terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Pelo menos um milagre.

    Os caras. Ele se acham. Os caras querem retirar os milagres das Escrituras. A alegação deles é que, sem eles, elas ficam mais isentas e enxutas.

   Isentas de doideiras. Sim, porque essas narrativas de milagres o século atual desmerece. Eles, os milagres, são coisas, como dizer, assim mentalidade de Idade Média.

   Afinal, estamos na era do Renascimento e vivemos os Séculos das Luzes, e que luzes! Portanto, teólogos, ora, o vocábulo (para os desavisados) quer dizer "os que estudam Deus".

   Ainda bem que existem os caras. Porque se não fossem eles, não teríamos uma ideia isenta e enxuta, para repetir os termos, sobre Deus. Esses caras são o clero da modernidade.

   Limparam a barra do clero de Idade Média. Porque esse era mítico e impositivo. Este não é mítico e sua imposição é sutil, implícita, porque são humildes, mas, sem eles, admitamos, estaríamos ainda perdidos em meio a uma mitologia cristã inautêntica.

   Portanto, teologia é como jogar tênis, pescar ou colecionar selos. Com a única diferença de que, nestas três últimas, há um objeto palpável de vocação.

   Pode-se assar ou cozinhar peixes, aprender e treinar o tênis, aliás, dizem, um esporte requintado, assim como apreciar, discorrer sobre a história dos selos, estabelecer suas conexões.

   Sobre Deus, especule-se. Sumo bem. Sumo uma porção de coisas. Mas, como dizia meu pai, sem nenhum sentido prático. Especule-se. A não ser que se suponha a capacidade única desse ser divino encetar um único milagre.

   Qual seria? Gerar, em Cristo, filhos que, com Ele, tenham real comunhão. E das Escrituras, suportar que elas estão certas, pelo menos, quando afirmam que tal geração de filhos decorre do batismo na morte e ressurreição de Jesus.

   Caso o século atual suporte, pelo menos, a descrição deste milagre, qual seja, da capacidade de Deus operar em nós esse batismo no Filho que, aliás, as Escrituras atribuem ao Espírito (aqui, já não estaríamos indo longe demais, supondo Trindade?).

   Pelo menos um milagre atribuível ao Altíssimo, com a possibilidade de ter com Ele comunhão. Será que o clero da modernidade permite essa doutrina? Senão, sem nenhum sentido prático a teologia. Diletante.

   Mas a opção não é só pescar, jogar tênis ou colecionar selos. Aliás, seja teólogo, mas procure um hobby. Para não morrer entediado

sábado, 25 de fevereiro de 2023

E o Verbo se fez carne - και ο λογος σαρξ εγενετο

 Assim, retirado do contexto, esse comentário de João Apóstolo resume a história de toda a Bíblia. 

   É uma síntese histórica, filosófica e doutrinária, pelo menos. Porque se há uma história de Deus, o clímax dela foi a encarnação do Verbo.

    Filosófica, porque João saca da filosofia grega o conceito de Logos, para indicar que o que denominavam "motor imóvel" ou o princípio unificador do Universo tinha designação específica e pessoal no Antigo Testamento: Deus.

 E doutrinária, porque o que desencadeia, para diante e para trás toda a história da revelação, na Bíblia, expressão que meu pai apreciava utilizar, toda a "revelação em marcha" tem culminância na expressão dessa realidade: o Verbo se fez carne.

     Deus se fez corpo. Circunscreveu-se nos limites da existência. Todos os limites. Esvaziou-se de sua deidade. Aqui para esclarecer que, ao se tornar homem, Deus não perde Sua identidade, mas abre mão de seus atributos. 

    Como homem, passa a depender inteiramente do Pai. Costuma-se ironizar essa possibilidade, debochando da confusão entre as duas pessoas, se afinal são duas, uma ou que desdobramento é esse?

   Em sua afirmação, João está a resolver esse dilema. Deus, quem é, faz-se homem sem deixar de ser Deus. Há um só Deus, como o Antigo Testamento postula. Capaz do ato por excelência que o define. Esse é o sentido.

    Aqui a total identidade de Deus e do homem. Lucas, em sua genealogia a partir de Jesus, percorre toda a história, até indicar Adão como filho de Deus. Pois é tal identidade no homem que Deus resgata para Si quando se faz homem.

    O ser humano deixa de ser uma criação para fora de Deus, para ser criatura em comunhão com Deus. Verbo é Deus exposto. Deus revelado se mostra todo. Mas não há como o homem exigir para além disso.

    Um incidente no círculo apostólico ilustra essa expressividade do Verbo, do Logos, da Palavra de Deus. Felipe resumiu numa formulação sua perplexidade ao identificar, na antecipação de Jesus, em relação à Sua morte, o paradoxo da morte do Verbo que se fez carne. 

    Felipe pediu "mostra-nos o Pai, e isso nos basta". Ao que Jesus respondeu: "Como?!" Essa interjeição em forma interrogativa indica a estranheza de Jesus, assim como devolve a Felipe a perplexidade. 

    Jesus é a cara de Deus. Geralmente ateus negam que Deus possa ser reconhecido. Pois jamais haverá expediente para além de "o Verbo se fez carne". Deus se revelou totalmente. Para além do que está posto, não há transcendência possível. 

     Paulo Apóstolo indica como, com relação a Deus, seus atributos, poder e a própria divindade estão expressos de modo claro, ele afirma, por meio da criação. Realmente a ciência não dá conta do que aprende em relação ao que já encontrou pronto. 

      Quando o Verbo se faz carne, quando entra na história, é a síntese completa da revelação de Deus. Não só se define, dá-se a conhecer, assim como chama à comunhão. Não há mais nada além. Não há como haver. Visto que e porque, em Jesus, o Verbo se fez carne.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Sutilezas do Espírito

"Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por violência mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos." Zacarias 4:6.

    Algumas versões usam "poder" no lugar de "violência" para essa tradução. Porém, como poder, nas Escrituras, é vocábulo usado para ações de Deus, de modo geral, o uso de violência aqui estabelece a distinção essencial.

  O Espírito age por poder, mas nunca por violência. Esta é característica distintivamete humana. Daí compreender-se que, se o Espírito age, nunca será por ou com violência.

  Por vezes a violência, em nós, não aparece de forma explícita. Aliás, por mais doloroso que possa parecer, ou até despropositada a comparação, seja implícita ou explícita, é sempre violência.

   Jesus mesmo, quando, de forma didática, aborda o "Não matarás", no sermão do monte, assim chamado, indica como idênticos o assassinato, assim como a detração. O que significa dizer que a violência pode ser vista, filmada, ou apenas subentendida, perceptível.

   Impossível detração sem depreciação. Quem pratica, diminui o outro. Sutil na condição humana. Talvez seja mais próprio dizer inato à condição humana.

   Na história da tentação primordial, ou seja, nas pistas que os textos em Isaías e Ezequiel dão de que um anjo qualquer, ao inverso do Filho, tomou como usurpação o ser igual a Deus, evidente que houve esboço de violência, detração contra o Altíssimo, com frustrada tentativa de Sua depreciação.

   Típico do ser humano. Violento, explícita ou implicitamente. Ao contrário do que recomenda Paulo, como exortação de Cristo, considerar o outro superior a si mesmo. Detração é esse inverso. Depreciar, rebaixar, diminuir, pôr sobre foco ou como foco de depreciação.

   No texto de Zacarias, de propósito, o destaque é o humilde começo. Com Deus, a grandeza está no mínimo. No pequeno. Para que o poder, a graça e o efetivo resultado seja e tenha a honra de participação do Altíssimo.

   Há sutileza na ação do Espírito. Deus se esvazia de Si, para assumir, no Filho, a condição humana. O Espírito se esvazia de Si, porque tem como tarefa precípua glorificar o Filho. E este, por sua vez, sobre ele as Escrituras afirmam:

   "Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos." Marcos 10:45.

   Sutilezas do Espírito. Não por força, nem por violência. Esvaziar-se pelo outro, parece ser uma característica individual da Trindade, assim identificada. Assim como uma sugestão permanente e voluntária na ação do Espírito.
   

Impregne-se nessa cultura

 Missões: as cidades estão no coração de Deus. Faça vibrar o seu pelo dEle.

Horizonte: até onde a vista alcança.

Por todos os caminhos.

Que vão dar na Rodoviária.

Veios de todos os rios: subindo o Moa.

Hospeda e espia a terra.

Todas as vistas.

No leito do Juruá.

Namora a curva do rio.

Debruça na antiga varanda.

Caminha pelo mercado.

      Cada labirinto.    De tudo um pouco.

Muito e massa.

Breve refeição.

Conhece toda a história.

Guia um turno por ela.

Vai, mas volta pela mesma ponte.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Então é.

 "Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do Senhor", Nm 12:7,8a.

   Interessante Deus reivindicar, para Moisés, uma posição privilegiada na relação com Ele. Típico de Deus. Aliás, há tanta coisa típica de Deus. Uma delas é reivindicar, para Si, ter relação conosco.

   Não sei se a frase de Tiago, um cara contumaz no modo de falar, aquela, de que Deus não faz acepção de pessoas, se aplica a essa reivindicação de intimidade maior ou menor com Ele.

  Está parecendo, pelo texto, que sim. Como se fora implícito, "Moisés é meu chegado. Com qualquer outro, pode até enxovalhar, mas ele é meu chegado". E Josué, por exemplo, discípulo de Moisés, foi do mesmo jeito?

   E quando Jesus ora para que a comunhão desses, por quem Jesus ora, especificamente, seja a mesma que ele, Jesus, tem com o Pai e, consequentemente, o mundo todo saiba que sim, é possível ter comunhão com o Pai? Pergunto.

   Nesse texto, Deus reivindicar para Si, é uma opção dEle. Se há uma coisa em que Deus é soberano (quer dizer, há alguma coisa em que não seja?), é Sua opção em ter comunhão e tê-la com quem bem decidir.

   Queiram ou não queiram, acreditem outros ser possível ou não, escalonem ou não ser coerente, Deus não está nem aí, ou melhor, dizendo de outra forma, é para isso que Deus está aí.

  Paulo diz, permitam-me citá-lo, sim, é outro que reclama para si comunhão com Deus, ele afirma que a palavra está perto e ao alcance da boca, a palavra da fé que pregamos.

  Isso quer dizer que está ao alcance do entendimento. Alguém vai argumentar que esse negócio de comunhão com Deus é algo místico. Queiras. Chamem do que quiser. Não importa. Porque quem reivindica essa comunhão é Deus.

  Com respeito a toda a doutrina, afinal, gasta-se muito papel e conta-se, sobre ela, uma história secular. Então, merece respeito, pelo menos. O mesmo para a filosofia, assim como para a teologia, e até mesmo a ciência.

   Quanto a mim, recorro a uma cartinha de um cara chamado João que, apenas e ainda na introdução afirma: "...a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo." 1 João 1:3.

   Então, é. Resolva-se com Ele.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Eita, povo lindo!

   E nos mandamos para o Retiro. Opção muito especial. Desde uma reunião de final de culto, no domingo que antecipava o Carnaval, a turma se mobilizou.

   Aí, começou a mobilização pelo zap. O esforço para os acabamentos finais nas instalações. O esboço de programação. Os preços e as compras no supermercado.


                                                                             


  A gente tentou essa primeira experiência. Fazíamos, o que já ocorreu três vezes, com as crianças do bairro. Mas desta vez, a irmã Regina sugeriu sermos nós.

  Sim, faríamos uma escola dominical com elas, no domingo, e logo veio a ideia de subdividir, por etapas, os estudos. Nesse mesmo domingo, Isaac continuaria com Filipenses, na EBD, com os adultos.


   Ana Luísa e Cleidiane com as crianças. Tia Amanda gripou e não pôde estar. Deixa estar que, no sábado, quando iniciamos, chegados logo após o café da manhã, o pastor dirigiu o primeiro encontro com o tema do Retiro.

           
   "Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças." Cl 2:6,7.



      E nesse mesmo sábado, à tarde, adolescentes, mulheres e homens subdividiram-se para estudos em grupo, respectivamente: Deus como um ser relacional, A mulher no espelho da alma e, para os homens, Jardineiro e guerreiro na perspectiva bíblica.




   Para uma sensacional gincana, à noite, nesse mesmo dia, quando o pessoal poderia demonstrar, sim, o quanto havia retido desse primeiro estudo. Cristina e Ana Luísa como mediadoras.





   Nem precisa dizer que a equipe de apoio foi 1.000. A turma da cozinha, muito linda, preparou as refeições com destreza, carinho e muita competência. Também, havia as dicas da nutricionista.




   A irmã Lúcia era o motor dínamo da cozinha: somente saía de lá para os estudos ou para dormir. Acordava com os passarinhos, para preparar o café.

   Os bate-papos em grupo foram também ponto alto, com Raimundo descrevendo, talvez, os 20 Estados, do total de 27, por onde ele já esteve. Tivemos aula de garimpo de ouro e cassiterita. E ainda sobrou tempo para, nos intervalos, o divertidíssimo jogo-sem-nome ou taco, gato, cabra, queijo, pizza e ainda o New York King, traduzido O rei de Nova Iorque ocupassem as brechas.



   E a conversa variando de como percorrer a trasmazônica ou pescar poraquê sem levar choque. Dr João Augusto, de como, nos sertões de Manoel Urbano, arbitrou, delegado que é, casos de trocas mirabolantes de patrimônio.

   Aqui calamos, porque uma das partes tem parente conhecido. E Lucia e Cravina ensinando, aquela, o que é casa de pau a pique com paredes de barro socado e esta, casa de paxiúba, numa colocação no meio do seringal.

   Eu fiz estágio de 3h no PS do Quinari, tratamento VIP, menos de 10 min de espera, com almoço servido, e soro das 11 às 14h. Piriri. Desculpem a menção. E nunca mais duvidem da capacidade de bom atendimento do PS de nosso Município. E do chá de broto de goiaba de Bebé.


                         
   Mas sensacional foi a gincana de domingo, com todos demonstrando perícia com suas espadas e rapidez em localizar textos bíblicos. Chuva boa e demorada não atrapalhou. Noites amenas e de bom sono, ainda que em colchões improvisados. Veja pelos links:

Espada ao ar 1:

Espada ao ar 2:

Espada ao ar 3:

Espada ao ar 4:

Espada ao ar 5:

   Saldo muito positivo para essa primeira experiência. O único ponto não positivo foi a falta que você, que está lendo estas linhas, mas não pôde ir, a falta enorme que você faz.



  Mas não se preocupe. Esta experiência foi muito positiva. Vamos aperfeiçoar para a próxima. E, certamente, queremos você conosco. Eita, povo lindo!

Cânticos:


Chuva abençoada que Papai do céu mandou:

Opção de Deus

"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?" Salmos 8:3,4.

   O salmista estabelece uma comparação. Por atribuir céus, estrelas e astros obra dos dedos de Deus, não consegue avaliar que Deus e como haver interesse dEle pelo ser humano.

   "Lembrar" e "visitar" são tradução do original, mas não no seu sentido lato. E estão num paralelismo de dois membros, como é típico da poesia hebraica.

  Portanto, seu significado é próximo um do outro, complementando-se, para o sentido final. Que é o homem/mulher para que Deus os tenha em conta, estabelecendo com eles relação?

   Pois lembrar, apenas ter na memória, para Deus, não seria o caso. Mesmo porque, memórias do ser humano não seriam agradáveis ou todas elas positivas.

   E quanto a visitar, Deus não visita, Ele habita. Portanto, longe de diminuir, o Salmo, evidentemente, além de enaltecer Deus, traz o homem para o grau de importância que somente Deus lhe concedeu e para o qual somente Ele pode trazê-lo como retorno.

   Que é o homem/mulher, no sentido geral refere-se aos dois, do modo como Deus os valoriza. Ao mesmo  tempo em que o salmista admite que não valha a pena, mais ainda enaltece Deus por Sua escolha.

   Sim, Deus lembra e visita o ser humano. Sim, Deus leva em conta o ser humano e habita nele. Quando João se refere a Jesus como o Verbo de Deus e, por extensão, o próprio Deus, afirma que ele tabernaculou entre nós.

   Deus montou Sua tenda entre nós. Mais do que isto, o Novo Testamento, sumo atrevimento, o que é típico das afirmações bíblicas, indica Deus habitando em nós. E o nome disso é igreja.

   Está respondido. O salmista já tem sua resposta. Que é o homem/mulher que deles te lembres? E o filho do homem que o visites? Resposta. Deus amou, deu o Seu Filho e, por meio dEle, habita em nós.

   Por essa o salmista não esperava. Por essa, quem descrê das afirmativas da Bíblia não esperava. Opção de Deus.