sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Presente

 "...que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?". Salmo 8,4.

    Somente um destempero alucinógeno para alguém pensar em vaidade, um traço que seja, diante da formulação dessa pergunta. Que é o homem?

    Aqui no sentido genérico, homem ou mulher, enfim, qualquer representante da raça humana. Deus para se ocupar com o ser humano, descer a detalhes de sua condição, somente toda misericórdia.

   Isso. Essa palavra reúne, em sua estrutura, miserere + cordis, algo como miséria + cardia, este o radical que forma os derivados de coração. Definição: "ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas".

     Pode-se dizer que Deus tem vocação pela miséria humana. As Escrituras nos socorrem na compreensão das razões de Deus: "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou." Hebreus 2,14.

    Pormenoriza ainda mais, referindo-se à condição de Deus, em Jesus Cristo: "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos". Hebreus 2,17.

     Essa identificação de Deus com as mazelas humanas, em Jesus, a encarnação do Verbo, radical e definitiva, como as Escrituras retratam, é o sentido permanente do Natal.

   O Natal na história e o seu efeito permanente no decorrer da história, tem sentido a cada vez que o Espírito Santo batiza em Jesus alguém que nEle crê. Jesus explicou a Nicodemos o sentido desse novo nascimento.

    A solução das mazelas humanas tem resultado em Jesus, quando alguém nele batizado experimenta a morte e ressurreição em Jesus. Socorram-nos as Escrituras: "Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida". Romanos 6,4.

   Definitivamente Deus se ocupa com a miséria humana em todos os seus vieses, para muito além de nossa limitada percepção, ou seja, percepção de nossa própria miséria, percepção da dimensão do amor de Deus.

    Que é o homem/a mulher que deles te lembres? Estamos na memória de Deus, que nos revela Seu amor. Devolve a nós a sensibilidade perdida.

      "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, as Escrituras falando de Jesus, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados". Hebreus 2,17-18.

     A bondade de Deus nos conduz ao arrependimento. Nunca desprezemos a bondade de Deus, reconhecendo que, por ela, alcançamos visão de nossa real condição e também por ela reconhecemos o amor de Deus.

     "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar". 2 Coríntios 7,10. "Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento." Romanos 2,4.

     Natal é tempo de se reconhecer que Jesus, o Verbo que se fez carne, Jesus, Deus encarnado o fez por amor, a fim de resgatar o homem de sua condição miserável. Um presente de si para si mesmo, por meio de Jesus.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

O legado que queremos

      O que dizer sobre Daniel Gonçalves Lima. Na vida passamos por fases diversas. A cada qual corresponde um sentimento diverso. Uma coisa é vivenciar, a cada época, outra é projetar a memória sobre cada fase.

   Neste texto vou recordar imagens do que igreja representou para mim. Na criação com que Dorcas e Cid me instruíram, igreja e Bíblia estiveram sempre presentes. E da parte de minha mãe, igreja e denominação não se separaram jamais.

  Tão forte nela que nunca trocou os congregacionais pelos batistas, ainda que o esposo fosse pastor naquela outra denominação, e a mãe dela, ainda no namoro, houvesse aconselhado não prosseguir nessas bases.

     Meu pai nunca contribuiu, em minha criação, para que eu fosse duplo ou hesitante. Uma vez, no batismo, por achar que deveria mencionar a diferença, pelo volume de água, e, de minha parte eu, quando ingressei no Seminário, conversamos sobre essas diferenças.

    Uma das razões que me levou a optar por estudar em nosso Seminário, na época, em 1978, hóspede do Edifício Kalley, anexo da Igreja Evangélica Fluminense, era participar de modo mais próximo e efetivo do contexto da liderança denominacional.

    Porque por seu tamanho, havia participação conjunta entre professores e membros dos cargos eletivos da diretoria da Junta Geral daquele tempo, ainda ocupando as dependências do antigo local em São Cristóvão, onde ocorria seu expediente.

    Terminei o Seminário em 1981, quando completava 24 anos, e fui ordenado em 1983, ano em que completei 26 anos. Nessa mesma época, ocupei o cargo de secretário executivo da denominação, até 1985.

    Diferente o mergulho na realidade da denominação, a partir da vivência da realidade da igreja. Tudo, em minha vida, misturava-se aos traços de maturidade, que sempre avaliei como defasada, em relação ao curso da idade biológica.

    O próprio conceito de congregacionalismo foca a igreja como núcleo dos conflitos, da ação do Espírito, da unidade administrativa denominacional. Documentos dela, ação de seus líderes e efeitos de sua administração devem ter a igreja como alvo e prestar a ela serviço.

    Mas a máxima de Salomão, tudo é vaidade, é somente um dos assaltos que pode surpreender quem se envolve e se vê incluído no contexto da denominação. Portanto, é sempre um teste permanente, principalmente para quem ocupa seu cargo máximo ou atua nas cercanias dessa liderança.

    Meu início de ministério, que se deu nesse mesmo ano de 1983, assim como a decisão que marcou e assinalou o seu desempenho, até hoje, deu-se por influência dessa liderança denominacional dos anos 80 e 90. E entre eles destaco o Rev. Daniel Lima.

    Num de seus períodos à frente da denominação, minha mãe ocupou o cargo de presidente da confederação de mulheres congregacionais. Por uma gestão. Nunca quis repetir, embora convidada outras vezes, coisa dela. Nesse período o presidente da Junta Geral da denominação foi o pastor Daniel Lima.

     Para mim, sempre foi modelo de comportamento ético e coerente, fosse em seu perfil na denominação, fosse no exemplo que a nós chegava como ministro, incluída a visão missionária de sua igreja local.

    Em relação à sua família, tive chance de conhecer, da mesma forma, os traços nitidamente marcados na vida dos gêmeos Daniel e Deisiel, assim como na de Davi, todos meus acampamentes nas temporadas do Ebenézer. Na esteira de seu pai, são pastores. 

    Os anos 80 e 90, no contexto denominacional, foram marcados por uma polarização que, na época, teve seus transes de queda de braço, mas foi superada numa demonstração de maturidade, infelizmente inusual, que foram sucessivos fóruns para definição doutrinária.

      De um lado, pastor Daniel Lima, de outro, Amaury Jardim, dois lados de uma mesma igreja, lideranças marcantes de uma geração e eu, particularmente, influenciado pelos dois. Cascadura, para onde fui, em 1966, era igreja que tem Amaury Jardim como membro fundador.

    E o espírito missionário que, aos dois pastores aqui mencionados, foi tão nitidamente marcante em seu ministério, a mim afetou profundamente. Antônio Limeira Neto, que nesse mesmo período, desafiava pastores e suas esposas, missionários e missionárias a desbravar o país, foi outro líder e outra feição dessa denominação tão amada por minha mãe.

    Hoje tenho 64 anos. Estou no Acre há quase 27 anos. Minha vida traz até hoje às marcas dessa liderança. Pastor Daniel Lima correspondeu-se comigo em meu início aqui no Acre. Esteve envolvido comigo na administração e ideia de implantar aqui o Seminário Kerigma, que funcionou de 1998 a 2004, formando 3 turmas.

     Limeira me fez seguir o rastro de suas iniciativas, até hoje não suplantadas no esforço missionário, quando iniciou uma congregação em Copacabana, igreja que pastoreei entre 1992 e 1994, assim como vim para o Acre, em 1995, pareando com Nelson e Josilene Rosa, por ele convidados e que estão aqui desde 1984.

     E o pastor Amaury Jardim, abridor de igrejas como Daniel Lima, foi meu conselheiro na época de entrada no Seminário, assim como pregou em minha ordenação, em 2 de janeiro de 1983. Para mim, são três exemplos de lideranças de um tempo em que a denominação produziu grandes exemplos.

    Ainda produz exemplos. Aliás, somos e seremos exemplo. Precisamos refletir do que seremos exemplo. E uma das coisas de que precisamos nos despir é a vaidade. Pode ser substituída por humildade. A primeira bem-aventurança da série, porque é determinante na kenosis, no esvaziamento e na personalidade de Jesus.

    Ainda não mencionei d. Gineta. Várias vezes deparei seu sorriso. Algumas vezes trocamos rápidas palavras. Sem dúvida seu esposo e filhos e filha guardam consigo, do mesmo modo que eu retenho de Dorcas, o que foi fundamental em nossa formação.

    Sem dúvida, o cuidado atento desde a infância, a prontidão em encaminhar à igreja e o apoio incondicional ao esposo foram sua marca. Pastor Daniel Lima, grato por sua história. Por sua postura. Pela denominação que o senhor honrou com o seu exemplo.

    Parabéns por sua família. Parabéns por suas marcas. Considero-me, por razões diversas, como se, de alguma maneira, fosse sua ovelha e um missionário enviado ao campo por sua igreja. Muito honrado por ser considerado seu colega de ministério. E desejando intensamente que o tempo que se configurar em nossa denominação seja, cada vez mais, digno da herança que o amado irmão nos legou.

sábado, 18 de dezembro de 2021

Lapso

     Lapso. Por exemplo, entre a samaritana largar o cântaro e noticiar seus companheiros que havia encontrado Jesus, houve um lapso, no qual a mulher recolhia consigo o que foi seu econtro pessoal com Jesus, ao ponto de transmitir esse efeito.

    Quando, quanto, com que intensidade e frequência transmitir Jesus? Se é verdadeiro o que disse, que estaria com os que cressem todo o tempo, qual o intervalo de tempo entre essa constatação e seu efeito na vida?

    Que efeitos atualizados Jesus promove na vida de quem com ele encontra? Há um efeito alienante que, ao invés de tornar vivência com Cristo em novidade permanente, é tornada em formalidade religiosa?

     Que expectativa Jesus sempre nutre pela igreja? Que significa, para ela, vivenciar e, de imediato, espontânea e naturalmente, anunciar Jesus? A urgência da mensagem que ele mesmo proclamava requer esse mesmo eco por parte da igreja.

      "Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho". Mc 1,14-15.

     E não se trata de obrigação, imposição, repetição mecânica de credo, mas de uma natural expressão do resultado da presença de Jesus no viver. E presença de Jesus no viver significa vida em plenitude, identidade do humano restaurada, vocação de ministério para a igreja, até denominada "corpo de Cristo".

     Uma de suas últimas palavras, quando ainda entre nós, no momento mesmo de sua ascensão, foi mencionar três vocábulos: poder, Espírito Santo e testemunho. Ora, ora, ora: o poder e todo o seu delírio. Satanás sugeriu a Jesus, olha o ridículo da proposta, obter para si poder.

     Então Jesus disse à igreja: "Recebereis poder". De que natureza? Ele especifica o modo e natureza: "Ao descer sobre vós o Espírito". Sim, o Espírito que recebe o adjetivo exclusivo de Deus: "Santo". E Jesus completa com a finalidade pela qual receber poder: "Sereis minhas testemunhas".

      A igreja de Jesus recebe do Espírito Santo poder para ser testemunha de Jesus. Espontâneo, natural, voluntário e identitário. Há um lapso entre a realidade do contato com Jesus e o seu resultado, que se chama testemunho. Que seja imediato, natural e espontâneo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Fortuito, que seja

  João Batista era típico. Viu Jesus passar, não desconversou, instigou dois de seus discípulos a mudar de mestre. Ao inverso, para ele, dispensar discípulos parecia ser prioridade.

     Por um momento a dupla, André e seu misterioso companheiro, ficaram como que sem rumo: o outro, que seguia adiante, a quem o Batista alcunhou "Cordeiro de Deus", voltou-se, para inquirir: "E vocês, o que querem?"

     Se fosse carioca, "E vocês, qualé?". Ressabiados, por um lapso sem mestre nenhum, timidamente perguntaram, ou seja, balbuciaram, "a gente só queria saber onde". A resposta pronta, "Venham e vejam".

     Ora, o Batista e Jesus sabiam da exiguidade de seu ministério, o primeiro mais ainda. Não é que queria se desfazer de discípulos, mas era que precisava encaminhá-los. Aliás, para isso fora enviado.

     Os discípulos, sim, eram neófitos, e todos eles têm muito ou algo de inoportunos. Mas estar atento às indicações mínimas do Batista era o que de único e principal se exigia deles.

   E quanto a Jesus, ser direto e objetivo, do mesmo modo, era a essência de sua vocação. Para isso viera, de uma vez, tornar objetivo e direto o acesso ao Pai. Instigou-os à fé, que consistia em Lhe seguir os passos, ora, era esse e ainda é o "vir e ver".

      Tanto era e é assim, que André entendeu e chamou o irmão. Não tinha o que declarar, senão dizer: "Achamos o Messias". Bom garoto. Exatamente isso, desde o Batista, em direção à Jesus. E este, mais que direto e objetivo, para cada um tem a profecia. Para Cefas, Pedro Pedra, a símile do crer e do ser igreja.

     E Jesus continuava e continua chamando. "Vem e segue-me", disse a Felipe, outro da cidade e região da Galileia, precisa e profeticamente apelidada "dos gentios", quer dizer, de todas as gentes: "o povo que andava em trevas, haveria e ainda há de ver grande luz", anunciava Isaías a respeito de Jesus.

     Felipe, como André, entendeu a coisa, para dizer a Natanael: "cessou nossa busca, encontramos aquele sobre quem as Escrituras, seja a Lei, sejam os profetas, dão seu único testemunho". Quem, indagou? O Nazareno, identificou Felipe.

"De 'Nazaré', ora, Felipe, tenha a santíssima paciência". Vem e vê, pegando o jeito de Jesus convidar, disse Felipe.

    Provocativo, só de hagá, como se diz no Rio, Jesus saudou Natanael: "taí um gente boa", como também se diria em carioquês. Ele estranhou a saudação, e achou mesmo que era só de hagá. Não era. Jesus conhece.

   Jesus sinalizou que conhece todas as angústias. Natanael extasiou-se. Jesus replicou, não por tanto, mas por ainda muito mais. Já viste os céus escancarados e anjos subindo e descendo? Por pouco e por ainda muito mais. Por tudo. Por certo. Decerto, por fé.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Manda dizer

"Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?!" João 4:29.

    Essa mulher, a anônima samaritana, encontrou Jesus. Há um hino, muito ouvido e tocado por meu pai, num programa radiofônico que transmitia, na década de 70, que dizia: "Oh, que será?! Que será ver a Cristo?!".
     De um e de outro modo, na narrativa bíblica e na letra do hino, está em questão encontrar Jesus ou vê-lo cara a cara, presença física, pelo menos o que a letra do hino quer dizer.
    Hoje aplica-se à realidade da presença de Jesus. Ele afirmou aos discípulos, em sua despedida, após a ressurreição, que estaria com eles, por extensão, com a igreja, ou seja, com todos os que nEle cressem, "todos os dias, até a consumação do século".
    A pergunta aqui é o que significa tal afirmação, como vivenciá-la hoje e como transmitir a outros essa realidade. Porque os que cremos em Jesus e partilhamos Sua presença devemos vivenciar de modo especial e transmitir essa realidade a outros.
    O que será intenso e natural. Porque se não está sendo, algo de muito estranho está ocorrendo conosco. Uma espécie de indiferença ou alienação da principal característica de nossa vida.
     Caso  não haja intensidade, empolgação e novidade permanente, em função da presença de Jesus em nós e conosco, não passamos de míseros religiosos. Religião é um fator cultural e sócio-relacional.
     Herdamos ou rejeitamos a partir de nossa herança cultural e adotamos uma delas ou não em função de sua característica relacional. Mas ter a Cristo é outra coisa.
     Jesus não é um ícone ou marca. Trata-se de uma pessoa. Aliás, uma extraordinária, em todos os sentidos, Pessoa. Desde a história de sua estada entre nós, indicada na narrativa dos Evangelhos, até os fatos inusitados relacionados à sua ressurreição.
    Sem crer na ressurreição de Jesus, ele perde toda relevância. Ora, é evidente, quem deseja vê-lo a distância, como um exemplo de conduta, um ícone místico religioso, personalidade de destaque universal, que o valha. Alvitre de cada um.
     Mas quem crê na ressurreição de Jesus, admite e confirma que com ele se relaciona. Com ele experimenta comunhão. Com ele caminha. A mulher samaritana que com ele se encontrou saiu do encontro transformada, chegou a sua vila e denunciou aos de sua relação.
     Para ela, era o Cristo. Provoca-os a autenticar essa realidade. Eles mesmos constatam, afirmando depois: "não pelo que você disse, mas pelo que nós mesmos ouvimos e agora sabemos".
    O jovem rico sai triste da conversa com Jesus. Sim. É possível sair frustrado desse encontro. A pessoa de Jesus exige de quem o encontra abrir mão do contraditório que representa a vida de qualquer um em relação à dele próprio.
     E Zaqueu, o baixinho ricaço, acolheu Jesus em sua casa, curiosíssimo em conhecê-lo, quando, repentinamente, levantou-se e se comprometeu a indenizar, multiplicado por 4 vezes, a quem havia lesado. E ainda, com metade dos bens que sobrassem, acudir os menos favorecidos.
     Tudo consequência do encontro com Jesus. Imagine-se alguém receber em sua porta, atendendo revoltado, um emissário de Zaqueu: "Aquele ladrão! Que que ele quer?". O emissário: "Mandou lhe entregar um abono de 4 vezes mais o que ele lhe surrupiou".
      "Meu Deus! Como assim devolver 4 vezes mais?! Que que aconteceu com ele?". O emissário: "Manda dizer que encontrou Jesus".

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

No ranking de Jó

 Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal." Jó 1:8.

     Quem e quantos são como Jó? Vale somente para ele essa observação? E se ao invés do Altíssimo, o outro, dessa conversa, fizesse ao inverso a pergunta, desta vez dirigida a todo infestado pelo pecado?
      A resposta foi que Jó amava Deus por interesse. Faça um teste com ele, disse Satanás. Faça você o teste, disse Deus, porém dentro dos meus limites. Porque, como diz Tiago, Deus não se deixa tentar pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.
     Em que monta era a integridade de Jó? Reto e temente a Deus era a sua personalidade. Em que proporção se desviava do mal? Quais tipos de mal ele admitia ou praticava?
      Jó oferecia pelos filhos e com eles sacrifícios por suposições do que porventura eles pudessem ter praticado como prevaricação ou desavisadamente. Ele conhecia esse exercício de, a si mesmo, aplicar um senso de qualidade.
       Nunca aventurou uma hipótese de que fosse, em absoluto, íntegro, reto, temente a Deus e que se desviasse do mal. Nunca avaliou ser mais santo ainda do que, efetivamente, Deus o tornava. Reconhecia o seu papel, assim como o de Deus, em sua santificação.
     A pergunta, então, a ser feita é pelo ranking de santidade. Pois, se há uma lista do primeiro time, no qual Jó, certamente, sem nenhuma dúvida, está inscrito e, a partir daí, vêm as graduações para menos.
      E então, aí sim, ou melhor, aí não haverá para esses a mesma pergunta de Deus feita a Satanás: "Observaste o meu servo....", aqui entrando os nomes dos de segunda, terceira, quarta e assim por diante, em categoria.
     Para esses, então, não haveria esse tipo de diálogo ou menção, para que Satanás não risse deles na cara de Deus: "Ora, com referência a esse, com todo o respeito, o Altíssimo só pode estar brincando comigo".
      Como na Bíblia, em Zacarias, numa de suas visões, o sumo sacerdote Josué aparece com manchas em sua túnica. Satanás se aproxima para pô-las em destaque. E é repreendido por Deus. Mas não havia manchas? Sim, havia. Então, acintosamente, não tinha o tinhoso autoridade, não, isto ele nunca tem, mas atrevimento, ousadia para envergonhar esse tal servo do Altíssimo?
      Não tem. Não tinha, não tem, nunca terá. Nunca teve e nunca tem. Porque é definitiva, no tempo, para antes, agora e para sempre a justificação pela fé. Jó era um justificado pela fé. A distinção está não num suposto ranking dos pecados cometidos, ou sua quantidade, seu tipo ou ainda a reincidência neles.
     Não, porque a derrota de Satanás é completa. Todos os justificados mediante a fé entram no espaço em branco do formulário, legitimamente tendo inscritos os seus nomes: "Observaste o meu servo.... inscreva aqui o seu nome, caso seja mais um justificado pela fé.
     Isto porque a cruz de Jesus Cristo zera a conta. E o saldo do desfalque não retorna. A confissão do pecado começa, como ressalta Paulo, na "tristeza segundo Deus, que produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar". Mas se, como no caso de Josué, houver reincidência, virá Satanás não para um diálogo tipo o de Jó, mas para acusar e jogar na cara de Deus a sujeira não lavada, a denúncia da imundície plasmada na vida alheia.
     Sim, é vida alheia, totalmente alheia ao Inimigo e, por isso, este sai repreendido. Perdeu. Perdeu todas entre os justificados pela fé. É Paulo, de novo, quem diz: "...a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação". 2 Coríntios 5:19.
      A saber, Satanás. Deus esta(va) em Cristo. Reconciliando, Ele mesmo agente, consigo mesmo o mundo. Não jogando na cara dos homens as suas transgressões. Essa é a palavra da reconciliação. De uma vez, como diz Judas, a fé santíssima entregue aos santos.
     O Altíssimo, Santo, Santo, Santo, nos entrega, de uma vez, fé santíssima, a nós, Seus santos. Não há escalonamento. Não há um ranking dos menos ou mais santificados. Pois "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo", Romanos 5:1. Preço pago. Paz. Conta zerada.
     Justificados pela fé, por Deus e em Deus tornados íntegros, retos, tementes a Deus e que se desviam do mal. Perdeu. Definitivamente, em Jesus Cristo, o Inimigo perdeu. O Senhor te repreende, porque Deus santifica e disso nunca cessa. Pelo sangue de Seu Filho, somos igreja que Deus comprou com o Seu (aqui, ambiguidade proposital) sangue. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Alguém passou orando por aqui

     
       E Sandra Roger peregrinou, mais uma vez, pelo Acre. Trouxe-a o casamento do Isaac, o bebê que ela viu chegar aqui em 1995. Mas ela, onde chega, carrega boas novas consigo.
     
    Desde a chegada ao aeroporto, o mínimo de tempo que demorou deslocar-se da sala de embarque até à parte externa, ao carro, três taxistas de empresa, os de blusa azul, sentados defronte à saída, receberam folhetos e palavra viva.

      Fez um tour pelas igrejas e congregações. Visitou, em especial, pessoas específicas, para com elas orar e aconselhar. Muito importante sua participação na vigília de 22 de outubro, em Manaus, pela UIECB, porque ela transpira e inspira missões. Nós a assistidos e dela participamos pela internet.

     Ao final, pudemos organizar um grupo que reúne os missionários de todos os estados da Amazônia, de modo a conhecer suas necessidades e trabalhar juntos.

     E desafiamos e fomos desafiados a abrir uma congregação em Cruzeiro do Sul, a linda acreana cidade-mãe do Vale do Juruá. Este é o rio que, juntamente com o Purus, que sobe, a partir do Boca do Acre, no Amazonas, rumo ao norte, fechando em duas pinças o estado do Acre, sobem os dois, um pelo leste e o outro pelo oeste.

     São 680 km de pura fé até lá, a partir de Rio Branco. Sandra é campeã de oração, todos sabemos. Conhece as necessidades dos nossos irmãos missionários, menciono aqui o Norte, todos reunidos no grupo CONGRENORTE, mas ela conhece, ora e compartilha por todos, no Brasil e fora dele, "até os confins da terra".

     Ouvimos seus testemunhos. Visitou e orou com a irmã Neli Coelho, membro do DEM, bem como com Graça Silveira, como também Graça Daniel. Pôde pregar nas igrejas ou prestar testemunhos e exortações na Vila Betel 2, no Ilson Ribeiro, na 2a igreja, no Iolanda, e nas demais congregações do Jd Eldorado e Manoel Julião.

     Também esteve no Projeto Chácara Jesus o Bom Pastor, no domingo passado, onde pôde orar e cantar com as crianças, como aconteceu no Jd Eldorado, e de novo em 23/10, com pr Nelson e Josilene Rosa, quando todas as igrejas estiveram presentes naquela congregação.

     Foi genial contar sua experiência com o Projeto Amarzônia, pelo Rio Amazonas, navegando e comparando essa arte ao texto de Atos 27-28, quando Paulo foi de Cesareia a Roma, fazendo detalhada analogia de cada passo de sua missão, com aqueles irmãos, em missões entre ribeirinhos, comparada a cada etapa da viagem narrada por Lucas.

      Sensacional essa atualização. Só discordei dela ter dito, pouco antes de começar, que esse exercício não era exegético, hermenêutico ou magistral: foi as três coisas, pois ela é exegeta, hermeneuta e mestra do amor de Jesus.

     Vale também mencionar as parcerias, desta vez com o pr Manoel Bernardino, nós três velhos conhecidos. Porque todas as igrejas e congregações também estiveram reunidas, em 30 de outubro, na 2a Igreja Congregacional do Iolanda, para ouvi-lo falar sobre Reforma Protestante, 504 anos.

     Novamente desafiados a pôr as Escrituras como centro de nossa confissão. Desafiados a vivenciar os 5 Solas: somente as Escrituras, somente Jesus, somente a fé, somente a graça, somente a Deus toda a glória.

     Cada um de nós, individualmente, precisa reconhecer a chance e a necessidade de renovar sua experiência em Jesus. Como define Paulo em Efésios 4,20-24, o evangelho é constante e permanente renovação.

     Possamos assim vivenciar. Como sacerdotes de nossa própria confissão, dedicar e rededicar nossa vida a Jesus, como o mesmo Paulo afirma:

      "Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou". 2 Coríntios 5:14,15.


Com as crianças no
 Projeto Chácara Jesus o Bom Pastor


Dia das Crianças na
Congregação do Jd Eldorado


Pr Manoel Bernardino e os
504 anos da Reforma Protestante


Pastores no Acre: esq. à direita:
Jeremias (Vila Betel 2), Nelson Rosa (Ilson Ribeiro, obreiro pioneiro, desde 1984), Cid Mauro (Congregação do Manoel Julião), Alexandre Caria (2a Ig Congregacional) e pr Manoel Bernardino (Vicente de Carvalho, RJ, visitante)