Caiu, a um só tempo, o trono, o templo, foi-se a terra, só ficou o Livro.
A única saída era enxergar, afinal, onde está a glória de Deus, aviltada na aposta feita, nessa aliança suicida com um povo rebelde. Ezequiel, de cara, a enxergava.
Deus diria a ele, em meio à própria relutância do profeta: esse povo rebelde, ouvindo ou deixando de ouvir, saberão que, no meio deles, esteve um profeta. Como está em Amós, nada essencial Deus faz sem que comunique isso ao profeta.
Avistou um revolver de nuvens que procediam do norte, a princípio típica de uma concentração de cumulus nimbus, porém progressivamente mais horrenda do que o aspecto daquelas. Muito mais do que isso.
Assomava-se. Vinha em sua direção. Não era somente ameaça de uma segura tempestade, porque aquela concentração tinha algo específico a revelar ao profeta.
Houve um limiar, um limite, uma fronteira na percepção dele, desde que considerasse ser apenas um acúmulo corriqueiro, porém estranho, de nuvens, para, na verdade, torná-lo consciente de que não era rotina.
Como Elias, em conflito pessoal com sua própria vocação, deprimido e fugindo de Deus, no interior da caverna, não sabia discernir se Deus estava no temporal, nos raios que caíam ou no terremoto. Em nenhum deles. Deus sempre está.
Como nós, que tentamos discernir as circunstâncias do viver, perguntando como pode? Onde Deus está, que não impõe limites e põe freios à maldade. Querendo deterninar os modos de Deus, quando nem os nossos nem os dos outros determinamos.
O ser humano não é dono de
nenhuma coerência. Mas deseja determinar, para Deus, uma teologia. Ezequiel, junto aos exilados, perguntava como e por quê? Eles perderam, a um só tempo, sua terra, seu rei, sua liberdade. Caiu, a um só tempo, o trono, o templo, foi-se a terra, só ficou o Livro.
A única saída era enxergar, afinal, onde está a glória de Deus, aviltada na aposta feita, nessa aliança suicida com um povo rebelde. Ezequiel, de cara, a enxergava.
Deus diria a ele, em meio à própria relutância do profeta: esse povo rebelde, ouvindo ou deixando de ouvir, saberão que, no meio deles, esteve um profeta. Como está em Amós, nada essencial Deus faz sem que comunique isso ao profeta.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Escrevendo sobre Ezequiel.
Começa mirabolante o livro que toma seu nome. Visão em CinemaScope colorida. Esta é a mãe das técnicas modernas de filmagem, surgida em minha geração.
Ezequiel viu a gloria de Deus, como este escolheu manifestar-se a ele. Sim, porque é da soberania de Deus a escolha do modo como vai, individualmente, manifestar-se.
Por exemplo, o caso de Paulo que, literalmente caiu (se, na verdade foi esse o transporte) do cavalo. Ou como no caso de André e João, cujo xará, denomindo Batista, apontou, num jeito meio grosso: "Eis o Cordeiro de Deus".
Ezequiel, assentado entre os exilados, à margem do rio Quebar, amargava-lhes, entre outras coisas, o ódio expresso no Salmo 137. Um anônimo não teve escrúpulos em registrar tal emoção.
Também, como destacou o pastor Manoel Porto Filho, aquele povo indignava-se com o pedido de seus algozes babilônios que desejavam ouvir-lhes a já internacional e famosa música.
Mas como, diziam, cantar no cativeiro. Especificamente, disse Porto Filho, é o lugar mais próprio de se cantar. Muito provavelmente Ezequiel lhes seguia o mesmo estado de ânimo.
E nós, sentados em meio à nossa própria realidade, exilados nela, também não divisamos muito otimismo. Resta-nos divisar a glória de Deus.
Muito provavelmente, não em CinemaScope. Outro anônimo, o autor de Hebreus, indica que a experiência atual é muito mais próxima da face de Deus. Se assim não divisamos, é por outro tipo de cegueira.
Talvez pela prática equivocada de não olhar para o rosto do outro. Ver, no rosto do outro, expressão da face de Deus. Isaías diz que não devemos nos esconder do nosso semelhante. Para Deus, não há outro modo de olhar, senão cara a cara.
Passeando no jardim, pela viração do dia, buscava olhar o casal cara a cara. Nós, que já enxergamos Deus, em Sua glória, devemos encarar o outro, qualquer outro, cara a cara, refletindo a glória de Deus por nosso rosto.
Paulo a isso se refere, quando diz "somos transformados, de glória em glória, como pelo Senhor, em nós o Espírito".
Começa mirabolante o livro que toma seu nome. Visão em CinemaScope colorida. Esta é a mãe das técnicas modernas de filmagem, surgida em minha geração.
Ezequiel viu a gloria de Deus, como este escolheu manifestar-se a ele. Sim, porque é da soberania de Deus a escolha do modo como vai, individualmente, manifestar-se.
Por exemplo, o caso de Paulo que, literalmente caiu (se, na verdade foi esse o transporte) do cavalo. Ou como no caso de André e João, cujo xará, denomindo Batista, apontou, num jeito meio grosso: "Eis o Cordeiro de Deus".
Ezequiel, assentado entre os exilados, à margem do rio Quebar, amargava-lhes, entre outras coisas, o ódio expresso no Salmo 137. Um anônimo não teve escrúpulos em registrar tal emoção.
Também, como destacou o pastor Manoel Porto Filho, aquele povo indignava-se com o pedido de seus algozes babilônios que desejavam ouvir-lhes a já internacional e famosa música.
Mas como, diziam, cantar no cativeiro. Especificamente, disse Porto Filho, é o lugar mais próprio de se cantar. Muito provavelmente Ezequiel lhes seguia o mesmo estado de ânimo.
E nós, sentados em meio à nossa própria realidade, exilados nela, também não divisamos muito otimismo. Resta-nos divisar a glória de Deus.
Muito provavelmente, não em CinemaScope. Outro anônimo, o autor de Hebreus, indica que a experiência atual é muito mais próxima da face de Deus. Se assim não divisamos, é por outro tipo de cegueira.
Talvez pela prática equivocada de não olhar para o rosto do outro. Ver, no rosto do outro, expressão da face de Deus. Isaías diz que não devemos nos esconder do nosso semelhante. Para Deus, não há outro modo de olhar, senão cara a cara.
Passeando no jardim, pela viração do dia, buscava olhar o casal cara a cara. Nós, que já enxergamos Deus, em Sua glória, devemos encarar o outro, qualquer outro, cara a cara, refletindo a glória de Deus por nosso rosto.
Paulo a isso se refere, quando diz "somos transformados, de glória em glória, como pelo Senhor, em nós o Espírito".
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Orações à parte (clima de virada)
É o recurso mais chão da teologia. Sem ela, desista-se. Sim, porque admitir um Deus que não ouve, é melhor desistir. Discorrer sobre Deus, panos pra manga. Dizer que Ele fala, que resta-nos (e é sábio) ouvi-Lo, ok, durma-se com um barulho desses.
Mas não ter certeza de que Ele nos ouve (e responde, é claro), não vale a pena: se o Altíssimo não ouve, ou não responde ou é surdo a orações, perdeu sua utilidade. Podemos ou, mesmo que não, vivemos sem ele, por nossa própria conta e risco.
Oração é o mínimo. Que oração? Bem, varia de freguês a freguês. A mulher sírio-fenícia pediu a Jesus pela filha. Se podemos considerar oração, Jesus foi grosso com ela: não se tira o pão da boca dos meninos, para dá-lo a cães. Então, replicou a mulher, me dê migalhas.
Migalhas. E os exegetas, magos da verdade, salvadores da pátria (alemã) e dos textos, costumam dizer que a regra é se houver grosseria, há prova de autenticidade. Então, essa tradição da siro-fenícia está correta. Migalhas.
Para a fé, bastam migalhas. E, mesmo se houver grosseria, haverá resposta. O caso é insistir. Mas há dose nessa insistência. Já outra tradição, agora não garanto se é autêntica, do sermão do monte, diz para não insistir se for pedido em vão: pelo muito falar, não vai ser atendido.
Não diga que, outra vez, é grosseria. É porque oração tem que ser inteligente. Aqui dividem-se fariseus e gente rasteira, no Reino: aqueles, vício muito frequente entre nós, humanos, falamos para ser ouvidos (e elogiados, pura vaidade); estes, exatamente por serem faltos de razão, isso na abalizada avaliação dos outros, sempre é assim, têm mais chance ser ouvidos.
Vide a viúva insistente da parábola. Mas com muita ou pouca argúcia no falar ou no pedir, na oração, brilhante dedução ou informação aos navegantes: o Espírito intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimiveis. Motivo: definitivamente, não sabemos orar como convém.
Pois é, já que ninguém acerta com a receita da oração, vem auxílio do Alto. E, segundo o texto, adjetivado em intensidade e, quanto ao conteúdo, criptografado: não dá pra saber o que, a nosso favor, Ele diz ao Pai. Também, interessa saber que, com a ajuda do Espírito, basta boa intenção e sinceridade, que o resto vai, Ele ajuda.
Oração é também uma questão de coerência. Se não fosse por isso, ponto de partida, acho que nem o Espírito ajudaria. Por exemplo, a primeira oração de um mortal a ser atendida, tem de estar coerente com o seguinte axioma: sem fé, é impossível agradar a Deus. É necessário que o que se aproxima, creia que ele existe. E, entre outras coisas, atende às orações.
Pronto. Primeiro ponto de coerência. Ainda assim não é tão simples assim. Mas é o primeiro esboço de fé. Daí, procedem todas as demais orações, com todas as falhas de coerência possíveis, tão afeitas a nós. Entenderam, porque é necessário que o Espírito seja como que "muleta de orações"?
Valeu, Espírito, muito grato. Mais um ponto para Você. Se não fosse por isso, venceria o farisaísmo, com o pessoal se exibindo até, vejam só, em oração. Assim, venta, Espírito. Para quem não gosta, bem-feito: mais um expediente para nos tornar a todos iguais, nivelados por baixo, ao mesmo nível. Tem gente (e não são poucos) que odeia isso.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Crônicas do Cântico da Vinha - Isaías 5:1-7 - (1)
"Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha."
Pede que cante? Quem é o que canta e quem é o amado? E dizer da autoria do cântico: o autor é quem canta ou canta ao amado o cântico que este compôs?
Pois, se o amado já conhece o cântico, por que cantá-lo? Que efeito faz nele ouvir o cântico que ele mesmo compôs? Poderá ser que, quem dedica já chama pelo nome "cântico de meu amado" o cântico que para ele compôs.
Pois o que inspirou o cântico foi notável e o próprio conteúdo será determinante para que se conheça a urgência em compor, ainda que seja, conhecer os motivos da inspiração em compor.
Passa a historiar, o meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. Notável o suficiente para despertar dotes num menestrel. O ato de compor, em si, e de cantar constituem-se numa marca de perenidade, enunciação e detalhamento.
O que o menestrel divulga com seu canto se espalha, encanta e cativa. A marca do que narra pela história de sua música traslada o tempo e permanece tatuado no senso e sentido de quem ouve. Este carregará consigo, por seus dias a fio, a memória do canto que ouviu.
Como diz a canção do amigo, mas quem ficou, no pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou. E quem voou no pensamento ficou, com a lembrança que o outro cantou.
Nunca mais será esquecido. Permanece a história gravada na retina do tempo. O grau do que motivou funde-se de uma vez no canto que, em si mesmo, carrega num novo viés o ocorrido. A ênfase que, por si, tem o fato agora ganha relevo na feição do canto.
Aliás, o canto realça o relevo que, por si, o fato traz. Por ser o ser humano distraído com o fato, esquecediço, principalmente por distração intencional, o canto com suas notas fere o espírito e deixa nele cravada a cicatriz.
Não se poderá dizer, jamais, que não se soube, que não se ouviu aquele canto daquele menestrel, como o mais que lírico silvo de um trinado. Para sempre gravado na memoria, cumpre-se a intenção do menestrel, que passa com sua música e, como o Flautista de Hamelin, obrigatoriamente, atrai após si seu séquito.
Pede que cante? Quem é o que canta e quem é o amado? E dizer da autoria do cântico: o autor é quem canta ou canta ao amado o cântico que este compôs?
Pois, se o amado já conhece o cântico, por que cantá-lo? Que efeito faz nele ouvir o cântico que ele mesmo compôs? Poderá ser que, quem dedica já chama pelo nome "cântico de meu amado" o cântico que para ele compôs.
Pois o que inspirou o cântico foi notável e o próprio conteúdo será determinante para que se conheça a urgência em compor, ainda que seja, conhecer os motivos da inspiração em compor.
Passa a historiar, o meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. Notável o suficiente para despertar dotes num menestrel. O ato de compor, em si, e de cantar constituem-se numa marca de perenidade, enunciação e detalhamento.
O que o menestrel divulga com seu canto se espalha, encanta e cativa. A marca do que narra pela história de sua música traslada o tempo e permanece tatuado no senso e sentido de quem ouve. Este carregará consigo, por seus dias a fio, a memória do canto que ouviu.
Como diz a canção do amigo, mas quem ficou, no pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou. E quem voou no pensamento ficou, com a lembrança que o outro cantou.
Nunca mais será esquecido. Permanece a história gravada na retina do tempo. O grau do que motivou funde-se de uma vez no canto que, em si mesmo, carrega num novo viés o ocorrido. A ênfase que, por si, tem o fato agora ganha relevo na feição do canto.
Aliás, o canto realça o relevo que, por si, o fato traz. Por ser o ser humano distraído com o fato, esquecediço, principalmente por distração intencional, o canto com suas notas fere o espírito e deixa nele cravada a cicatriz.
Não se poderá dizer, jamais, que não se soube, que não se ouviu aquele canto daquele menestrel, como o mais que lírico silvo de um trinado. Para sempre gravado na memoria, cumpre-se a intenção do menestrel, que passa com sua música e, como o Flautista de Hamelin, obrigatoriamente, atrai após si seu séquito.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Tende em vós o mesmo sentimento.
Bobagem. Má fé ou má informação de alguns. A gente, que lida com o texto bíblico, identificando nele valores, aqui e ali deleitando-se com suas histórias, evidentemente bem entendidas, é claro, se aborrece quando ouve besteiras sobre o texto.
Alguns versículos da Bíblia podem ser considerados como síntese do livro todo. E também como teste, para identificar os mal ou bem intencionados sobre a mensagem do livro, como um todo.
Esse de Filipenses é um caso: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Tomado como sua personagem essencial, Cristo, o apóstolo sugere que Ele seja protótipo de um sentimento original que somente nEle existe.
Pura pretensão. O quê? Que só em Cristo exista esse sentimento? Ou que seja possível transferi-lo aos demais mortais? Ou as duas coisas?
Ser cristão ou aproveitar o Livro, se é que se torna possível esse proveito, é ter em si esse sentimento. Ter em nós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus é a síntese do livro. Síntese da missão de Cristo, síntese do que é ser cristão.
Controle de qualidade do livro, sua finalidade e utilidade, e da possibilidade de lhe valer a mensagem que proclama. Prova final é saber dessa possibilidade, de ter em si esse sentimento.
O que é sentimento? Que sentimento é esse? E da possibilidade de termos em nós? Será necessário deslumbrar-se com a personalidade de Cristo, tentar enxergar o mundo, principalmente os outros, incluída a oportunidade dessa breve vida, pela ótica do Mestre.
Esse exercício requer mais do que somente reflexão, será necessária comunhão. A Bíblia prescreve essa natureza de comunhão, estabelecendo uma conversão radical a Deus, do mesmo modelo de relação que Cristo teve com Ele, a quem chamava Pai.
No caso de Cristo, a filiação é autêntica, no nosso caso, baseia-se nessa conversão, que significa morte e ressurreição da própria personalidade, somente assim, nessa ressurreição, o sentimento tem chance de passar a ser natural em nós.
Esse tipo de morte é mais radical em relação à morte física, determinista e irredutível. Sem alternativa. Assim como não há como escapar da morte física, é melhor experimentar essa outra. A existência somente tem essa opção: é melhor escolher uma como antídoto da outra.
Igual a semente. O sentimento só brota se houver morte. Caso não ocorra, ele não surge, nem artificialmente.
Bobagem. Má fé ou má informação de alguns. A gente, que lida com o texto bíblico, identificando nele valores, aqui e ali deleitando-se com suas histórias, evidentemente bem entendidas, é claro, se aborrece quando ouve besteiras sobre o texto.
Alguns versículos da Bíblia podem ser considerados como síntese do livro todo. E também como teste, para identificar os mal ou bem intencionados sobre a mensagem do livro, como um todo.
Esse de Filipenses é um caso: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Tomado como sua personagem essencial, Cristo, o apóstolo sugere que Ele seja protótipo de um sentimento original que somente nEle existe.
Pura pretensão. O quê? Que só em Cristo exista esse sentimento? Ou que seja possível transferi-lo aos demais mortais? Ou as duas coisas?
Ser cristão ou aproveitar o Livro, se é que se torna possível esse proveito, é ter em si esse sentimento. Ter em nós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus é a síntese do livro. Síntese da missão de Cristo, síntese do que é ser cristão.
Controle de qualidade do livro, sua finalidade e utilidade, e da possibilidade de lhe valer a mensagem que proclama. Prova final é saber dessa possibilidade, de ter em si esse sentimento.
O que é sentimento? Que sentimento é esse? E da possibilidade de termos em nós? Será necessário deslumbrar-se com a personalidade de Cristo, tentar enxergar o mundo, principalmente os outros, incluída a oportunidade dessa breve vida, pela ótica do Mestre.
Esse exercício requer mais do que somente reflexão, será necessária comunhão. A Bíblia prescreve essa natureza de comunhão, estabelecendo uma conversão radical a Deus, do mesmo modelo de relação que Cristo teve com Ele, a quem chamava Pai.
No caso de Cristo, a filiação é autêntica, no nosso caso, baseia-se nessa conversão, que significa morte e ressurreição da própria personalidade, somente assim, nessa ressurreição, o sentimento tem chance de passar a ser natural em nós.
Esse tipo de morte é mais radical em relação à morte física, determinista e irredutível. Sem alternativa. Assim como não há como escapar da morte física, é melhor experimentar essa outra. A existência somente tem essa opção: é melhor escolher uma como antídoto da outra.
Igual a semente. O sentimento só brota se houver morte. Caso não ocorra, ele não surge, nem artificialmente.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Pai, conta uma história?
Eu incomodava com esse pedido. Meu pai me acostumou bem. Contava histórias bíblicas. Sansão, verdadeiro super herói. José e seus irmãos. Davi e sua valentia. Jesus e suas andanças.
Minha mãe ouvia esse pedido, minha avó, mãe dela, ouvia esse pedido, até as tias ouviam: Nice, Gislaine, Miriam, talvez até Leila, a caçula, a que tem a idade mais próxima da minha.
Você conta histórias bíblicas a teus filhos? Eu contei, confesso, menos do que meu pai contava. Ele ainda pôde contar ao Isaac a história de Zaqueu. Dorcas, minha mãe, completou contando histórias e estimulando a leitura da própria Bíblia, o Livro-fonte.
Ora, alguém dirá, eu conto histórias aos meus filhos, filhas. Não precisam ser bíblicas. Sei do valor e função da história na mente e no desenvolvimento das crianças. Está bem, sabichão. Mas está aqui quem falou. Para suas crianças conhecerem Deus, conte as histórias da Bíblia.
Ora, alguém dirá, de novo: eu não acredito em Deus. Não? Problema seu. Dê a seu filho chance de crer. E não pense que está com a razão. Há gente mais inteligente, inclusive, mais humilde do que você, que crê. Cesse a sua discriminação.
Conheci uma mãe que argumentou comigo que, sim, expunha sua filha, sem medo, ao contato com a religião e a deixava intuir histórias e conversas, porque diz: eu não creio em Deus, mas quero que minha filha decida por si mesma.
Em minha congregação, as meninas perguntam: a que horas vai começar a escolinha? Ansiedade, pura ansiedade por ouvir histórias. Você já parou para pensar no efeito que fazem as histórias na mente e no coração dessas crianças?
Mais uma vez você dirá ser deletério esse interesse. Dirá que expor a criança a esse tipo de história será nocivo. Você tem medo de que seu filho ou sua filha acreditem em Deus. Ridículo? Você já ouviu a história de Thor, o deus do trovão?
Já ouviu falar em Marvel Comics? É um herói de história em quadrinhos, filho de Odin, deus da mitologia nórdica. Você tem medo de seus filhos acreditarem nesse deus? Eu acredito em Thor. Mas distingo essa história daquelas outras. Thor é Comics, puro entretenimento.
Não tenha medo de seu filho ou filha acreditarem em Thor. Puro entretenimento. É outra história. Agora, não privem seus filhos de ouvir histórias bíblicas. E, como adultos, façam como Jesus disse: tornem-se crianças e leiam essas histórias, contem a seus filhos e a outras crianças essas mesmas histórias. Contem a outros adultos essas histórias.
Não tenha medo de Deus. Não deixe de ler histórias bíblicas. Não abandone o Livro. Não abandone a escolinha, como lugar de contar e ouvir histórias. Quanto mais perto de uma escolinha a igreja for, melhor pra todos e mais à vontade Deus vai se sentir em nosso meio.
Eu incomodava com esse pedido. Meu pai me acostumou bem. Contava histórias bíblicas. Sansão, verdadeiro super herói. José e seus irmãos. Davi e sua valentia. Jesus e suas andanças.
Minha mãe ouvia esse pedido, minha avó, mãe dela, ouvia esse pedido, até as tias ouviam: Nice, Gislaine, Miriam, talvez até Leila, a caçula, a que tem a idade mais próxima da minha.
Você conta histórias bíblicas a teus filhos? Eu contei, confesso, menos do que meu pai contava. Ele ainda pôde contar ao Isaac a história de Zaqueu. Dorcas, minha mãe, completou contando histórias e estimulando a leitura da própria Bíblia, o Livro-fonte.
Ora, alguém dirá, eu conto histórias aos meus filhos, filhas. Não precisam ser bíblicas. Sei do valor e função da história na mente e no desenvolvimento das crianças. Está bem, sabichão. Mas está aqui quem falou. Para suas crianças conhecerem Deus, conte as histórias da Bíblia.
Ora, alguém dirá, de novo: eu não acredito em Deus. Não? Problema seu. Dê a seu filho chance de crer. E não pense que está com a razão. Há gente mais inteligente, inclusive, mais humilde do que você, que crê. Cesse a sua discriminação.
Conheci uma mãe que argumentou comigo que, sim, expunha sua filha, sem medo, ao contato com a religião e a deixava intuir histórias e conversas, porque diz: eu não creio em Deus, mas quero que minha filha decida por si mesma.
Em minha congregação, as meninas perguntam: a que horas vai começar a escolinha? Ansiedade, pura ansiedade por ouvir histórias. Você já parou para pensar no efeito que fazem as histórias na mente e no coração dessas crianças?
Mais uma vez você dirá ser deletério esse interesse. Dirá que expor a criança a esse tipo de história será nocivo. Você tem medo de que seu filho ou sua filha acreditem em Deus. Ridículo? Você já ouviu a história de Thor, o deus do trovão?
Já ouviu falar em Marvel Comics? É um herói de história em quadrinhos, filho de Odin, deus da mitologia nórdica. Você tem medo de seus filhos acreditarem nesse deus? Eu acredito em Thor. Mas distingo essa história daquelas outras. Thor é Comics, puro entretenimento.
Não tenha medo de seu filho ou filha acreditarem em Thor. Puro entretenimento. É outra história. Agora, não privem seus filhos de ouvir histórias bíblicas. E, como adultos, façam como Jesus disse: tornem-se crianças e leiam essas histórias, contem a seus filhos e a outras crianças essas mesmas histórias. Contem a outros adultos essas histórias.
Não tenha medo de Deus. Não deixe de ler histórias bíblicas. Não abandone o Livro. Não abandone a escolinha, como lugar de contar e ouvir histórias. Quanto mais perto de uma escolinha a igreja for, melhor pra todos e mais à vontade Deus vai se sentir em nosso meio.
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