O perdão é problemático. Porque para que seja, por definição, o que é, não há limite para a falta, nem tamanho ou intensidade. A cruz está posta.
Paulo aos Colossenses disse que devemos perdoar como Deus perdoa: ¹³ "...perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós." Colossenses 3.
E há somente esse tipo de perdão. Não há meios termos. A falta primordial abriu caminho para todos os outros tipos de falta. E todos nós somos possíveis e capazes de cometê-las.
Portanto, não podemos nos constituir juízes das faltas alheias. Porque se não as vemos em nós, é pela misericórdia de Deus, o único capaz de pôr freio às faltas.
Somos cúmplices de todo o pecado, a não ser que, em nós, Deus tenha operado o perdão. E, para isso, à frente vem o arrependimento. Que precisa ser sincero e verdadeiro.
¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.
O mais chocante é avaliar que qualquer falta pode ser perdoada, porque o trauma de cruz supre toda carência de justiça.
Por somente alimentar sede de vingança, principalmente diante de faltas que arbitramos as mais cruéis, evidentemente sempre atribuídas a outrem, nunca a nós mesmos.
Mas inexiste escalonamento de faltas. Pode até existir consequência mais dramática, trauma maior ou sordidez mais acentuada.
Porém todas dependem do derramar do mesmo sangue, da brutalidade da cruz, da remissão do mesmo e único sacrifício, que é exatamente o de Jesus.
É por isso que, muitas vezes, como antídoto ao desejo de vingança, expresso pelo trauma da constatação de uma falta brutal, somente vai restar o perdão.
Por mais absurdo que possa parecer, Deus antepõe (ou antepõe-Se) amor distante de desfaçatez do pecado. Isso pode soar incompreensível, exatamente por ser amor, que excede todo o entendimento.
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