segunda-feira, 23 de março de 2020

Parceiros: você, mais um e Deus.

     Chame um companheiro de oração. Ela não é somente para os tempos de medo e emergências. É como respiração da vida com Deus. 
     A mais rasteira dos privilégios de acesso. Paulo Apóstolo até diz que o Espírito intercede por nós, porque não sabemos orar como convém. 

"Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis".
Romanos 8:26.

   Taí, temos até um professor. Adiante, noutra carta, esse mesmo apóstolo diz que, para além do que pedimos ou pensamos, Deus atende, porque sabe e conhece antes da gente engatinhar em oração.

"Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós,
a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!". 
Efésios 3:20,21.

    E continua dizendo que não sejamos ansiosos mas que, em tudo, sejam conhecidas, diante dEle, nossas petições.

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus
.  Filipenses 4:6,7.

     Enfim, Jesus já instruía sobre orações. Evite vãs repetições. Não é pelo muito falar, que vai ser ouvido. Cuidado com o ego: ore em secreto, se em público, evite soberba em palavras. 

"E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.
Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes". Mateus 6:5-8.

    Comece com "Pai". Mas só se também já ouviu dele "Tu és meu filho, eu hoje te gerei". Mas se não ouviu ainda, ore e chame de Pai: vai ouvir, com certeza. 

"Portanto, vós orareis assim: Pai".
Mateus 6:9.

   Um desses, Tiago, disse de outro, Elias, que este tinha uma oração poderosa. Que o que ele pedia, o Pai atendia. E o legal foi Tiago dizer que Elias foi como nós somos.

"Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.
Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu.
E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos".  
Tiago 5:16-18.

   Então, como Elias e, como Tiago falou, vamos orar. O que ele emendou foi que "muito pode por sua eficácia a súplica do justo". 

    O problema é que justo? Quantos justos? Que tal começar por eu e você? Ser justo diante de Deus, de novo, está ao alcance de uma oração. Precisamos espalhar isso.
   Mas só vai dar certo, para quem crê. Não é bem crer nisso, quer dizer, não estamos aqui falando de "pensamento positivo", "corrente de otimismo" ou o que (não) valha.
    Não. Estamos falando de fé. E não é, como dizia um velho professor meu, já falecido, não é "fé" na "fé". Não é. 
    É fé em Deus.  O justo, diante de Deus, é aquele que, ao alcance de uma oração, experimentou fé. Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de Jesus Cristo. 

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;
por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus". 
Romanos 5:1,2.

   Ao alcance de uma oração. Justos, como diz Tiago, parecem muito entre si. Deus gosta de ouvi -los. Nesta ora, está disposto a ouvir muitos. 
    Vamos orar. Elias era homem como nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, e Deus o atendeu.

Lição 3 - Pedro e o primeiro sermão - At 2,14-41

Atos 2,14-41


14. Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras.
15. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia.
16. Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel:
17. E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos;
18. até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.
19. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça.
20. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.
21. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
21. Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis;
23. sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos;
24. ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.
25. Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado.
26. Por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança,
27. porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
28. Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença.
29. Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.
30. Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono,
31. prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.
32. A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
33. Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.
34. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
35. até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.
36. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
37. Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38. Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
40. Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
41. Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.

Introdução

Pedro: o primeiro Sermão. A primeira palavra da igreja ao mundo não vai mudar, ao longo da história, em seus pontos fundamentais. A igreja é que precisa atualizar sua idoneidade, para que não tenha enfraquecido o seu testemunho. At 2,37-39.

1. Entendendo o sermão de Pedro 

      Uma das maneiras pelas quais estudar e entender o sermão de Pedro, o primeiro a ser realizado após a despedida com Jesus, no fato fundante da igreja em Pentecostes, é analisar suas partes. 

    Na (1) introdução, Pedro explícita o que desencadeou sua fala, a circunstância dos indicadores da presença e plenitude do Espírito Santo naqueles dias: 2,14-21.

   O (2) corpo do sermão, em que Pedro expõe os fatos relacionados a Jesus e a interpretação desses fatos, conteúdo este que vai se tornar, a partir de então, o insistente e permanente anúncio da igreja, At 2,22-35.

   E (3) a conclusão, a parte final que encerra e sintetiza toda a argumentação, cobrando de quem ouve um posicionamento diante da mensagem apresentada, At 2,36-40.
    
    Este sermão lança mão de um núcleo de mensagem, presença obrigatória nos demais sermões em Atos, assim como necessária em qualquer legítimo sermão afora, ao longo da história da igreja, até a volta de Jesus Cristo. 

     Que núcleo é esse? Geralmente denominado "kerigma" ou "pregação", trata-se de uma síntese da mensagem do evangelho, incluídos os pontos principais do que Jesus experimentou em sua trajetória.

     Neste sermão de Pedro, corresponde ao trecho:
"...sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela'.

     Os tópicos que definem o núcleo denominado "kerigma", referentes à obra de Cristo, são: (1) entregue para ser crucificado; (2) morto pela iniquidade e pecado humano; (3) ressuscitado pelo poder de Deus. 

       Neste sermão, nos demais sermões em Atos dos Apóstolos e, segundo pesquisadores da história do cânon do Novo Testamento, em quaisquer dos livros da coleção do cânon, estas três partes do kerigma atestam e confirmam como autênticos o testemunho desses sermões e textos canônicos, em geral, registrados nas Escrituras. 

2. As partes do sermão 

2.1. Introdução - 2,14-21: Pedro precisa responder com urgência a reação dos assistentes. Cuidado aqui. Costuma haver confusão, que é afirmar que, pelos apóstolos estarem falando "línguas estranhas", como usualmente é aceito, então as pessoas ao redor identificaram como embriaguez o seu comportamento.

      Não havia motivo para isto, porque está esclarecido que eles identificaram o que estava sendo dito, quando afirmam: "Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?", At 2,11. Estavam, pois, ouvindo sobre as "grandezas de Deus".

     Então, quando disseram "Estão embriagados", At 2,13, foi por perceber os efeitos da "tradução simultânea", ou seja, dos apóstolos falarem na línguas deles, o aramaico, e cada um ali presente ouvir na língua de sua nação de origem. Evidentemente, entre si, questionavam, cada um teimando com o outro que os ouvia em sua própria e individual língua.

     Pedro vai esclarecer, além de, desfazendo a dúvida, "Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia", At 2,15, apontar o que ocorria como cumprimento da profecia de Joel, escrita no livro de mesmo nome, nas Escruritas do Antigo Testamento, Jl 2,28-32.

      Basicamente Pedro esclarece tudo, afirmando três verdades:

 (1) o Espírito Santo está sendo "derramado", ou seja, sem contenção alguma será, pela graça de Deus e ordenação de Jesus, concedido e reconhecido a todo o que crer: "E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne", At 2,17a;

 (2) as características típicas do ministério e atividade profética estarão distribuídas a todos, indistintamente, e independente da idade que, no Antigo Tratamento, era sinal de autoridade: "...vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão", At 2,17b-18;

(3) essas características da autoridade concedida juntam-se aos sinais externos, do cosmos ao redor, aqui citados, e à contínua e intensa oportunidade de salvação para todo o que crer, enquanto durar a era e o tempo do ministério da igreja: "Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo", At 2, 19-21.

        Esta parte do sermão (1) aponta para o fato que ocorre, indicando-o como cumprimento da profecia do "derramamento do Espírito Santo, assim como (2) efetua a transição para a parte seguinte, quando diz que a época que se inicia, marcada pelo derramamento do Espírito, inaugura o tempo em que, como anunciou o profeta Joel, "todo aquele que invocar o nome do Senhor, será (no momento em que invocar) salvo".

2.2. O corpo do sermão - 2,22-35: através do vocativo "Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém", Pedro passa a: (1) apresentar Jesus como "varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais"; (2) corajosamente, apontar a responsabilidade coletiva pela entrega de Jesus, consequente violência contra ele, culminando em sua morte: "sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos"; (3) e a consequente ação de Deus, exclusiva do seu poder, porém condizente com a santidade de Jesus, "ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.

       A seguir, Pedro fará suporte bíblico, da Bíblia de seu tempo, as Escrituras do Antigo Testamento, citando salmos de Davi que confirmam profecias da ressureição. 

       Não poderia ser um argumento melhor escolhido. Porque menciona o rei Davi, herói nacional, os salmos que escreveu, denominando-o profeta. 

      O argumento principal, na forma poética da escritura de Davi, é um diálogo com Deus no qual menciona crer que sua alma não seria esquecida na morte. Porém, na continuidade da argumentação, Pedro menciona que o túmulo de Davi se encontra entre eles e que, portanto, a menção de resgate da condição de morto aplica-se a Jesus, "que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção".
   
     Trata-se do texto a seguir:

"Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado. Por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança,  porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença. Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas".

      O ponto de destaque, a que Pedro, em sua argumentação, dá maior atenção é a ressurreição de Jesus. Os apóstolos estão sob seu efeito. Em Lucas 24,13-53, na narrativa dos peregrinos a Emaús, este evangelista destaca a surpresa, o grau de importância e a urgência de se vivenciar e divulgar o poder da ressureição de Jesus.

    Este trecho descreve o diálogo de Jesus com os peregrinos, 13-24, a réplica de Jesus, remetendo-os às Escrituras, para conferir o cumprimento de suas promessas, 25-27, e a chegada à aldeia, o testemunho aos demais e a aparição e despedida de Jesus, 28-53, ponto do qual Lucas retoma sua narrativa no livro de Atos dos Apóstolos.

     A igreja precisa recuperar para si a urgência e relevância do destaque que precisa dar ao anúncio da ressureição de Jesus, bem como a experiência que tem da atuação nela desse mesmo poder exercido por Deus na ressurreição de Jesus:

"E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,
Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,
Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. Efésios 1:19-23.

2.3. Conclusão do sermão - 2,36-40: a pergunta feita pelos ouvintes, ao final da pregação do apóstolo Pedro, bem indica o efeito e poder da mensagem entregue, certamente presidida, em todas as suas partes, pela ação do Espírito Santo:
"E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?", Atos 2:37.

     Pedro já havia encerrado sua argumentação, logo após sua exposição sobre as profecias nos salmos de Davi, com as evidencias e poder de Deus, exercido na ressureição de Jesus, com a seguinte interpelação:
"Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo".
Atos 2:36.

     Agora o apóstolo coloca sobre eles a responsabilidade que é de todos, mas cobra deles uma posição, de modo implícito, na afirmação que faz. E, a partir da pergunta que lhe é feita, a parte final, que se constitui num apelo à conversão, esclarece os passos para esta e para qualquer outra autêntica conversão:
"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar". Atos 2:38,39.

      Os passos para a conversão a Jesus são: (1) arrependimento; (2) batismo, em nome de Jesus; (3) perdão dos pecados; (4) recebimento do Espírito ou o batismo com/no Espírito Santo. A seguir, cada passo assinalado por Pedro:

(1) Arrependimento: qual a sua natureza? Paulo Apóstolo explica em 2 Co 7,10:
"Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte".

      Paulo afirma aqui que o ser humano, por si mesmo, não tem condições de se "autoentristecer". Seu arrependimento, desse modo, seria forjado. Dependemos de Deus para nos fazer reconhecer o nosso pecado. Jesus, em Jo 16,8, já havia dito que esse convencimento é tarefa do Espírito Santo:
"E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo".

   Nessa ocasião, em Pentecostes, o termo "conpungiu-se-lhes" o coração significa a sensibilidade dos ouvintes à ação do Espírito Santo neles, para o arrependimento. "Pungir", metaforicamente aqui, significa "ter o coração perfurado por punhal". Isso representa neles a atuação do Espírito, o seu assumir da tristeza segundo Deus e o verdadeiro arrependimento ocorrido.

(2) Batismo em nome de Jesus: desde a irrupção do ministério de João Batista, assim apelidado, que essa cerimônia era questionada pelos judeus. Em Jo 1,19-28, está a narrativa da defesa que fez quando interpelado pelas autoridades de Jerusalém. Nesta situação, o próprio profeta define dois tipos de batismo: (1) o que ele praticava, contrariando, como levita e filho do sacerdote Zacarias, a norma dos rituais de purificação do Templo, somente aplicados aos sacerdotes e agora exposto a todos por ele; (2) e o batismo que Jesus realiza no/com o Espírito Santo, especificamente naquele que autenticamente crê, como confirmação de fé, batismo esse exclusivo e soberano, realizado unicamente por Jesus. Veja, a seguir, a fala do profeta João Batista:
"No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo [...] E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo". Jo 1,29 e 33.

    Pedro aqui se refere aos dois batismos. Quem ali, na oportunidade desse sermão entregue por Pedro se convertesse a Jesus, além de despertar a ira das autoridades judaicas, por se submeter ao batismo cristão, somente teria autenticamente sido convertido se e somente se tivesse sido batizado no Espírito por Jesus.  Daí  a menção final de Pedro: "e recebereis o dom do Espírito Santo".

(3) Perdão dos pecados: arrependimento, batismo no Espírito Santo e perdão dos pecados são atos soberanos da ação de Deus em nossa vida exercidos no momento da conversão. No versículo de 2 Co 7,10 está escrito "arrependimento para a salvação", quer dizer, arrependimento autêntico.

    Porque estão incluídos os três num só ato da soberania de Deus: arrependimento, perdão dos pecados e dom do Espírito Santo, também designado como batismo ou recebimento do Espírito Santo. O perdão do pecado está associado à autenticadade do arrependimento. É por isso que Pedro aqui o menciona: arrependimento é denominado  "tristeza segundo Deus", por ser a tristeza que Deus sente e nós não sentimos, diante do nosso pecado, mas da qual vamos privar e compartilhar com Deus no momento da conversão.

   Decorre do arrependimento, então, o perdão dos pecados, porque o preço, a dívida que tínhamos e a expiação, o esgotamento e compensação pela culpa do pecado, Jesus assumiu para Si na cruz, quando morreu pela salvação de todo o que crer. Não significa que agora se tornam "impecáveis", mas que reconheceram o grau de sua culpa, aceitando e compreendendo o ato divino único para o perdão, a morte e ressureição de Jesus, em comunhão com quem surge uma nova vida, de vitórias contínuas contra o pecado. 

(4) O dom do Espírito: a palavra aqui não é a mesma usada para indicar, em 1 Co 12, a variedade dos dons do Espírito. Lá é "karismata" e aqui é "dorean", ou seja, em 1 Co, receber um entre os dons que o Espírito Santo concede e, aqui, receber o Espírito Santo como dom de Deus. Entendido? No ato da conversão, o Espírito Santo atua para que experimentemos e acolhamos em nós a tristeza de Deus por nosso pecado e, uma vez arrependidos, será operada a salvação, que se constitui em crer na morte e ressureição de Jesus por nossos pecados, arrependimento e fé consumados e autenticados no batismo com o Espírito Santo, efetuado por Jesus, que prometeu e derramou esse mesmo Espírito. O Espírito Santo passa a habitar em nós. 

"Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas.
De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis". Atos 2:32,33.

      E Paulo Apóstolo confirma, aos Efeitos 1,13-14, o modo como o Espírito Santo, como selo de Deus, confirma a nossa fé, mantendo-nos com a marca de sermos prioridade de Deus, até o dia de estar diante dEle:
"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória".

3. Conclusão 
   
      Pela extensão desta Lição 3, não vamos abaixo destacar os pontos mais relevantes de sua argumentação. Veja-os marcados acima em negrito. Mas reafirmamos a urgente necessidade da igreja de, pelo estudo deste e dos demais sermões do livro de Atos dos Apóstolos, reconhecer os fundamentos bíblicos da proclamação que, de modo contente e permanente, não pode se omitir em realizar. Lembrando que essa não é responsabilidade exclusiva somente da liderança, que deve se constituir em exemplo, porque o envio a pregar é responsabilidade para toda a igreja.

domingo, 22 de março de 2020

Calamidade individual e coletiva

Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades.
Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa.

Salmos 57:1,2

Firme está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores.
Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva.
Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações.
Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens.
Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória.

Salmos 57:7-11

     A situação prática que Davi enfrenta e chama de calamidade, quando compôs este salmo, é a perseguição sem motivo desencadeada contra ele pelo rei Saul.
    Realmente ter um rei e seu exército nos calcanhares, é uma calamidade que, no caso de Davi, ganhou contornos diversos. 
   Político, porque a aclamação que Davi recebeu do povo, como herói da guerra contra os filisteus, "Saul matou seus milhares/Davi seus dez milhares", mexeu com a cabeça já não muito sadia de Saul. 
   Espirituais, porque Saul passou a ser atormentado por um espírito demoníaco, aliás consolado pelo próprio Davi, na tentativa de uma terapia musical, que quase lhe custou a vida: Saul tentou cravá-lo na parede com uma lança. 
     E pessoal, porque havia sincera amizade entre Davi e Jônatas, o filho do rei, que tentou convencer o pai da absoluta inocência do amigo, tendo sido advertido, aos palavrões, pelo rei, e indicando a Davi, por um sinal cifrado, de atirar uma flecha para além do alvo, assinalando a rota de fuga. 
     Daí a oração de Davi, que se encaixou previamente na sua situação:
"Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. Clamarei ao Deus altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa" Salmo 57,1-2.
     Também há quatro indicações diretas para nós, nesta calamidade:
1. Pedir a Deus sua típica misericórdia;
2. Reafirmar que nEle, sim, com certeza, refugia-se a nossa alma;
3. Certamente, vamos procurar abrigo sob suas asas, debaixo das quais cabe o mundo inteiro, até passar a calamidade;
4. E vamos clamar por Seu nome, porque já conhecemos a íntima experiência de que Ele tudo executa por todos e, especificamente, a cada um de nós. 

    1. Amor: Deus é misericórdia. Esta palavra pode ser traduzida "amor" no hebraico. No sentido exato, "ato acordado previamente", no caso um compromisso, sentido legal; benevolência, amor, graça, no sentido de "firmar um compromisso de amor", como em Isaías 54,10:
"Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o Senhor, que se compadece de ti". Deus tem com cada um e com toda a humanidade um compromisso de amor. 

   2.  Refúgio: O Salmo 121:
Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda.
É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.
O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.
De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua.
O Senhor te guardará de todo mal; guardará a tua alma.
O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.

       No versículo 7 diz o salmista: "O Senhor te guardará de todo mal; guardará a tua alma". É o lugar da nossa verdade. Ainda que a gente não queira admitir, não dá para esconder de nossa alma o medo e a insegurança. Mas o Senhor guarda a nossa alma. Por isso que, em horas de aperto e até de desespero, a gente se refugia no Senhor Deus, a gente corre para o Seu abrigo. Eu abrigo minha alma no Senhor, o Senhor habita meu íntimo, habita a minha alma: minha fé está no Senhor.

   3. Abrigo: Jesus deve ter chorado mais do que as duas vezes que o Novo Testamento indica: uma delas, foi por causa da tristeza provocada pela morte; a outra, porque reconheceu que Jerusalém não queria abrigar-se sob as asas do Senhor:

"Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos.
Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco;
e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação. Lucas 19:41-44    

"Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!  Lucas 13:33,34

"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!   Mateus 23:37

      Quantas vezes não corremos para nos abrigarmos sob as asas do Senhor. Nossa vida de formalidade simula uma devoção que, na verdade, é vazia. Quando, então, a calamidade bate à porta, então vem o medo ou a revolta contra Deus, achando nós que lhe temos de ensinar como agir conosco. Se a intimidade com Ele for determinante para a nossa fé, vamos estar firmes nesta hora, porque acostumados com o lugar permanente de refúgio, que é no aconchego e segurança da quentura e abrigo de Suas asas.

4. Clamor. As pessoas costumam chamar clamor uma gritaria coletiva. Erro distante. Porque, em primeiro lugar, Deus não é surdo. Segundo, porque Deus é lógico quando fala a nós e cobra, de nós, lógica, quando falarmos com Ele. E também, e, principalmente, coerência. Numa coisa as pessoas estão certas: O clamor precisa ser coletivo. Vejamos:
"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.
Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.
Mateus 5:23-26

      Clamor está condicionado ao senso de justiça. Frequentemente, a Bíblia associa calamidade a um alerta de Deus. Com a vida em risco e com o medo frio à porta, do lado de fora, a hipocrisia da inocência forjada, do papel de bobo atribuído a Deus, invade as pessoas. Quem não está acostumado a duas coisas (1) tratar o irmão com o devido respeito ou (2) conduzir-se, na vida, por um absoluto senso de justiça, tem medo da morte que, para Deus, é apenas o intervalo entre a vida e o juízo final. Medo. João tem uma resposta para o medo:
"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor". 1 João 4:18

    Antes de clamar a Deus lembre-se disto: o clamor é coletivo e, não, individualista; é lógico, coerente e requer justiça; e também comunhão, amor e respeito ao próximo.

   Ó, Pai, ensina-nos tudo o que a calamidade nos dá chance de apreender. Tenha misericórdia porque, se por ela não aprendemos, quão dura deverá estar nossa consciência e quão distante da fé.

A eira de Araúna

Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu. 2 Samuel 24:16

      Algumas pessoas argumentam que Deus não existe porque, se assim o fosse, interferiria no mundo, para frear a maldade humana. Ou qualquer calamidade que ceifasse vidas. 
     Um dos argumentos mais estúpidos. Pelo menos por três razões: (1) transfere a Deus a responsabilidade por nossa maldade; (2) burla um, senão o maior bem, mal compreendido e não vivenciado pelo ser humano, que é a liberdade; e (3) Deus não é patrono das calamidades. 
     Toda a humanidade herdou a síndrome de Caim, a quem Deus disse, "tua maldade é desejo contra ti, mas a ti cumpre dominar". O instinto homicida está presente em todos nós. Por isso, a culpa dos crimes não é de Deus. 
      E quanto aos microrganismos ruins, ora, não dizem que somos fruto do acaso? Portanto, a geração deles é espontânea e estão na defesa de seu direito à vida. Se nos encontram pela frente, é acidente para nós: para eles, está em sua agenda. 
     Sarah Kalley, congregacionalista britânica que iniciou, com o marido Robert, a escola dominical com crianças no Brasil, em Petrópolis, RJ, em 1855, acertou em sua poesia: "Sentimentos orgulhosos não convêm a criminosos salvos pelo amor".
     Bobagem negar que somos maus com o semelhante, principalmente o mais fraco e discriminado ou diverso de nós, em ideologia, cor, raça, religião, gênero, nível social ou qualquer outro capricho sem sentido, porque pratica-se maldade com ou sem motivo, por puro prazer, colocando-se a culpa em Deus.
      Sim, Deus existe, é sensível e atua por amor e por bondade. Não somos mais sensíveis do que ele ao sofrimento humano. 
      Na história bíblica de Davi ele, desta vez, estava tão sem razão, que até Joabe, mau caráter e sem escrúpulos, tinha razão no conselho que deu: 
      "Ora, multiplique o Senhor, teu Deus, a este povo cem vezes mais, e o rei, meu senhor, o veja; mas por que tem prazer nisto o rei, meu senhor?". 2 Samuel 24:3
     Costuma-se falar de Deus como se fosse alguém, algum e até algo sem opinião. Vivemos tempos em que a defesa dos direitos individuais, às vezes, até, em nome de interesses coletivos, está tão exagerada, que até a opinião de Deus terá de se submeter a esses "direitos". 
     Teremos de fazer a releitura desse texto, para apresentar aos mais exigentes um Deus recauchutado e adaptado às exigências atuais, porque na história Ele disse para Davi não levantar o censo do povo.
    Davi teimou. O mau caráter Joabe aconselhou o certo. Davi fez o que quis. Ao final do censo, que até o IBGE aqui, neste ano, já cancelou, Davi teve, de novo, taquicardia, que acontecia com ele quando desconfiava que havia contrariado o Altíssimo. Porque tinha o temor do Senhor. 
    Deus mandou Gade propor o castigo: 7 anos de fome, 3 meses nas mãos do inimigo ou 3 dias de peste. Três tipos de assolações que a humanidade é veterana em experimentar: a fome, a guerra e a epidemia. Davi disse o que o seu perfil de experiência com Deus bem definia: 
    "Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas, nas mãos dos homens, não caia eu". 2 Samuel 24:14.
     Dos 800 mil contados, quase o dízimo morreu pela peste, cerca de 70.000. Se o corona matar quase o dízimo, no mundo, serão quase 700 milhões.  Mas a taxa de mortandade é baixa, não chega a 4%. Serão, então, menos do que 280.000. 
     E Deus, em sua sensibilidade?  Ele existe mesmo? É castigo? Quando dirá, então, ao anjo: "Basta, retira a mão"? Algumas lições a aprender:
1. Coronavírus não é castigo de Deus. 
2. O apocalipse não está aí, começando: sempre esteve, está continuando. Chame "Apocalipse now" (não o nome do filme de 1979, a que assisti duas vezes, mas o real, que está em curso).
3. Apocalipse agora (e sempre) é outra  síndrome que a humanidade carrega consigo: esta, de autodestruição.
4. Muita coisa mata mais do que o COVID-19. Este nos assusta, porque temos medo de que nos mate: as outras coisas que matam, acreditamos, vão matar o vizinho, nunca a gente. 
5. Há quem perca, mas há quem ganhe com a pandemia. E assim caminha a humanidade (outro filme, este já é de 1956, um ano antes de eu nascer).
6. Se alguém acha ridícula a ideia de que o vírus foi inventado: pelo EUA, que injetou na China; ou pela China, que injetou nos EUA (e a Rússia está rindo, por fora), não por essa historinha, mas por muitas outras está comprovado que esse povo aí, para lá ou para cá, também não têm escrúpulos. Como Joabe é a maioria das autoridades mundiais: manipulam o poder, sem nenhum caráter. 
7. Vamos encarar esse choque de realidade. Aprender o máximo que pudermos sobre este e outros vírus. Pôr em prática nossa vivência cristã. E aprender mais da conversa final de Davi com Araúna:
7.1. "Por que vem o rei, meu Senhor?" Davi vinha marcado por aprender com Deus. Vinha de uma calamidade, com coração ferido por arrependido, dependente e dadivoso. Nosso coração precisa sempre de mudança. Ainda que seja por causa de uma calamidade.
7.2. "Para comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela um altar ao Senhor, para que cesse a praga de sobre o povo". Sempre é motivo para edificar altar ao Senhor. A samaritana aprendeu que todo lugar, em todo o tempo, é para erguer altar ao Senhor, não só porque a praga bate à nossa porta.
7.3. "Tome e ofereça o rei, meu senhor, o que bem lhe parecer [...] Tudo isto, ó rei, Araúna oferece ao rei; e ajuntou: Que o Senhor, teu Deus, te seja propício". Araúna enxergou o valor da disponibilidade do rei e se associou a ela. Pelo mundo afora, devemos marcar os outros com a mesma comunhão de disponibilidade para oferta total ao Senhor, que se agrada do coração voluntario;
7.4.  "Porém o rei disse a Araúna: Não, mas eu to comprarei pelo devido preço, porque não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me custem nada". Aqui não significa trocar com Deus um favor pelo outro, mas entrega por entrega. Deus se deu por nós em Jesus, igreja que ele comprou com seu sangue. No íntimo, somos como Abraão? Deu o filho, como símbolo de dar tudo, ou fazemos escambo com Deus? 
7.5.  "Edificou ali Davi ao Senhor um altar e apresentou holocaustos e ofertas pacíficas. Assim, o Senhor se tornou favorável para com a terra, e a praga cessou de sobre Israel'.
      Vamos erguer mais este altar. Neste tempo. Vamos dedicar nossa vida, sem nenhum interesse, porque "um morreu por todos e os que vivem, não mais vivam para si mesmos", a não ser o interesse do amor. 
      Pode ser que Deus diga logo ao anjo que "Basta, retira a mão". Pode ser que uma oração nossa antecipe porque, como diz Tiago, em 5,16 (outro cara com um tremendo senso prático, essencial nessas horas), "Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo".
    Mas pode ser que não. Então, vamos seguir, não assumindo a calamidade como sina, mas como saga: será mais uma história de fé em nossa vida.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Lição 2 - Fatos fundantes: Pentecostes - Atos 2,1-13

Texto base: At 2,1-13

1. Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;
2. de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.
3. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.
4. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.
5. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.
6. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?
8. E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?
9. Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia,
10. da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem,
11. tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?
12. Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer?
13. Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!      Atos 2:1-13

 Introdução:

     A igreja de Jesus precisa entender o verdadeiro sentido do Pentecoste: (1) inverso de Babel, é pregar o evangelho em todas as línguas; (2) congregar na comunhão em Cristo, falando para fora, ao mundo, e não à igreja, de modo incompreensível, para dentro de si mesma; (3) anunciar Jesus, fundamentada nos pontos principais da fé: (1) Jesus, varão aprovado por Deus, por sinais, prodígios e migares; (2) morto pela flagrante violência humana; (3) ressuscitado pelo poder de Deus; (4) que batiza no Espírito Santo, para arrependimento e remissão de pecados. At 2,32.

1. Por que no Pentecoste o mais importante não foi o "sobrenatural".

      Com muita frequência o termo "sobrenatural de Deus" é usado hoje em dia. Termo redundante, porque tudo o que Deus realiza é sobrenatural.

   O problema é uma divisão errada entre "mundo físico" e "mundo espiritual". Desde que na Bíblia está anotado, para a nossa instrução, que "o Verbo se fez carne", não mais faltou a intenção de demonstrar que a principal ação de Deus se dá no mundo físico onde vivemos.

    Às vezes o ser humano confunde essa ação de Deus, como ocorreu com Elias: 

"Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave". 1 Reis 19:11,12

       Aqui o profeta esperava que a manifestação de Deus se dessa via vento forte, terremoto ou pelo fogo. Mas Deus se manifestou ao profeta quando tudo à volta voltou ao normal e somente um cicio tranquilo, muito menos do que um vento, começou a chiar. 

       Deus escolhe seus modos de se manifestar. O que não pode ocorrer é (1) sempre achar, como Elias, que será de forma bruta; (2) ou que, obrigatoriamente, deverá ser de forma sempre surda ou amainada, como foi neste caso; ou ainda (3) divulgar padrão ou testemunho presumido de uma falsa manifestação de Deus.

    É necessário comprovar que Deus se faz ouvir, desmistificando seja num modo errado, seja num modo legítimo. Por exemplo, em Pentecoste, Deus escolheu manifestar-se (1) por um sinal sonoro, "som como de um vento impetuoso", (2) por um sinal visual, "distribuídas línguas como de fogo"; e (3) por uma tradução simultânea de idiomas específicos e indicados no texto, por meio da ação milagrosa do Espírito Santo: "E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?".

     Não houve vento em Pentecostes e não houve fogo: foi "como" vento, um som; e "como" fogo, linguetas pousadas, representativa e simbolicamente, sobre cada apóstolo.

     E o outro sinal, milagre realizado pelo Espírito  Santo, indicado no texto por "passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem", significou uma "tradução simultânea" para os idiomas das nações que estão especificadas, At 2,8-11:

"E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?".

      Não houve "línguas estranhas" em Pentecostes. Aliás, isso condiz com a definição de Paulo para esse dom em 1 Co 14,10-11:

"Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo, sem sentido. Se eu, pois, ignorar a significação da voz, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim.   

     Neste e em outros versículos dessa carta aos Coríntios, Paulo reforça que língua é idioma e não "língua estranha" ou "línguas dos anjos". Em outras partes desta lição, vamos reforçar, citando em outros textos dessa mesma carta 1 Co, essa explicação do apóstolo.

2. Pregação também é "sobrenatural de Deus".

     Continuando na carta 1 Co de Paulo Apóstolo, ele nos dá uma aula sobre a ação do Espírito Santo em 1 Co 2,6-16, de cujo trecho colocamos abaixo os versículos 10-16.

     Paulo vem comentando como os homens, considerados "sábios deste século", rejeitaram a "mensagem da cruz", que representa, para quem crê, "sabedoria de Deus". E essa sabedoria é revelada pelo Espírito Santo:  

"Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.
Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.

      Pois o "sobrenatural de Deus", em Pentecostes, revelado pelo Espírito Santo, está principal e definidamente contido  nos efeitos do sermão de Pedro, em sua (1) apresentação, (2) recepção e (3) resultados. Pedro que, como Paulo diz acima, certamente falou "não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito".

     E por que, avaliando o sermão de Pedro, podemos constatar, da introdução à conclusão, um escopo lógico e preciso? Este, o primeiro sermão pregado após Jesus ter sido elevado aos céus, assim como o primeiro sermão entregue no início da história da igreja.

     Paulo acima, nessa mesma aula sobre o Espírito Santo esclarece  que lógica e precisão na pregação começa por "conferindo coisas espirituais com espirituais". Pedro lança mão do projeta Joel, para explicar que o que estavam presenciando era cumprimento de profecia. 

     Também cita outros trechos do Antigo Testamento, como salmos de Davi, denominando-o profeta. Conferir, como diz Paulo, é o trabalho consciente e prévio de todo o pregador que, desse modo, habilita-se, de modo zeloso, consciente e preciso, a ser usado pelo Espírito Santo, para falar em nome de Jesus.

     E ao final de sua argumentação, Paulo afirma que, pela pregação, define-se o "homem natural", que não aceita o testemunho do Espírito Santo e rejeita a mensagem do evangelho, do "homem espiritual", que discerne, confirma e acolhe o testemunho do Espírito Santo.

3. A principal ênfase do Pentecostes.

      Quando, posteriormente, a igreja em Corinto quis sobrevalorizar o dom de línguas, errando no foco da ênfase dada ao Pentecoste, Paulo enumerou argumentos que colocavam esse dom no seu devido lugar em relação aos outros, sem diminuir ou anular sua importância:

3.1. Falar à igreja, por meio de profecia (que não é prever o futuro ou adivinhação/revelação de mistérios) é superior a "falar em outra língua", 1 Co 14,3-4;

3.2. O dom de línguas requer, obrigatória e legitimamente, interpretação. Em 1 Co 12,10 o dom de "variedade de línguas" é dado a um e a "capacidade de interpretar" a outro: mas profetizar é superior a falar em línguas, ensina Paulo, para que a igreja seja edificada, 1Co 14,5;

3.3. Paulo fala que, se a palavra dita não for compreensível, ou seja, não for idioma, inteligível, ao contrário de "língua estranha", não haverá nem proveito e nem edificação para a igreja: não haverá revelação, nem ciência, nem profecia e nem doutrina. Será como um instrumento inanimado, sem afinação ou tocado por qualquer um não habilitado, 1 Co 14,6-11;

3.4. Continua dizendo que os dons do Espírito Santo não são uma demonstração de ego pessoal, mas voltados para a edificação coletiva da igreja, como dito em 1 Co 12,4-7. Quem deseja identificar aquele que o Espírito lhe conferiu, como orienta 1 Co 14,1: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar", esse deve progredir para a "edificação da igreja", 1 Co 14,12;

3.5. E quem ainda afirma que o "dom de línguas" é o "dom do pijama", quer dizer, solitário, o que já é contraditório, porque dom do Espírito é para a edificação da igreja, ainda há outro contra-argumento: não há edificação quando, solitariamente, uma "sensação de plenitude" preenche o "espírito", mas a mente fica infrutífera, porque não entende o que não é dito. Paulo exorta a que mente e, agora sim, o espírito também seja edificado, 1 Co 14,13-19. E não vale "autotradução", porque "a um" é dado o dom de "variedade de línguas" e "a outro" a "capacidade para interpretar".

4. Conclusão.

4.1. Pentecoste não é o dia do "dom pentecostal" ou dia de exaltação do "dom de línguas" ou dos dons do Espírito Santo. Exatamente porque o Espírito foi derramado por Jesus, como ele prometera em Jo 16,7, para glorificar o nome de Jesus, Jo 16,14, e não o seu próprio. Leia o texto de Jo 16,12-16:

"Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Um pouco, e não mais me vereis; outra vez um pouco, e ver-me-eis".

4.2. Portanto, Pentecoste é o dia do derramamento do Espírito Santo, de modo a que Jesus seja glorificado. Então, o sermão do dia de Pentecoste, que aponta para a Pessoa e obra de Jesus, é o seu principal destaque e não a outorga de qualquer dom, o de línguas, que seja, impropriamente enfatizado.

4.3. O próprio apóstolo Paulo indica isso, em 1 Co 14,20-22, esclarecendo a finalidade do dom de línguas, como foi em Pentecostes:

"Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos. Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que creem".

4.4. Portanto, o fato de todas as nações presentes ouvirem e entenderem, cada uma em sua língua, "como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?", At 2,11b, naquele dia, em tradução simultânea, pelo poder do Espírito Santo, é símbolo da urgente e permanente missão da igreja: pregar o evangelho a "toda tribo, língua povo e nação", como está no Apocalipse 5,9:

"...entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra".

4.5. Mas para a igreja anunciar Jesus "a toda tribo, língua, povo e nação", terá de enviar missionários preparados na palavra, como Pedro, para que sejam usados pelo Espírito Santo, pregando as Escrituras, além de aprender a língua específica de cada "tribo, língua, povo e nação", porque não haverá tradução simultânea pelo Espírito Santo e, muito menos, "língua estranha".

4.6. É urgente para a igreja rever a instrução propedêutica dos sinais no Pentecostes. Não se trata de exaltação do Espírito Santo e nem da prevalência de um dom sobre os outros. Mas um fato fundante: a inauguração da ação do Espírito Santo, no que tem como principal: (1) glorificar Jesus Cristo; (2) iluminar, no ministério da igreja, a quem Jesus enviar para pregar em seu nome; (3) agir nos que ouvem, de modo a que creiam na palavra de Jesus assim anunciada.

4.7. Para tanto, esses obreiros assim vocacionados, como Pedro, necessitam do devido preparo, especialmente no devido  conhecimento das Escrituras, agora do Antigo e Novo Testamentos, assim como discernimento para entender a época em que vivem, de modo a demonstrar autoridade aos que os ouvem.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Lição 1 - Transição - Atos 1,1-14

Texto base: Atos 1,1-14

1. Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,
2. Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;
3. Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
4. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes.
5. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.
6. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?
7. E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.
8. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.
9. E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.
10. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco.
11. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu?
Esse  Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.
12. Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado.
13. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmào de Tiago.
14. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Atos 1:1-14

1. Em que sentido Transição:

   Transição, neste início da narrativa de Atos dos Apóstolos, significa o que ocorreu entre a ressurreição de Jesus e a sua ascensão ao céu, em relação aos preparativos para o início do ministério da igreja. 
     Antes de sua morte, Jesus já havia dado instruções aos apóstolos, para o desdobramento de seu ministério, no início e continuidade do ministério da igreja. 

   Por exemplo, no texto abaixo, em João 14,12-14, Jesus afirmou:

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei".

      Jesus se refere aqui: (1) a sua ida para o Pai, após sua morte e ressureição, e (2) o tipo de obra a ser realizada pela igreja, até a sua segunda vinda. 

      Entendemos por esse texto, com relação à continuidade da obra de Cristo pelo ministério da igreja que:

1. Por meio da fé em Jesus, a igreja  dará continuidade ao que ele realizou, e mais ainda fará;
2. De tudo o quanto a igreja necessitar para realizar a obra de Jesus, ela terá, sem nenhuma reserva, como suprimento da parte de Deus;
3. O específico da igreja será o anúncio do evangelho, que agora inclui a morte e ressureição de Jesus, como consumação da salvação para todo aquele que crer.

2. A Igreja e o específico de sua mensagem:

       As palavras de Jesus, em Marcos 1,14-15, sintetizam o modo como a igreja anunciará o específico de sua mensagem:

"E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus,
E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho'.

    Jesus resume sua mensagem geral em quatro tópicos principais:

1. O tempo está cumprido: quer dizer, pelo cronômetro de Deus, a humanidade está na última volta, derradeira oportunidade de salvação;
2. O reino de Deus está próximo: a urgência deste anúncio significa estar ao alcance de quem crer, e perto da implantação final;
3. Arrependei-vos: para as Escrituras, arrependimento é a "tristeza segundo Deus", porque o homem/mulher, por si, é incapaz de reconhecer o seu pecado;
4. Crede no evangelho: esta é a "boa nova" de salivação, a qual Jesus é o primeiro a proclamar, sendo ele o próprio conteúdo e a própria consumação. 

    Portanto, em Atos 1,1-14 verificamos as instruções dadas por Jesus aos apóstolos, momentos antes de ser inaugurada a era presente, em que, na ausência física de Jesus, mas pelo poder do Espírito Santo, a igreja realiza o seu ministério. 

   Aprendemos, então, que Jesus:

1. Deu mandamentos, ou seja, instruções gerais aos apóstolos, por meio do Espírito Santo, porque somente assim eles as entenderiam e poderiam pôr em prática, At 1,2;

2.  Por cerca de 40 dias esteve com eles, aparecendo de modo intermitente, como prova de sua ressurreição, instruindo com relação ao reino de Deus, At 1,3;

3. Orientou-os a não se afastar de Jerusalém, sem antes ser revestidos pelo poder do Espírito Santo, como cumprimento de promessa anterior, At 1,4-5.

    Esse período de transição, refletido nesta introdução aos Atos dos Apóstolos, caracteriza-se pela presença física de Jesus ressuscitado, em que ele instrui os apóstolos  a lançar um olhar para o passado, em relação a tudo o que ele havia realizado, e um olhar para o futuro, com relação ao que a igreja começaria a realizar, em nome de Jesus.

3. A Igreja e sua missão até a segunda vinda de Jesus:

    A igreja, ainda hoje, quando se debruça sobre a Bíblia, é para dela retirar a instrução que lhe confere autoridade, a fim de que possa cumprir a missão específica a ela delegada por Jesus. 

     Logo a primeira instrução de Jesus foi que aguardassem a manifestação do Espírito Santo, porque somente por meio dele os apóstolos e, consequentemente, a igreja teria poder para cumprir seu ministério. 

    Uma preocupação, que pareceu fora de ordem, em função da solenidade da despedida de Jesus, quando seriam urgentes quaiquer outras dúvidas mais essenciais, foi demonstrada pelos apóstolos. 

     Como se Jesus dissesse, prestem atenção, porque estou de partida, mas vocês vão dar continuidade ao que realizei.

     E o principal diferencial, como confirmação da obra completa de Jesus, seria agora anunciar sua ressurreição, que confirma toda a sua autoridade e poder sobre o pecado e a morte. 

    E a dúvida dos discípulos, embora não voltada ao essencial da missão da igreja, deu a Jesus a oportunidade de estabelecer uma definição fundamental do papel da própria igreja. Vejamos:

"Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?

E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.

Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra".   Atos 1:6-8

   A preocupação dos discípulos, revelada neste trecho, embora legítima e incluída na agenda de Deus, como Jesus indicou, não tinha nenhuma relação com a tarefa primordial da igreja.

4. Reino de Deus, reino de Israel e igreja:

    Aqui é necessário diferenciar igreja, reino de Deus e reino de Israel. O texto, em At 1,3, menciona que Jesus, no período dos 40 dias que esteve com os apóstolos, entre sua ressureição e sua ascensão aos céus, aqui descrita, falou-lhes "coisas concernentes ao reino de Deus". 

    Deduzimos, portanto, que a prioridade de Jesus era o reino de Deus. Devemos aqui lembrar que os Evangelhos, ainda a ser escritos, tempos adiante deste momento de transição aqui descrito, trarão muito dessa instrução sobre o reino de Deus dada por Jesus. 

    A palavra de Jesus, nesse contexto, aponta para o essencial da igreja, a partir dessa questão introduzida pela pergunta dos apóstolos. 

     Podemos subdividir a resposta de Jesus nos tópicos a seguir:

1. Deus tem uma agenda que inclui a restituição do reino político a Israel;

2. Essa agenda é de competência específica de Deus, portanto não compete aos homens computar esse tempo;

3. À Igreja, pois, compete ser testemunha de Jesus, por meio do poder que vai receber do Espírito Santo;

4. Esse testemunho será por todo o mundo e em todas as épocas, até que Jesus Cristo retorne em sua segunda e definitiva vinda.

      Ser, portando, testemunha de Jesus é o essencial para a igreja. Jesus está/não está agora no mundo. Presença física de Jesus não temos, mas temos presença física da igreja que, quando plena no Espírito Santo, é testemunha de Jesus.
    
      Como diz Paulo Apóstolo em sua oração, na carta 2 Ts 1,11-12:

"Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder;
Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo".

      Ele ora para que (1) Deus nos faça dignos do nosso chamado como igreja e (2) cumpra em nós todo o desejo de Sua vontade e obra de fé, para que o testemunho da igreja seja tal que, (3) tanto o nome de Jesus seja na igreja glorificado, quanto o nome da igreja seja, em Jesus, glorificado.

5. Conclusão:

    Podemos, então, deduzir, a partir dessas instruções dadas por Jesus, nesse período de transição, entre o ministério dele e o início do ministério da igreja, que:

1. A principal feição da igreja, uma vez plena no Espírito Santo, é ser testemunha de Jesus, por toda a terra e em todas as épocas, anunciando o evangelho e a iminente segunda vinda de Cristo;

2. A Igreja dá continuidade ao ministério de Jesus, voltando-se para o que ele ensinou, explicitado nas Escrituras, buscando a orientação permanente do Espírito Santo prometido e derramado por Jesus;

3. A igreja de Jesus somente deve cumprir seu ministério e função sob autoridade do Espírito Santo, segundo recomendação direta de Jesus;

4. Receber "poder" do Espírito Santo não significa uma "categorização de poder", quer dizer, superpoderes, para realizar atos extraordinários, ou um poder menor para, por exemplo, pregar, exortar, falar de Jesus por aí;

5. Paulo Apóstolo afirma, em 1 Co 12,3: "... e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo". Isto quer dizer que a simples menção do nome de Jesus, feita com fé, é concessão do Espírito Santo;

6. Portanto, a igreja receber poder significa que tudo e qualquer coisa que ela fizer, genuinamente em nome de Jesus, somente será por meio do poder do Espírito Santo;

7. O específico da igreja é o anúncio do evangelho, como sinal profético do reino de Deus. Este também vai, um dia, incluir os reinos políticos da humanidade debaixo do poder de Deus. Mas não compete à igreja envolver-se na política, a ponto de perder-se com relação ao específico de sua missão e ministério.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Maninha - mais ou menos assim

 
     90 anos, o que dizer? Que o contrário de meus 62? Mais ou menos 27 anos à frente, a idade que Dorcas tinha quando eu nasci, em 1957? Jogos matemáticos.
   90 anos é número redondo. Marca do nascimento dessa menina em 1930. Por ser a segunda dos 12 nascidos, a mais velha entre as meninas, apelidaram-na Maninha.
    Era a Maninha que ajudou a criar os mais novos e que assim ficou conhecida alhures. Dorcas foi nome complicado, homenagem à  avó materna, de mesmo nome.
    Junto a Merinho, de Baldomero, o mais velho, e Ebinho, de Eber, segundo homem dentre os três nascidos, todos diminutivos, todos muito grandes, trabalharam juntos na ajuda do sustento à extensa família.
    O designativo diminutivo encaixou-se como luva, de que até o noivo Cid lançava mão, do mesmo modo como esposo, do que testemunhei pela vida em fora, expressão esta cunhada por ele.
    Temperamento baldomérico. A fórmula que uniu Baldomero e Eunice, os pais dela e dos demais três homens e cinco mulheres nascidos, certamente foi contrabalançada por Eunice.
     Mistura de doçura, sempre que preciso, mas também de tenacidade e franca opinião, quando necessário. Era uma espécie de filtro da autoridade do esposo.
    Nem seria preciso interferir, porque Eunice teria todo o expediente. E se, por acaso, Tula, apelido dele, se enrolasse, mesmo que não demonstrasse, Eunice chegava, oportunamente, com a chave de toda a solução.
    Cada filho, cada filha herdou um pouco desse misto de temperamentos, outros mais, outros menos Eunice ou Baldomero. Daí a expressão "temperamento baldomérico". Aliás, há pouco descobrimos essa origem.
    São Baldomero. Por nascer nas cercanias desse dia, foi batizado assim, talvez pela mãe Joana. Gislaine, a segunda de mesmo nome, visto Lane ter-se ido, muito cedo, aos 12 anos, ouvira do pai essa explicação.
    Maninha preenchia com sua presença o ambiente por onde andasse. Mãe somente de um, este que escreve, argumentou com Deus para que houvesse, pelo menos, esse um. Abortara dois, um deles já se sabia feminino, tendo sepultado Cid Araujo de Oliveira, primeiro parto e único nascido antes de mim, num ano assim bissexto.
   Maninha tinha 26 anos. Aliás, num dia como hoje, dia do aniversário, foi e voltou do cemitério, em 12 de março de 1956, para sepultar o menino, apenas há 13 dias nascido.
    Maninha deve ter lutado com Deus. Nascimento difícil, hemorragia ainda no HSE - Hospital dos Servidores do Estado, em maio de 1957, Deus foi fiel, ouvindo sua oração de Ana, por sinal, nome de nossa filha Ana Luísa.
    Diminutivo, sim, mas grande em força, firme nas provações, sempre alegre e empolgada com a vida. E com a igreja, principalmente com a igreja.
   Dividia seu tripé entre lar, escola e igreja. A partir de 1963, argumentou com o marido que voltaria a trabalhar fora, para ajudar nas despesas. Levaria o menino, de Cascadura a Nilópolis, by bus, uns 20 km, ela para o Curso Normal, no Nilopolitano, o menino de 6 anos para o Jardim de Infância, no Instituto Filgueiras.
    Peregrinaria por escolas em Belford Roxo, Nova Iguaçu, Queimados, Éden e Nilópolis, até que se efetivasse no Aydano de Almeida, já no último concurso público que fez.
    Contrato, na época, pagava em julho e depois em dezembro. Certa vez, para ir by bus a Nilópolis, domingo, para a igreja, fui vender jornais na "Vendinha", botequim/bar no final da Mendes de Aguiar: a volta, após o culto, à noite, estaria garantida por ajuda de um dos irmãos ou cunhados.
    Para nunca faltar, como nunca faltou, para o pagamento do financiamento da Caixa, no Méier, a partir de 1967, Maninha passou a ser conhecida por vender joias e/ou roupas. Entre um calote e outros, foi assim que ajudou o esposo a quitar o ap.
    Nada disso afastava Maninha da igreja. Caso no domingo, fosse em Nilópolis, desde a mais tenra idade, ou em Cascadura, a partir de 1966, alguém não encontrasse Dorcas na igreja, poderia direto procurar no hospital: certamente, seria doença.
   E assim criou seu filho. Dizia que trocava as fraldas de pano, aquelas mesmas, laváveis e quaráveis ao sol, postas em forma de triângulo e presas por alfinetes (broches, como chamam os acreanos), nem para isso tirava Cid Mauro de dentro do templo, mas se deslocava ao último banco.
    E seu apego à denominação levou Eunice, a mãe, ainda em 1949, no início do namoro, prevenir-lhe que não prosseguisse, porque Cid era seminarista batista, e todos sabiam que ela, jamais, trocaria sua denominação por nenhuma outra.
    União Infantil, Juvenil, UMEC, COMEC, União Feminina, enfim, não há departamento por onde Dorcas não tenha, com louvor, passado, sempre por todos e tudo aproveitando. Para ela, igreja era algo que trazia consigo, bem ao jeito e modo de inspiração do Espírito.
   Tudo o que se referisse à igreja lhe dava prazer, todo o tempo, a todos estimulava, em tudo se envolvia, em todas as etapas e instâncias. Nos seus derradeiros anos, eu no Acre desde 1995, até sua partida para o lar em 2016, em todos os telefonemas ou em todas as conversas pessoais o assunto era Fluminense, suas amigas, a União Feminina, Vida Cristã, a denominação congregacional, enfim.
    No leito do hospital queria que eu escrevesse o texto de Tesouros da Vovó, transportando-me para uma linguagem infantil, para contar a história da conversão da neta do pastor. Uma das suas fotos naquele leito foi com aquele mãozão segurando o número recente da revista.
    Tenho de parar por aqui. Fica a marca de seu sorriso. A certeza de ter inundado nossas vidas com suas orações. Costumo dizer que ainda caminho sob a inércia delas, eu e Regina, pois foi nossa conselheira desde o namoro. Assustei-os, em 1967, quase com a perda de minha perna esquerda. Nem sei ao certo, como enfrentou. Só sei que sempre ao meu lado, por 3,5 meses, em 1967, no mesmo HSE onde nasci.
    Lembro-me de uma última altercação com ela. Era domingo. Não estava bem. Insisti que era melhor ficar em casa, descansando. A reposta foi não. Sinto-me melhor e bem na igreja. E lá há ainda mais gente que me poderá ajudar.
    E outra altercação bem a caracteriza. Com esta, vou terminar. Há fuso de diferença de 2h a menos aqui no Acre. Isaac, neto de Dorcas, colocou-a 2h da manhã no voo para o Rio: 3,5h até Brasília, uma espera de 1,5h, com mais 1,5h hora até o Rio.
    "Isaac", chamei. Pelo tom, ele já preveniu bronca. "Que foi desta vez, pai?". O tom era de resignação. "Como você coloca a vó num voo 2h da manhã? Ela vai chegar no Rio para lá de 9h! Não vê que é uma idosa, de mais de 80 anos!?"
    Veio a reposta: "Ela pediu, pai: amanhã é dia 06/09. Ela nem quer dormir, nem de manhã, nem à tarde. Vai ganhar tempo, ela disse, limpando o ap e fazendo os enroladinhos e pãezinhos para a Pedra de Guaratiba. É dia do Seminário". Entendi, Isaac, eu respondi: eu entendi.
     Dia 07/09 tocou o fixo lá em casa, umas 17h30 do Acre, 19h30 do Rio. Atendi. Do outro lado, uma voz, aquela mesma, nítida e efusiva: "Cid Mauro, nossa barraca arrecadou mais de 1.200,00. Foi a que mais arrecadou. Uma benção!". Mais ou menos assim foi Dorcas, também conhecida como Maninha.