²³ "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; ²⁴ vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." Salmos 139.
Ora, como se Deus já não tudo isso soubesse. O salmista termina este Salmo como começa. A diferença está no caráter inicial, de afirmação, e neste final, de súplica. Afinal, que certezas tem o salmista sobre o assunto?
Começa reconhecido que Deus optou por sondar e o conhecer. Desde substância informe, no ventre de sua mãe, antes disso, Deus tudo conheceu. E o curso de vida vivida, o que falta para diante, Deus também conhece e previu.
⁶ "Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir." Salmos 139.
Pelo meio do Salmo reflete sobre o grau dessa consciência sua sobre Deus: Deus se ocupa com minha vida. Não há como me esconder. Não há trevas que me ocultem ou que ocultem Deus de mim.
Deus tem vocação por mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais, é sobremodo elevado, não o posso atingir. O que, então, dizer? Que oração fazer? Que decisões, a curto, médio ou longo prazo?
A samaritana perguntou a Jesus onde adorar? Jesus respondeu que o Pai é quem procura verdadeiros adoradores. Paulo escreveu, na surpreendente carta aos Efésios, que podemos, aliás, devemos ser imitadores de Deus.
Jesus, na oração sacerdotal, menciona que o Pai intenta repartir conosco Sua glória. E que a igreja, não a instituição, em si, histórica que seja, ou nem um local, com GPS, mas a comunhão das pessoas, será o lugar geográfico dessa benção.
Outro Salmo indica isso, o 133, uma síntese da aspiração divina em todo o Antigo Testamento, o lugar, o locus da benção. A Deus apraza a congregação. Somos refratários a ela. Em nós ainda prevalece o egoísmo.
Ansiamos por reduzir a fé à nossa mesquinha compreensão. Deus põe no meio do caminho a igreja para que, continuamente, seja destruída a vocação pelo egoísmo e aprendamos amor.
O Salmo 139 pode ser lido pela oração de Paulo, exatamente aos Efésios, pedindo que sejamos tomados de toda a plenitude de Deus. Porque Deus opta, conscientemente, por Sua vocação, e esta é o amor.
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