domingo, 10 de março de 2024

As cartas de Jesus às 7 igrejas: aplicação permanente

   As cartas do Apocalipse são avaliações feitas pelo próprio Jesus sobre um circuito de igrejas. Torna-se representativo, pelo que apresenta sobre cada uma, em separado, mas também pelo todo, pelo conjunto.

  Porque são vícios e virtudes mesclados, expostos. E são nossos esses vícios e essas virtudes. Muitas vezes até gostamos de nos referir a igrejas, porque fica parecendo fofoca.

  E acabamos nos revestindo de uma blindagem que nos isenta de, aparentemente, pertencer ao grupo. Pomo-nos fora, para criticar, pomo-nos dentro, para enaltecer o próprio ego.

   Pois Jesus é o único isento para avaliar. Mas o Espírito Santo, que ele deixou em Seu lugar, tem a mesma percepção e autoridade. E cabe a nós atender-lHe a voz.

   Paulo Apóstolo ele mesmo que afirma, "a letra mata, mas o Espírito vivifica". Cabe distinguir entre nossa(s) leitura(s) e aquela resultante da ministração autêntica do Espírito. E não basta mencionar Espírito a toda hora, nem brandir a Bíblia, a todo o momento.

   Mas, afinal, o que Jesus diz, de essencial de:
ÉFESO: abandonaste o primeiro amor; ESMIRNA: não temas as coisas que tens de sofrer; PÉRGAMO: coservas o meu nome e não negaste a minha fé; TIATIRA: eu sou aquele que sonda mentes e corações; SARDES: lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te; FILADÉLFIA: guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome; LAODICEIA: aconselho-te que compres de mim ouro, vestiduras e colírio.

   1. Uma igreja não vive sem o essencial, que é o amor, sendo o único contexto onde pode ser conhecido e vivenciado: Ef 3,19;
2. A igreja sofrerá a medida da rejeição de sua identidade com Cristo. E isso não será apenas de fora para dentro, a partir do mundo, mas dentro, na luta interna pela prevalência do amor em nós: Jo 15,20;
3. O testemunho de Cristo é a missão única da igreja e, para isso, recebe poder do Espírito Santo. Ainda que sobrevenham provações, e certamente virão, a perseverança é a sua  qualificação: Hb 12,1-2;
4. Para a igreja e para a vida individual do crente e essencial depurar mente e coração. Não basta definir-se cristão para que haja uma isenção premente. Sempre carece do agir do Espírito: 1 Co 2,9-11;
5. A igreja tem um legado recebido por Jesus, em tudo que a suores para dar continuidade ao ministério de Jesus. As Escrituras são fundamentais, a agência do Espírito essencial e a comunhão dos santos o lugar dessa benção: At 2,42-47;
6. Guardar a palavra, na assistência do Espírito, é essencial para a igreja. Ela será a segurança do crente, guia permanente de sua caminhada e correção permanente de sua identidade: 2 Tm 3,16-17;
7. Somente em Jesus, modelo para a igreja, residem os valores que a suprem com poder do Espírito: são a sua riqueza, vestes e visão: Ef 1,19-23.

    Cada igreja segue um contexto próprio. E as mensagens são específicas. Mas as reações a essas situações são princípios gerais de conduta. Podem ser, por assim dizer, sacados de seu contexto e ser adotados como exortações atemporais, portanto, permanentes.

   E sempre retornar às cartas de Jesus, para entender seu método de avaliação. Porque é o que devemos aplicar a nós mesmos, visto que igreja somos nós. E nunca devemos a elas nos referir como se fossem à parte de nossa própria condição.

   Para nos avaliarmos, as Escrituras, debaixo da orientação do Espírito, são nossa bússola, modernamente, o GPS. E seu contexto sempre será a igreja. Pois assim Jesus indicou quando convocou os apóstolos.

   Em Lucas 24,27, Jesus demonstra como, pelas Escrituras, advém a instrução sobre ele mesmo. E em At 1,1-2, a indicaçãode como, pelo Espírito, era que o próprio Jesus transmitia, para entendimento, fixação e ação a sua própria instrução. E sempre o fez em companhia deles, no contexto da congregação que ele mesmo edifica, Mt 16,17-18.

sábado, 9 de março de 2024

Mulher modelo Eva

 ²⁷ "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Gênesis 1.

¹⁸ "Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea." Gênesis 2:18.

   Neste texto, homens e mulheres são postos no mesmo nível, diante de Deus. O que significa ter a mesma importância. Portanto, nada diminui nenhum em relação ao outro.

  Qualquer leitura, até mesmo de textos bíblicos, que imponham à mulher uma condição inferior, estão lidos de modo equivocado. Pois logo virá o questionamento:

   "Mas o texto do casamento não as coloca em posição subalterna?" Porque dizer sejam submissas implica estar por baixo.

  Porém falta lembrar que esse texto está inscrito no mesmo contexto que pontifica ao homem amar a esposa.

  Não existe submissão sem que ocorra amor. Submissão a quem ama, é a mesma que temos em relação a Deus. Pois então, em que somos diminuídos nisso? Ao contrário, somos glorificados.

  E a condição da identidade feminina condiz com uma parceria de origem, entre homem e mulher. Auxiliar sigjfica quem se coloca ao lado, para que o que vai ser levado a efeito seja perfeito.

  E idôneo significa que não haverá outro auxílio que substitua este e nem outra pessoa presente que possa efetuar essa mesma função.

¹³ "Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi." Gênesis 3.

  A experiência da queda afetou o casal. Assim como, definitivamente, todos os descendentes. deles. Deus, que havia instruído e advertido em relação a essa possibilidade, interpela o casal a fim de ouvir causas, razões e justificativas.

   O homem foi o primeiro a ser confrontado, visto que sobre ele a responsabilidade pela vigilância, com relação a toda a criação e ao próprio casal.

   Num grave momento, o homem procurou eximir-se de sua responsabilidade. Independentemente dos resultados, essa tentativa revelou um covardia histórica, quando decidiu responder do modo que fez:

¹¹ "Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? ¹² Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi." Gênesis 3.

   Era apenas necessário dizer: "Eu comi". A introdução a esta expressão, procurando deslocar para a mulher toda a responsabilidade, manchou a nossa reputação.

  Deus, como se houvera atendido à justificativa dele, inquiriu a mulher sobre o fato. Lembrar que a responsabilidade sobre transmitir à mulher sobre a palavra de Deus sobre a árvore do conhecimento do bem e do mal foi toda de seu esposo Adão.

   Por isso, a cobrança recaiu, primeiramente, sobre ele. Pois Eva, agora questionada por Deus, foi absolutamente sincera. Ela respondeu de forma direta: "A serpente me enganou e eu comi". Para Eva, não houve réplica, porém absoluta sinceridade.

²⁵ "Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou.
²⁶ A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor." Gênesis 4.

   Aqui parece haver um franco engano sobre um importante destaque, que foi a crise aberta após o assassinato de Abel. Aparece na Bíblia a menção das orações de Eva, a cada vez que engravida.

  Constam, textualmente, as orações de gratidão e consagração pelo nascimento de Caim e, posteriormente, pelo nascimento de Sete. E vem escrita a observação acima transcrita.

   Enos é o neto de Eva, filho de Sete, a quem ela menciona como dádiva, em função da morte de Abel. E certamente instruiu o neto, como Paulo afirma que ocorreu com Timóteo, filho e neto de mulheres crentes, herdeiro, na afirmação do apóstolo, de uma fé não fingida.

   "Daí se começou a invocar o nome do Senhor", aplicado a Enos, certamente exclui Eva, mas inclui Adão, ou seja, exclui Eva de o ter invocado, o que é um equivoco, como mulher invocou, mas inclui Adão, como homem, por não tê-lo e exercido.

   Três marcas distintas da primeira mulher, uma delas numa ocasião sensível e definitivamente negativa para a história humana. Mas suas reações a colocam em destaque.

   Mulheres que tomam Eva como exemplo, e mesmo homens que o fazem, tornam-se exemplo de conduta cristã autêntica e honrada por Deus.

   A primeira, na condição estipulada por Deus para a sua conduta e postura diante do homem, a resposta sincera e lúcida, de arrependimento, na hora da maior crise, é a nota fundamental da opção clara pela busca de Deus.

Habacuque, o profeta da plaqueta, denuncia a violência

 ² "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás" Habacuque 1:2

   Pergunta difícil. Não dá para sondar os desígnios de Deus. Assim como responsabilizá-lo por decisões humanas.

  A violência é essencialmente humana. Um camarada chamado René Girard (leia /ê/), filósofo, antropólogo e teólogo, desenvolve uma teoria mimética.

  Esta palavra provém de mimeses e significa "imitação". Esse filósofo afirma que toda sociedade elege, para si, um bode expiatório, no qual enxerga a si mesma.

  E a morte desse animal alivia a sede humana intrínseca por violência. A seguinte frase dos fariseus, em relação a Jesus, reflete essa dedução funcional de Girard:

   ⁴⁹ "Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, advertiu-os, dizendo: Vós nada sabeis, ⁵⁰ nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação." Jo 11.

   Espelha-se, dessa forma, em quem morre desse jeito, o alívio, a vingança, enfim, mesmo o simples descaso pela vida alheia. Mas isso é um lance à frente.

  Essa ginástica dedutiva de René merece reflexões filosóficas. Porque a violência brota, de seu elemento primordial, de raiz, de dentro do ser humano.

   Provém do íntimo. Se foi mesmo criado à imagem e semelhança de Deus, operou-se um corte tão decisivo, de semelhanças, que o instinto assassino foi incorporado.

  E por razões nenhumas, por assim dizer. Ódio não tem motivação. Amor sim, visto que o mandamento de Jesus se dirige até ao inimigo declarado e último, em grau.

   Em pleno dia da mulher, por assim dizer, data de destaque para pô-las sob resguardo de proteção, respeito e senso de mesma importância, em relação aos homens, destaca-se dupla modalidade de violência.

   Uma delas, aliás, por assim dizer, ambas vulgares, ocorrendo todo o tempo, mas desta, e mais esta vez, talvez mais frequente do que a outra, é a violência de homens contra elas.

   O sujeito atropelou propositadamente a mulher que ele julgava sua e no direito de punir, sob alegação de ciúme possessivo. Jazia no chão, já ferida, e o vídeo mostra a manobra desesperada dele para, de novo, atropelar, agora passando por cima.

   E o outro vídeo mostra a mãe, com o padrasto da filha, carregando o corpo da menina, a qual espancaram até a morte, carregado numa maleta, procurando onde esconder. Ela chama um Uber para simular sequestro da menina. A polícia cumpre sua rotina de interrogatórios, confrontação de versões, investigação, até que ele conduz ao lugar de ocultação.

   Estes dois requintes estão aqui em destaque somente como exemplos de violência gratuita, praticadas contra e pela mulher para se constatar, no caso, que elas podem ser vítimas ou algozes.

  Da mesma forma o homem. Ora, haverá exemplos diversos nessa vitrine humana da violência. Habacuque, o profeta, diz o texto, põe-se numa torre para saber, de Deus, uma reposta à violência. Na minha opinião, por uma lado, Deus se surpreende, e, por outro, não.

   Como se Deus dissesse: "Ora, Habacuque, você esperava o quê?". E o profeta pensasse, ou nem dissesse: "Mas o Senhor, com todo o respeito, não vai fazer nada? Nenhuma atitude de sua parte?"

   Qual atitude deseja-se ou se espera de Deus? Terá sido a que a Bíblia indica? De que se faz homem para, com amor, tentar dissuadir de toda a violência? Se foi essa a tentativa divina, Girard deve estar certo (e os fariseus também).

   Mataram o Filho, como bode expiatório. E, de certa forma, resolveu-se o problema da violência. Mas, de outra forma, está pendente. Como triste espetáculo de mídia.

   Contrassenso definidor da condição humana. Vendo Jesus Cristo assassinado, vejo nele estampado o meu instinto assassino. Mas, em contrapartida, dEle provém a solução.

  Erguido na cruz, para ela converge toda a vista do estandarte de toda a violência. Jesus Cristo é o bode expiatório de toda a violência. Avisem ao profeta, que Deus, num só ato, resolveu.

  Avisem Girard. O Cristo é o Sumo bode expiatório. Acho até que o filósofo pensava nisso. Deus, então, espera, por amor, que haja arrependimento. Essa é a resposta de Deus à violência.

  Enquanto isso, assiste ao espetáculo triste, muito triste, da violência exposta como rotina vulgar. 



sexta-feira, 8 de março de 2024

Cercados num doce cativeiro

 Ora, as mulheres. Ou são taxadas culpadas, por uma leitura errada do equívoco de Eva, ou são enaltecidas mas, exatamente, por seu papel secundário.

  Injustiça nossa, homens acovardados pela grandeza delas. Somos, desde sempre, por elas paparicados, desde os dengos de mãe, que nos defendiam até dos direitos dos pais.

   A minha, por exemplo, ah, que saudade, aplicou-me, pelo menos, três peias (no Rio, surras) memoráveis. Esclareço: saudades dela, e não das surras.

  Pois sim, agregavam, no combo existencial, o direito de somente elas. Meu pai, por exemplo, nunca exerceu esse direito bíblico, hoje impugnado pela reles lei.

   Certa vez, ele tentou, mas desistiu, procurando o ângulo certo para aplicar o tapa, de mão côncava, inapropriada para o efeito. Os dois rimos, e ficou somente nessa tentativa.

   No seu último dia de vida, testemunhou minha mãe, orou por Ana Luísa. Deus atendeu. Estou cercado por elas. A mãe, a filha, Dorcas, mãe e avó, Lourdes, que preparou Regina, e agora Amanda, preparada por Aldione, esta a sogra do filho Isaac.

   Estamos todos cercados por elas. Um dia sonhamos, em meio a uma bruta solidão. Adão, naquele dia, dormiu, depois das tarefas cumpridas, de guardar o jardim, enquanto arava, plantava, cuidava, nomeava os animais, enfim.

   Acordado, pensou: "Estou, ainda, sonhando! Que que é isso, meu Deus!", falou, admirado, sem saber se dirigia-se ao Altíssimo, pela surpresa, ou se, simplesmente, acabava de inventar a usual exclamação: "Meu Deus!".

  Mas Deus logo respondeu: "Ora, Adão, é a mulher". E ele disse: "Puxa, Altíssimo, afinal". Poderia ter ficado neste termo, evitando o grande mico que, definitivamente, manchou nossa reputação, quando quis jogar somente sobre ela a responsabilidade pela dupla queda (ou queda dupla).

   Afinal. Elas são maiores do que o termo. Mas imaginem a criação sem elas? Como comenta Vinicius de Moraes e Rubem Alves, boa ideia do Altíssimo criar e plantar um jardim.

  Jardins são lindos. Certo, precisam de mãos delicadas e dedicadas para cuidar. Mas não são nada sem as mulheres. Imagina um jardim silencioso, ou só com o canto de pássaros?

   Sem a algavaria, o falatório, a algazarra das mulheres? Adão iria logo reclamar: "Vamos parar com esse silêncio aí!". Sim, leia direito: Adão e Eva tiveram filhos e filhas.

  Completou com o falatório delas, com as risadas delas e com (agora mais perigoso, muito perigoso) o murmúrio delas. Ora, seríamos muito melhores se guardássemos conosco todos os toques que tivemos desde os dias do acalanto.

   Deus as fez sua cara, tanto quanto a nós homens: "Criou Deus a sua imagem, a imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou", mas se lê depreciativamente, forçando a barra para colacá-las abaixo.

  Após a desobediência estudada e compartilhada, viram (os dois) que estavam nus, mas nós dissemos, representados em Adão: "Foi culpa dela, a mulher que Tu nos deste", nós homens, referindo-nos ao Altíssimo.

   Quisemos pôr nelas toda e isoladamente a culpa. Herdamos, assim, a marca da covardia. Se Deus nos fez mais fortes, foi para proteger as mulheres. Elas foram postas no jardim, para nos auxiliar a cultivar. 

   Nunca saberíamos fazer sem a ajuda delas. Como disse o Altíssimo, são idôneas. Cultivam o jardim e nos cultivam juntos. Quanto maior o nosso cuidado com elas, mais nos ensinam o amor.

   Ou alguém ainda tem dúvida de que, se, realmente, existe amor, foi com elas que aprendermos? Desde as orações de Eva pelos meninos que nasciam: Senhor, ensina-os a amar, devia orar assim. E certamente os ensinou a assim proceder. Abel acolheu e aprendeu.

   Homens, somente somos, e grandes, se quisermos ser, amando-as. Alguém disse, lá atrás, que, somente a partir de Enos, netinho de Eva, por causa da abrupta morte de Abel, seu tio, foi que se começou a invocar o nome do Senhor.

  Enganou-se quem disse, porque a primeira mulher sempre invocou o nome do Senhor. E talvez, muito talvez, mais do que o marido. Não cessemos de aprender com elas.

   Lembremos do Salmo 32, nada gentil conosco todos: "Não sejamos como cavalo ou mula, carentes de freios, senão não se deixam conduzir, não aprendem" (livre citação). E não sejam soberbas, mulheres. Basta ser como planejou Deus, mais do que sonhou Adão, uma visão real.

   Faltava você, mulher, naquele jardim. Faltavam vocês em nossa vida. Faltavam intercessoras sensíveis a invocar o nome do Senhor. Faltava alguém para nos ensinar a amar.

terça-feira, 5 de março de 2024

Páscoa na chácara 2023


 É dia de Páscoa

 
Deleite pros pequeninos: vale pelo sorriso

 
E mostram sua arte

 

 
Sorriso de mídia e conferindo os brindes

Serviço de lanchinho nota 10

Com os cânticos e a devocional

E a despedida ao final.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Alegria de um encontro

 ²⁷ "Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? Ou: Por que falas com ela?" Jo 4.

  Observe as expressões: "Neste ponto", "admiraram-se" e "todavia". Elas definem momento ("Neste ponto"), a estranheza ("admiraram-se") e a autocensura ("todavia").

  Retornamos a esse texto, também pela insistência com que, no dia a dia de nossa existência comum, esbarramos no preconceito social, na discriminação por valor menor, estes impingidos, é claro, por nós, ao outro. Como diz Rubem Alves: "As comparações são a raiz mais profunda da infelicidade humana".

   Outro é pronome indefinido. Pois o uso acima, bem entendido, significa dizer que impomos a menos valia a qualquer um e isso é tão automático quanto o texto revela que foi em relação aos discípulos.

  E Jesus, em sua pedagogia, pareceu não ter percebido, e sim contra-argumentou, resolvendo dizer que o ato dele, em diálogo com a mulher, tinha o sentido de (1) fazer a vontade do Pai, (2) recolher para o celeiro do céu mais uma preciosa vida e (3) fazia o que todos eles foram enviados a fazer.

  Donde se conclui que discriminar o outro com menos valia (1) não consta no fazer de Deus, porque (2) todos nós e os outros Ele deseja acolher em Sua colheita e ainda (3) somos, por Ele, comissionados a não nutrir preconceito ou discriminação, mas a semear e acolher.

   Não é por raça. Nem por DNA. E nem por sangue mais nobre. O único "sangue bom" foi o de Jesus. E não foi por uma gotinha 💉 de sangue que, como dizem as Escrituras:

¹⁸ "...sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, ¹⁹ mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, ²⁰ conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós". 1 Pedro 1.

   Não pense que se pode ser vacinado dessa soberba racial. Identifiquemo-nos com a samaritana. Para de se achar. Em que somos superiores? Em nada.

   Foi prata ou ouro? Nem um, nem outro. Foi sangue, pelo "precioso sangue, como de cordeiro, sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo". Nem vacina. Foi transfusão.

   Então, como diz Paulo, ou seu correlato Tiago, a jactância está excluída. ²⁷ "Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída". Rm 3. E Tiago: ¹⁶ "Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna." Tg 4.
 
   Jactância é ostentação. Aqueles apóstolos, definitivamente, avaliavam-se como superiores àquela mulher. Pobre pretensão. Aos olhos de Cristo, bem, Jesus preferiu, amorosamente, pôr em destaque:

 (1) o Seu próprio ministério, que é acolher todos, (2) indicar que sempre é tempo para acolher em amor e (3) eles mesmos, imitadores de Cristo, teriam a chance de praticar esse acolhimento e esse mesmo amor.

   Só mesmo Jesus para reagir desse modo diante da ostentação, à qual Tiago denominou maligna. Não que Jesus discorde. Mas é que no contexto da história da samaritana, talvez, a alegria daquele encontro o tenha contagiado.

domingo, 3 de março de 2024

Há exortação em Cristo (?)

 "Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, ² completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. ³ Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. ⁴ Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros." Fp 2.

   A primeira anotação no texto menciona "exortação em Cristo", precedida da conjunção "se". Significa uma chamada próxima de alguém sempre perto, que representa despertamento, encorajamento, admoestação.

   Esse pessoa corresponde a Cristo? Mas que Cristo? Ou como Cristo? De que modo chega a nós essa exortação? Ou quem, a que e como nos exorta?

A. Exortação em Cristo: que Cristo?

1. O Cristo é o da experiência pessoal: sim, mas não somente. Ele fala individualmente, mas não exclusivamente. A orientação pessoal recebida, pode valer como exemplo geral a todos, mas é específica para o fiel.

2. O Cristo é o da experiência com a Bíblia: sim, mas não de exclusiva interpretação individual. Sempre que a palavra de Deus vem ao homem/mulher, é no contexto da comunidade. Por ela se conhece a instrução geral, que reforça a individual.

3. O Cristo é o da experiência com a ortodoxia ou doutrina: sim, para todos, a "disciplina da fé" ou a síntese, que referencia o grupo, que não sofre profundas alterações. Mas é como roupa velha, que somente deve ser usada, de forma restrita, a esse mesmo grupo.

B. Pensar a mesma coisa: em que sentido? Conflito da opinião própria X opinião sábia.

1. Por exemplo, da ortodoxia. O que Paulo define como "discutir opiniões" aplica-se a não gastar tempo ou energia divergindo, de modo estéril ou carnal, por opiniões mal fundamentadas ou defesa teimosa de pontos de vista particularíssimos.

   Ter sincronia, mesma percepção, o mesmo senso de valor em relação ao que provém de Cristo. 

2. Ter o mesmo amor: pode parecer fácil, porque amor somente há o verdadeiro. Ele é divino, distribuído de graça e ao alcance de qualquer um. Talvez por ser uma aspiração legítima ou desenhar um belo horizonte, seja tão cobiçado e facilmente falsificado. Já avaliamos o que se torna necessário para obter, amadurecer, vivenciar e praticar esse amor?
2.1. Conversão (arrependimento);
2.2. Fruto do Espírito (luta contra a carne);
2.3. Santificação - até a glorificação (ação da Trindade).

3. Unidos de alma: são estágios cumulativos. Ninguém se torna unido de alma sem pensar a mesma coisa e ter o mesmo amor. Refletindo sobre essas etapas, percebemos algumas coisas:
3.1. Paulo deseja que percebam somente ser possível alcançar coletivamente as virtudes citadas;
3.2. Não há, como igreja, outra tarefa maior, mais nobre ou urgente do que essa;
3.3. Essa busca constitui-se na construção do sentimento que corresponde ao de Cristo, pois somente Ele e nEle é possível agregar esses valores.

Paulo termina definindo o equilíbrio entre o eu e o outro. Partidarismo (rivalidade) ou vanglória (orgulho vazio) estão fora. Humildade, que ele define como pôr à frente o interesse do outro e não o (meu) nosso próprio.