quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Atrevimento paulino

   Nem sabemos se deveria, ou se seria coerente, mas Paulo decidiu pôr, em duas colunas, Adão e Jesus, comparando um ao outro e, sumo atrevimento, denominou Jesus o segundo Adão.

   Se fosse filme, seria Adão II, a Missão. Sumo atrevimento. Mas tinha um resultado em mente e, em termos de teologia, fica difícil argumentar com o Apóstolo, resta ler e saber.

   Começa pela triste realidade. Aliás, dela fogem, por razões diversas, o convencimento de uma grande parcela de gente. Por um homem, entrou no mundo o pecado e, por ele, a morte, que passou a todos os homens, pois todos pecamos.

   Atávico. Negar, seria como atribuir a si mesmo outra origem, quem sabe sideral e extraterrestre. Quanto a admitir que continuamos pecadores, só resta duas coisas: 1. discordar do terno "pecado" utilizado pela Bíblia; 2. negar, incluída, nessa negação, a própria aceitação da proposta bíblica de resgate.

   Pulando, no texto, o escalonamento no prejuízo causado, vamos ao que se diz sobre o outro homem mencionado, no caso, Adão II. O texto começa mencionado muito mais. Aqui já se estabelece o máximo contraste.

   Muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus, superabundante sobre muitos. Muito, advérbio, aplicado à graça, muitos, pronome adjetivo, aplicado aos que são alvo dessa graça, porque não são todos os que creem.

   Alegria e tristeza é o contraste básico desse texto, comparados Adão I com Adão II. Quem dera todos considerassem, a si mesmos, alvo da graça de Deus. E Paulo segue explicando.

   Pecado, sempre por atacado, perdão, no varejo. Múltiplas ofensas, para um só ato de justiça, por meio do qual, literalmente, "veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida".

   Procede o Apóstolo no tabelamento de sua descrição. Por Adão, desobediência que se generaliza, opressivamente, pela humanidade. Avaliam desobedecer como liberdade e, como prejuízo e cativeiro, obedecer a Deus.

   Mas a obediência de um só, Jesus, espalha graça, justiça e perdão. Vale arriscar a chance de que esteja certa tal avaliação. Não há mais o que perder e, com essa solução divina, tudo a ganhar.

   E termina mencionando a lei. Se, instaurada, é corolário da civilização, por si é sinal de que, com a humanidade, nem tudo vai tão bem todo o tempo. Ora, se assim fosse, não haveria necessidade de lei.

   Pois a Bíblia intervém nesses meandros, muitas vezes sombrios. Mas propõe solução acabada. Perfeita. Jesus é a proposta do Livro. Em tudo crível. Como comenta Pedro, fazeis bem em atender à palavra profética. 

domingo, 11 de setembro de 2022

Jesus e as Escrituras no circuito das sinagogas

"O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor" Lc 4,18-19.

   Lucas procede a uma releitura do texto inicial de Marcos, em relação ao início do ministério de Jesus. Marcos referencia-se em Isaías, para anotar, como via, o "princípio do evangelho de Jesus'.

   Ele enxerga no rápido ministério de João Batista o cumprimento de profecia da Escrituras do Antigo Testamento, por ser ele a anunciada "voz do que clama no deserto".

   E a referência a Jesus vem na contramão das instituições judaicas, cegas para o maior indicativo de todos os tempos. Quando questionado sobre com que autoridade pregava e batizava, João reafirmou de onde provém toda autoridade.

   O profeta de aparência rústica, de trato rústico e de palavra curta e grossa afirnou que nem digno de desatar as sandálias de Jesus ele seria. Nem para o papel de servo servia, mas Jesus o referendou, quando o procurou para ser por ele batizado.

   E assim procedendo, conferiu sentido ao batismo, demonstrando na prática o que significa a identificação dEle com todos os que creem.

    E o próprio Batista indicou que o batismo no Espírito Santo, que é o batismo que somente Jesus tem o poder de realizar, é que define essa identidade de comunhão com Ele.

   O avivamento de João Batista enseja o anúncio da presença de Jesus, confirma sua vinda, define sua identidade e prenuncia seu ministério. O próprio profeta infla e, ao mesmo tempo, esvazia sua importância.

   O próprio Jesus referenda João Batista como o maior dos profetas, ao mesmo tempo que aponta que, no reino de Deus, de cuja indicação para seu cumprimento, visão e entrada, Jesus anuncia, o menor no reino é maior do que o profeta.

   O profeta referenda Jesus, Jesus referenda o profeta, pela fidelidade de seu testemunho, o Pai referenda o Filho no batismo e Jesus começa seu ministério referendando as Escrituras como aquelas que dEle testemunham.

    Lucas, em sua releitura de Marcos, amplia seu escopo. Foca na sinagoga em que Jesus prega, na Galileia, lugar que escolhe como referência, precisamente porque nelas, nas sinagogas, mais que no Templo de Jerusalém, a lei de Moisés, as Escrituras de seu tempo estão mais próximas do povo.

   Desde a época do exílio em Babilônia, as sinagogas se tornaram um referencial para o povo cativo. Uma espécie de Israel em miniatura, para quem havia perdido a "terra prometida", o ritual do culto no Templo e a liberdade.

   Em torno da palavra de Deus, do esboço inicial das Escrituras, único referencial palpável que restou, o povo passou a alimentar a esperança do retorno. Debruçavam-se sobre os profetas, para entender o quando.

   E todos eles referenciam restauração futura, profética, garantida. Assim como, mais além ainda, por detrás do trauma sem conta, mais do que somente retorno à terra, como referencia o autor anônimo da carta aos Hebreus, referendavam a entrada definitiva no "descanso", por meio de Jesus.

    Jesus, lendo Isaías na sinagoga, no início de seu ministério, começando por um circuito, por elas, fosse na Galileia, fosse na Judeia, demonstrava o modo como as Escrituras referendam-no, e como o testemunho de Sua Pessoa é fundamental para a fé.

   Marcos, como que, por sua palavra inicial anotando a temática da fala de Jesus, indica em que contexto se cumpre a última profecia, que vem de João Batista, nos quatro itens da fala de Jesus: 1. Tempo cumprido; 2. Reino de Deus bem próximo; 3. Arrependimento; 4. Fé no evangelho.

   Lucas, utilizando o mesmo profeta que Marcos, assinala que a mais excelsa profecia das Escrituras já cumprida identifica Jesus, quando ele mesmo afirma: 1. O Espírito do Senhor está sobre mim e me tem ungido para: 1.1. evangelizar os pobres; 1.2. enviou-me a proclamar libertação aos cativos; 1.3. restauração da vista aos cegos; 1.4. pôr em liberdade os oprimidos; 1.5. apregoar o ano aceitável do Senhor.

  O culto da igreja de hoje segue o modelo da sinagoga. Nela as Escrituras devem estar, ao alcance da sede e do entendimento. Pois elas testemunham de Jesus, com toda certeza de fé e exatidão. A preferência por estar congregado, para ouvir a voz de Jesus, deve promover em nós a urgência e permanência de um avivamento que nunca esmorece.

sábado, 10 de setembro de 2022

O pardal encontrou casa

"O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!".

     Há coisas mais importantes. Nenhuma delas como afirmar encontrei teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. Nada como estar ao abrigo da casa do Senhor.

   Jesus disse ser a porta. Há um altar de holocausto, bem à porta, uma bacia de bronze, a meio caminho da tenda, dentro mesa posta e candelabro, um altar de oração e o baú do maior tesouro, a palavra de Deus.

   Rasgou-se o véu, porque, por causa do meu pecado, o corpo violado de Jesus abriu acesso a mim. Não há quem ou o quê se interponha entre mim e a tenda onde Deus comigo habita.

   Desde muito tenra idade minha mãe me conduzia pela mão. E meu pai ali assistia, com a ousadia de a si mesmo se declarar pastor. Nunca se sabe direito com que autoridade alguém afirma uma coisa dessas.

    Há uma estalagem no meio do caminho. Não foi somente Moisés e Jeremias que entenderam assim e que, por razões diferentes, nela se abrigaram. Davi também entendeu o valor dessa casa. Isaías a contemplou como o lugar onde Deus cabe inteiro, do tamanho do mundo, quem sabe do espaço sideral.

    Ezequias se voltou contra a parede, mais do que pedindo cura para si, perguntando pelo sinal de que preferia e, por isso, queria estar lá. Qual seria, então, esse sinal? Josias mandou reconstruí-la.

   O menino, amante da palavra de Deus, desde sua adolescência, encontrou, em meio aos entulhos da reforma, um exemplar do livro da lei do Senhor. Nele leu, consultou a profetisa Hulda e ficou conhecendo os desígnios do Senhor.

   Não há lugar nem maior e nem melhor do que a casa do pardal. Não há proteção maior, nessa caminhada por esse varadouro hostil, que são os descaminhos desse mundo, do que ouvir a voz do Pastor que atende nessa casa.

   Louco. Louca, de na sua jornada incerta nesse mundo hostil, não atentar para o sinal de que se deve sempre, todo o tempo, retornar à casa. Eu encontrei teus altares, Senhor, Rei meu e Deus meu. O pardal encontrou casa.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A sarça ainda - aula sobre paciência divina

    Na sua infinita misericórdia, para não usar, já usando, um termo coloquial bem brasileiro, na sua infinita camaradagem, o Altíssimo passa a discorrer sobre, digamos, sua carteira de identidade e como Moisés vai repassar a terceiros.

    Deve ser muito interessante rever esses termos, analisar e conferir. O primeiro traço dessa identidade é o famoso "Eu sou o que sou", Moisés, você vai dizer a eles "Eu sou me enviou a vós outros".

   O Totalmente Outro, como diria Karl Barth, envia alguém em seu nome a todos os outros. De ponta a ponta nas Escrituras, até os dias de hoje, pulverizado e diversificado nos termos da definição de "igreja", Deus fala aos homens/mulheres por meio de outros homens/mulheres.

   E mais: Moisés, você vai dizer a eles "o Senhor, Deus de Abraão, Isaque e Jacó me enviou a vós outros", ou seja, o Outro enviou um dentre os outros a todos os outros. E completa, reafirmando Sua identidade: "...este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração", Ex 3:15, reiteração do Altíssimo em relação a como, sempre, será reconhecido.

    A menos que, como já se torna fácil argumentar, para quem segue a corrente do liberalismo teológico, esse texto seja pura pretensão racista judaica, tradição judaica, portanto, falam de Deus, mas não é Deus quem por ele fala. Ficamos com esta segunda opção: definitivamente, Deus fala.

    Ajunta os anciãos, liderança de emergência naquela situação de cativeiro em terra estrangeira, e repete a eles o que você ouviu, Moisés. Pode até não parecer, mas acompanho tudo o que acontece, reafirma o Altíssimo a seu interlocutor.

    O transporte, segue o Altíssimo em Sua agenda, será do Egito para a terra das famílias dos amorreus. Repete a Faraó minha identificação. Mas eu sei que ele não vai permitir, assim, fácil. Então, para a agonia dos liberais, vai começar o nosso enredo.

    Vocês alcançarão mercê, they will be merciful, como dizem os ingleses, isto é, os egípcios, uma vez estressados pelos prodígios que vou operar, serão gentis ao extremo, e a mulherada, típico delas, vai angariar de suas parceiras egípcias múltiplas doações.

   Com e sem constrangimentos, joias, de prata e até de ouro, vestimentas, enfim, tudo o mais, que chegará ao grau do despojo. Até aqui, com tudo isso, esta foi, apenas, a primeira argumentação do Altíssimo à primeira evasiva  de Moisés. Aguardem as outras. Haja paciência com o ser humano.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Estações da Bíblia - Hebreus 2

    O autor de Hebreus segue sua exortação, advertindo que, diante do que foi exposto, é prudente "apegar-se com mais firmeza às verdades ouvidas", para jamais delas se desviar.

   Ele volta a falar de salvação, essa mesma que é o ponto crucial das Escrituras. Que não deve ser negligenciada, anunciada que foi por palavra de total credibilidade, incluídos os anjos no próprio anúncio.

   Declara que "tão grande salvação" foi anunciada pelo próprio Deus, confirmada na fé dos que ouviram, atestada por sinais, prodígios e vários milhares, como indica Pedro, em seu primeiro sermão, logo após a ascensão de Jesus, terem sido os meios de legitimação da pessoa de Jesus como "varão aprovado por Deus".

    Ainda mencionando anjos, visto ser forte, entre seus leitores, o grau de importância a eles conferida, embora seja ênfase deslocada de eixo, entra nos termos de comparação com o ser humano. Implícita está, na ideia de salvação, a participação de Deus no Filho, com e pelo Filho, visando, especificamente, o ser humano.

    Com anjos, agora comparados aos homens (e mulheres), visa-se, mais uma vez, o Filho, como referência da ação de Deus na salvação. Por causa da morte, que nem Deus e nem anjos experimentam, colocou-se no lugar de todos os homens, trazendo-os consigo para restauração em glória que ele sempre teve.

    O autor detalha os termos dessa identificação do Filho com todo ser humano. O foco é Jesus, e o autor recapitula o papel de Jesus na criação, reafirma a condição do Filho em relação aos anjos, assinala sua identificação com os irmãos de carne, por quem o Filho realiza a salvação, socorrendo-os.

    Na sua argumentação, demonstra que identificação do Filho é, estritamente, com Deus e com os homens/mulheres, ou seja, com a condição humana. O mundo futuro está destinado aos homens e mulheres filhos de Deus, anjos são coadjuvantes. Jesus não se identifica com eles, mas em carne e sangue conosco.

    Corrigindo, pois, a comovisão judaica, vai introduzir a figura de Jesus como sumo sacerdote. Agora sim, prepara-se para responsabilizar todos eles que, desde tempos remotos, obtiveram lei, culto e profecia associados, para indicar, na história, a suprema promessa sumamente cumprida em Jesus.

sábado, 3 de setembro de 2022

A conversa da sarça - evasivas de Moisés

    Na pirmeira evasiva foi como se Moisés blasfemasse. Blasfêmia é como um insulto a Deus. Como se fôssemos ou fizéssemos o inverso do que, perante Ele, é digno e justo.

    Porque Moisés, em sua evasiva, argumenta com Deus que, caso admissível seu retorno ao Egito, como haveria de provar ao povo que vinha "em nome de Deus". Que deus?

   E Deus surpreende. Não encara como blasfêmia ou evasiva o subterfúgio de Moisés. Mas diz ao profeta como deverá apresentá-Lo ao povo de Israel no Egito. Eu sou o que sou. Diga a eles: "Eu sou me enviou".

   Como se Deus houvesse dito tudo. Disse e não disse. Pois a maneira dEle se identificar, por esse modo de se referir a Si mesmo, suscita toda a fé. Deus somente há de mostrar o rosto, do modo como o próprio Antigo Testamento indica, um dia, por meio do Filho.

    "Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o Senhor , vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo [...] Mas o Senhor vos tomou e vos tirou da fornalha de ferro do Egito, para que lhe sejais povo de herança, como hoje se vê", Dt 4,15 e 20.

   Que Deus? O livramento do povo de Israel, ao mesmo tempo, dá identidade a Deus e ao povo. Deus que não se envergonha de se chamar pelo povo, de ter Seu nome associado a ele. Quando diz Moisés que é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, não por que e somente os tinha como adoradores exclusivos.

    Mas porque, definitivamente, era o Deus de cada um desles, que o tinham como seu Deus, nome pelo qual O invocacam, também porque pelo nome de cada um deles e dos três, em conjunto, nunca mais Deus deixaria de ser reconhecido.

    É por homens como esses, sobre os quais, comenta o autor anônimo de Hebreus: "Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade" Hebreus 11:16.

   Eu sou tem nome. Cada nome. Não se envergonha de ser por esses nomes chamado. Porque é Deus fé cada um que crê. Assim como não se deve, cada nome, envergonhar-se de ser chamado pelo nome de Deus. Em nome de Eu Sou, sendo o Filho autor e consumador da fé que atende a cada um.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

O diálogo da sarça

    Então outra possibilidade. Deus dialoga. Se tudo isso não for uma talentosa montagem, Deus e Moisés dialogam. Deduz-se ser possível a qualquer mortal.

   Deus diz a Moisés ser o mesmo de seus antepassados remotos, os patriarcas de Israel, mas também o Deus dos pais. Se é crível, e o autor de Hebreus assim analisa, os pais de Moisés eram crentes.

   Por fé o receberam, por fé o esconderam, por fé montaram o estratagema do bebê posto ao regaço, na correnteza do Nilo, próximo ao banho da princesa e suas servas.

   Então Moisés, amamentado pela fé, ouviu histórias de fé. Alimentaram-no também com essas histórias. Agora, aparece-lhe o Deus que lhe referencia nessas memórias.

   Deus se apresenta a Moisés. Só resta a este perguntar, a Deus e a si próprio: Quem sou eu? Não há para ele uma resposta objetiva. Ela vem com a tarefa concedida por Deus. E, principalmente, com a afirmativa, concedida por Deus: Eu serei contigo.

    Escolha de Deus por Moisés. Provável escolha de Deus a quem deve chamar. Vale questionar quantos, quem e se Deus chama. Vamos começar pela condicional "se".

    Caso Deus exista, não vai interessar ao ser humano se não for possível saber dEle. Porque se não dialoga com homem e mulher, inútil que exista. Indiferente para essa sofrida humanidade.

    As Escrituras pressupõem o Deus que dialoga. E que não faz acepção de pessoas. Então, vamos ao "quem". Caso Deus selecione, como costumamos, com frequência, fazer, entre os mais e os menos qualificadas, ora, um Deus de elites seria reprovável.

    Já, com as religiões que criamos, estabelecemos castas. Muito embora o Deus assim, tão despojado e democrático, que a todos e a qualquer um acolhe, não seja a nossa preferência, um deus elitista seria, absolutamente, Fake.

     Portanto, se Deus não seleciona, vamos ao "quantos", que então seriam todos. Deus dialoga com todos e qualquer um. Talvez. Porque há quem se exclua do diálogo. Vejamos: não se trata de quem nós excluímos, mas de quem se autoexclui.

    No primeiro tópico da argumentação, do diálogo entre Deus e Moisés, aquele se referencia a este, que pergunta, diante de Deus, quem sou eu? Não se sabe se é a humildade que enseja tal pergunta ou se, ao contrário, é a pergunta que enseja humildade.

    Ou falsa modéstia. No caso de Moisés, ele queria fugir, tanto à pergunta, quanto ao diálogo, quem sabe retornar à vida anônima do nômade pastor de Midiã. Talvez. Quem está diante de Deus, não mais tem para onde fugir e não mais vive sem conhecer, de Deus, o nome e, de si, quem, na verdade, é.