sábado, 6 de janeiro de 2024

Estudos em Efésios 5 - O que Paulo escreveu sobre o amor

   E o que Paulo escreveu aos Efésios sobre o amor? Pode ser considerado, o que Paulo escreve, também "palavra de Cristo"? Por que ter consigo essa carta, escrita, não representou aos crentes de Éfeso cumprir?

   A carta aos Efésios começa com essa declaração de amor incondicional de Deus, amante desde antes da fundação do mundo. Portanto, a ênfase de Deus nem é a grandeza de suas obras, senão o seu amor por nós.

   ⁴ "Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. ⁵ Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade". Efésios 1.

   Paulo, com a continuidade deste que eu chamo (ou vi alguém chamar) Salmo do capítulo 1, descreve como, em Cristo, chegam a nós todas as bênçãos pretendidas por Deus.

    Principalmente a redenção e o perdão dos pecados. Em quem estamos, depois que ouvimos ¹³ "a palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa". Ef 1.

   Para logo depois mencionar a necessidade de reconhecermos a bênção do evangelho, compreendendo-o em toda a sua grandeza. Expressa isso numa primeira oração que registra no texto da carta:

   ¹⁷ "Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, dê a vocês espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele. ¹⁸ Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos ¹⁹ e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força. Efésios 1.

    Pede, neste primeira oração escrita, (1) espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento de Deus; (2) e que os olhos do coração sejam iluminados a fim de conhecer três coisas: 2.1 esperança para a qual fomos chamados; 2.2 as riquezas da gloriosa herança que recebemos; 2.3 e a incomparável grandeza de seu poder.

    Conhecer é a ênfase. E no capítulo 2, Paulo vai detalhar nossa história, de onde viemos, e no que o amor de Deus nos tornou. Os detalhes de nossa condição, "estávamos mortos em nossos delitos e pecados", condição geral, e o texto segue esmiuçando o que isso significa.

   ⁴ "Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, ⁵ deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça vocês são salvos." Efésios 2.

   A reviravolta, em função do amor de Deus, exercido não somente numa função utilitarista, para nos livrar dessa situação que nos queima o filme, mas para nos refazer à imagem e semelhança (perdida) de Deus. Este capítulo 2 vai encerrar com uma afirmação mágica, magistral, de que somos poema de Deus, quando inicia, em nós, uma nova criação em Cristo.

   No capítulo 3, Paulo vai dizer como Deus lhe revelou o principal conceito que lhe impulsionou o ministério, quando compreendeu que deveria pregar o evangelho com ênfase aos gentios. Não que tenha deixado de lado seus compatriotas. Mas foi necessário compreender que a salvação, ainda que primeiro oferecida aos judeus, espraiou-se a todos, gentios e judeus.

   A igreja de Cristo é esse somatório de salvos. A todas as nações, como o Pentecostes demonstrou, sem discriminação, a universal mensagem do evangelho, anúncio do amor infinito de Deus, em Cristo, provado na cruz, é dádiva completa e definitiva.

Estudos em Efésios 4 - Discurso de Jesus sobre o amor

    Nos discursos de Jesus, em João 13-17, solenes em função do momento, porque era a sua última refeição, até a próxima, com todos nós, em Sua segunda vinda, o Mestre reserva num deles uma extraordinária definição de igreja.

   Estudá-la, certamente, vai suprir a carência necessária para entendermos o problema de Éfeso. Jesus, em João 15, afirma mais um de seus "Eu sou", desta vez afirmando: ¹"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor." Essa videira é a igreja.

   Jesus, como cabeça, e nós, como os ramos, somos a igreja e o Pai é o operário da igreja, porque dela cuida, limpa para que produza frutos. Fantástica afirmação de Jesus. Não menos fantástica a nossa inclusão.

   Lembra-nos Isaías 5, no texto da vinha. O projeto de Deus, engendrado para Isarel, abre-se ao mundo inteiro, nessa feição aqui poeticamente descrita:

¹ Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha. O meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. ² Sachou-a, limpou-a das pedras e a plantou de vides escolhidas; edificou no meio dela uma torre e também abriu um lagar. Ele esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas." Isaías 5.

   "Esperava uvas boas", ou seja, que Israel cumprisse sua vocação de Ex 19,5-6:  ⁵ Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; ⁶ vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel."

   Mas, uma vez rejeitado Jesus "para o que era seu", o povo de Israel, a videira ou igreja é a reunião de todos os que creem, judeus ou gentios, tornados um só povo em Jesus: ⁹ "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz".  
1 Pedro 2. Esta é a igreja de Jesus Cristo.

   A primeira advertência de Jesus, no texto de Jo 15, é para permanecer nele e permanecer no seu amor: ¹⁰ "Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço." João 15.

     Jesus é modelo de amor, assim como de obediência. Aprendeu e ensina a amar, como o texto acima esclarece, como aprendeu e ensina a obedecer, como afirma o anônimo autor de Hebreus: ⁸ "...embora sendo Filho, aprendeu a obedecer pelas coisas que sofreu", Hb 5.

   Há uma mediação, já mencionada por Jesus num trecho anterior: ⁷ "Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e será concedido." João 15. Essa mediação é a palavra.

   A palavra "permanecer" implica, em seu significado, "permanência por esforço". O estilo de esporte chamado  Enduro, de onde provém a tradução inglesa "endurance", resistência, significa "percurso por trilhas de obstáculos com longa duração".

   Exatamente o circuito que a igreja de Éfeso, com todo o seu arco de competência, não percorreu. Em algum momento da rota percorrida, abandonou o Enduro. E há uma mediação para essa resistência, que é permanecer em Cristo, e, por extensão, no seu amor.

   Essa mediação é a palavra. Talvez um turista, que em Éfeso visitasse aquela igreja encontrasse, como nas Sinagogas, um armário contendo a cópia original da carta de Paulo aos Efésios. Guardada como um troféu de extremo valor.

   Tê-la recebido e preservá-la, além de compatilhar com outras igrejas, quem sabe até por campanhas financeiras, visto ser caro, à época, o trabalho dos escribas, todo esse aparato turbinava a vaidade deles.

   Aqui as crianças, desde muito pequenas, decoram e recitam a carta aos Efésios. Olhem como a preservamos com carinho e cuidado. É um orgulho para nós. Mas, certamente, todo esse escrúpulo cuidadoso com o exemplar físico das Escrituras ainda não significava permanecer na palavra.

   Agora é Tiago que adverte: ²² "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. ²³ Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; ²⁴ pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência." Tiago 1.

   Outra fala de Jesus pode ajudar a compreender: ⁵ "Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma." João 15.

      Quatro aspectos estão definidos pela fala de Jesus: (1) Permanecer em Cristo; (2) Cristo permanecer nele (ou nesses que nele permanecem); (3) Permanecer na palavra de Cristo; (4) Permanecer no amor de Cristo; (5) Produzir frutos.

   Portanto, a reciprocidade de permanecer em Cristo e Cristo permanecer nesse, significa permanecer na palavra de Cristo e no amor de Cristo. Há, para a permanência do amor, em Cristo, a permanência na palavra de Cristo.

   Guardar na estante, como troféu, a carta aos Efésios, ensinando desde cedo, as crianças, a reverenciá-la e decorar, para recitar, ainda isso não foi permanecer em Cristo, em sua palavra e, consequentemente, no amor de Cristo.

Estudos em Efésios 3 - A carta de Jesus

   Em sua carta, Jesus começa descrevendo a igreja por um modo que qualquer desavisado ou precipitado concluiria o que todos aqueles crentes já esperavam: seriam só elogios.

   ² Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores." Apocalipse 2.

  Senão vejamos: (1) era uma igreja laboriosa e perseverante no que empreendia; (2) possuía uma capacidade invejável de identificar impostores da fé. E mais: ³ "Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome e não tem desfalecido." Ap 2.

    (3) suportou oposição e sofrimento em função de seu testemunho, sem esmorecer ou acovardar-se. Uma pergunta insistente vem à tona: É possível apresentar um perfil desses, porém desprovido de amor?

   Se Jesus estivesse na reunião de membros da Igreja, talvez um deles mais atrevido, mas com todo o respeito, perguntasse: "Mas Mestre, então o Senhor avalia que temos esse perfil (invejável), porém desprovidos de amor? Porque até sofrimentos por causa de teu nome suportamos, sem desfalecer. É possível que seja sem amor?"

  É Paulo que responde: ¹ "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. ² Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. ³ E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará." 1Co 13.

       E Jesus responde, nos termos do texto da carta: "Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. ⁵Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele." Ap 2.

   Três recomendações: (1) Arrependa-se; (2) Lembrar do que, quando e onde essa perda começou; (3) Retornar ao início, ou seja, ao amor. E uma séria advertência: (4) tirar ou mover do seu lugar o candeeiro, que é a igreja, em si, ou significa uma bruta provação ou seria fechar, como igreja, as portas desse ajuntamento já desfigurado.

    Outra razão, associada à vaidade já identificada, esta proveniente do mundanismo que invadiu a igreja, é que também ela se profissionalizou. Tornou-se tão eficiente, segundo sua própria avaliação, sem o crivo de seu Senhor e Mestre, que virou uma ONG, até, quem sabe, notável e muito útil, mas deixou de ser igreja.

    E ainda havia (4) os nicolaítas, misteriosos hereges da época, porém ativos e tremendamente influenciadores, naquela região, pois aparecem como advertência de Jesus em outras cartas, de quem os efésios dessa igreja rejeitavam doutrina e prática, do mesmo modo que Jesus.

   Mais um ponto para Éfeso. Mas de nada acrescentava, como somatório, para resolver o principal problema: perda do amor. Vamos ver por que o amor é o principal. Vamos elencar outras razões por que se (in)evolui para esse estágio negativo.

Estudos em Efésios 2 - Advertência contra a vaidade

    Paulo dirige essa carta à igreja de Éfeso. Será muito interessante saber que destino, ao longo dos anos, esse texto teve para os efésios. Terá perdido o valor? Porque decorreram, no nosso caso, muitos anos, séculos, pelo menos 1 milênio. E conserva o mesmo valor.

  Podemos comparar o que Paulo fala sobre o amor ao que Jesus falou, nos discursos de Santa Ceia, nos capítulos 13 a 17 do Evangelho de João.

   E no caso de Éfeso quando, no Apocalipse, João envia a essa igreja a carta de Jesus, na avaliação dele, há uma séria advertência que diz respeito à ausência de amor: 

   ⁴ "Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. ⁵ Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele." Ap 2.

   Como Éfeso chegou a esse estágio alarmante? O que contribui, na vida de uma igreja, a fim de que ocorra esse fenômeno? Precisamos saber, para proceder a uma autoanálise, evitando que ocorra, ou já percebendo que ocorre.

   A exortação de Jesus assemelha-se ao apelo à conversão. Ora, na verdade, trata-se de uma conversão, um retorno ao amor. Podemos imaginar Éfeso como uma igreja grande, numa cidade grande e, por demais, vaidosa.

   Em Atos 19, a expulsão de Paulo da cidade se deu pelo sucesso de sua pregação e ensino, por 2 anos, na Escola de Tirano, porque em massa os efésios abandonavam a idolatria.

   Um ourives chamado Demétrio provocou um tumulto, no qual, por 2 h seguidas, uma grande turba gritou "Grande é a Diana dos efésios". E em seu discurso demonstrou como, em toda a Ásia, a cidade era vista e se mantinha ciosa dessa posição.

   Era mesmo estratégica essa cidade. Prova disso é estar registrado em Atos que, nesses dois anos em Éfeso, Paulo alcançou toda a Ásia Menor, atual Turquia:

  ⁸ Durante três meses, Paulo frequentou a sinagoga, onde falava ousadamente, dissertando e persuadindo com respeito ao reino de Deus. ⁹ Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano. ¹⁰ Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos." Atos 19.

   E mesmo os sinais e maravilhas operados, em nome de Jesus, por Paulo, foram extraordinários, em vista do costume grego de pôr em destaque seu curandeirismo atribuído aos deuses gregos:

  ¹¹ "Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo, ¹² de modo que até lenços e aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os enfermos. Estes eram curados de suas doenças, e os espíritos malignos saíam deles." Atos19.

    Portanto, para uma cidade assim, tão cheia de si e, ainda, pela avaliação feita por Jesus, pela qual transparece o porte dessa igreja, a vaidade que a invadiu, típica da cidade, consta como uma das causas do esfriamento do amor.

Estudos em Efésios 1 - Declaração de amor

     ³ "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, ⁴ assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor ⁵ nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade" Efésios 1:3-5.

    Efésios se inscreve, com Gênesis e o Evangelho de João, entre os livros que marcam, no início, na época da criação, seu ponto de partida.

   Gênesis, como o início de tudo, em João, no início era o Verbo e, nesta carta aos Efésios, no início é o amor. Deus nos ama desde antes da fundação do mundo.

    Quase é possível dizer que Moisés, no Gênesis, descreveu o início de tudo o que se vê. Já o apóstolo João, foi mais na origem, porque afirmou que "No início era o verbo". Mas Paulo recua ainda mais, quando afirma "amor antes da fundação do mundo".

     Este Salmo inicial de Paulo, no capítulo 1 da carta aos Efésios, apresenta uma declaração de amor de Deus a nós. Sim, declaração de amor, no nosso caso, pode ser um termo vulgar.

    Mas amor nos é concedido, pela graça de Deus, por isso dele, desse amor, temos, sim, que falar, evidentemente que com propriedade do respaldo biblico. Porém, principalmente, praticar. 

   Amor, costumeiramente confundido como "dom de Deus", na verdade é um mandamento. Porque dom, termo técnico bíblico, é distribuído a uns e outros, cada qual deles diferentes entre si, alguém recebendo ou não um deles, para outrem receber outro.

    Jesus dizendo: ¹² "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei." João 15. Portanto, o amor é mandamento a todos. Substitui todos os outros. Desde a revelação, no Antigo Testamento, aparece como mandamento supremo:

   ⁴ "Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. ⁵ Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força."  Deuteronômio 6:4,5. 

   E já no Novo Testamento, foi confirmado por Jesus nesse mesmo nível:

   ³⁷ "Respondeu Jesus: " 'Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento'. ³⁸ Este é o primeiro e maior mandamento. ³⁹ E o segundo é semelhante a ele: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'. ⁴⁰ Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas". Mateus 22.

   João escreveu "Deus é amor". Pois, com uma afirmação dessas, ou foi exagero do apóstolo, porque, caso seja verdadeiro, e não retórico, só existe um tipo de amor.

   E há somente uma fonte para o amor. Sendo nós, por essa declaração de amor, alvo dele, evidente que é necessário entender, nutrir e aprender a praticar com o próprio Deus.

   Amar como Deus ama. E a prova maior desse amor constitui-se na dádiva de Jesus Cristo. Outro apóstolo, Paulo, vai afirmar:

   "Deus prova o seu próprio amor para conoco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores".

   Três coisas, basicamente, o versículo acima afirma: (1) Não precisava, tratando-se de Deus, mas ele prova; (2) Há um fato único e inédito, creia-se ou não, a morte de Cristo na cruz é a prova; (3) Amor (e morte na cruz) por pecadores: neste caso, Deus não é seletivo, ama a todos, que são cada um e todos nós, pecadores.

   Para logo depois, na mesma carta aos Romanos, dizer que esse amor "é derramado em nossos corações no e pelo Espírito que nos é dado". Deus nos ama de derramar amor.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Caos, trevas e mesquinhez

 2 "Era a terra sem forma e vazia; trevas co­briam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas." Gn1

     Na criação, Deus pôs ordem ao caos e fez separação entre luz e trevas. Na desobediência do Éden, homem e mulher chamaram trevas e caos para dentro de si.

   Foi uma escolha mesquinha. Mesquinho é o que é pequeno, desprezível e avarento. Assim é a soberba humana. Ela tem valor mesquinho.

  Habacuque diz "eis o soberbo: sua alma não é reta nele. Mas o justo, ou seja, em contrapartida, o justo viverá por fé. E fé nada tem a ver com mesquinhez.

   A opção do casal foi mesquinha. Deus lhes apresentou todas as árvores do jardim. Menos uma. Esta era igual a todas as outras. E o fruto, como todos os outros.

  Tinha forma, cor, aroma e sabor. Não havia maldade nem na árvore e nem no fruto. Era um teste definitivo para o casal.

   Havia, sim, maldade, mas esta estava fora de Deus e fora do ser humano. O teste era para que ela nunca entrasse no homem e/ou na mulher. Quando Deus diz sim, e dizemos não, ou vice-versa, ele diz não e dizemos sim, nisso pecamos.

   Pecado é a agência, em nós, que não permite atinar, e sim desmerecer, não assumir como seu, desprezar o alvo certo, específico, diante de Deus, para qualquer conduta, sentimento, pensamento. Tiago descreve esse circuito.

  ¹³ "Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: "Estou sendo tentado por Deus". Pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. ¹⁴ Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. ¹⁵ Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ser consumado, gera a morte". Tg 1.

   Reconhecemo-nos nesse percurso? Se disser que não, mentiu. Pecado é uma escolha mesquinha. Cuidado com a sua soberba. Foi ela que tornou um anjo Satanás.

   A soberba nada tem a ver com a fé que, por sua vez, uma vez autêntica, como Paulo disse a Timóteo, sem fingimento(s), nunca será mesquinha.

   Jesus, como ensina Paulo, é todo humildade. Precisamos ter em nós o sentimento de Cristo. Para que o evangelho dEle nos ensine, e não o tomemos como acessório.

  Especialistas em evangelho. Profissionais das Escrituras. Cegos guiando outros cegos. Pura mesquinhez. Que no ano de 2024 ampliemos nossa visão.

   Que o caos e as trevas fiquem de fora, no seu lugar de origem. E que a luz do evangelho, a candeia, brilhe nesse lugar, outrora tenebroso, denominado nosso coração.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Simples, difícil, mas absolutamente necessário

 Para começo de conversa, ou de ano, dois versículos, um Salmo e uma palavra de Jesus. O Salmo:

   ¹ "Senhor, o meu coração não é soberbo e os meus olhos não são arrogantes. Não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim." Sl 131.

   E agora a palavra de Jesus: ²⁵ "Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos." Mateus 11.

  É bom prevenir aos relaxados, desocupados e preguiçosos, místicos baratos de ocasião, que o que Deus nos reserva não nos chega por download do "Baixaki", aquele link de produtos pirata da Internet.

   Dizer que não devemos ser orgulhosos, soberbos, e que Deus reserva aos pequeninos, deixando de fora "sábios" e "instruídos", não quer dizer que Deus prioriza ou prefere os desprovidos de inteligência, de diligência ou sabedoria.

   Quer dizer que Deus é seletivo. Há um tipo de sabedoria própria dEle e essencial ao que nEle crê. Destaque-se um exemplo a não seguir, o de Salomão, que escreveu "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria" e, para o final de sua vida, perdeu a sabedoria, porque abandonou o temor do Senhor.

   Já é um bom começo compreender o temor do Senhor. Aliás, Paulo diz que salvação a gente desenvolve, e leva a efeito "com temor e tremor". Portanto, há um medo respeitoso, medo santo, quando se considera a Pessoa de Deus.

   A Bíblia, de onde foram retirados os versículos acima, é um livro diverso, com ampla categoria de autores, muitos entre eles anônimos, talvez até a maioria.

   Por exemplo, um pescador, aliás, estudioso, chamado Pedro, leitor assíduo de outro apóstolo, chamado Paulo, escreveu:

   ⁴ "Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça." 2 Pe 1.

   O pescador está aqui dizendo, pelo menos, três coisas: (1) Deus nos concedeu grandiosas e preciosas promessas; (2) por elas, nos tornamos participantes de Sua natureza; (3) somente por esse modo é possível fugir das paixões, corrupções e cobiça do mundo.

   Este é o texto do pescador. Agora, vamos ao do teólogo, amplamente lido pelo pescador, pode conferir em 2 Pe 3,15-16. Paulo afirma:

  ¹⁸ "...vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam tomados de toda a plenitude de Deus." Ef 3.

   Então, o pescador, Pedro, diz que podemos nos tornar "participantes da natureza de Deus", porque há promessas de Deus para isso.

    O teológo, Paulo, diz que podemos "conhecer o amor de Cristo -- que excede todo o entendimento" -- para sermos "tomados de toda a plenitude de Deus".

   Aqui a sabedoria de um teológo e de um pescador convergem, de modo autêntico, para demonstrar que não se precisa procurar nada além disso, como soberba para a vida.

   E que há muitos "sábios" e "entendidos" que não estão nem aí para isso. Por isso Deus reserva para os pequeninos. Trata-se de uma opção inteligente.

   Simples, não fácil de se obter, mas absolutamente necessária.