Tarefa: ler todo o livro de Jonas.
Nínive, na Assíria, na época de Jonas, era capital do império e do mundo. Haviam riscado do mapa, em 722 a.C., o reino do norte de Israel, com extrema crueldade. Porque exilaram os habitantes de Samaria, a capital, e trouxeram estrangeiros que se misturaram aos restantes judeus que permaneceram na terra. Daí o preconceito contra samaritanos, nos dias de Jesus. Por isso também, será difícil convencer Jonas de que vai pregar arrependimento a ninivitas.
1. Fuga e aprendizado de Jonas
¹ "Veio
a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: ² Dispõe-te, vai à
grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.
³ Jonas se dispôs, mas para fugir da
presença do Senhor, para Társis”. Jonas 1.
Aplicação:
Em toda a vocação profética, que é modelo da vocação do cristão, há relutância.
O caso de Jonas é mais radical, porque não relutou, mas fugiu. A fuga é
condição do homem (ou mulher) sem deus. Com Jonas, Deus o desafiava a amar,
porque os assírios eram os mais odiáveis opressores da antiguidade: haviam
destruído o reino do Norte, onde Jonas profetizava. Deus queria ensinar amor a
Jonas. Sempre é necessário aprender a amar.
2.
Graus de fuga em Jonas
“...e,
tendo descido a Jope, achou um navio
que ia para Társis; pagou, pois, a sua
passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da
presença do Senhor.” Jonas 1.
Aplicação:
Jonas poderia ter desistido, numa das etapas acima: achar navio, pagar
passagem, embarcar, ir para longe da presença do Senhor. Será um processo
depressivo, até chegar ao porão do navio. Mais do que fugir de qualquer
problema, com Deus vale mais enfrentar, posicionando-se cara a cara com Deus. A
solução de deus sempre será a melhor. E o problema de Jonas era muito sério:
rejeitar ser um mensageiro de boas-novas de salvação.
3.
Esquecido de Deus
“Então,
os marinheiros, cheios de medo, clamavam cada um ao seu deus e lançavam ao mar
a carga que estava no navio, para o aliviarem do peso dela. Jonas, porém, havia descido ao porão e se
deitado; e dormia profundamente” Jonas 1.
Aplicação:
Muito estranha a condição de um profeta, no fundo de um porão, em meio a uma
brutal tempestade, dormindo profundamente, enquanto há muitos em desespero,
clamando a seus deuses. Inverteu-se aqui o papel entre aquele que tinha fé e os
que não tinham nenhuma. A condição de afastamento de Deus pode tornar até mesmo
um profeta esquecido de Deus. Jonas mergulhou dentro de si, para fugir da
tempestade interior: aprender amar a quem Deus amava e queria salvar, um povo
que ele havia decidido odiar.
4.
Testemunho ao inverso
“Chegou-se
a ele o mestre do navio e lhe disse: Que
se passa contigo? Agarrado no sono? Levanta-te,
invoca o teu deus; talvez, assim, esse deus se lembre de nós, para que não
pereçamos.” Jonas 1.
Aplicação:
Jonas era autenticamente um profeta, por escolha de Deus, com ministério e
tarefa previamente definidos. Mas estava sendo exortado por incrédulos, tão
longe tentando posicionar-se. Era para que orasse. Diferente de outras vocações
bíblicas, não houve altercações entre Jonas e Deus. Tinha um problema não
resolvido, exatamente sobre o grau de amor pelos perdidos, que é uma prioridade
em Deus. Lembramos os apóstolos no barco, em meio a outra tempestade, daquela
vez acordando outro sonolento, que era Jesus. Que diferença brutal entre o sono
de Jonas e o de Jesus!
5.
O radicalismo em Jonas.
¹²
“Respondeu-lhes: Tomai-me e lançai-me ao mar, e o mar se aquietará, porque eu sei que, por minha causa, vos
sobreveio esta grande tempestade. Jonas 1.
Aplicação:
A tempestade era mesmo específica e Jonas havia entendido isso. Mas a solução
não era a fuga extrema da morte. A fuga de Jonas tornou-se uma depressão tão
radical que ele pensou resolver dando cabo da própria vida. Mas Deus interveio,
embora ele ainda não soubesse. Não há como fugir da presença de Deus. É sempre
preferível obedecer, porque se trata de um gesto de amor. Jesus aprendeu a
obedecer, por isso permaneceu continuamente no amor do Pai. Aprendemos com
Jesus amor e obediência.
6.
Conversão no navio de Jonas
“Então, clamaram ao Senhor e disseram:
Ah! Senhor! Rogamos-te que não pereçamos por causa da vida deste homem, e não
faças cair sobre nós este sangue, quanto a nós, inocente; porque tu, Senhor, fizeste como te aprouve. E levantaram a Jonas e
o lançaram ao mar; e cessou o mar da sua fúria. ¹⁶ Temeram, pois, estes homens em extremo ao Senhor; e ofereceram
sacrifícios ao Senhor e fizeram votos”. Jonas 1.
Aplicação:
Houve conversão no navio. Os homens que clamavam, cada um ao seu Deus, agora
clamaram ao Senhor. Reconheceram a providência, mas também a disciplina de
Deus, por isso temeram o nome dEle. Ofereceram sacrifícios e fizeram votos ao
Senhor. Ainda que covarde e falho em seu testemunho, a tripulação do navio
reconheceu que o Deus de Jonas, o fujão, era Senhor da natureza e havia sido
ele que fizera retroceder a tempestade. E mais ainda devem ter se impressionado
com a sorte de Jonas.
7.
Jesus e Jonas: quando a história reproduz história
“Deparou
o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe.” Jonas
1.
Aplicação:
Quando te preguntarem se você acredita na Bíblia, que afirma ter um profeta
permanecido três dias e três noites no ventre de um peixe, replique que, mais
do nesta história, você acredita no defunto que ressuscitou no terceiro dia, e
que o nome dEle é Jesus. Acreditar (ou não) na história de Jonas, não garante a
salvação de ninguém (nem de Jonas). Mas crer em Jesus, o defunto que deixou o
túmulo na madrugada do terceiro dia, garante a mesma ressurreição dEle e nEle e
salvação eterna.
8.
A oração de Jonas
“Na minha angústia, clamei ao Senhor, e
ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz. [...] Quando, dentro de mim, desfalecia a minha
alma, eu me lembrei do Senhor; e subiu a ti a minha oração, no teu santo
templo. [...]Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence
a salvação! Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra.” Jonas
2.
Aplicação:
Em sua oração, Jonas reconhece que Deus atende na aflição, que devemos lembrar
do Senhor quando nossa alma, por alguma razão, desfalece e, no aperto, Jonas
afirma que pagará o voto que, no caso, seria atender ao chamado profético.
Ainda contrariado, viu-se vomitado numa praia e se dirigiu a Nínive. Vai
proclamar a mensagem de arrependimento, ainda sem compreender a extensão do
perdão e o amor como essencial.
9.
Avivamento na capital da Assíria
“Veio
a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas, dizendo: ² Dispõe-te, vai à grande
cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo. ³
Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor. Ora,
Nínive era cidade mui importante diante de Deus e de três dias para
percorrê-la. ⁴ Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava,
e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de
panos de saco, desde o maior até o menor.” Jonas 3.
Aplicação:
Jonas precisava aprender que não se generaliza ódio. Havia em Nínive gente de
Deus, como disse o Senhor a Paulo, em relação a Corinto, muitos anos depois. O
dilema de Jonas era tão crítico que, além de não querer pregar, talvez tenha
sido o único pregador que não se alegrou com o resultado estupendo de sua pregação.
Deus quis ensinar a seu profeta confrontando-o diretamente com esse desafio. A
escolha de Deus é mais determinante do que a nossa própria: talvez não
escolhêssemos Jonas pata profeta, mas a vocação de Deus é incondicional. A
maior lição de amor é assistir à conversão do outro, diante dos próprios olhos.
10.
A ira de Jonas diante do amor de Deus.
“Viu
Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se
arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez. Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado.” Jonas
3/4.
Aplicação:
Os sentimentos de deus não são os nossos. Aprendemos com Des a ser bons. Perdoar
como deus perdoa e amar como Deus ama é aprendizado permanente. Somos seletivos
no amor, escolhendo a quem amar, enquanto Deus ama o mundo. A voda de comunhão
com Deus é um constante aprendizado do amor. Por isso, propositalmente, deus
escolheu Jonas, a quem conhecia sobejamente, exatamente para que, diante de uma
linda história de conversão de toda uma cidade, pidesse ensinar-lhe a amar e a perdoar.
11.
O que Jonas não sabia
²
E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando
ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e
misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te
arrependes do mal.
Aplicação:
Parece que Jonas não ouvia sua própria oração. Como (des)aprendemos com a gente
mesmo. Na verdade, Jonas não sabia o que era ser clemente, misericordioso e
tardio em irar-se. Vamos sempre nos surpreender, sempre que defrontarmos o amor
de Deus. Porque Deus oferece, contra a maldade humana, em todos os sentidos,
contra o ódio humano e contra a injustiça humana o Seu amor. E vai parecer também
que não olhamos para nós mesmos. Também faltou a Jonas avaliar a si mesmo: como
alguém que foi alcançado pela misericórdia de Deus, a ponto de ser por Deus
qualificado profeta, surpreende a si mesmo cheio de ódio no coração?
12.
A lógica de Jonas e a lógica de Deus
Então,
perguntou Deus a Jonas: É razoável essa
tua ira por causa da planta? Ele respondeu: É razoável a minha ira até à morte. ¹⁰ Tornou o Senhor: Tens
compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que
numa noite nasceu e numa noite pereceu; ¹¹ e não hei de eu ter compaixão da
grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não
sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?
Jonas 4.
Aplicação:
Nossa lógica não é a lógica de Deus, porque Deus é amor. Aqui podemos lembrar o
diálogo de Jesus com o jovem rico: por que me chamas bom? Deus é bom, não somos
bons, por natureza. Jonas estava aprendendo isso com Deus. Como afirma Paulo, é
a bondade de Deus, e não a nossa, que nos conduz ao arrependimento. Aqui Jonas
quis, pela segunda vez, morre, inconformado com o amor de Deus. Termina o
livrinho de Jonas, e não sabemos se ele aprendeu. A síndrome de Jonas significa
dar mais importância ao mínimo, uma planta que murcha, do que ao máximo, a
morte de mais de 120 mil pessoas. Muito cuidado, para todos nós, não esconder
tão no íntimo uma lógica tão distorcida.
Conclusão:
É importante não distanciar Jonas como um profeta assim tão estranho. Porque o
dilema interno de sua personalidade sempre será semelhante ao nosso: qual o
grau de amor interno em nós? Sempre aprendemos amor. Sempre aprendemos bondade.
Sempre aprendemos amor e bondade com Deus. Quando Paulo recomenda que tenhamos
em nós o mesmo sentimento que houve em Jesus, é porque Jesus aprendeu com Deus,
o Pai, a ter esse sentimento. Como diz o autor de Hebreus, jesus aprendeu a obedecer
(e pelo que sofreu). Obedecer, para pecadores, é dolorido, mas para convertidos,
é difícil, porém prazeroso. Jonas foi surpreendido por não achar em si mesmo o
sentimento de Deus.
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