terça-feira, 27 de agosto de 2019

Sair ao encontro de Jesus

"Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele", João 4,30.

     Nesse trecho aí, quem saiu da cidade foram os homens a quem a samaritana anunciou que havia encontrado Jesus. Quer dizer, Jesus a havia encontrado. 
      Ela os convidou a saírem da cidade e vir ter com Jesus. Meu irmão, todas as vezes que a igreja abre as portas, convida você a sair da cidade e a se encontrar com Jesus.
      Ontem, no culto, que foi aqui em casa, lemos esse texto da mulher samaritana. Para dizer que o interesse principal de Jesus são as pessoas. Cada pessoa. 
       Ele disse à mulher que dizia crer no Messias, que precisava saber onde e como adorar, Jesus disse: "Eu sou o Messias, eu que falo contigo".
        Precisamos ouvir isso de Jesus. Precisamos anunciar, em nome de Jesus, isso mesmo a outras pessoas. Para isso, precisamos valorizar os momentos de comunhão na Igreja. 
      Como igreja. Quem nos mandou viver em igreja, foi Jesus. Deixar de nos congregar, está virando um costume, ao contrário do que nos recomenda o autor de Hebreus (Hb 10,25).
      Irmão, vamos fazer como aqueles homens: sair da cidade e vir ter com Jesus. Irmão, tudo está na cidade. Tudo o que está na cidade virou desculpa para deixarmos de nos congregar. 
      Minha casa está na cidade, por isso não a deixo para ir congregar. Meu trabalho está na cidade, por isso ocupa todo o meu tempo, quando não me cansa, impedindo de eu congregar. 
     Meus amigos, o shopping, o parque, a colônia, até elas pertencem à cidade. Muita coisa da cidade me impede de eu congregar. Não vou sair da cidade, para vir ter com Jesus.
      Ele está aqui comigo. Para que ver o rosto do outro. Posso viver sem congregar. A igreja perdeu o sentido prático. A igreja não tem atrativos. A igreja é chata.
       Na internet tem mensagem. Na internet tem "louvor". Na internet tem... tem....tem... só  tem e tem tudo. Eu prefiro o rosto virtual (de Jesus?), do que a cara do pastor e do que todas as outras caras que tem na Igreja. 
   Na igreja, só tem pessoas. E, definitivamente, sou melhor do que todas elas. Cuidado, irmão. Conhece o profeta Obadias? Já leu, com atenção, o livrinho dele? Não procede de Deus alegrar-se com sua própria vaidade, medindo-se pelo outro.
      Deus é espírito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. Jesus disse isso á mulher samaritana. 
      Qual a nossa verdade? Qual é a nossa adoração? Onde está a glória do Senhor, senão refletida no seu rosto e no rosto do irmão? Todos pecaram e carecem da glória de Deus. 
     Onde estão os pecadores que carecem da glória de Deus, mas que, lavados pelo sangue de Jesus, estão congregados como igreja? Espero que você saiba esse endereço. 
     Esse é o caminho. Paulo disse que devemos, sim, porque ainda vivemos nesse mundo, mas viver como se a ele não pertencêssemos, porque a glória desse mundo passa.
     Cidade é coisa boa. Mas também representa mundanismo, vaidade e futilidade. Ló escolheu armar suas tendas cada vez mais perto de Sodoma e Gomorra, cada vez mais longe da fé e da piedade dos altares de Abraão. 
     Tanto assim, que a mulher dele não suportou deixar a cidade. Deus recomendou, em Sinear, que a humanidade soubesse, com sabedoria, espalhar-se pelo solo do planeta.
       Mas preferiram ajuntar-se, inventar a cidade, erguer uma torre a si próprios e queimar o campo. O primeiro sintoma de quem quer encontrar Jesus, para ouvi-lo, é sair da cidade, para encontrar-se com ele. 
      Irmão, estamos nus e fora do paraíso. Jesus aconselha que dele compremos colírio, para enxergar a vergonha dessa nudez; ouro precioso, de sua riqueza espiritual, para enriquecermos. 
      E roupas brancas, para que possamos ser vestidos. Sejamos humildes, para reconhecer a necessidade constante de estar com as pessoas na igreja. 
      Como diz Tiago, ali as Estruturas nos mostram nosso verdadeiro rosto. Assim como vemos refletida a gloria do Senhor em cada rosto. Que o Senhor abra nossos olhos. 

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Tudo bom

     E viu Deus tudo quanto tinha feito e eis que era muito bom. Mesmo a bactéria resistente que me afeta. Oro, com toda a sinceridade, por sua extinção.
     
     Deve ser uma maravilha da ciência conhecer suas engrenagens. Assim como a bioquímica, com quem conversei, testar o antibiótico que vai, queira o Altíssimo, exterminá-la. 

      Não há nada que Deus tenha feito que não seja muito bom. Ainda que reconheçamos a entropia inerente a toda a criação. É o despedaçamento de tudo o que existe.

      Tudo tem um fim. Mas a vida se renova. O dom da vida provém de Deus. Eterno. Deus compartilhou eternidade conosco. Não só pôs, no nosso coração, esse desejo, assim como implantou eternidade em nós.

         E, para isso, o Pai envia o filho como semente. A frutinha de meu coqueiro nasceu, a seu tempo, porque a semente morreu. Em Cristo batizados pelo Espírito Santo, também ressuscitamos.

          Assim Deus implanta em nós a eternidade. Porque Jesus é a semente de vida que, uma vez tendo morrido, ressuscita vida em si mesmo e em todos os que nele são batizados. Pela fé temos acesso a essa graça, na qual estamos firmados.

      Jesus, Autor da vida, como a ele se referiu Pedro Apóstolo, também é Autor e Consumador de nossa fé.  E fé conduz à vida. É muito linda a vida.

     Tudo o que se renova é muito lindo. Gratos a Deus pelo dom da vida. Gratos a Deus por Jesus, autor da vida, autor e consumador da fé.  Glória ao Senhor, Autor da minha fé.

https://youtu.be/IKxsj5Hp4jA





domingo, 14 de julho de 2019


Quando renovam-se as folhas

       Há coisas que se renovam, que nunca deveriam se renovar. E são obras nossas. Olhe para suas mãos. Já renovaram coisas que jamais deveriam renovar. 
      Às vezes, pela manhã, cara a cara no espelho, aproximamo-nos para um flash. Queremos conferir se está bem, o que tem de sair, o que tem de ficar. 
     Olhou bem? Levou um pequeno susto? Pois a cara é essa mesma. Já muitas vezes foi cínica, tentando desanuviar feitos que jamais deveriam ter se renovado.
      Nossa língua, como diz Tiago (que também tem uma língua certeira, para o bem), ela já renovou e repetiu muita coisa que não glorificou Deus. E muito provavelmente denegriu outros. 
      Será que nessa aproximação do espelho você, ao refletir, pensou que, também mensalmente, repetimos e renovamos filosofias de vida que nunca deveríamos renovar ou repetir?
      E com o coração, metaforicamente falando, também alimentamos, renovamos e mantemos, disfarçados, é claro, sentimentos homicidas. Muito feio tudo isso. Obras da carne.
     Mas Deus renova. E somente renova o que é bom. Fruto do Espírito. Precisamos ver em nós, constantemente renovado, o fruto do Espírito. Sempre procede da mesma fonte.
     E se renova a cada estação, pelo poder de Deus. Linda figura aquela da Bíblia que nos compara a árvore plantada junto à correntes de água que sempre dá o fruto, dentro e fora da estação. 
      Jesus não é antiecológico. Quando repreendeu a figueira que não dava fruto, era frequente vê-las, naquelas paragens, secarem. Mas essa que foi alvo da parábola viva de Jesus, representava a parcela de Israel que não dava fruto. 
      Que tropeçaram em Jesus, que não é "pedra de tropeço" ou "rocha de ofensa". Não para os que creem. E que são, pelo Pai, enxertados para que deem fruto. Eu vos designei para que vocês vão e deem fruto e fruto autêntico, que permanece.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

      O salmista diz, no Salmo19, que um dia discursa a outro dia e que uma noite revela conhecimento a outra noite. E assim os dias fluem. Muitas vezes nem percebemos.
     Mas há dias que gostaríamos de nunca ter visto. Coisas do homem. O próprio Jesus disse, certa vez, que a cada dia basta o seu mal. Jó, em sua oração-desabafo, chegou a amaldiçoar o dia de seu nascimento. 
     Por causa do sofrimento. Nesses dias, preferiríamos não despertar, pela manhã. Se possível, tirar esses dias do calendário. Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Mas exclua os dias de sofrimento. 
     Quando amanheceu, certo dia, no Éden, no começo de tudo, não deveria constar no calendário o dia da queda.  O dia da desobediência. Porque ali, homem e mulher aprenderam a desobedecer a Deus na hora em que quisessem. 
     Esse foi o dia por excelência de todo o sofrimento. Porque cumpriu-se a palavra de Deus quanto ao fim da vida na terra. E isso traz sofrimento. Há muitas maneiras por quais deixar essa vida. Todas são muito sofridas. 
     Mas Deus decidiu por um dia que começou com o alvorecer do sol, mas que terminou em trevas. Naquela sexta-feira pascal, o maior sofrimento e a maior injustiça foram revertidas em salvação. 
      Um fim para o sofrimento. Uma promessa de vida eterna. A garantia da ressureição. A segurança de salvação. Cumpriu-se em Jesus o que ele mesmo profetizara.
      Certa vez, quando a irmã de Lázaro quedou-se sofrida a seus pés, supondo consolar-se com a promessa de uma remota ressurreição, Jesus lhe disse: não há  "uma" ressurreição, eu sou a ressureição e a vida. 
      Jesus é a promessa de vida. Jesus é a garantia de vida. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Certos dias, por serem dias de sofrimento, não deveriam nunca alvorecer. Sofrimento é coisa do homem: tem o seu final previsto. 
      Mas Jesus é o sol da justiça. Essa luz resplandece no coração de quem crê. Por isso, o alvorecer sempre é um alvorecer de fé. E ainda que o sofrimento seja grande, como no caso de Jó, em Cristo há redenção. 
       "Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros".              Malaquias 4:2

domingo, 21 de abril de 2019

Ressureição

        "E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,
       Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus,
      Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
      E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos."              Efésios 1:19-23

        Aqui temos o sentido da ressurreição: é a manifestação do poder de Deus, ressuscitando Jesus. A morte não pôde detê-lo, segurá-lo dentro de si mesma. Por causa da santidade de Jesus. 

      Não houve fingimento. Jesus não fez de conta que morreu. O Autor da vida, como disse Pedro, foi assassinado. Mas voltou à vida. Deus pôde, com justiça, exercer nele o poder de ressurreição, porque Jesus não tem e nunca teve pecado. 

     A mesma ressurreição já ocorreu em nós. Não há duas ressurreições operando em nós. A igreja é composta pelos ressuscitados em Cristo Jesus. Cristo passou pela nossa morte, a mesma morte, Assim como  vamos passar por ela. Mas, como Jesus ressuscitou, voltamos à vida e vida plena em Jesus. 

     A igreja é aqui chamada, nesse texto bíblico, "plenitude de Cristo". Porque para ela Jesus veio. O principal, para Jesus, somos nós os que cremos. Igreja de Cristo não tem fronteiras. Não é ideologia ou religião. É plenitude de Cristo. Tem a cara, o perfume, o caráter a mensagem de Cristo. 

     Vivamos pelo e no poder de Jesus. Atua em nós o poder com que Deus ressuscitou Jesus. Não somente proclamar que somos crentes em Jesus, mas sejamos Jesus no mundo: sejamos corpo de Cristo, "a plenitude daquele que cumpre tudo em todos". Amém.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Pastoral - Apocalipse 3

     Pérgamo

    "Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida."             
                             Apocalipse 2,10.
                         
     O que caracteriza esta igreja é sua exposição às provações. A identidade da igreja está relacionada à pregação do evangelho, o que implica rejeição e consequente perseguição.

     Paulo Apóstolo,  a Timóteo, 2 Tm 3,12, adverte que "todos os que vivem piedosamemte em Cristo, serão perseguidos". Em Atos 5,41, no início da história da igreja,  os apóstolos enfrentaram ferrenha perseguição, mas gloriavam-se de que sua identidade com Jesus assim ficasse explícita.
 
     Tiago, na introdução a sua carta, ensina que devemos ter por motivo de toda a alegria passarmos por várias provações. Destaque-se os indefinidos "toda" a "várias", indicando que a condição de fé em Cristo predispõe para o enfrentamento de provações.

       Portanto,  a carta a Pérgamo demonstra que na vida do crente autêntico, assim como no ministério engajado de uma igreja em sua vocação, a presença de provações, perseguição e rejeição, pelo testemunho do evangelho, são indissociáveis.

     Para isso devemos estar preparados. Inclusive como sinal de autenticidade. A mensagem do evangelho é "vinho novo em odre velho". O mundo a rejeita, completamente, assim como quem a proclama,  sendo posta em cheque a prioridade invertida de seus valores.

Pastoral - Apocaliose 2

     Éfeso

      "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres."
                         Apocalipse 2,4-5.

      Não existe igreja verdadeira sem amor. Igreja é  comunhão. Não existe sem amor. Evangelho é demonstração do amor de Deus. Crer em Jesus, o específico do evangelho, é nova vida e novo nascimento: é quando nasce no ser humano o amor de Deus.

      Na carta que escreveu aos Efésios, no mínimo uns 40 anos antes dessa carta de João, Paulo ensinou que o amor de Deus em nós conduz à plenitude de Deus. Leia Ef 3,14-19.

     Portanto,  a perda do amor, principal problema da igreja de Éfeso, nessa época do Apocalipse de João, quase a tornava uma falsa igreja. Porque igreja existe como resultado do amor é para demonstrar aos homens o amor de Deus. 

     Por isso,  nessa mini-carta a Éfeso,  Jesus diz que vai "mover o candeeiro", que representa uma comoção na igreja para que ela retorne ao amor ou perca, definitivamente, sua identidade.

     Crentes tão eficientes,  como a própria carta indica,  mas sem amor. Éfeso estava mais para ONG do que para igreja. Muito urgente essa advertência  de Jesus a todos nós. 

    Constantemente devemos retornar ao amor. A nossa experiência fundante é o amor. O primeiro amor significa esse momento típico e definitivo de nossa fé. 

     Não vamos nos demover dela. Não existe segundo ou terceiro ou uma sequência de "amor": existe um único, primeiro e definitivo amor de Deus em nossa vida.