quinta-feira, 23 de julho de 2020

Oremos por maravilhas, pelas mãos de Jesus

E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?". Marcos 6,2.

     Carecemos disso. As mãos de Jesus nunca deixaram de operar maravilhas. Principalmente na vida de quem nEle crê. Os que são filhos dEle sempre e mais de perto as experimentam. 
     Algumas vezes carecemos de maravilhas que não vemos Jesus realizar. Explico. Nosso desejo não se realiza, porque, dessa vez, queremos estipular a Jesus o que desejamos que ele faça. 
    Ele é soberano. Em seu ministério terreno dependia do Pai para realizar milagres. Agora contínua a realizar, mantendo com o Pai as mesmas prioridades.
    As nossas prioridades devem ser as mesmas de Deus. O que Ele considera vital, também devemos considerar. Deus é vida, Deus é luz, Deus é amor. Devemos aspirar à vida, à  luz e ao amor de Deus. 
    Guiados pelo amor de Deus, nunca nos faltará luz e vida. Dependentes, desse modo, sempre Jesus estará operando maravilhas em nossa vida.
   Nunca vamos andar em trevas. "Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus". 
    As trevas em que Jesus andou, foi para nos dela resgatar. Não mais andamos nas trevas do medo, da falta de fé e do pecado. Nas trevas do desamor. "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz". Isaías 9,2.
     O evangelho é a maior maravilha de Jesus. Não. Não maior: não existe maior ou menor maravilha. Como se fazem maravilhas pelas mãos de Jesus! Siga o sinal da profecia.
    Jesus não realizou maravilhas alheias. Somente as que, por sua mão, em comunhão com o Pai, continua a realizar milagres. Hoje oramos. Hoje precisamos de que Jesus opere maravilhas.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Nosso menino Cavuca

    

    A gente aqui da igreja chamava de menino o Cavuca. Josibias Cavalcante Chaves. Cavuca, o apelido carinhoso.
   Chamava de menino, talvez, pelo tamanho. Mas não era só isso. A esperteza também, com os olhinhos sempre assuntando as coisas.
   Cavuca não tinha sossego no trabalho. Para o que nós o contratamos, como manda a lei, carteira assinada e tudo o mais, ele sempre fez muito mais do que o esperado.
   Nosso caseiro. Tudo muito limpinho. A grama a dois dedos do chão. Folhas que caíam, recolhidas logo. Arremates por fazer, como a cinta por cima do muro, no perímetro do terreno, era deixar com ele e descansar. 
    Material, dinheiro na conta dele, prazo de trabalho, fiscalização de tempo e qualidade, tudo com o Cavuca, sem nenhuma preocupação. Nem precisava perguntar onde era mais barato, porque ele já sabia. 
    O camarada das grades atrasou a entrega. Ele foi lá e deu prazo. Ligou, justificando os problemas que o rapaz teve. Ele mesmo deu prazo final e me avisou. Eu disse, Cavuca, sem problema, está bom, veja isso aí você mesmo. 
   Era um contador de histórias. Claro que foi um menino pirracento. Cavuca não teve só acertos em sua vida. Isso porque, nesse sentido, era igual a todo mundo.
   A Bíblia diz isso: quem fala que acerta todo o tempo está mentindo. Mas os amigos e conhecidos de Cavuca que, desde muito tempo o acompanhavam em Rio Branco, não pensaram 2 vezes em indicá-lo para a sua função entre nós da igreja. 
    Principalmente Lúcia e Jorge, amigos de longa data, garantiram que ele seria e pessoa certa. E foi muito além da expectativa de todos. E sempre mais do que um simples funcionário. Amigo. Todo o tempo Cavuca foi nosso amigo. 
    Conquistou nossas crianças e toda a vizinhança à volta também. Para isso adquirimos a chácara: para alcançar as crianças do bairro, procurando encaminhá-las nas escolhas, caminhando com Jesus. 
    E, aos domingos, quando sentávamos com elas, sentávamos támbem com o Cavuca. A gente estava estudando Atos dos Apóstolos. Explicávamos a ele como era continuação da revelação de Jesus Cristo no e por meio do evangelho. 
   Ele ouvia atento. Mesmo que fôssemos só ele, eu e a pastora, que era como ele chamava minha esposa Regina. Todo domingo esperava os quitutes extras que ela levava. Fossem umas bistecas a mais, algum doce ou o famoso bolo cuca. 
    Tínhamos que recomendar a ele que não comesse todo, de uma vez, aquele guloso! Sentado ouvindo a Bíblia, às vezes, aliás, muito frequentemente, seus olhos marejavam com lágrimas. Eu fingia que não percebia.
   Acho que, ali, ele estava absorvendo a mensagem e focando em fases da vida em que deve ter agido desse modo pirracento. E como diz a própria Bíblia, não deixamos de lhe falar toda a mensagem.
    Sejam os aspectos positivos, sejam os menos agradáveis, como quando a mensagem diz que, sem arrependimento dos pecados, não dá para caminhar com Jesus. Arrependimento e confissão de pecados é o lado mais doloroso, mas essencialmente necessário. 
      Falou dos filhos. Eu agora descobri que não falou de todos. Mas ficamos conhecendo mais da metade. E Josy, a caçulinha do primeiro casamento, representou muito bem todos os outros. 
    Já havia estado aqui com o esposo e sua filhinha. Desta vez, veio para cuidar do pai. Incansável, cuidadosa e dedicada. Os momentos mais difíceis, ela viu de perto. Irmãos da igreja dividiram com ela essa ajuda, mas ela encarou, com coragem, o principal. 
    Por isso dizemos que ela representou muito bem toda a família. A mana Alzira veio, com o esposo e o mano Josafá, de Manaus a Rio Branco, pela estrada, mais de 1.400 km, para ver Cavuca. O sobrinho Jorge veio três vezes de Rondônia, cidade vizinha a 540 km daqui.
    Não medimos esforços. Gratidão à grande amiga Regina, a Japonesinha, do Cavuca, que há muitos anos o ajuda em todas as horas, nesta e em outras enfermidades, como na época da cirurgia na vizinha Bolívia. Gratidão à Dra. Alina, cardiologista, e sua secretária Renata: competência, dedicação e diligência no cuidado com esse paciente.
    Numa das conversas que teve com a mana Alzira, os dois falaram em perdão. Esse é o principal sentimento de Deus. É fruto do amor. Não é fácil perdoar. Mas a Bíblia recomenda que, se formos perdoar, que seja como Deus perdoa. 
    Só existe esse tipo de perdão. E, para praticar, só aprendendo com Deus e praticar com a ajuda dEle. Cavuca falou em perdão. Pode até não ter tido o tempo e a oportunidade que desejou para praticar. 
   Mas também, nós ofendemos, tanto, a Deus e, consequentemente, a tantos e tantas vezes à nossa volta, que nem lembramos de todas as mágoas que nós mesmos provocamos.
   Somente Deus para nos ensinar a perdoar e a ter coragem para pedir perdão. O olhar da foto do Cavuca, acima, indica a disposição que o menino tinha para ouvir, assuntar, contar histórias e aprender sempre. 
    O "tá legal" da foto abaixo, na esperança que ele teve, Josy desejou e todos da igreja e da família pedimos a Deus para que ele saísse de mais essa, foi atendida em parte. A gente preferia o Cavuca, de novo, na rotina com que conquistou a todos nós. 
    Deus, o Pai, quis o menino assuntando com Ele, na congregação do céu. Tá legal, Altíssimo. Mas vamos seguir em frente, seguindo Jesus, na parte que nos cabe, como meninos, porque Jesus disse que, quem não se faz como criança, não vê e nem entra no reino de Deus.


terça-feira, 7 de julho de 2020

Lição 16 - Paulo em Éfeso - Atos 18,19-20,21

Paulo em Éfeso 

 
   A estada de Paulo em Éfeso, em sua 3a viagem missionária, permite-nos deduzir algumas injunções que, pelo texto de Lucas e outros textos bíblicos, incluidas outras informações históricas e de pesquisa crítica dos textos nos conduzem a reconhecer a amplitude dos resultados.
 
    Aspectos estratégicos: o início em Éfeso
    Analisando o texto de Atos 18,19-20,1, que descreve sua primeira chegada a Éfeso e sua partida, podemos elencar traços graduais da importância dessa viagem de Paulo em todos o contexto imediato e remoto do Novo Testamento.
1. Sua passagem pela cidade, At 18,19-21, no final da 2a viagem missionária, já desenha uma ação promissora, visto que sua pregação na sinagoga motivou que lhe solicitassem permanecer entre eles, o que, de imediato, não atendeu, mas comprometeu-se a retornar;
2. Nesse meio tempo, cumpriu seu périplo, rotina entre uma viagem e outra: desembarcou em Cesareia, alcançou Jerusalém, retornou à sua igreja de origem em Antioquia da Síria, sempre compartilhando seus relatórios, e voltou confirmando os irmãos, na fé, percorrendo a região frígio-gálatas, At 18,22-24, até chegar a Éfeso;
3. Em At 18,24-28, antes de propriamente o apóstolo alcançar a cidade, pela segunda vez, é narrada a chegada de Apolo, que vai se revelar um obreiro de grande envergadura, em função de seu preparo, arrojo e oratória. Destaca-se, aqui, a assistência dada pelo casal  Áquila e Priscila, que o orientaram, visto somente conhecer o batismo de João Batista. Resolvida essa questão, rumou para a Acaia, onde Paulo já estivera, e promoveu um ministério de grande efeito;
4. Pareceu haver um grupo organizado de irmãos que não tinham conhecimento da continuidade, em Jesus, do ministério e profecia de João Batista, porque Paulo, ao chegar a Éfeso, At 19,1-7, exorta um grupo de 12 homens que, crendo em Jesus, receberam o Espírito Santo, após a oração de Paulo, com os mesmos sinais de Pentecostes e da casa de Cornélio, em Cesareia;
5. Eram discípulos tardios de João Batista. A importância desse profeta, como Jesus mesmo indica em Mt 11,1-19, ele enaltece o profeta, v. 11, em função de ser, em pessoa, a transição da antiga para a nova aliança, apontando Jesus. O próprio apóstolo João indicou, em Jo 1,35-42, quando se deu, na época aprazada, essa transição de seguimento, dos discípulos de João a Jesus;
6. A seguir, Paulo passou três meses explorando sua estratégia de ensinar nas sinagogas: "falando ousadamente, dissertando e persuadindo", o que provocou a reação esperada que os judeus ssempre promoviam. Isso fez com que Paulo levasse seus discípulos para a escola de Tirano, onde permaneceu, diariamente, por 2 anos, o que provocou uma oportunidade grandiosa de expansão do reino de Deus naquela região, At 19,8-10.

     A expansão do reino em Éfeso
     O "espaço de dois anos" de Paulo, na escola de Tirano, "dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos".
    A Ásia Menor, hoje equivalente ao território da Turquia, representava na época de Paulo como que uma vitrine do Mediterrâneo. A situação geográfica estratégica e o colar de igrejas que ali se constituiu, descritas no Apocalipse pelas 7 igrejas, indica a importância desse circuito.
     Situam-se, uma das outras, em média de distância de 200 km, como de Esrmina a Pérgamo. Numa só viagem, é possível visitar Tiatira, Sardes e Filadélfia. E no outro turno, chegar a Laodiceia e a Éfeso.
    A natureza de dificuldade que Paulo vai enfrentar em Éfeso, relacionada às religiões de mistério de tradição grega. Em At 19,19, Lucas relata o resultado do ministério de Paulo na cidade, e como um grupo significativo de praticantes de "artes mágicas", por efeito de sua pregação, queimou em praça pública toda a sua biblioteca, num prejuízo de 50 mil denários.
     Essa quantia, como costuma ser calculada na Bíblia, o denário como o salário de um dia, representa o resultado de cerca de135 anos de trabalho. Avaliar o impacto disso, numa cidade em que, como veremos com detalhe, na causa que se constituiu principal para a saída rápida de Paulo, tem intrincada relação com o orgulho pessoal e corporativismo daquela sociedade e o modo como foi afetada pelo estrondoso efeito do evangelho.
   As consequências do ministério de Paulo em Éfeso podem ser avaliadas:
 (1) em função dessa conversão em massa de mágicos da cidade e do "prejuízo" configurado em denários que isso representou, mais para a mídia, em Éfeso, refletindo na própria cidade, do que a quantia monetária em si;
(2) dos "sinais extraordinários" que Deus permitiu a Paulo exercer, visto que havia uma grande sorte de falsos profetas, curandeiros e mágicos, em Éfeso, enganado o povo. Até mesmo o sinal dos filhos de Ceva, At 19,13-17, que resultou "notório a todos os habitantes de Éfeso" e, por isso, "o nome do Senhor Jesus era engrandecido";
(3) a amplidão do ministério, em termos dos 2 anos de ensinamento diário na escola de Tirano, refletido na observação de Lucas. de que "todos os que habitavam na Ásia, ouviram a palavra do Senhor Jesus". Evidente que "todos" pode ser um exagero, mas pela lavra de Lucas, representa uma imensa amplitude;
(4) e, de modo remoto, ainda sem mencionar o desfecho, a despedida que promoveu quando passou por ali perto, em At 20,17-38, a dimensão do ministério de Paulo, nesse circuito da Ásia Menor, vai se projetar nas Carta aos Efésios, que precisa ser lida no contexto das demais assim chamadas Carta da Prisão (Filipenses, Colossenses e Filemom), com mais o Evangelho de João, francamente desenvolvido no ambiente que essa visita e seus desdobramentos, em Éfeso, bem indicam;
(5) a despedida do apóstolo da cidade, At 19,21-41, deu-se não sem mais um tumulto, desta vez provocado pelo líder dos artífices de prata, que fabricavam nichos com a deusa Diana, certamente um ponto turístico de atração e ainda mais lucro para a cidade. O testemunho do "inimigo", At 19,25-27, tentou incriminar Paulo e o ajuntamento provocou uma confusão que reinou durante 2h. Não fosse a sábia intervenção de um anônimo Escrivão da Cidade, depois de gritarem nesse período de tempo "Grande é a Diana dos efésios", a lógica do escrivão desfez a multidão a Paulo, que desejava se mostrar e mediar, mas foi sabiamente impedido pelos irmãos, o próprio apóstolo se despediu, voltou à Macedônia, percorreu-a, retornou acompanhado de vários companheiros de ministério, At 20,4, e retornou, em direção à Jerusalém, para nela alcançar o Pentecostes, At 20,16, é que vai se encontrar, novamente, com os irmãos em Éfeso, At 20, 1-16.

       Conclusão
      Vários são os resultados positivos e a amplitude do ministério de Paulo em Éfeso:
1. O circuito das cidades que aparecem no Apocalipse, ali indicadas por João, certamente foram permanentemente influenciadas pelo ministério de Paulo em Éfeso. O fato de constarem como as sete igrejas simbólicas do Apocalipse significa que, de certo modo, guardavam entre si conexão;
2. O próprio destaque que a igreja de Éfeso apresenta, em sua descrição, no Apocalipse, assim como na carta que Paulo escreve, em função se sua própria temática, essencialmente eclesiológica e proclamando e mesma ênfase de salvação a judeus e gentios, e caso seja também lida Colossenses, a ênfase da cristologia, reafirmando a doutrina de Cristo frente a ideias gnósticas, destaca p ambiente de religiões mágicas e de mistério tão comuns em Éfeso e, certamente, nesse circuito de igrejas;
3. A tradição situa João apóstolo com alguém especialista na contestação das religiões gregas herméticas, em função do Evangelho de João e seu modo de apresentar Jesus, como o Logos de Deus, além de sua terminologia, nos modos de indicar a ação do Espírito Santo no crente, a noção de novo nascimento, a significação bíblica do batismo em água, a afirmação de Jesus como luz, de mesma natureza de Deus ser luz, enfim, as abordagens de João em seu Evangelho fracamente reafirmar todo o contexto que Paulo vivenciou em Éfeso;
4. Deparamos os efeitos contínuos de um ministério bem vivido, experimentado e demarcado, de modo a atender o tempo e momento de sua atuação, assim como se projetar para o futuro, incluída a atividade por escrito do Espírito Santo, atuando nos autores do texto bíblico, promovendo a inspiração do texto de modo a avançar até os nossos dias. Assim percebemos como as Escrituras têm um contexto definido de composição que se configura no tempo e, segundo a providencia de Deus, projeta-se para o futuro.
   

terça-feira, 30 de junho de 2020

3a viagem missionária
       
      Introdução 
      Já comentamos aqui a abrangência das viagens de Paulo. Lucas nos dá um esboço geral, porém deixando um periferia, por assim dizer, de informações, fazendo-nos vislumbrar uma atividade bem maior do apóstolo.
     E também concedendo oportunidade de compararmos informações nas cartas escritas às igrejas, com aquelas que estão registradas pelo médico amado, Cl 4,14.
    Neste final da segunda viagem missionária, quando mais uma pressão das intrigas dos judeus fez Paulo sair às pressas, de Corinto para Éfeso, podemos constatar o modo como as formações dos Atos dos Apóstolos encontram eco nas epístolas paulinas.

       De Corinto a Éfeso 
     Em sua carta 1 Co 2,1-5, "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.
Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,
para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus", em função das circunstâncias que o afligiam, nesse final da 2a viagem missionária, ele pôde descrever, de modo preciso, como o evangelho é testemunhado no poder do Espírito:
1. Paulo esteve entre os coríntios anunciando o testemunho de Deus (como em Listra, At 14,17, já dissera aos moradores da cidade), v. 1a;
2. Não se anuncia o evangelho, que é o testemunho de Deus, com ostentação de palavra ou de sabedoria, v. 1b;
3. O conteúdo do evangelho é, como nessa mesma carta Paulo elucida, a "mensagem da cruz": nada saber, senão a Jesus crucificado, v. 2;
4. Paulo esclarece, agora, sobre a natureza da pregação, que não é linguagem persuasiva de sabedoria (marketing puramente humano): o que a pregação não é;
5. Mas a pregação é "demonstração do Espírito e de poder" (Rm 1,16, o evangelho é o "poder de Deus"): o que a pregação é;
6. A fé não se apoia em sabedoria humana, v.5a;
7. A fé se apoia no poder de Deus, v. 5b.

      Este testemunho de Paulo, acerca das circunstâncias de sua chegada a Corinto, confere com o que lemos em At 18,6.9-10.12-13. Contra todos esses obstáculos, Paulo ainda permaneceu por 1 ano e 1/2 em Corinto, At 18,11, até que se despedisse dos irmãos, navegando para Antioquia, na Síria, porém passando por Éfeso, onde não vai se demorar, porém deixará uma promessa de retorno, programada para a 3a viagem missionária.
    Bênção maior, também, como ocorrera em Derbe, onde havia encontrado Timóteo, At 16,1-3, início da 2a jornada missionária, foi desta vez encontrar Áquila e Priscila, companheiros de evangelho e de mesma arte na profissão, At 18,1-3. Paulo vai tomar consigo o casal, certamente reconhecendo o potencial que têm, ensaiva-se uma grande parceria de muitos frutos para o reino de Deus. 
     Assim como a troca de Barnabé-Saulo para Paulo-Barnabé, desta vez Áquila-Priscla vão se tornar Priscila-Áquila, definitivamente comprovando que, para Deus, não há distinção entre homem e mulher, no desempenho das tarefas do reino: At 18,26; Gn 1,27; Gl 3,28-29.
    Essa dupla, esse casal são de extrema cumplicidade no ministério de Paulo e se desdobram no serviço do reino, com toda a dedicação. As principais características de Priscila e Áquila são:
1. Companheiros oportunos de Paulo, cristãos de Roma, que certamente compartilharam com o apóstolo a realidade do evangelho na capital do mundo, Roma, porque Paulo escreveu sua carta àqueles irmãos sem nunca ter antes estado lá:  At 18,1-4 e Rm 1,8-14;
2. A companhia deles com Paulo nas pregações na sinagoga em Corinto, assim como o fato de estar morando juntos, certamente permitiu que mutuamente se fortalecessem na fé, Em 16,3, assim como repartissem, entre si, os dons que receberam do Espírito. A indicação dessa mutualidade se expressou na qualidade de preceptores de Apolo, em Éfeso, At 18,24-28, já na 3a viagem missionária;
3. O fato de passar a serem designados com o nome da esposa precedendo o do marido indica a natural prioridade que foi dada a ela. O caráter impositivo da superioridade do homem não é compatível com a tradição bíblica e, no contexto da igreja e do reino de Deus não há prioridades de um ou uma sobre o outro ou outra. Lembrar Fp 2,3, "cada um(a) o(a) outro(a) superior a si mesmo(a)";
4. Tinham uma igreja em sua casa, 1 Co 16,19, o que constitui num desafio. Encontrar igrejas prontas onde, às vezes, ainda que imperceptivelmente, por força do ego, alguém deseja exercer ministérios, pode privar uma cidade da urgência em reunir os que Deus deseja alcançar, como mesmo em Corinto, Deus revelou a Paulo, At 18,9-10. No presente secularismo, a reação à fé tem até intimidado os próprios crentes, Lc 18,8. A disponibilidade para servir a Deus em seu reino deve ser permanente.

       Em Éfeso 
     Paulo havia passado por essa cidade ao final da 2a viagem missionária. Deixara ali seus mais recentes amigos, o casal Priscila e Áquila. Houve insistência que ali permanecesse, mas o apóstolo se comprometeu a retornar em breve, At 18,19-21.
     Como era seu costume, foi a Jerusalém, a igreja-mãe, assim como esteve em sua igreja de origem, Antioquia. Pela terceira vez, Lucas menciona o ministério de Paulo na Galácia e Frígia, onde o foco do problema que provocou o 1o Concílio em Jerusalém e a escrita da carta aos Gálatas foi mais problemático.
     Enquanto o apóstolo faz esse tour missionário, confirmando os irmãos, At 18,23, chega a Éfeso e lá encontra o casal amigo de Paulo um judeu de Alexandria chamado Apolo. Bem, judeu se chamar Apolo, nome de deus grego, já era exceção, embora sua origem, Alexandria, a capital intelectual do mundo daquela época, mais ou menos explique.
    Não conhecia o batismo de Jesus, havia como que parado no tempo. Embora isso fosse indicação de fé, era necessário avançar, para que compreendesse que a profecia de João Batista, o único profeta a apontar e enxergar Jesus fisicamente, sua profecia havia se cumprido. 
    Áquila e Priscila se encarregaram de lhe suprir esse lapso.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Lição 13 - Passa a Macedônia e ajuda-nos - At 16,6-18,28

Passa à Macedônia e ajuda-nos.
     Após Paulo passar pelos lugares que havia percorrido em sua 1a viagem missionária, At 16,1-5, mostrando as decisões do Concílio de Jerusalém e confirmando na fé aqueles irmãos, o apóstolo defronta uma tumultuada escolha, como opção para a continuidade daquela que ficou conhecida como 2a viagem missionária.
     A chamada "visão de Trôade", At 16,6-10 representou, para Paulo, Silas e Timóteo a definição do circuito que deveriam cobrir para cumprir sua viagem missionária. Abortaram, às duras penas, quatro opções de escolha. 
     A primeira lição a destacar era a sede por missões. Assinavam encontrar um rumo definido. Percorreram Frígia e Galácia, tentaram Ásia, Mídia a Bitínia. E muito curioso anotar que foram opções descartadas, porque o Espírito Santo impedia, para vejam só. 
    Até que, à noite, sonho ou visão, um varão macedônio, que para alguns poderia ser o próprio Lucas, que assim se introduz na narrativa, com o indicativo "nós", a partir de então, navegam os quatro em direção à essa região. Aqui a segunda lição: o Espírito Santo, que já vocacionou os missionários, indica as prioridades de escolha. 
      De Filipos, considerada a primeira, como destaque, e colônia romana, entrada do Distrito, até Corinto, Paulo cobre a espinha dorsal da antiga Grécia, ponteando as cidades que, posteriormente, vão render seu grupo principal de epístolas a serem escritas.
    
1. 2a viagem e suas lições iniciais 

1.1. O pronto de partida foi uma "tal desavença", At 15,39. Lucas não detalha. É econômico nos qualitativos em seus livros. Mas o advérbio de intensidade "tal" define que não foi de pouca monta esse desentendimento. Levando em conta a dimensão do iriam realizar, porque a proposta foi de Paulo a Barnabé, At 15,36: "Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam", um obstáculo como esse, que provocou o desmantelamento da dupla Paulo-Barnabé, independente dos argumentos de um ou de outro, não deveriam se opor à grandiosidade da tarefa. Mas Barnabé continuou sendo Barnabé: ficou do lado de quem foi rejeitado, em que (muito) pesasse sua comunhão com Paulo: princípios são princípios. E Paulo seguiu com Silas, que era considerado, pela igreja em Antioquia, profeta, At 15,32 que, juntamente com Judas, desde Jerusalém, acompanhavam Paulo e Barnabé, trazendo a Antioquia a decisão do 1o Concílio de Jerusalém, At 15,22-34.
1.2. Sede por missões: o Salmo 42 fala de sede de Deus. Há um específico nessa sede. Por exemplo, quando Jesus se refere à mulher samaritana, define o tipo de "água da vida" que somente ele, Jesus, tem. Missões é para saciar a sede de Deus. E somente Jesus tem essa água. E, pelo que ensinou aos apóstolos que, simuladamente, censuravam Jesus porque dava atenção a uma (1) mulher, (2) samaritana e (3) de reputação duvidosa, o Mestre afirmou: "Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa", Jo 4,35. Portanto, missões (1) sacia a sede de Deus, (2) somente Jesus tem essa "água da vida" e (3) é ministério específico da igreja.
1.3. Como já disse Jesus, no texto acima, é necessário enxergar os campos da ceifa do Senhor. Basta altear a vista. E o mesmo Espírito que selecionava os que vão seguir para missões, At 13,1-3, aponta para as prioridades e as confirma, At 16,6-10. A igreja, em seu contexto, produz os vocacionados, envia, sustenta em todos os sentidos e acolhe os frutos, At 14,27-28.
1.4. Toda a igreja deve sempre estar preparada para missões. A igreja não "faz missões". A igreja "é missões". De si mesma, relacionado a sua identidade ela é missionária. Porque Deus é missionário. "Quem há de ir por nós?". "Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas". "Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos". "Se anuncio o evangelho, não tenho de que me glóriar, pois sobre mim para essa obrigação: aí de mim se não pregar o evangelho". "Rogai ao Senhor da seara, para que enviei trabalhadores a sua seara". Enfim, quanta lauda e quanto clamor há nas Escrituras pela necessidade e pelo prazer de proclamar o evangelho.
1.5. A igreja de Antioquia da Síria era modelo de missões: "Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram". At 13,1-3.
1.5.1. Havia um permanente ministério pronto para todo o tipo de serviço relacionado a todas as responsabilidade de uma igreja: "Havia profetas e mestres", citados nominalmente, gente preparada, em todos os sentidos, e disponível para missões;
1.5.2. "Servindo eles ao Senhor e jejuando". Para eles, tanto servir, como jejuar, no amplo sentido que essas duas ações significam, permitiu que entendessem E atendessem ao chamado, à vocação do Espírito Santo. Isso significa que oravam, estudavam, planejavam, liam as Escrituras, pregavam, ensinavam, terminavam, praticavam missões. O chamado do Espírito não significa mágica ou magia, mas preparo, habitação e consciência.
1.5.3. "Separai-me, jejuando, orando, impondo mãos, despediram": assumiram missões em todos os sentidos. Eram solteiros os que iam? Que sustento? Qual se futuro? Fariam tendas, como Paulo, ao mesmo tempo em que pregavam? Quais os imprevistos? E as emergências? Plano de saúde e odontológico? Previdência social? Aluguel e moradia dignos?

     Enviaram os melhores. Paulo e seu mentor no início da conversão, Barnabé, que era escolado desde o início das obras da igreja. Era voluntário com a sua própria vida. Uma dupla imbatível, com uma identidade e uma dívida de comunhão e fraternidade que eram exemplos na história recente da igreja. Essa era a força e a ponta de lança de início do ministério de Paulo. Lucas concentrou-se no que Paulo, Silas e Timóteo irão produzir. Mas, com certeza, a outra vertente, com Barnabé e João Marcos, muitos outros frutos produziu, At 15,39: "Então, Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre".
      
2.    2a viagem missionária em flashes

       2.1. Filipos:
     Colônia romana, uma Rom em miniatura, naquele distrito, nem sinagoga era permitido construir. Paulo desceu à beira do rio Gangites, onde havia um grupo de mulheres que ali se reunia. Lídia, comerciante de tecidos, de Tiatira, ouviu o evangelho: "o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia", At 16,14. Paulo passou a se hospedar na casa dela, com Silas, Timóteo e Lucas, e pregava no lugar de oração, beira rio, diariamente. Uma moça, que se revelou oprimida por demônios, os acompanhava, enunciando elogios: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação", At 16,17, até que Paulo achasse que bastava, e repreendeu o espírito: "Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora, saiu", At 16,18. Como era articulada a manipuladores da fé alheia, que a usavam para adivinhações, acusaram injustamente Paulo e Silas de desmerecer os costumes romanos: "Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade,
propagando costumes que não podemos receber, nem praticar, porque somos romanos", At16,20-21. Os apóstolos foram açoitados e presos. Mas, como José do Egito, ainda que feridos, testemunharam na prisão. E como com Pedro, um terremoto localizado, destrancou as celas. O carcereiro, achando que haveria fuga em massa, queria suicidar-se. A palavra de ordem de Paulo o impediu, levou os prisioneiros para a sua casa, fez-lhes curativos, converteram-se ele e sua família, sendo batizados. Os pretores, dia seguinte, tiveram que, pessoalmente, retratar-se com Paulo, cidadão tornando sem julgamento açoitado no coração de uma colônia romana. Os que o açoitaram, não fosse o espírito de perdão do apóstolo, do mesmo modo seriam punidos.

    2.2. Tessalônica 
   Havia sinagoga. Prioridade estratégica de Paulo. Três sábados seguidos argumentou sobre as Escrituras, anunciando o evangelho: a) arrazoou; b) expôs; c) demonstrou, sempre baseado nas Escrituras. Anunciava o kerigma: necessidade primordial da morte e ressureição de Jesus: "...ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio", At 17,3 . E o resultado: "Alguns deles foram persuadidos e unidos a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres" At 17,4. E a oposição: "Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade e, assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para o meio do povo", At 17,5. O argumento com que tumultuaram toda a cidade era dizer que Paulo e Silas proclamavam um outro rei, Jesus, no lugar de César, epônimo do Imperador Romano. Durante a noite, então, os irmãos os conduziram a Bereia.

      2.3. Bereia
     Mesma estratégia da sinagoga. Mas com um diferencial que, até com o comedimento de Lucas, não passou despercebido e não deixou de anotar: "Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.
Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens", At 17,11-12. Paulo usa em Tessalônica toda a força de seu argumento para convencer, enquanto que em Bereia, certamente, foi mais solicitado a responder a inquirição dos bereanos. E olhem que, ao escrever sua 1a carta aos Tessalonicenses, indica o surpreendente resultado que sua ação missionária teve naquela cidade: "...porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós. Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma; pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro
e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura. 1 Ts 1,5-10. A escolha da Macedônia, sob direção do Espírito, concede um laboratório de missões rico em frutos permanentes. A intriga dos judeus os alcança, a estratégia é que Lucas e Paulo avancem até Atenas e Silas e Timóteo prossigam, ali, confirmando os irmãos: "Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que a palavra de Deus era anunciada por Paulo também em Bereia, foram lá excitar e perturbar o povo.
Então, os irmãos promoveram, sem detença, a partida de Paulo para os lados do mar. Porém Silas e Timóteo continuaram ali", At 17,13-14.
    
    2.4. Atenas 
    Há muito tempo atrás a época áurea da Grécia e de Atenas haviam passado. Considerada berço da cultura ocidental e da democracia, por sua importância da Grécia antiga. Nesse tempo, estava ocupada pelos romanos e ainda tinha muito de seu orgulho antigo. E agora, chegando a esse símbolo vivo da civilização, Paulo vai plantar, no espaço do areópago ateniense, o ponto principal da fé, que é a ressurreição de Jesus. Tendo ido à sinagoga, sua pregação despertou interesse  entre judeus, gentios e até entre filósofos epicureus e estóicos, At 17,15-21, que quiseram ouvi-lo no principal centro de mídia da cidade. Podemos nos deleitar com a exposição de Paulo, devedores ao cuidado com que Lucas registrou sua pregação naquele dia. Vamos aplicar o mesmo método padrão simplificado: 1. Introdução, At 17,22-23; 2. Argumentação ou corpo do sermão, At 17,24-29; 3. Conclusão, At 17,30-31. Alguns que comentam esse sermão, costumam afirmar que Paulo, impressionado pelo auditório, foi rebuscado em sua oratória. Mas assim não entendemos, ao contrário, lançou não do recurso de contextualização logo na introdução, expôs sua tese, na argumentação, que foi falar dos atributos de Deus, o "ilustre desconhecido" para os atenienses e gregos em geral, e focou o ponto central da fé, que é a ressureição. Emvira um grupo o tenha interrompido, o resultado configurou-se na conversão de um grupo de pessoas, entre as quais Dionísio e Damaris: "Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, outros mais", At 17,34.

     2.5. Corinto 
    Paulo chega a Corinto exaurido. Somente sabemos disso, não pôr Lucas, mas por uma anotação dele mesmo em 1 Co 2,1-5: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus". Tanto é assim que, numa visão, ele é estimulado a permanecer na cidade e fica por uma prazo de 1,5 ano: At 18,9-11. Ao chegar, é animado por encontrar Áquila e Priscila, com quem se hospeda e trabalha, At 18,1-3. A estratégia da sinagoga foi a mesma, a reação dos judeus violenta, chegando a espancar o principal da sinagoga em frente ao tribunal que, sob Gálio, o procônsul romano, ao invés de condenar Paulo, reprovou os judeus, At 18,12-17. O apóstolo ainda ficou um tempo na cidade, mas se deslocou até Éfeso, levando os novos companheiros, o casal amigo, com os demais companheiros. Constatou em Éfeso um lugar propício para a pregação do evangelho e saiu dela prometendo retornar na sua 3a viagem missionária, At 18,18-22.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Viagens missionárias de Paulo

      Paulo mesmo disse, na 2 Co 1,17-19, que não há "sim/não" nas decisões missionárias, porque o próprio Jesus não é "sim/não". Missões, o papel primordial da igreja, requer critérios de (1) identidade original dessa tarefa, (2) utilização de recursos, a partir de amplo aprendizado e (3) efetivo esforço, como resultado de um respaldo bem planejado. At 16,6-9.

1a viagem missionária

      Conhecemos do tour missionário do apóstolo Paulo devido ao registro minucioso de Lucas. O próprio Paulo estabelece que suas decisões por viagens são estritamente definidas em oração.
     Daí termos certeza de que, em todo o tempo, seu esforço missionário não foi aleatório e representou, com exatidão, o mandado de Jesus.
     A  igreja é missionária todo o tempo. Há variadas modalidades desse desafio. Paulo, que liderava a oposição ao mandado de "Ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda a criatura", tornou-se o líder de primeiro esforço missionário em larga escala.
     Paulo realizou diversas viagens. As cartas que escreveu indicam outros turnos. O próprio livro de Atos também, sem pormenorizar as atividades do apóstolo. Sua provável viagem à Espanha, também, seria uma jornada não detalhada de sua atividade.
     Vamos abordar aqui as denominadas três viagens, selecionando tópicos que as representam. Assim, conheceremos, em linhas gerais, a prática missionária de Paulo e aprenderemos com a ação e estratégia do apóstolo.
     Já abordamos seu primeiro sermão na sinagoga em Antioquia da Pisídia. Vinha de atravessar a ilha de Chipre, onde aportou em Salamina, pregado nas sinagigas judaicas e atravessado a ilha até Pafos, At 13,5-6, onde ocorreu um fato inusitado, v. 5-12.
    Parecido com o caso de Simão, em Samaria, At 8,9-13 e 18-25, que vendo os sinais que Deus concedeu a Felipe operar, quis usurpar o que, para ele, era mágica.
    Barjesus ou Elimas, já apontado por Lucas como "falso profeta", At 13,6, atrapalhava ao procônsul romano Sérgio Paulo ouvir o evangelho. Paulo repreendeu-o e, em função disso, ficou cego, andando à volta procurando ajuda.
    Destaque para a variedade de sinagogas que havia na ilha, assim pela conversão de uma autoridade romana, certamente de livre curso entre os judeus. Lembrar que estamos fora de território judaico.
     E que posteriormente, em sua carta a Tito, Paulo vai mencionar que esse foi o lugar onde deixou esse seu companheiro, Tt 1,5, para que "pusesse em ordem as coisas restantes" e "em casa cidade constituísse presbíteros".
    Essa recomendação indica o modo como, nessa ilha, o evangelho se consolidou. Um dado não muito positivo, pelo efeito que ocorrerá no futuro, de que Lucas não detalha as causas, foi o retorno a Jerusalém do segundo companheiro de viagem de Paulo, João Marcos, At 13,13.
     Já falamos do sermão em Antioquia da Pisídia. Os efeitos foram tão positivos, que Paulo e Barnabé foram convidados a retornar à sinagoga, At 13,42-43. Mas começam as intrigas dos judeus e Paulo, antes perseguidor, começa a ser perseguido, At 13,44-45.
    Paulo destaca que sua ênfase era primeiro os judeus, mas que sua rejeição abria caminho à conversão dos gentios, v. 46-47. Pois estes se convertem e passaram a pregar o evangelho por toda a região, v. 48-49, que era fronteira com a Anatólia e Galácia, hoje litoral do mar Mediterrâneo na Turquia.
     A pressão e intriga dos judeus, At 13,50-51, empurram Paulo e Barnabé a Icônio, porém discípulos convertidos ficam confirmados em Antioquia, v. 52. Hoje ela se chama Cônia, sendo a capital da maior província da Turquia, que tem o mesmo nome, At 14,1-7.
     Nela, novamente, o evangelho se expandiu, com judeus e gregos crendo em Jesus, 14,1, mas novamente houve intriga, v. 2. Sem que se intimidassem, falaram ainda com mais ousadia, também confirmada a sua palavra com sinais e prodígios, v. 3, mais conversões houve e recrudesceu a perseguição.
     Sob ameaça de apedrejamento, retiraram-se para Listra, próxima a Derbe onde, mais para diante, em sua segunda viagem missionária, Paulo vai encontrar aquele que se tornará seu principal colaborador. E são essas também as congregações às quais se dirige, quando escreve aos Gálatas.
      Esses judeus que conspiram contra Paulo vão pressionar, de tal forma, as comunidades de irmãos, que vão tentar induzi-las a entrar para o judaísmo, para só então ser "salvos". Serão denominados "judaizantes".
     A carta aos Gálatas é escrita, de um fôlego e em caráter de emergência, para frisar que a salvação não dependia da guarda dos mandamentos, mas unicamente da fé. Nos vemos diante da providência de Deus.
     Porque toda essa dificuldade e pressão que Paulo enfrenta nessa sua primeira viagem, como as dificuldades que vão ficar para trás e a problemática que se configurou para o futuro, em conjunto, geraram uma das mais claras, diretas e inéditas das cartas do apóstolo, defendendo a autonomia do evangelho, sua autenticidade e exclusividade na obra de salvação .
     Em Listra, At 14,28, os assim chamados apóstolos Barnabé e Saulo, em At 13,7, e agora Paulo e Barnabé, 13,50 e outros, nessa cidade são chamados, Júpiter (Barnabé) e Mercúrio (Paulo), v. 12. Assim como em Perge havia o culto a Ártemis, Lua, deusa da caça, em Lsitra havia um templo a Júpiter, o Zeus grego, pai de todos os deuses, v. 13.
     Tudo isso porque Paulo e Barnabé, v. 8-11, como Pedro e João, à porta Formosa do Templo de Jerusalém, At 3,1-9, pelo poder de Jesus, curaram um paralítico de nascença. A cidade afluiu, trazendo oferendas de suas casas, julgando serem deuses esses dois apóstolos, v. 11-13.
     Foi mais uma oportunidade para Paulo e Barnabé indicarem que não havia mágica ou misticismo, mas era o poder de Deus. E não fizeram seções de cura para os moradores da cidade, porque não é essa a tarefa e missão da igreja, mas apontaram a salvação em Jesus.
     "Porém os judeus", v. 19, mais esta vez, vindos nos rastro da atividade deles, a partir de Antioquia e Icônio, desta vez o apedrejaram. E foi tão enfático o que fizeram, que o arrastaram como morto, para fora da cidade. Certamente houve um milagre, ainda que imperceptível, v. 20.
     Dia seguinte seguiram para Derbe, v. 20, e muitos ali se converteram, v. 21, indicando a dupla o tour de retorno, revisitando os crentes a cada cidade, 14,21-24. A partir de Perge, novamente, desta vez no porto de Atália, seguem por mar para Antioquia, desta vez da Síria, a igreja que os enviou, v. 25-28.

2a viagem missionária

    O intervalo entre a primeira e a segunda viagem de Paulo, em Atos 15,1-41, está preenchido com o denominado 1o Concílio da igreja, em Jerusalém. O que os levou a se reunirem foi o problema que se configurou no contexto das cidades dessa 1a viagem missionária, especificamente na região da Galácia.
     A carta a essas igrejas aqui mencionadas, que envolvem as cidades de Icônio, Derbe  e Listra, apresenta e combate a heresia da falsa necessidade do crente judaizar-se, de modo a garantir sua salvação, At 15,1-2.
     Pelo que deduzimos da leitura desses versículos, essa ideia alcançou Antioquia, onde Paulo congregava e, certamente, pelo sucesso que foi sua primeira viagem missionária e a quantidade de conversões entre os gentios.
    A decisão desse concílio alcança Antioquia, At 15,30, sendo Paulo e Barnabé seus portadores, e a todos satisfaz. Foi decisiva a palavra de Pedro, At 15,6-11, com relação a definir com clareza poder e a exclusividade do evangelho.
     Nesse meio tempo, logo após retornarem, ali mesmo na região de Antioquia, os dois companheiros permaneceram pregando o evangelho, At 15,35. Foi quando Paulo decidiu que deveriam retornar, para visitar e confirmar os crentes, pelo circuito da 1a viagem missionária.
      Barnabé decidiu formarem o mesmo grupo da vez anterior. Mas Paulo recusou aceitar novamente João Marcos em companhia deles. Lucas, sempre econômico em adjetivos, inclui um advérbio de intensidade, "tal", e classifica como "desavença" o que ocorreu entre os inseparáveis, até aí, amigos: At 15,37-39.
     Paulo seguiu com Silas, junto com Judas chamado profeta, em Antioquia, 15,32, voltando pelas cidades da 1a viagem, mostrando aos irmãos as decisões do 1o Concílio de Jerusalém, At 16,4.
     Foi quando, em Trôade, Paulo teve a visão decisiva que o encaminha à Macedônia, At 16,6-10. Filipos, Tessalônica, Bereia, Atenas e Corinto. Esse corredor se constituiu num grande desafio, acompanhando das mesmas provações costureiras. Quando chega a Corinto, é necessário que Deus o fortaleça numa visão, indicando o ministério rico em frutos que ele teria nessa cidade, At 18,9-11, o que lhe definiu permanecer 1,5 ano pregando nessa cidade.

Conclusão
1. Igreja base: Antioquia envia Paulo. Depois de seu turno, sempre retorna a ela. A Jerusalém também sempre sobe, como foi na época do Concílio, para representar, exatamente, sua congregação de origem. Entre eles exerce ação conjunta, pois quem é enviado por uma igreja têm, como principal sintoma, nunca abandoná-la.
2. Fundamental o companheiro. Barnabé foi marcante desde a conversão. O único corajoso em ombrear com Saulo, recém-convertido. Inseparável companheiro e tão fiel a seus princípios, que optou por João Marcos quando avaliou que Paulo não tinha razão.
3. A pressão dos judeus foi em todos os sentidos: agressão contra os dois, mas também urdindo uma doutrina para considerar seria o grupo da igreja é submeter todos às exigências do judaísmo. Foi uma oportunidade sem igual para reafirmar a doutrina sadia da revelação do evangelho.
4. Em todo o percurso a ênfase foi o evangelho. Nenhum sinal ou milagre, perseguição ou resistência afastou os dois apóstolos de pegar tão somente a mensagem única de salvação.

domingo, 14 de junho de 2020

Os 10 mandamentos do Corona

1. Todos são iguais. Embora, em alguns casos, as vantagens, honesta ou desonestamente adquiridas, sejam decisivas, por mais dolorido que seja (para alguns), devemos reconhecer e praticar que todos somos iguais. 
2. Não depende dele a escolha entre o bem e o mal. Ninguém será mal ou será bom em função do vírus. A maldade tem outra origem e é, exclusivamente, inerente ao ser humano. Ainda em meio à pandemia, pode-se aprender a ser bom ou continuar sendo mal.
3. Sempre precisamos uns dos outros. O que nos atende e com o que atendemos, seria ideal compreender, que representa interdependência. Embora o egoísmo também não seja uma novidade, a solidariedade pode e deve ser simples e amplamente praticada nesse momento.
4. Raça, sexo e religião, entre outros motivos fúteis, sempre foram motivo de conflitos mortais. E ainda que velada ou explicitamente, essa briga continua. E a humanidade segue seu ciclo. Esta não é a primeira e não será a última pandemia: continua a chance do aprendizado em construir pontes e eliminar barreiras.
5. Serviço: todos deveriam compreender que esse é o principal espírito com que vale a pena viver. Ninguém deveria servir por obrigação ou obrigar outro a prestar serviço. Temos sede de uma humanidade voluntária. As chances do voluntariado estão flagrantes e clamando, por todos os lados.
6. Há serviços mais urgentes do que outros: a doença que não se instala só no paciente; o professor que precisa da destreza maior de seu colega; os alunos que devem se unir e dar prioridade aos colegas menos alcançados; os serviços obrigatórios, com seus servidores mais expostos. Solidarize-se.
7. Todos vamos mudar nossos hábitos. A roda à porta de casa, nos bares e na casa de amigos; o futebol; o shopping; a higiene atenta e obrigatória; e até igrejas: cuidado, atenção, cautela, de agora em diante, a distância regulamentar, e não o aconchego, vai prevalecer.
8. Vamos nos reiventar. Não vamos perder nossa principal característica. O jeito festeiro, o gesto do abraço, o beijinho no rosto podem ficar mais restritos. Mas vamos inventar outros modos de expressar amor.
9. Sempre é tempo de aprender a amar. Para quem avalia que Jesus foi exemplo de amor, foi ele que disse que se aprende amar, amando o inimigo. E foi Paulo, um apóstolo dele, que disse que todos já fomos (e muitos ainda são) inimigos de Deus. Nem por isso e nem por nenhum instante, Deus deixou de ser amor. Não podemos abandonar o amor.
10. Não espere que o vírus torne você mais humano: a fonte da bondade não está em nenhum vírus e nem em nenhuma pandemia. Olhemos à volta: independente de que quadrante provêm, ainda se veem espetáculos de maldade e outros de bondade. Tomara que a sua escolha seja ser bom. Exercício e oportunidade de exercer bondade não faltam.