Cartas às Igrejas
Como se fossem cartas circulares. Mas não no sentido de dizer o mesmo a todas. Ao contrário, específicas a cada uma.
Provinham do Senhor da igreja, aquele que caminha entre os candelabros e tem eu Suas mãos seus pastores. Em cada carta, a assinatura sempre se reporta às características anotadas na visão inicial.
E obedecem a uma estrutura bem definida: introdução, indicando Jesus como emissário, a partir de características dEle já explicitadas. Descrição do que Ele conhece sobre cada igreja, com solene palavra de avaliação, incluindo pontos fortes e/ou fracos de cada uma. E advertência final que ouçam sempre o Espírito, guardião a quem foi entregue os cuidados com as igrejas, seguida da específica promessa de bênção ao vencedor.
Variam, então, os tipos de um circuito de 7 cidades, próximas à costa do que hoje é a Turquia, Ásia Menor nos tempos do Novo Testamento. Éfeso, a maior delas, e em seu circuito as demais.
Destacadas as exigências, bênçãos e advertências de Jesus, elas representam as igrejas de todas as épocas e os detalhes da análise feita indicam que sempre, todas e cada igreja devem atentar para o que o Espírito tem a dizer.
Em nossos dias o Espírito fala. E fala pela Bíblia, como Jesus menciona, quando caracteriza Seu (do Espírito) ministério. Cada igreja hoje pode ouvir Sua voz, empenhada em sua avaliação. Essa é mensagem geral das cartas às igrejas.
E no caso da leitura atenta de seu conteúdo, destacam-se lições sobre (1) o modo específico do cuidado de Jesus; (2) o modo como a igreja influi ou deixa de influir em seu contexto imediato; (3) o certo e o errado, quanto às doutrinas em redor e o preparo devido de seus ministros.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz a cada igreja. As cartas do Apocalipse são um manual de como ouvir.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Uma das coisas que costumam confundir o leitor do Apocalipse é sua tentativa de tornar literal o que vem lendo. Por exemplo, tenta imaginar, na visão inicial de João, a pessoa de Cristo descrita.
Tudo bem com veste branca, de linho, com um cinto de ouro. Chique e sofisticado, no último. Mas agora, imaginar a pessoa dentro, vai ficar medonho. Olhos que projetam chama, como um maçarico permanente.
Vá somando uma cabeleira branquíssima, pés de bronze e, para terminar, ao contrário do engolidor de espadas circense, no caso do Jesus que João vê, sai uma espada afiada, de dois gumes, da boca.
Pois é para imaginar a cena descrita, mas Jesus, ali, não é literal. O que João vê e associar é uma imagem que simboliza atributos que, verdadeiramente, pertencem a Jesus.
Que ainda transita por entre candelabros e segura estrelas em suas mãos. O que aprendemos é que Jesus, agora o Jesus real, tem livre trânsito entre Suas igrejas e segura por suas mãos seus pastores.
A palavra que sai de Sua boca é precisa, Seus olhos tudo veem, Seus pés são firme fundamento e alicerce, Sua roupa, como simbolizada nas vestes sacerdotais do AT, no caso dEle, indicam sacerdócio real, único perfeito e permanente.
Está pronto o cenário das revelações que virão. Toda a autoridade do que segue, provém da Pessoa aqui indicada, nada mais, nada menos do que o próprio Jesus. Essas imagens, a partir de agora, "coladas" a Jesus, eram bem fáceis de ser assimiladas pelos leitores originais.
Mais do que leitores, pois muitos deles, talvez quase a totalidade não lia o grego, enxergavam as imagens que lhes deixavam no imaginário uma impressão bem clara da mensagem que João desejava transmitir e da Pessoa, fonte precípua de toda a... revelação, ou seja, de todo o Apocalipse.
Tudo bem com veste branca, de linho, com um cinto de ouro. Chique e sofisticado, no último. Mas agora, imaginar a pessoa dentro, vai ficar medonho. Olhos que projetam chama, como um maçarico permanente.
Vá somando uma cabeleira branquíssima, pés de bronze e, para terminar, ao contrário do engolidor de espadas circense, no caso do Jesus que João vê, sai uma espada afiada, de dois gumes, da boca.
Pois é para imaginar a cena descrita, mas Jesus, ali, não é literal. O que João vê e associar é uma imagem que simboliza atributos que, verdadeiramente, pertencem a Jesus.
Que ainda transita por entre candelabros e segura estrelas em suas mãos. O que aprendemos é que Jesus, agora o Jesus real, tem livre trânsito entre Suas igrejas e segura por suas mãos seus pastores.
A palavra que sai de Sua boca é precisa, Seus olhos tudo veem, Seus pés são firme fundamento e alicerce, Sua roupa, como simbolizada nas vestes sacerdotais do AT, no caso dEle, indicam sacerdócio real, único perfeito e permanente.
Está pronto o cenário das revelações que virão. Toda a autoridade do que segue, provém da Pessoa aqui indicada, nada mais, nada menos do que o próprio Jesus. Essas imagens, a partir de agora, "coladas" a Jesus, eram bem fáceis de ser assimiladas pelos leitores originais.
Mais do que leitores, pois muitos deles, talvez quase a totalidade não lia o grego, enxergavam as imagens que lhes deixavam no imaginário uma impressão bem clara da mensagem que João desejava transmitir e da Pessoa, fonte precípua de toda a... revelação, ou seja, de todo o Apocalipse.
Apocalipse Now
Nome de um famoso filme sobre a presença americana no Vietnam. Acertaram, sem querer, o sentido do livro. Sim, porque, querendo dizer que aquela guerra foi antessala do apocalipse profetizado, indicaram uma característica permanente do autor do livro: Apocalipse é sempre agora.
João Apóstolo assumiu o gênero apocalíptico, inaugurado com Ezequiel e Daniel, porque desejava indicar que é necessário, permanetemente, alertar para a realidade de um apocalipse iminente.
Trata-se de um gênero textual de impacto, em função das cenas descritas. Criaturas horrendas e fantásticas, visões celestiais e narrativas de ferrenhas batalhas mexem com o imaginário do leitor.
O livro é um grande cenário teatral, abarcando como tema a cena final da história. Tem tudo que uma peça teatral reúne como elementos que a compõe: dedicatória às igrejas, abertura, com a grande cena celestial, suspense inicial, que desencadeia a ação, grandes conflitos que antecipam o clímax e, por fim, o desfecho final.
Na verdade, "apocalipse", a primeira palavra do livro, significa "revelação", que João aponta como recebida por meio do anjo que, por sua vez, recebeu de Jesus, que recebeu de Deus. É que a essa palavra, por causa mesmo do jeitão do livro, foram associadas as ideias de "fim do mundo", "criaturas horrendas", como as bestas e dragões, e o "medo do texto", ao qual muitas pessoas aludem.
Mas uma visão de conjunto, uma leitura com método, a compreensão de sua linguagem e o entendimento de sua simbologia, proporcionam uma ideia geral da estratégia inteligente utilizada pelo autor, no uso desse gênero, de modo a gravar uma imagem permanente de advertência, quanto aos fatos e profecias que antecedem e anunciam o fim dos tempos.
Nome de um famoso filme sobre a presença americana no Vietnam. Acertaram, sem querer, o sentido do livro. Sim, porque, querendo dizer que aquela guerra foi antessala do apocalipse profetizado, indicaram uma característica permanente do autor do livro: Apocalipse é sempre agora.
João Apóstolo assumiu o gênero apocalíptico, inaugurado com Ezequiel e Daniel, porque desejava indicar que é necessário, permanetemente, alertar para a realidade de um apocalipse iminente.
Trata-se de um gênero textual de impacto, em função das cenas descritas. Criaturas horrendas e fantásticas, visões celestiais e narrativas de ferrenhas batalhas mexem com o imaginário do leitor.
O livro é um grande cenário teatral, abarcando como tema a cena final da história. Tem tudo que uma peça teatral reúne como elementos que a compõe: dedicatória às igrejas, abertura, com a grande cena celestial, suspense inicial, que desencadeia a ação, grandes conflitos que antecipam o clímax e, por fim, o desfecho final.
Na verdade, "apocalipse", a primeira palavra do livro, significa "revelação", que João aponta como recebida por meio do anjo que, por sua vez, recebeu de Jesus, que recebeu de Deus. É que a essa palavra, por causa mesmo do jeitão do livro, foram associadas as ideias de "fim do mundo", "criaturas horrendas", como as bestas e dragões, e o "medo do texto", ao qual muitas pessoas aludem.
Mas uma visão de conjunto, uma leitura com método, a compreensão de sua linguagem e o entendimento de sua simbologia, proporcionam uma ideia geral da estratégia inteligente utilizada pelo autor, no uso desse gênero, de modo a gravar uma imagem permanente de advertência, quanto aos fatos e profecias que antecedem e anunciam o fim dos tempos.
Ora, a visão de Ezequiel. Uma vez comentada sua especificidade, comparada a que nos diz respeito, presa ao modo e visto como Deus se revela, individualmente.
Avistou um revolver de nuvens que procediam do norte, a princípio típica de uma concentração de cumulus nimbus, porém progressivamente mais horrenda do que o aspecto daquelas. Muito mais do que isso.
Assomava-se. Vinha em sua direção. Não era somente ameaça de uma segura tempestade, porque aquela concentração tinha algo específico a revelar ao profeta.
Houve um limiar, um limite, uma fronteira na percepção dele, desde que considerasse ser apenas um acúmulo corriqueiro, porém estranho, de nuvens, para, na verdade, torná-lo consciente de que não era rotina.
Como Elias, em conflito pessoal com sua própria vocação, deprimido e fugindo de Deus, no interior da caverna, não sabia discernir se Deus estava no temporal, nos raios que caíam ou no terremoto. Em nenhum deles. Deus sempre está.
Como nós, que tentamos discernir as circunstâncias do viver, perguntando como pode? Onde Deus está, que não impõe limites e põe freios à maldade. Querendo deterninar os modos de Deus, quando nem os nossos nem os dos outros determinamos.
O ser humano não é dono de
nenhuma coerência. Mas deseja determinar, para Deus, uma teologia. Ezequiel, junto aos exilados, perguntava como e por quê? Eles perderam, a um só tempo, sua terra, seu rei, sua liberdade. Caiu, a um só tempo, o trono, o templo, foi-se a terra, só ficou o Livro.
A única saída era enxergar, afinal, onde está a glória de Deus, aviltada na aposta feita, nessa aliança suicida com um povo rebelde. Ezequiel, de cara, a enxergava.
Deus diria a ele, em meio à própria relutância do profeta: esse povo rebelde, ouvindo ou deixando de ouvir, saberão que, no meio deles, esteve um profeta. Como está em Amós, nada essencial Deus faz sem que comunique isso ao profeta.
Avistou um revolver de nuvens que procediam do norte, a princípio típica de uma concentração de cumulus nimbus, porém progressivamente mais horrenda do que o aspecto daquelas. Muito mais do que isso.
Assomava-se. Vinha em sua direção. Não era somente ameaça de uma segura tempestade, porque aquela concentração tinha algo específico a revelar ao profeta.
Houve um limiar, um limite, uma fronteira na percepção dele, desde que considerasse ser apenas um acúmulo corriqueiro, porém estranho, de nuvens, para, na verdade, torná-lo consciente de que não era rotina.
Como Elias, em conflito pessoal com sua própria vocação, deprimido e fugindo de Deus, no interior da caverna, não sabia discernir se Deus estava no temporal, nos raios que caíam ou no terremoto. Em nenhum deles. Deus sempre está.
Como nós, que tentamos discernir as circunstâncias do viver, perguntando como pode? Onde Deus está, que não impõe limites e põe freios à maldade. Querendo deterninar os modos de Deus, quando nem os nossos nem os dos outros determinamos.
O ser humano não é dono de
nenhuma coerência. Mas deseja determinar, para Deus, uma teologia. Ezequiel, junto aos exilados, perguntava como e por quê? Eles perderam, a um só tempo, sua terra, seu rei, sua liberdade. Caiu, a um só tempo, o trono, o templo, foi-se a terra, só ficou o Livro.
A única saída era enxergar, afinal, onde está a glória de Deus, aviltada na aposta feita, nessa aliança suicida com um povo rebelde. Ezequiel, de cara, a enxergava.
Deus diria a ele, em meio à própria relutância do profeta: esse povo rebelde, ouvindo ou deixando de ouvir, saberão que, no meio deles, esteve um profeta. Como está em Amós, nada essencial Deus faz sem que comunique isso ao profeta.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Escrevendo sobre Ezequiel.
Começa mirabolante o livro que toma seu nome. Visão em CinemaScope colorida. Esta é a mãe das técnicas modernas de filmagem, surgida em minha geração.
Ezequiel viu a gloria de Deus, como este escolheu manifestar-se a ele. Sim, porque é da soberania de Deus a escolha do modo como vai, individualmente, manifestar-se.
Por exemplo, o caso de Paulo que, literalmente caiu (se, na verdade foi esse o transporte) do cavalo. Ou como no caso de André e João, cujo xará, denomindo Batista, apontou, num jeito meio grosso: "Eis o Cordeiro de Deus".
Ezequiel, assentado entre os exilados, à margem do rio Quebar, amargava-lhes, entre outras coisas, o ódio expresso no Salmo 137. Um anônimo não teve escrúpulos em registrar tal emoção.
Também, como destacou o pastor Manoel Porto Filho, aquele povo indignava-se com o pedido de seus algozes babilônios que desejavam ouvir-lhes a já internacional e famosa música.
Mas como, diziam, cantar no cativeiro. Especificamente, disse Porto Filho, é o lugar mais próprio de se cantar. Muito provavelmente Ezequiel lhes seguia o mesmo estado de ânimo.
E nós, sentados em meio à nossa própria realidade, exilados nela, também não divisamos muito otimismo. Resta-nos divisar a glória de Deus.
Muito provavelmente, não em CinemaScope. Outro anônimo, o autor de Hebreus, indica que a experiência atual é muito mais próxima da face de Deus. Se assim não divisamos, é por outro tipo de cegueira.
Talvez pela prática equivocada de não olhar para o rosto do outro. Ver, no rosto do outro, expressão da face de Deus. Isaías diz que não devemos nos esconder do nosso semelhante. Para Deus, não há outro modo de olhar, senão cara a cara.
Passeando no jardim, pela viração do dia, buscava olhar o casal cara a cara. Nós, que já enxergamos Deus, em Sua glória, devemos encarar o outro, qualquer outro, cara a cara, refletindo a glória de Deus por nosso rosto.
Paulo a isso se refere, quando diz "somos transformados, de glória em glória, como pelo Senhor, em nós o Espírito".
Começa mirabolante o livro que toma seu nome. Visão em CinemaScope colorida. Esta é a mãe das técnicas modernas de filmagem, surgida em minha geração.
Ezequiel viu a gloria de Deus, como este escolheu manifestar-se a ele. Sim, porque é da soberania de Deus a escolha do modo como vai, individualmente, manifestar-se.
Por exemplo, o caso de Paulo que, literalmente caiu (se, na verdade foi esse o transporte) do cavalo. Ou como no caso de André e João, cujo xará, denomindo Batista, apontou, num jeito meio grosso: "Eis o Cordeiro de Deus".
Ezequiel, assentado entre os exilados, à margem do rio Quebar, amargava-lhes, entre outras coisas, o ódio expresso no Salmo 137. Um anônimo não teve escrúpulos em registrar tal emoção.
Também, como destacou o pastor Manoel Porto Filho, aquele povo indignava-se com o pedido de seus algozes babilônios que desejavam ouvir-lhes a já internacional e famosa música.
Mas como, diziam, cantar no cativeiro. Especificamente, disse Porto Filho, é o lugar mais próprio de se cantar. Muito provavelmente Ezequiel lhes seguia o mesmo estado de ânimo.
E nós, sentados em meio à nossa própria realidade, exilados nela, também não divisamos muito otimismo. Resta-nos divisar a glória de Deus.
Muito provavelmente, não em CinemaScope. Outro anônimo, o autor de Hebreus, indica que a experiência atual é muito mais próxima da face de Deus. Se assim não divisamos, é por outro tipo de cegueira.
Talvez pela prática equivocada de não olhar para o rosto do outro. Ver, no rosto do outro, expressão da face de Deus. Isaías diz que não devemos nos esconder do nosso semelhante. Para Deus, não há outro modo de olhar, senão cara a cara.
Passeando no jardim, pela viração do dia, buscava olhar o casal cara a cara. Nós, que já enxergamos Deus, em Sua glória, devemos encarar o outro, qualquer outro, cara a cara, refletindo a glória de Deus por nosso rosto.
Paulo a isso se refere, quando diz "somos transformados, de glória em glória, como pelo Senhor, em nós o Espírito".
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Orações à parte (clima de virada)
É o recurso mais chão da teologia. Sem ela, desista-se. Sim, porque admitir um Deus que não ouve, é melhor desistir. Discorrer sobre Deus, panos pra manga. Dizer que Ele fala, que resta-nos (e é sábio) ouvi-Lo, ok, durma-se com um barulho desses.
Mas não ter certeza de que Ele nos ouve (e responde, é claro), não vale a pena: se o Altíssimo não ouve, ou não responde ou é surdo a orações, perdeu sua utilidade. Podemos ou, mesmo que não, vivemos sem ele, por nossa própria conta e risco.
Oração é o mínimo. Que oração? Bem, varia de freguês a freguês. A mulher sírio-fenícia pediu a Jesus pela filha. Se podemos considerar oração, Jesus foi grosso com ela: não se tira o pão da boca dos meninos, para dá-lo a cães. Então, replicou a mulher, me dê migalhas.
Migalhas. E os exegetas, magos da verdade, salvadores da pátria (alemã) e dos textos, costumam dizer que a regra é se houver grosseria, há prova de autenticidade. Então, essa tradição da siro-fenícia está correta. Migalhas.
Para a fé, bastam migalhas. E, mesmo se houver grosseria, haverá resposta. O caso é insistir. Mas há dose nessa insistência. Já outra tradição, agora não garanto se é autêntica, do sermão do monte, diz para não insistir se for pedido em vão: pelo muito falar, não vai ser atendido.
Não diga que, outra vez, é grosseria. É porque oração tem que ser inteligente. Aqui dividem-se fariseus e gente rasteira, no Reino: aqueles, vício muito frequente entre nós, humanos, falamos para ser ouvidos (e elogiados, pura vaidade); estes, exatamente por serem faltos de razão, isso na abalizada avaliação dos outros, sempre é assim, têm mais chance ser ouvidos.
Vide a viúva insistente da parábola. Mas com muita ou pouca argúcia no falar ou no pedir, na oração, brilhante dedução ou informação aos navegantes: o Espírito intercede por nós, sobremaneira, com gemidos inexprimiveis. Motivo: definitivamente, não sabemos orar como convém.
Pois é, já que ninguém acerta com a receita da oração, vem auxílio do Alto. E, segundo o texto, adjetivado em intensidade e, quanto ao conteúdo, criptografado: não dá pra saber o que, a nosso favor, Ele diz ao Pai. Também, interessa saber que, com a ajuda do Espírito, basta boa intenção e sinceridade, que o resto vai, Ele ajuda.
Oração é também uma questão de coerência. Se não fosse por isso, ponto de partida, acho que nem o Espírito ajudaria. Por exemplo, a primeira oração de um mortal a ser atendida, tem de estar coerente com o seguinte axioma: sem fé, é impossível agradar a Deus. É necessário que o que se aproxima, creia que ele existe. E, entre outras coisas, atende às orações.
Pronto. Primeiro ponto de coerência. Ainda assim não é tão simples assim. Mas é o primeiro esboço de fé. Daí, procedem todas as demais orações, com todas as falhas de coerência possíveis, tão afeitas a nós. Entenderam, porque é necessário que o Espírito seja como que "muleta de orações"?
Valeu, Espírito, muito grato. Mais um ponto para Você. Se não fosse por isso, venceria o farisaísmo, com o pessoal se exibindo até, vejam só, em oração. Assim, venta, Espírito. Para quem não gosta, bem-feito: mais um expediente para nos tornar a todos iguais, nivelados por baixo, ao mesmo nível. Tem gente (e não são poucos) que odeia isso.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Crônicas do Cântico da Vinha - Isaías 5:1-7 - (1)
"Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha."
Pede que cante? Quem é o que canta e quem é o amado? E dizer da autoria do cântico: o autor é quem canta ou canta ao amado o cântico que este compôs?
Pois, se o amado já conhece o cântico, por que cantá-lo? Que efeito faz nele ouvir o cântico que ele mesmo compôs? Poderá ser que, quem dedica já chama pelo nome "cântico de meu amado" o cântico que para ele compôs.
Pois o que inspirou o cântico foi notável e o próprio conteúdo será determinante para que se conheça a urgência em compor, ainda que seja, conhecer os motivos da inspiração em compor.
Passa a historiar, o meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. Notável o suficiente para despertar dotes num menestrel. O ato de compor, em si, e de cantar constituem-se numa marca de perenidade, enunciação e detalhamento.
O que o menestrel divulga com seu canto se espalha, encanta e cativa. A marca do que narra pela história de sua música traslada o tempo e permanece tatuado no senso e sentido de quem ouve. Este carregará consigo, por seus dias a fio, a memória do canto que ouviu.
Como diz a canção do amigo, mas quem ficou, no pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou. E quem voou no pensamento ficou, com a lembrança que o outro cantou.
Nunca mais será esquecido. Permanece a história gravada na retina do tempo. O grau do que motivou funde-se de uma vez no canto que, em si mesmo, carrega num novo viés o ocorrido. A ênfase que, por si, tem o fato agora ganha relevo na feição do canto.
Aliás, o canto realça o relevo que, por si, o fato traz. Por ser o ser humano distraído com o fato, esquecediço, principalmente por distração intencional, o canto com suas notas fere o espírito e deixa nele cravada a cicatriz.
Não se poderá dizer, jamais, que não se soube, que não se ouviu aquele canto daquele menestrel, como o mais que lírico silvo de um trinado. Para sempre gravado na memoria, cumpre-se a intenção do menestrel, que passa com sua música e, como o Flautista de Hamelin, obrigatoriamente, atrai após si seu séquito.
Pede que cante? Quem é o que canta e quem é o amado? E dizer da autoria do cântico: o autor é quem canta ou canta ao amado o cântico que este compôs?
Pois, se o amado já conhece o cântico, por que cantá-lo? Que efeito faz nele ouvir o cântico que ele mesmo compôs? Poderá ser que, quem dedica já chama pelo nome "cântico de meu amado" o cântico que para ele compôs.
Pois o que inspirou o cântico foi notável e o próprio conteúdo será determinante para que se conheça a urgência em compor, ainda que seja, conhecer os motivos da inspiração em compor.
Passa a historiar, o meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. Notável o suficiente para despertar dotes num menestrel. O ato de compor, em si, e de cantar constituem-se numa marca de perenidade, enunciação e detalhamento.
O que o menestrel divulga com seu canto se espalha, encanta e cativa. A marca do que narra pela história de sua música traslada o tempo e permanece tatuado no senso e sentido de quem ouve. Este carregará consigo, por seus dias a fio, a memória do canto que ouviu.
Como diz a canção do amigo, mas quem ficou, no pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou. E quem voou no pensamento ficou, com a lembrança que o outro cantou.
Nunca mais será esquecido. Permanece a história gravada na retina do tempo. O grau do que motivou funde-se de uma vez no canto que, em si mesmo, carrega num novo viés o ocorrido. A ênfase que, por si, tem o fato agora ganha relevo na feição do canto.
Aliás, o canto realça o relevo que, por si, o fato traz. Por ser o ser humano distraído com o fato, esquecediço, principalmente por distração intencional, o canto com suas notas fere o espírito e deixa nele cravada a cicatriz.
Não se poderá dizer, jamais, que não se soube, que não se ouviu aquele canto daquele menestrel, como o mais que lírico silvo de um trinado. Para sempre gravado na memoria, cumpre-se a intenção do menestrel, que passa com sua música e, como o Flautista de Hamelin, obrigatoriamente, atrai após si seu séquito.
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