Que evangelho?
Perguntamos por qual evangelho. Paulo dizia aos gálatas que estavam passando para outro. Nada. Só existe um evangelho.
E como disse Judas, de uma vez por todas dado aos homens (e mulheres). Portanto, não é coisa de anjo. Mas é coisa de Deus.
Marcos diz que Jesus, no ponto de partida de seu ministério, saiu pregando (1) arrependei-vos e (2) crede no evangelho.
Amor, para Deus, é incondicional, contanto que haja arrependimento e fé no evangelho. Evangelho de cada um, ao gosto de todos, ou um e qual evangelho?
No encontro com Jesus, pelo chamado ao evangelho, desse encontro ninguém sai mais o mesmo. A Bíblia não condiciona, necessariamente, a um código qualquer religioso essa mudança.
Muito mais do que religião. O jovem rico saiu triste do encontro com Jesus, porque não entendeu que precisava perder tudo. E Jesus o amou. Mas ele rejeitou Jesus e seu amor.
Jesus aponta para a perda total. Sem renúncia a si mesmo e sem renúncia a tudo, não há evangelho e não há conversão. Não há como optar pelo evangelho e continuar o(a) mesmo(a).
Profunda convicção de pecado. Nunca será o pecado que apontam em você. Socialmente instrumentalizado. Mas será o pecado que Deus te mostra.
Paulo diz que a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação. Não dá para ser evangelho sem essa sequência: (1) tristeza segundo Deus; (2) arrependimento do pecado; (3) salvação.
Não há como instrumentalizar o evangelho. Não há como aparelhar ideologicamente o evagelho. Ou ele é dado por Deus ao homem, pressupondo consciência do pecado, ou nada.
Não é evangelho. Não implica arrependimento. Não traz salvação. Não há como encontrar Jesus e sair o mesmo do encontro.
Não dá para encontrar Jesus e sair sem renunciar a si mesmo. Sem perder a própria vida, para ganhá-la nova e transformada em Jesus.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Cenáculo 2
Claro que igreja também acontece entre quatro paredes. O cenáculo é lugar de encontro. Jesus priorizava o encontro.
À beira mar, providenciem um barquinho. Precisam ouvir o que tenho a dizer. Vamos sentar aqui mesmo, na relva, aquietem-se a vamos ouvir.
Lucas diz que a agenda de Jesus, na última semana de vida, era pernoitar no Monte das Oliveiras e reunir-se, durante o dia, nas varandas do templo, para ensinar.
Vocação para o encontro. Vocação para a palavra. Vocação para o ensino. Mestre, chamavam-no. Essa é a mesma vocação da igreja. No cenáculo. Pelo menos, deveria ser.
É claro que deve existir um equilíbrio inteligente entre fora e dentro das paredes do cenáculo. Paulo dizia que sua entrada entre os tessalonicenses repercutia positivamente.
De vós repercutiu a palavra por todo lado. E nem internet havia naquele tempo. Paulo chamou isso de "operosidade da fé". Juntou a abnegação do amor e a firmeza da esperança em Jesus.
Em Atos, Lucas destaca que "em cada alma havia temor". Esses elementos da fé precisam estar, permanentemente, presentes na vida da igreja.
Esse é o equilíbrio certo entre dentro e fora do cenáculo. As reuniões do povo de Deus precisam estar afinadas com o que vai em curso lá fora.
Somente assim a presença profética se fará decisiva. Somente assim a presença da igreja será escatológica. Paulo dizia aos crentes de Corinto: "principalmente que profetizeis".
Quem é a voz da igreja hoje? A quem delegamos autorização para falar em nosso nome? Que mensagem Jesus nos mandou, delegou e autorizou anunciar em nome dEle?
Precisamos discutir isso no cenáculo, para corrigir, de modo permanente, nosso rumo lá fora.
À beira mar, providenciem um barquinho. Precisam ouvir o que tenho a dizer. Vamos sentar aqui mesmo, na relva, aquietem-se a vamos ouvir.
Lucas diz que a agenda de Jesus, na última semana de vida, era pernoitar no Monte das Oliveiras e reunir-se, durante o dia, nas varandas do templo, para ensinar.
Vocação para o encontro. Vocação para a palavra. Vocação para o ensino. Mestre, chamavam-no. Essa é a mesma vocação da igreja. No cenáculo. Pelo menos, deveria ser.
É claro que deve existir um equilíbrio inteligente entre fora e dentro das paredes do cenáculo. Paulo dizia que sua entrada entre os tessalonicenses repercutia positivamente.
De vós repercutiu a palavra por todo lado. E nem internet havia naquele tempo. Paulo chamou isso de "operosidade da fé". Juntou a abnegação do amor e a firmeza da esperança em Jesus.
Em Atos, Lucas destaca que "em cada alma havia temor". Esses elementos da fé precisam estar, permanentemente, presentes na vida da igreja.
Esse é o equilíbrio certo entre dentro e fora do cenáculo. As reuniões do povo de Deus precisam estar afinadas com o que vai em curso lá fora.
Somente assim a presença profética se fará decisiva. Somente assim a presença da igreja será escatológica. Paulo dizia aos crentes de Corinto: "principalmente que profetizeis".
Quem é a voz da igreja hoje? A quem delegamos autorização para falar em nosso nome? Que mensagem Jesus nos mandou, delegou e autorizou anunciar em nome dEle?
Precisamos discutir isso no cenáculo, para corrigir, de modo permanente, nosso rumo lá fora.
Cenáculo 1
Jesus deveria trazer consigo já o nome desse amigo que haveria de preparar o cômodo onde se reuniria, pela última vez, com os discípulos.
Quando lemos o texto que prediz o cenáculo mobiliado e o burrinho já predisposto para a última entrada em Jerusalém, já adiantamos algo sobrenatural.
Nem precisava, porque Jesus tinha, e ainda tem hoje, muitos amigos anônimos, gente não declarada e até não religiosa que se prende a ele com profunda afeição.
Jesus antevia aquela última reunião. Num sentido, primeira reunião. Todas as seguintes seriam sem/com ele. A igreja é uma reunião sem/com Jesus.
Por isso esse permanente afã escatológico. Jesus está/não está entre nós. Apocalipse refere-se a Jesus como aquele-que-é-era-há-de-vir. Tudo junto.
A igreja, reunida a cada e em cada cenáculo vive no mundo presença/não presença de Jesus. Ele está/não está. Ponha a cara para fora da janela. Olhe esse dia que se inicia.
Viu? Saia, agora, porta afora. Saiu? Pode ser o último dia. Jesus está às portas. Se não for hoje, ao entardecer, que deve descer calmo, anunciando o fim, calma, fim do dia.
Durma, descanse, mas em prontidão. Porque amanhã pode ser o último dia. E se não for, continue vivendo essa expectativa: a cada dia mais próximos estamos da vinda definitiva de Jesus.
A igreja do cenáculo vive essa expectativa, de Jesus estar/não estar. Ela prenuncia essa volta. Enquanto isso, no mundo, principalmente para fora da porta, mostra a cara de Jesus.
Quem olhar na sua cara, veja Jesus. Quem sentir o seu perfume, cheire a Jesus. Quem sondar seu sentimento, tende em vós o mesmo sentimento que houve/há em Jesus.
Quando lemos o texto que prediz o cenáculo mobiliado e o burrinho já predisposto para a última entrada em Jerusalém, já adiantamos algo sobrenatural.
Nem precisava, porque Jesus tinha, e ainda tem hoje, muitos amigos anônimos, gente não declarada e até não religiosa que se prende a ele com profunda afeição.
Jesus antevia aquela última reunião. Num sentido, primeira reunião. Todas as seguintes seriam sem/com ele. A igreja é uma reunião sem/com Jesus.
Por isso esse permanente afã escatológico. Jesus está/não está entre nós. Apocalipse refere-se a Jesus como aquele-que-é-era-há-de-vir. Tudo junto.
A igreja, reunida a cada e em cada cenáculo vive no mundo presença/não presença de Jesus. Ele está/não está. Ponha a cara para fora da janela. Olhe esse dia que se inicia.
Viu? Saia, agora, porta afora. Saiu? Pode ser o último dia. Jesus está às portas. Se não for hoje, ao entardecer, que deve descer calmo, anunciando o fim, calma, fim do dia.
Durma, descanse, mas em prontidão. Porque amanhã pode ser o último dia. E se não for, continue vivendo essa expectativa: a cada dia mais próximos estamos da vinda definitiva de Jesus.
A igreja do cenáculo vive essa expectativa, de Jesus estar/não estar. Ela prenuncia essa volta. Enquanto isso, no mundo, principalmente para fora da porta, mostra a cara de Jesus.
Quem olhar na sua cara, veja Jesus. Quem sentir o seu perfume, cheire a Jesus. Quem sondar seu sentimento, tende em vós o mesmo sentimento que houve/há em Jesus.
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Bom dia
Mais um dia. Vida em curso. É o planeta que completa mais uma volta em torno do assim chamado "astro rei".
O sol invade mais um dia. Continuamente. Sem parar. Mais uma chance a tantos. Mais uma chance a todos.
Para quantos o fim dos dias chegou nesta madrugada? Para quantos nem completarão o dia de hoje? Basta a cada dia o seu mal. Oh, Deus: cessa tanta violência.
Jesus disse isso. Ora, tantos exegetas, estudiosos que escavam, escacaviam, como se diz, o texto, desencavando entrelinhas.
E que dizem, ora, quanta coisa foi colocada na boca de Jesus, que ele nem disse. Será que essa ele disse: "basta a cada dia o seu mal". Então, o que quis dizer?
Está aqui o contexto: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal."
Mateus 6:34
Ao inverso Jesus quis argumentar. Preferiu destacar a ênfase no mal como argumento para o abandono ativo da ansiedade.
Ele deve ter dito que ansiedade é um mal que não devemos trazer, mais este, para nenhum dia. Eles já trazem consigo o seu próprio. Abandonem-na.
Mas ainda mais. Fora de contexto a frase soa displicente. Como se Jesus, por um pouco, mostrasse a si mesmo, por essa frase em fim de frase, indiferente ao mal de cada dia.
Vem o dia. Nasce mais este dia. Acrescenta-se, como chance, a tantos outros. O salmista diz que o sol nasce soberano, vai percorrer como noivo seu percurso, anunciando a glória de seu Criador.
O salmista diz que "um dia discursa a outro dia/uma noite revela conhecimento a outra noite". É sequencial. Quantos dias já tive? Quantos ainda terei?
Outro salmista ensina a contar os dias, para alcançar coração sábio. Cada dia mais uma chance. Chance de deixar o mal para ontem. Ontem foi seu último dia de ser mal.
Seja bom hoje. Tenha um bom dia. Ao jovem rico Jesus disse que bom só um existe, que é Deus. A vida escorre contínua como um só dia. A noite é ilusão.
Todos temos só um dia. Corra, então. O sol anuncia mais este dia. Corra ao encontro de Deus, que te espera. Que Ele te conceda um bom dia. E te digo uma coisa: desta ansiedade Deus não se cura.
Ansiedade por te conceder vida. Ansiedade por te conceder um bom dia. Para Deus tua vida é um só dia. Aproveite essa chance que te dá para ter um bom dia.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Puro estresse
Não há como pressupor, em Deus, previsibilidade. Quer dizer, sim e não, ao mesmo tempo porque, em Sua insondavisibilidade (se é que existe esta palavra: inescrutabilidade, pronto) e em Sua soberania (esta existe), não se pode forçá-Lo a nada.
Bem, mas falar dEle (e com Ele) pode. Aliás, a Bíblia esnoba tal possibilidade. Fala dEle todo o tempo (e o suficiente) para torná-Lo conhecido. Não fala tudo sobre Ele (pura pretensão), mas fala o suficiente.
Como disse Lucas Evangelista que Paulo Apóstolo falou: "não é necessário que se lHe procurem tateando, para que O possam achar". Mas aqui desejo falar (dEle) uma certa capacidade provocativa de procurar amizade com o ser humano (que criou a Sua imagem e semelhança).
Interessante. A Bíblia fala de anjos, seres celestiais também pelo Altíssimo criados que, inclusive, não partilham as limitações do homem. Mas não foram criados "à imagem e semelhança" de Deus. Estes são privilégios exclusivos do ser humano homem e mulher.
Mas vamos ao assunto. A primeira vez que a Bíblia fala dessa gana divina por amizade é quando, já sabendo da besteira fundante de todas as outras que o casal primordial fizera, dando ouvidos à oposição, procurou-os.
E a Bíblia diz que foi "na viração do dia", ao entardecer, supostamente a melhor parte do dia para diálogos reflexivos. Pois postas em dia as diferenças que, a partir desse diálogo, impuseram-se, anotadas as medidas emergenciais e compensatórias de todo o dano e exposto à expulsão o casal primordial, vida que segue.
Surpreendentemente o Livro nos coloca diante de outra provocação de amizade, desta vez ao inverso, em nossa reles opinião porque, para nós, entre Abel, o justo, e Caim, o canalha, preferivelmente o Altíssimo deveria ter procurado o primeiro. Mas não. Contradição de todas, procurou o canalha.
Confrontou esse inimigo de Deus. Aliás, não é exclusiva de Caim essa alcunha. Paulo Apóstolo, em sua teologia, esboça que todos, indistintamente, somos, por natureza, ou seja, inato é sermos inimigos de Deus (no entendimento e, como resultado, na práxis).
Sugeriu duas coisas a Caim: que se contivesse e que dominasse, como causa, em si mesmo, o pecado, sentimento este sobre que a Bíblia tem duas coisas a dizer: habita o ser humano, também inato a ele; é sempre contra o ser humano, contra a vida, contra o outro, contra Deus.
Caim nem aí para Deus. Esse pessoal que define um "deus de consumo" (que, definitivamente, não é o da Bíblia), esconde de todos esse texto, essa história: Abel ser assim, assim com o Altíssimo não lhe conferiu nem prosperidade, nem livrar-se do mal.
Também contra essa "fé utilitarista" clama, da terra (ainda), o sangue de Abel. E Deus continua em Sua tentativa de amizade com o ser humano. Com Noé, fê-lo passar por profeta louco, por construir longe da praia do mar uma arca monumental: não lhe seria útil para nada e nem poderia transportá-la aos oceanos.
Sem problemas, porque foram as águas que vieram ao encontro da arca. Ser amigo de Deus, para muitos ao redor, aliás, para a mídia, pode significar de duas uma (ou as duas): absolutamente inútil; loucura total.
Com Abraão Deus provocou amizade para lhe testar a paciência. Para que quando, e só quando, humanamente falando, fosse impossível, só então Deus agisse. Chamou isso de fé e declarou Abraão "pai da fé". Haja paciência (de Jó).
Aliás, falando de Jó, já dissemos, haja (nessa amizade) paciência. Com Moisés (pulando muitos outros, José seu antepassado, por exemplo - e sem mencionar mulheres, desculpem o machismo, porque Eva foi a primeira amiga, que ensinou a Enos, seu neto, os segredos dessa amizade).
Com Moisés foi provocação total. Deus estressa primeiro, antes de se mostrar (ou já se mostrando) amigo. (Mas também, lidar com ser humano estressa qualquer um(a)). Até Moisés entender que, no caminhar com Deus, no andar no Espírito, no aceitar deixar-se modelar, em caráter, do mesmo modo que Cristo se deixou modelar pelo Pai - "o filho não pode fazer de si mesmo nada, senão aquilo que vir fazer o Pai".
Amigo por excelência. Aqui está bem empregada esta palavra. No texto da videira, em que João Evangelista afirma que somos enxertados em Jesus e que Deus, o Pai, se torna agricultor, aperfeiçoando as varas que somos nós, nesse texto está escrito que Jesus nos torna amigos de Deus.
Mais essa do Galileu. Muito bom começarmos a entender isso.
Bem, mas falar dEle (e com Ele) pode. Aliás, a Bíblia esnoba tal possibilidade. Fala dEle todo o tempo (e o suficiente) para torná-Lo conhecido. Não fala tudo sobre Ele (pura pretensão), mas fala o suficiente.
Como disse Lucas Evangelista que Paulo Apóstolo falou: "não é necessário que se lHe procurem tateando, para que O possam achar". Mas aqui desejo falar (dEle) uma certa capacidade provocativa de procurar amizade com o ser humano (que criou a Sua imagem e semelhança).
Interessante. A Bíblia fala de anjos, seres celestiais também pelo Altíssimo criados que, inclusive, não partilham as limitações do homem. Mas não foram criados "à imagem e semelhança" de Deus. Estes são privilégios exclusivos do ser humano homem e mulher.
Mas vamos ao assunto. A primeira vez que a Bíblia fala dessa gana divina por amizade é quando, já sabendo da besteira fundante de todas as outras que o casal primordial fizera, dando ouvidos à oposição, procurou-os.
E a Bíblia diz que foi "na viração do dia", ao entardecer, supostamente a melhor parte do dia para diálogos reflexivos. Pois postas em dia as diferenças que, a partir desse diálogo, impuseram-se, anotadas as medidas emergenciais e compensatórias de todo o dano e exposto à expulsão o casal primordial, vida que segue.
Surpreendentemente o Livro nos coloca diante de outra provocação de amizade, desta vez ao inverso, em nossa reles opinião porque, para nós, entre Abel, o justo, e Caim, o canalha, preferivelmente o Altíssimo deveria ter procurado o primeiro. Mas não. Contradição de todas, procurou o canalha.
Confrontou esse inimigo de Deus. Aliás, não é exclusiva de Caim essa alcunha. Paulo Apóstolo, em sua teologia, esboça que todos, indistintamente, somos, por natureza, ou seja, inato é sermos inimigos de Deus (no entendimento e, como resultado, na práxis).
Sugeriu duas coisas a Caim: que se contivesse e que dominasse, como causa, em si mesmo, o pecado, sentimento este sobre que a Bíblia tem duas coisas a dizer: habita o ser humano, também inato a ele; é sempre contra o ser humano, contra a vida, contra o outro, contra Deus.
Caim nem aí para Deus. Esse pessoal que define um "deus de consumo" (que, definitivamente, não é o da Bíblia), esconde de todos esse texto, essa história: Abel ser assim, assim com o Altíssimo não lhe conferiu nem prosperidade, nem livrar-se do mal.
Também contra essa "fé utilitarista" clama, da terra (ainda), o sangue de Abel. E Deus continua em Sua tentativa de amizade com o ser humano. Com Noé, fê-lo passar por profeta louco, por construir longe da praia do mar uma arca monumental: não lhe seria útil para nada e nem poderia transportá-la aos oceanos.
Sem problemas, porque foram as águas que vieram ao encontro da arca. Ser amigo de Deus, para muitos ao redor, aliás, para a mídia, pode significar de duas uma (ou as duas): absolutamente inútil; loucura total.
Com Abraão Deus provocou amizade para lhe testar a paciência. Para que quando, e só quando, humanamente falando, fosse impossível, só então Deus agisse. Chamou isso de fé e declarou Abraão "pai da fé". Haja paciência (de Jó).
Aliás, falando de Jó, já dissemos, haja (nessa amizade) paciência. Com Moisés (pulando muitos outros, José seu antepassado, por exemplo - e sem mencionar mulheres, desculpem o machismo, porque Eva foi a primeira amiga, que ensinou a Enos, seu neto, os segredos dessa amizade).
Com Moisés foi provocação total. Deus estressa primeiro, antes de se mostrar (ou já se mostrando) amigo. (Mas também, lidar com ser humano estressa qualquer um(a)). Até Moisés entender que, no caminhar com Deus, no andar no Espírito, no aceitar deixar-se modelar, em caráter, do mesmo modo que Cristo se deixou modelar pelo Pai - "o filho não pode fazer de si mesmo nada, senão aquilo que vir fazer o Pai".
Amigo por excelência. Aqui está bem empregada esta palavra. No texto da videira, em que João Evangelista afirma que somos enxertados em Jesus e que Deus, o Pai, se torna agricultor, aperfeiçoando as varas que somos nós, nesse texto está escrito que Jesus nos torna amigos de Deus.
Mais essa do Galileu. Muito bom começarmos a entender isso.
sábado, 28 de julho de 2018
O maior dos milagres
Teu filho vive. João Evangelista descreve a angústia de um pai, no seu encontro com Jesus, rogando que fosse a sua casa curar-lhe o filho.
Jesus preveniu que o homem necessitava de sinais e milagres como auxílio à fé: "Se não virdes sinais e milagres não crereis".
O homem encurtou o diálogo: "Senhor, desce antes que meu filho morra". Sua angústia aguçou-lhe a fé? Ou para quem não crê, nem a iminência da morte é argumento?
Em que sinais e milagres ajudam a crer? Nesse mesmo capítulo João já havia descrito o maior dos milagres. Uma samaritana, cara a cara com Jesus, mencionou sua crença na possibilidade do Messias.
Jesus disse a ela, "sou eu, eu que falo contigo". Este é o maior milagre. Crer no Messias, que fala no cara a cara conosco. Todos os outros milagres apontam para este.
Todos os milagres são dependentes deste. Deus se faz homem e satisfaz todas as carências do ser humano. A maior delas, definitivamente, é lhes restaurar a comunhão com Deus.
Quando Jesus se despede, em sua oração, diz que veio glorificar o Pai. Deixa o Espírito, indicado como Aquele que glorifica o Filho. E afirma que o modelo de comunhão que o Filho tem com o Pai é o mesmo que deseja que tenhamos.
Este é o maior milagre. Todos os outros são dependentes deste. Apontam para a restauração de todas as coisas. Deus a empreende, porém primeiramente atendendo às necessidades do ser humano.
Quando o pai retornou à casa, sem ter questionado o ide de Jesus, "Vai, o teu filho vive", toda a família se reuniu, reconhecendo o poder da palavra de Jesus.
Reconhecer o poder da palavra de Jesus: este é o maior milagre, do qual todos os outros são dependentes.
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Vinho novo
Mutretas ou metretas dos fariseus, esta última a medida deles, 40 litros a capacidade das talhas de pedra que Jesus mandou encher de água na festa de casamento.
Mosaico desenhado pelo evangelista. Maria, Jesus e os discípulos convidados para uma festa. Casamento. Para dizer "com esse" deu Jesus "início" a seus "milagres".
Como, especificamente, "esse"? Por que dar "início" assim? Que razão para esse "milagre"? Mais parece mirabolante. Coisa de mágico. Coisa de circo.
Embora água, para João Evangelista, seja emblemático. Jesus afirma que, quem nEle crer, do seu interior fluirão rios de água viva.
Ezequiel, o profeta, vê sair de sob o templo, em sua visão, rio infinito, que acaba por subvertê-lo, e ainda restaura todas as águas, sara todas as doenças e fertiliza todos os frutos.
Água nas mãos de Jesus tem o milagre oposto delas nas religiões de mistério, segundo efetua comparações o próprio evangelista. Água aguada nas mãos de Jesus vira vinho.
De propósito o Mestre manda encher d'água talhas cerimoniais. Irônico mandar, pelos servos, água ao mestre-sala que está ansioso por vinho. Seu erro de cálculo vai dar fim precocemente ao casamento.
Casamento na Galileia. Esta a parte mais longe do núcleo conservador da Judeia. Apelidada "dos gentios", alcunha máxima de desprezo. Mas é ali que o profeta anuncia que resplandecerá luz.
Casamento é típico da união prevista nas Escrituras para Deus e seu povo, na antiga aliança, assim como para Jesus e sua igreja. Não haverá festa, enquanto não chegar a noiva. Jesus mesmo conta suas parábolas a respeito.
É a propósito que ele manda acionar talhas cerimoniais para uso profano. A festa deve continuar. Maria adverte os servos que fiquem atentos ao que Jesus disser. Definitivamente, ele vai resgatar o sentido do que é cerimonial, destinado à festa, à alegria e à plenitude.
Vim para que tenham vida e a tenham em plenitude. Esta a pretensão de Jesus. Terá ele a fórmula? Que fórmula torna água em vinho? Com prova de autenticidade. Jesus guarda consigo o melhor vinho. E como alguém já falou, com Jesus na festa o vinho não acaba.
Vim para que tenham vida e a tenham em plenitude. Esta a pretensão de Jesus. Terá ele a fórmula? Que fórmula torna água em vinho? Com prova de autenticidade. Jesus guarda consigo o melhor vinho. E como alguém já falou, com Jesus na festa o vinho não acaba.
Jesus adverte Maria que seu tempo é kairótico, quer dizer, diretamente ligado à contabilidade do Pai. Não há sistema de unidade humana que o contabilize. O milagre de Jesus entra na história do homem. Vida aguada na mão de Jesus vira vinho novo de festa transbordante de alegria.
A festa deve continuar. Como ele mesmo já diria noutra parábola. Enquanto o noivo está no meio de nós, haverá festa. Uma vez retirado do mundo, advirtam: "o tempo está cumprido, o reino de Deus está próximo, arrependei-vos e crede no evangelho".
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