sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Não siga indiferente

¹² Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho? Considerai e vede se há dor igual à minha, que veio sobre mim, com que o Senhor me afligiu no dia do furor da sua ira." Lamentações 1.

   Todos passam pelo caminho. Advirto que não devem seguir indiferentes a essa dor. Sim, porque há muitas dores. Mas uma se destaca entre todas.

  ⁴⁹ "E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, ⁵⁰ Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação". Jo 11.

   Esse acima indicado, mencionado pelo sumo sacerdote como rifado, em função de que houvesse sossego entre a turba, que queria o sangue de Cristo, é chamado por Isaías ³ "homem de dores e que sabe o que é padecer", Is 53.

   Refiro-me a essa dor, diante da qual não se deve passar indiferente.  A dor que Cristo padeceu corresponde à minha. Embora o pecado anestesie e cegue, a tristeza segundo Deus produz arrependimento.

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Co 7.

  Então enxergo minha dor. E reconheço que meu mérito seria juízo e ira de Deus. Para logo deparar a graça de Deus. No autêntico encontro com Deus nos vem esse lapso de reconhecimento.

⁴ "0u desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" Rm 2.

   A dor que era minha, indigente até ser nomeada como pecado, no meu encontro com Deus. Jesus a tomou sobre Si. Carregou dor, aflição e furor sobre Si, para inocentar e aliviar ao que crê.

     Não prossiga alheio e indiferente. Não siga anestesiado.  Conversão é circuncisão no coração, cirurgia sem anestesia. A dor de Cristo na cruz substitui a nossa própria. Isso se chama expiação. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Haja luz

 ⁶ "Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo." 2 Co 4.

   No texto acima em que, na carta 2 Co, Paulo associa às consequências da pregação do evangelho, há explícitas ações de Deus equivalentes a outras ocasiões mencionadas nas Escrituras.

  Uma delas específica, aquela em Gênesis 1, quando Deus profere, no ato da criação:
³ "Disse Deus: Haja luz; e houve luz. ⁴ E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas." Gn 1.

  O ato de "haver luz" é exclusivo da ação de Deus. Luz que se impõe às trevas, distinguindo-se dela, por sua natureza. Portanto,  o ato de Deus em resplandecer no coração de quem crê no evangelho, determina a entrada da luz e a expulsão das trevas.

  E a Pessoa de Jesus  Cristo é essencial nesse processo. Porque pela e na face de Crsito é reconhecido o lugar da glória de Deus e revelado o conhecimento dela.

  E o texto afirma que Quem resplandece nas trevas é o próprio Deus, pois não é lugar externo, fora do ser, mas no próprio coração do ser humano,  por Deus, que os criou à Sua imagem e semelhança.

²⁷ "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Gn 1.

  O trato é pessoal.  Deus não está,  como na criação,  estabelecendo uma distinção cósmica entre luz e trevas, apenas num sentido teológico ermo, remoto, distante, convencional.

  Mas se revela por meio do Filho,  em quem, sem perda, toda a Sua glória resplandece e agora, Deus em Pessoa, expulsa as trevas de onde nunca deveriam estar, de dentro do coração humano.

  O inusitado dessa ação divina agora específica é que Deus em Pessoa resplandece. A Sua Presença se dá. Não há uma lanterna cósmica celeste que foca corações em trevas e alumia.

  Mas Deus se faz presente, refletido e expresso no rosto de Cristo, onde sem falta toda a Sua glória resplandece e se torna conhecida.

  Haja luz onde antes imperavam trevas. Dentro do coração humano jamais trevas deveriam estar presentes. O caos primordial deveria ficar de fora.

   Mas entrou no coração do homem, uma vez aberto esse caminho pela desobediência a Deus. Sem obediência não existe amor.

  Rompido o vínculo com Deus, as trevas que invadiram, permanecem. Quando e onde Deus resplandece, trevas não prevalecem.

  Como define o Gênesis, trevas habitam a face do abismo. Vale trocar esaa condição, dos limites do abismo, pela iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.

  A glória de Deus, mais nítida, vívida e resplandecente do que nunca, no seu devido lugar, em Cristo, é o único antídoto e contraponto às trevas que invadiram o coração humano, manifestada pela presença em Pessoa de Deus. 

domingo, 7 de setembro de 2025

Isaías 53: sete contradições

 1. Contradição primeira: o poder não está onde pensam encontrar:

¹⁵ "...assim causará admiração às nações, e os reis fecharão a sua boca por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que não ouviram entenderão." Is 52.

  O poder de Deus reside na força do evangelho:  Rm 1:

¹⁶ "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; ¹⁷ visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

2. Contradição segunda: a beleza não reside onde costumeiramente se costuma enxergar:

¹ "Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? ² Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse." Is 53.

Na face de Cristo se enxerga a glória de Deus e a luz que resplandece em nossas trevas.

⁶ "Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo." 2 Co 4.

3. Contradição terceira: o mais desprezado tomou sobre si e todas as nossas transgressões:

³ "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. ⁴ Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. ⁵ Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." Is 53.

Numa só sentença está demrcada a maior verdade das Escrituras:

²⁵ "...o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação." Rm 4.

4. Contradição quarta: sobre o Santo, Deus fez recair toda a iniquidade que é nossa, para congregar Seu rebanho:

⁶ "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. ⁷ Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca." Is 53.

Pedro dá esse testemunho em sua carta:

²⁴ "... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. ²⁵ Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo da vossa alma." 1 Pe 2.

5. Contradição quinta:  O juízo dos homens condena o inocente, revelando toda a falência da condição humana:

⁸ "Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido. ⁹ Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca." Is 53.

Mas a ignorada justiça de Deus nos resgata da pior condição, para a qual a humanidade é mantida cega:

¹ "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; ² por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus."  Rm 5.

6. Contradição sexta: a Deus agrada e satisfaz moer o Filho e ficar satisfeito no penoso trabalho do Servo Sofredor:

¹⁰ "Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. ¹¹ Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.":Is 53.

Toda a obra do Filho no mundo foi glorificar o Pai e repartir com a Igreja essa mesma glória:

⁴ "Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; ⁵ e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo". João 17.

7. Contradição sétima: Contado entre transgressores, derramou na morte a sua alma, mas resgatou da morte a todos os que creem:

¹² "Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu." Is 53.

Todos os que  cremos estamos ressuscitados em Jesus:

⁴ "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, ⁵ e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, ⁶ e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus". Ef 2.

sábado, 6 de setembro de 2025

A retórica do pecado

   Pode-se brincar com versões. Dizendo de outro modo, usar a palavra para esconder, ao invés de revelar.

  Para ser ainda mais exato, pode-se mentir com classe (ou cinismo). A Bíblia vem na direção contrária.  Nela,  a palavra revela, denuncia, expõe.

   E diante dessa exposição,  a reação pode ser, como a do jovem rico, virar as costas e ir embora. Jesus virou marca registrada para quem, talvez,  quem sabe, a IA crie uma nova versão palatável.

  Porque o amor de Jesus requer, sem retórica, um confronto com a palavra. E dele somente sai ileso quem entender que haverá denúncia do pecado, arrependimento, perdão e dádiva de amor. Não necessariamente nessa ordem.

  Na aula sobre pecado, nas páginas iniciais do Gênesis, o cinismo de Adão, na tentativa de justificar o seu erro, ou melhor, a parte dele no erro dos dois, foi ridícula retórica.

¹² "Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi." Gênesis 3.

  A mulher foi muito mais sincera diante de Deus. Caso, realmente,  Adão tenha, um dia, se convertido, Eva o foi desde a inquirição inicial pós-queda.

¹³ "Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi." Gn 3.

  Essa é a pergunta. Diante do pecado humano, sempre vai caber essa pergunta de Deus: "Que é isto que fizeste?" A mulher reviu o que fez, volveu a si mesma e admitiu. Sem retórica.

  O homem,  covardemente, quis culpar a mulher e, indiretamente, o próprio Deus, como a dizer que, ele mesmo, não tinha nada a ver com aquilo tudo.

  Evidentemente que, para renegar o pecado, segundo as mesmas Escrituras o definem, valem muito mais sofisticadas tergiversações, permitam-me o termo.

  Ou nenhuma. Visto que escrúpulos ou respeito por elas, as Escrituras ou a Bíblia, pois equivalem-se, podem ser nenhuns. Aliás,  até quem as respeita, na hora em que peca, pode usar de retórica.

   Ou de cinismo, como Adão, ou qualquer descaso, como a grande maioria. Mas o melhor, sempre será melhor, será valer-se da sinceridade de Eva. Grande mulher, essa primeira.

  Modelo para todas e tantas outras. Esqueça a retórica do pecado. Apegue-se à lição de Eva. Sempre se lembrando de que a serpente segue enganando. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Viste bem, Jeremias

 Transição da dormência para a reprodução: o que ensina uma vara de amendoeira 

¹¹ "Veio ainda a palavra do Senhor, dizendo: Que vês tu, Jeremias? Respondi: vejo uma vara de amendoeira. ¹² Disse-me o Senhor: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir." Jr 1.

A. Em Ex 25,33 o candelabro é adornando por amendoeiras; B. Em Nm 17,8 é a vara de Arão que produz amêndoas; C. Em Ec 12,5 se chegarmos à velhice vamos tremer de medo.

Florescer da amendoeira
1. Transformações internas (fisiológicas,  bioquímicas, ecológicas). Como seriam as transformações internas no vocacionado?
2. Quebra da dormência (as gemas florais estão prontas desde o outono, ficam em dormência durante o inverno e aguardam a primavera para brotar). O que seria a quebra da dormência em nós?
3. Indução (aumento da luminosidade e da temperatura induzem o inchaço das gemas e sua brotação).
4. Os insetos vêm fecundar as flores polinizando-as assim como outras flores em outras árvores. A semente do pólen fecunda a do óvulo (descendo pelo tubo políneo) e origina o zigoto, que será o futuro fruto. Ele traz dentro a futura semente.

¹⁶ "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda." Jo 15.

1. O Pai escolheu; 2. O Pai designou; 3. O fruto para o qual o Pai designa permanece; 4. Tudo que for pedido ao Pai a fim de que frutifique será concedido.

A amendoeira que brota ensina: 1. É necessário brotar o ano inteiro; 2. Um período de dormência interno dá lugar a uma transformação; 3. Os gomos que incham e brotam na vara de Arão indicam soberania e autoridade de Deus todo o tempo; 4. Os cálices em forma de amêndoas do candelabro deles brotam e floresce luz; 5. O embranquecer da floração indica o medo e a fragilidade de quem chegar à velhice; 6. A vocação requer transformação interna intensa; 7. Somente Deus designa, envia e faz florescer fruto.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Cuidar de si e da doutrina

 ⁶ "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes." 1 Tm 4.


1. O que significa cuidar de si mesmo?
Versículos anteriores indicam o contexto: visa piedade, santidade, progresso.  Sã doutrina e santidade estão juntas.

Piedade: cuidar, agarrar firmemente, agarrar as mãos da criança com quem atravessa a rua. Amar a Cristo,  fazer seminário e pregar não é suficiente para ser pastor.

15 itens e 14 relacionados à santidade: nada é mais importante no líder do que o caráter.  Pastor profissional inexiste (Irmãos,  não somos profissionais  - Piper)

"Não são gdes talentos que Deus abençoe,  mas semelhanças com Cristo". Pastor escocês falecido aos 29 anos (1840)
Doutrina e santidade juntos.

Será usado por Deus para salvar a si e a quem te escuta. Mesmo pecador, porém lavados e santificados.

Porque salva a vc e aos que te ouvem. Somente duas opções: perseverar oi apostatar.

5 maneiras: musculaturas para a piedade: academia da alma.

1. Passar tempo ajoelhado (coração, oração) diante de Deus. Principal causa para a queda moral é negligenciar na oração (cair no privado antes de cair no público). Ter comunhão com Deus em oração.  Coração ajoelhado em oração. O principal exercício espiritual. O mais difícil exercício de se fazer.  Oração não é dever, mas prazer. É um encontro com uma Pessoa.
2. Ler mais devagar. As palavras passam pelo coração e não somente pelos olhos. Um homem feliz (Salmo 1). Meditar é mais do que ler. Mais do que uma 💊 pílula, uma bala de menta que domina o gosto. Também encontrar-se com o Senhor na palavra. Orar, ler e meditar. Palavra feito âncora para não ocorrer distração. Ler menos e meditar mais.
3. Aproveite a sua provação. Deus cuida de nossa piedade. A intenção do Senhor com a dose de dor na nossa vida. 2 Co 12,7-10. Espinho na carne. Deus torna difícil a vida por amor. Púlpito é lugar de privilégio mas perigoso por causa do orgulho, cono uma medusa mitológica. Aproveitar a provação para mortificar a carne e vivificar o espírito. Lutero: pastor é oração,  estudo  e sofrimento.
4. Cultivar boas companhias: somos vulneráveis e devemos abrir o coração a outros. 2 Co 2,12-13. Isolamento espiritual é tenebroso. Deus cuida de nossa piedade através de outras pessoas. Deus nos criou com a necessidade e a capacidade de ampliar amizades. Não é fácil ser vulnerável e honesto. O temor dos homens pode nos travar.
5. Cuide de sua piedade contemplando a Cristo. Toda a Bíblia é para restaurar em nós a imagem de Cristo. 2 Co 3,18. Como somos transformados de glória em glória? Transformação por contemplação. Como contemplar Cristo? Abraçar o evangelho não é só ortodoxia (grande tentação). Mas encontrar uma Pessoa. Robert MCCheyne "maná  e água da Rocha e esconder-se nos ferimentos de Jesus".

Autenticidade para poucos

 ²⁰ "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." Mt 18.

  Resta saber se são convertidos. Poderiam estar reunidos em nome de Jesus,  porém sem que o fossem? A expressão "em meu nome", proferida por Jesus,  autentica-lhes a fé.

  Agora então resta saber se essa reunião constitui-se igreja. A pergunta então seria se três reunidos, um deles Jesus em Pessoa, mais dois a Ele convertidos, seria igreja?

  Talvez sim ou, com certeza sim, mas uma igreja bem miúda. O que choca de frente com a mentalidade atual. Para hoje, 20, 200, 2000, bem, este último número seria garantia de reconhecimento.

  Jesus deveria dizer onde houver 2000 ou 3000 reunidos em meu nome, como diriam, oh, glória! Isso sim seria ministério bem sucedido. Que talvez não seja o caso de Jesus,  quem sabe?

   Lucas, em Atos 1,15, na primeira reunião de membros da comunidade apostólica, afirma que havia umas 120 pessoas.  Bem, não são 2 ou 3, mas não chega também a 200 ou 300.

  Alguém diria ser pouca gente mas, em respeito ao resultado do ministério do próprio Jesus, guardasse para si o comentário.

  Mas também, como lemos nas observações de João,  agora respectivamente em Jo 6,41,60,66 murmuração,  escândalo com o que Jesus dizia e desistência em continuar seguindo-o acontecia costumeiramente.

   Talvez esse mínimo esperado esteja relacionado à autenticidade do evangelho. Porque lida e entendida com mais atenção,  as Escrituras associam ao evangelho mais perdas do que ganho.

  Jesus fala em perder tudo, em perder a própria  vida, em deixar família, pai e mãe, renunciar ao mundo, enfim. Carece de se entender isso.

  Parece sentido figurado ou retórico, mas o que significa essa perda afeta profundamente a estrutura humana, seja emocional, psicológica, relacional, enfim, existencial como um todo.

  Quem adota o evangelho como cultura, moda, afeição emocional, aparato de composição da imagem pessoal, sim, terá igreja para isso, parceiros de caminhada e reforço de movimento e até avivamento.

   Mas quem o encara como morte/ressurreição em Jesus, novo nascimento, despojamento da carnalidade embutida na personalidade e revestimento milagroso de uma nova criatura, depara dificuldade.

  Mas assume junto identidade. Não será pertença a um grupo, nem denominação qualquer, a um movimento histórico de rica tradição, mas batismo do Espírito em Jesus Cristo.

  E isso individualmente. Não é vínculo de herança familiar, talvez o mais legítimo da condição humana. Mas geração divina. O evangelho postula que o legítimo convertido é por ação exclusiva de Deus.

   ²⁸ "Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. ²⁹ Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus." Romanos 2.

   Nesta advertência, Paulo Apóstolo mistura raça, religião e DNA abraâmico para esclarecer que somente pela mão de Deus ocorre, no ser humano, a cirurgia que o livra da herança humana mortal, falível e pervertida.

  É para poucos. É para um a um. Começa com cada um. E dois ou três já constitui igreja.  Talvez chegue a 20 ou 30, provavelmente 200 ou 300. Mas, mais para milhares, acima das centenas, vai ficando cada vez mais difícil manter autenticidade.