quinta-feira, 19 de março de 2020

Lição 1 - Transição - Atos 1,1-14

Texto base: Atos 1,1-14

1. Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,
2. Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;
3. Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
4. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes.
5. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.
6. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?
7. E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.
8. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.
9. E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.
10. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco.
11. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu?
Esse  Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.
12. Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado.
13. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmào de Tiago.
14. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Atos 1:1-14

1. Em que sentido Transição:

   Transição, neste início da narrativa de Atos dos Apóstolos, significa o que ocorreu entre a ressurreição de Jesus e a sua ascensão ao céu, em relação aos preparativos para o início do ministério da igreja. 
     Antes de sua morte, Jesus já havia dado instruções aos apóstolos, para o desdobramento de seu ministério, no início e continuidade do ministério da igreja. 

   Por exemplo, no texto abaixo, em João 14,12-14, Jesus afirmou:

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei".

      Jesus se refere aqui: (1) a sua ida para o Pai, após sua morte e ressureição, e (2) o tipo de obra a ser realizada pela igreja, até a sua segunda vinda. 

      Entendemos por esse texto, com relação à continuidade da obra de Cristo pelo ministério da igreja que:

1. Por meio da fé em Jesus, a igreja  dará continuidade ao que ele realizou, e mais ainda fará;
2. De tudo o quanto a igreja necessitar para realizar a obra de Jesus, ela terá, sem nenhuma reserva, como suprimento da parte de Deus;
3. O específico da igreja será o anúncio do evangelho, que agora inclui a morte e ressureição de Jesus, como consumação da salvação para todo aquele que crer.

2. A Igreja e o específico de sua mensagem:

       As palavras de Jesus, em Marcos 1,14-15, sintetizam o modo como a igreja anunciará o específico de sua mensagem:

"E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus,
E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho'.

    Jesus resume sua mensagem geral em quatro tópicos principais:

1. O tempo está cumprido: quer dizer, pelo cronômetro de Deus, a humanidade está na última volta, derradeira oportunidade de salvação;
2. O reino de Deus está próximo: a urgência deste anúncio significa estar ao alcance de quem crer, e perto da implantação final;
3. Arrependei-vos: para as Escrituras, arrependimento é a "tristeza segundo Deus", porque o homem/mulher, por si, é incapaz de reconhecer o seu pecado;
4. Crede no evangelho: esta é a "boa nova" de salivação, a qual Jesus é o primeiro a proclamar, sendo ele o próprio conteúdo e a própria consumação. 

    Portanto, em Atos 1,1-14 verificamos as instruções dadas por Jesus aos apóstolos, momentos antes de ser inaugurada a era presente, em que, na ausência física de Jesus, mas pelo poder do Espírito Santo, a igreja realiza o seu ministério. 

   Aprendemos, então, que Jesus:

1. Deu mandamentos, ou seja, instruções gerais aos apóstolos, por meio do Espírito Santo, porque somente assim eles as entenderiam e poderiam pôr em prática, At 1,2;

2.  Por cerca de 40 dias esteve com eles, aparecendo de modo intermitente, como prova de sua ressurreição, instruindo com relação ao reino de Deus, At 1,3;

3. Orientou-os a não se afastar de Jerusalém, sem antes ser revestidos pelo poder do Espírito Santo, como cumprimento de promessa anterior, At 1,4-5.

    Esse período de transição, refletido nesta introdução aos Atos dos Apóstolos, caracteriza-se pela presença física de Jesus ressuscitado, em que ele instrui os apóstolos  a lançar um olhar para o passado, em relação a tudo o que ele havia realizado, e um olhar para o futuro, com relação ao que a igreja começaria a realizar, em nome de Jesus.

3. A Igreja e sua missão até a segunda vinda de Jesus:

    A igreja, ainda hoje, quando se debruça sobre a Bíblia, é para dela retirar a instrução que lhe confere autoridade, a fim de que possa cumprir a missão específica a ela delegada por Jesus. 

     Logo a primeira instrução de Jesus foi que aguardassem a manifestação do Espírito Santo, porque somente por meio dele os apóstolos e, consequentemente, a igreja teria poder para cumprir seu ministério. 

    Uma preocupação, que pareceu fora de ordem, em função da solenidade da despedida de Jesus, quando seriam urgentes quaiquer outras dúvidas mais essenciais, foi demonstrada pelos apóstolos. 

     Como se Jesus dissesse, prestem atenção, porque estou de partida, mas vocês vão dar continuidade ao que realizei.

     E o principal diferencial, como confirmação da obra completa de Jesus, seria agora anunciar sua ressurreição, que confirma toda a sua autoridade e poder sobre o pecado e a morte. 

    E a dúvida dos discípulos, embora não voltada ao essencial da missão da igreja, deu a Jesus a oportunidade de estabelecer uma definição fundamental do papel da própria igreja. Vejamos:

"Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?

E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.

Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra".   Atos 1:6-8

   A preocupação dos discípulos, revelada neste trecho, embora legítima e incluída na agenda de Deus, como Jesus indicou, não tinha nenhuma relação com a tarefa primordial da igreja.

4. Reino de Deus, reino de Israel e igreja:

    Aqui é necessário diferenciar igreja, reino de Deus e reino de Israel. O texto, em At 1,3, menciona que Jesus, no período dos 40 dias que esteve com os apóstolos, entre sua ressureição e sua ascensão aos céus, aqui descrita, falou-lhes "coisas concernentes ao reino de Deus". 

    Deduzimos, portanto, que a prioridade de Jesus era o reino de Deus. Devemos aqui lembrar que os Evangelhos, ainda a ser escritos, tempos adiante deste momento de transição aqui descrito, trarão muito dessa instrução sobre o reino de Deus dada por Jesus. 

    A palavra de Jesus, nesse contexto, aponta para o essencial da igreja, a partir dessa questão introduzida pela pergunta dos apóstolos. 

     Podemos subdividir a resposta de Jesus nos tópicos a seguir:

1. Deus tem uma agenda que inclui a restituição do reino político a Israel;

2. Essa agenda é de competência específica de Deus, portanto não compete aos homens computar esse tempo;

3. À Igreja, pois, compete ser testemunha de Jesus, por meio do poder que vai receber do Espírito Santo;

4. Esse testemunho será por todo o mundo e em todas as épocas, até que Jesus Cristo retorne em sua segunda e definitiva vinda.

      Ser, portando, testemunha de Jesus é o essencial para a igreja. Jesus está/não está agora no mundo. Presença física de Jesus não temos, mas temos presença física da igreja que, quando plena no Espírito Santo, é testemunha de Jesus.
    
      Como diz Paulo Apóstolo em sua oração, na carta 2 Ts 1,11-12:

"Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder;
Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo".

      Ele ora para que (1) Deus nos faça dignos do nosso chamado como igreja e (2) cumpra em nós todo o desejo de Sua vontade e obra de fé, para que o testemunho da igreja seja tal que, (3) tanto o nome de Jesus seja na igreja glorificado, quanto o nome da igreja seja, em Jesus, glorificado.

5. Conclusão:

    Podemos, então, deduzir, a partir dessas instruções dadas por Jesus, nesse período de transição, entre o ministério dele e o início do ministério da igreja, que:

1. A principal feição da igreja, uma vez plena no Espírito Santo, é ser testemunha de Jesus, por toda a terra e em todas as épocas, anunciando o evangelho e a iminente segunda vinda de Cristo;

2. A Igreja dá continuidade ao ministério de Jesus, voltando-se para o que ele ensinou, explicitado nas Escrituras, buscando a orientação permanente do Espírito Santo prometido e derramado por Jesus;

3. A igreja de Jesus somente deve cumprir seu ministério e função sob autoridade do Espírito Santo, segundo recomendação direta de Jesus;

4. Receber "poder" do Espírito Santo não significa uma "categorização de poder", quer dizer, superpoderes, para realizar atos extraordinários, ou um poder menor para, por exemplo, pregar, exortar, falar de Jesus por aí;

5. Paulo Apóstolo afirma, em 1 Co 12,3: "... e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo". Isto quer dizer que a simples menção do nome de Jesus, feita com fé, é concessão do Espírito Santo;

6. Portanto, a igreja receber poder significa que tudo e qualquer coisa que ela fizer, genuinamente em nome de Jesus, somente será por meio do poder do Espírito Santo;

7. O específico da igreja é o anúncio do evangelho, como sinal profético do reino de Deus. Este também vai, um dia, incluir os reinos políticos da humanidade debaixo do poder de Deus. Mas não compete à igreja envolver-se na política, a ponto de perder-se com relação ao específico de sua missão e ministério.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Maninha - mais ou menos assim

 
     90 anos, o que dizer? Que o contrário de meus 62? Mais ou menos 27 anos à frente, a idade que Dorcas tinha quando eu nasci, em 1957? Jogos matemáticos.
   90 anos é número redondo. Marca do nascimento dessa menina em 1930. Por ser a segunda dos 12 nascidos, a mais velha entre as meninas, apelidaram-na Maninha.
    Era a Maninha que ajudou a criar os mais novos e que assim ficou conhecida alhures. Dorcas foi nome complicado, homenagem à  avó materna, de mesmo nome.
    Junto a Merinho, de Baldomero, o mais velho, e Ebinho, de Eber, segundo homem dentre os três nascidos, todos diminutivos, todos muito grandes, trabalharam juntos na ajuda do sustento à extensa família.
    O designativo diminutivo encaixou-se como luva, de que até o noivo Cid lançava mão, do mesmo modo como esposo, do que testemunhei pela vida em fora, expressão esta cunhada por ele.
    Temperamento baldomérico. A fórmula que uniu Baldomero e Eunice, os pais dela e dos demais três homens e cinco mulheres nascidos, certamente foi contrabalançada por Eunice.
     Mistura de doçura, sempre que preciso, mas também de tenacidade e franca opinião, quando necessário. Era uma espécie de filtro da autoridade do esposo.
    Nem seria preciso interferir, porque Eunice teria todo o expediente. E se, por acaso, Tula, apelido dele, se enrolasse, mesmo que não demonstrasse, Eunice chegava, oportunamente, com a chave de toda a solução.
    Cada filho, cada filha herdou um pouco desse misto de temperamentos, outros mais, outros menos Eunice ou Baldomero. Daí a expressão "temperamento baldomérico". Aliás, há pouco descobrimos essa origem.
    São Baldomero. Por nascer nas cercanias desse dia, foi batizado assim, talvez pela mãe Joana. Gislaine, a segunda de mesmo nome, visto Lane ter-se ido, muito cedo, aos 12 anos, ouvira do pai essa explicação.
    Maninha preenchia com sua presença o ambiente por onde andasse. Mãe somente de um, este que escreve, argumentou com Deus para que houvesse, pelo menos, esse um. Abortara dois, um deles já se sabia feminino, tendo sepultado Cid Araujo de Oliveira, primeiro parto e único nascido antes de mim, num ano assim bissexto.
   Maninha tinha 26 anos. Aliás, num dia como hoje, dia do aniversário, foi e voltou do cemitério, em 12 de março de 1956, para sepultar o menino, apenas há 13 dias nascido.
    Maninha deve ter lutado com Deus. Nascimento difícil, hemorragia ainda no HSE - Hospital dos Servidores do Estado, em maio de 1957, Deus foi fiel, ouvindo sua oração de Ana, por sinal, nome de nossa filha Ana Luísa.
    Diminutivo, sim, mas grande em força, firme nas provações, sempre alegre e empolgada com a vida. E com a igreja, principalmente com a igreja.
   Dividia seu tripé entre lar, escola e igreja. A partir de 1963, argumentou com o marido que voltaria a trabalhar fora, para ajudar nas despesas. Levaria o menino, de Cascadura a Nilópolis, by bus, uns 20 km, ela para o Curso Normal, no Nilopolitano, o menino de 6 anos para o Jardim de Infância, no Instituto Filgueiras.
    Peregrinaria por escolas em Belford Roxo, Nova Iguaçu, Queimados, Éden e Nilópolis, até que se efetivasse no Aydano de Almeida, já no último concurso público que fez.
    Contrato, na época, pagava em julho e depois em dezembro. Certa vez, para ir by bus a Nilópolis, domingo, para a igreja, fui vender jornais na "Vendinha", botequim/bar no final da Mendes de Aguiar: a volta, após o culto, à noite, estaria garantida por ajuda de um dos irmãos ou cunhados.
    Para nunca faltar, como nunca faltou, para o pagamento do financiamento da Caixa, no Méier, a partir de 1967, Maninha passou a ser conhecida por vender joias e/ou roupas. Entre um calote e outros, foi assim que ajudou o esposo a quitar o ap.
    Nada disso afastava Maninha da igreja. Caso no domingo, fosse em Nilópolis, desde a mais tenra idade, ou em Cascadura, a partir de 1966, alguém não encontrasse Dorcas na igreja, poderia direto procurar no hospital: certamente, seria doença.
   E assim criou seu filho. Dizia que trocava as fraldas de pano, aquelas mesmas, laváveis e quaráveis ao sol, postas em forma de triângulo e presas por alfinetes (broches, como chamam os acreanos), nem para isso tirava Cid Mauro de dentro do templo, mas se deslocava ao último banco.
    E seu apego à denominação levou Eunice, a mãe, ainda em 1949, no início do namoro, prevenir-lhe que não prosseguisse, porque Cid era seminarista batista, e todos sabiam que ela, jamais, trocaria sua denominação por nenhuma outra.
    União Infantil, Juvenil, UMEC, COMEC, União Feminina, enfim, não há departamento por onde Dorcas não tenha, com louvor, passado, sempre por todos e tudo aproveitando. Para ela, igreja era algo que trazia consigo, bem ao jeito e modo de inspiração do Espírito.
   Tudo o que se referisse à igreja lhe dava prazer, todo o tempo, a todos estimulava, em tudo se envolvia, em todas as etapas e instâncias. Nos seus derradeiros anos, eu no Acre desde 1995, até sua partida para o lar em 2016, em todos os telefonemas ou em todas as conversas pessoais o assunto era Fluminense, suas amigas, a União Feminina, Vida Cristã, a denominação congregacional, enfim.
    No leito do hospital queria que eu escrevesse o texto de Tesouros da Vovó, transportando-me para uma linguagem infantil, para contar a história da conversão da neta do pastor. Uma das suas fotos naquele leito foi com aquele mãozão segurando o número recente da revista.
    Tenho de parar por aqui. Fica a marca de seu sorriso. A certeza de ter inundado nossas vidas com suas orações. Costumo dizer que ainda caminho sob a inércia delas, eu e Regina, pois foi nossa conselheira desde o namoro. Assustei-os, em 1967, quase com a perda de minha perna esquerda. Nem sei ao certo, como enfrentou. Só sei que sempre ao meu lado, por 3,5 meses, em 1967, no mesmo HSE onde nasci.
    Lembro-me de uma última altercação com ela. Era domingo. Não estava bem. Insisti que era melhor ficar em casa, descansando. A reposta foi não. Sinto-me melhor e bem na igreja. E lá há ainda mais gente que me poderá ajudar.
    E outra altercação bem a caracteriza. Com esta, vou terminar. Há fuso de diferença de 2h a menos aqui no Acre. Isaac, neto de Dorcas, colocou-a 2h da manhã no voo para o Rio: 3,5h até Brasília, uma espera de 1,5h, com mais 1,5h hora até o Rio.
    "Isaac", chamei. Pelo tom, ele já preveniu bronca. "Que foi desta vez, pai?". O tom era de resignação. "Como você coloca a vó num voo 2h da manhã? Ela vai chegar no Rio para lá de 9h! Não vê que é uma idosa, de mais de 80 anos!?"
    Veio a reposta: "Ela pediu, pai: amanhã é dia 06/09. Ela nem quer dormir, nem de manhã, nem à tarde. Vai ganhar tempo, ela disse, limpando o ap e fazendo os enroladinhos e pãezinhos para a Pedra de Guaratiba. É dia do Seminário". Entendi, Isaac, eu respondi: eu entendi.
     Dia 07/09 tocou o fixo lá em casa, umas 17h30 do Acre, 19h30 do Rio. Atendi. Do outro lado, uma voz, aquela mesma, nítida e efusiva: "Cid Mauro, nossa barraca arrecadou mais de 1.200,00. Foi a que mais arrecadou. Uma benção!". Mais ou menos assim foi Dorcas, também conhecida como Maninha.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Leituras Bíblicas - 5

      Cântico da vinha 

     Menestrel ou trovador, dependendo do período, na história, e da classe social, eram músicos ambulantes, cantores que, com instrumentos de cordas, alaúdes ou cistres, cantavam o amor, mas também, se fosse o caso, a crítica e a sátira.
    A própria língua portuguesa formou-se num tempo em que havia cantigas trovadorescas em moda, pelo menos de quatro tipos: de amor, de amigo, de escárnio ou de maldizer. 
    Em Isaías 5,1-7 há um desses menestréis da época do profeta propondo um tema de canção, mas não se enquadra nessas classificações acima, de quase 2 mil anos depois. 
    Porque mais parece um lamento sobre expectativa prenhe de esperança, toda ela posta sobre uma vinha. Nós, que não residimos em latitude propícia à cultura de vinhedos, não avaliamos o cuidado com que, quem se empenha nesse cultivo, dá tudo de si.
     A canção detalha todo o empenho: escavar, limpar, cercar, adubar, estabelecer limites, montar a guarita de vigilância, tudo como antecedente do cultivo, em si, o plantio das uvas.
    Na Bíblia videira é símbolo do cuidado esmerado, detalhado, rico em pormenores que essa plantação exige. O produto final é símbolo de vida, de alegria, de marca de identidade. 
     Quando Jesus de água cria vinho, demarca limites do que é vital, mostrando que com ele e por meio dele o poder persiste. Porque tanto água como vinho são símbolos de verdades vitais no viver. 
     No caso específico, os vasos rituais, que recebem água, terem seu conteúdo alterado para vinho que, naquele contexto, foi símbolo de mudança radical no gosto, alegria e festa, representa que em Jesus essas três bênçãos se concretizam. 
     Pois o amado que cultivou, para si, a vinha, esperava autenticidade de testemunho, alegria no Senhor e festa de culto. A vinha simboliza o povo de Israel e o cultivo que Deus a ele devotou. 
     A identidade de Israel, definitivamente, estava ligada a Deus. Era mesmo de se esperar muita exigência. Deus colocou nisso toda a Sua expectativa. Desdobrou Seus cuidados para com o povo.
     O desejo de Deus era para que fosse um povo de Sua identidade (e santidade), em meio às demais nações, marcando a vida em direito e justiça. Seriam como vinho, que marca com odor, gosto, alegria e festa.
    O menestrel do Cântico da Vinha pergunta que, se o povo de Deus foi vitrine ao inverso, quer dizer, não se identificou com o Senhor, mas assumiu o inverso, no que a conduta humana tem de mais reprovável aos olhos de Deus, o que fazer?
    O que se pode esperar, pergunta o trovador? O que Deus não fez, senão tudo o que poderia e deveria ser feito? Esperando direito, veio contaminação; esperando justiça, veio clamor por justiça.
     No original hebraico, aparecem em paralelo, num trocadilho, mishpat/mishpach, direito/contaminação, ou tsedaqah/tsehaqah, justiça/clamor por justiça. 
     Termina em tom de lamentação, triste de ver, o destino final da vinha do amigo do trovador. Expoliada pelo tempo e pelo abandono, porque abriu-se a tudo o que Deus rejeita.
    Quando o ser humano, qualquer grupo e até um povo não deixa de se abrir para o que Deus rejeita, dissolve-se. Assim foi devastada a vinha de Israel. Terminou em tristeza o canto do menestrel. 
    Mas a promessa de, mais do que restauração, de regeneração é trazida pelo profeta. Há de brotar semente nova de regeneração da vinha. A Igreja é sinal profético e novo povo que indica essa regeneração em Jesus.
      No livro do profeta Isaías, Jesus é o broto novo que mais do que restaura, regenera a vinha dileta do Senhor. Esse processo percorre o tempo, concretiza-se na vinda de Jesus e aguarda o cumprimento final dos efeitos da mensagem do evangelho. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Leituras Bíblicas - 4

A visão da vocação
   Isaías assinala sua vocação ou chamado por uma visão descrita no Cap 6. O que não significa que todo vocacionado terá uma.  
    Nesse contexto bíblico, ela é didática, definindo para o profeta e para nós mesmos aspectos da (1) própria vocação, (2) da relação Deus-profeta-nós e (3) da missão nossa, espelhada naquela do profeta. 
    O texto divide-se num tripé: 6,1-5 - teofania, isto é, uma visão de Deus; 6,6-7 - consagração do profeta; e 6,8-13 - missão do profeta.  
     Na teofania, fica estabelecida a distância Deus-profeta. Terra e templo, vestes e os serafins esvoaçantes estabelecem o contexto dentro do qual o profeta se vê colocado. 
    A glória de Deus enche a terra, assim como as vestes da visão enchiam o templo. Embora este seja um lugar terreno de representação do Altíssimo, até mesmo os serafins revelam que a santidade de Deus é absoluta e intangível. 
    Eles não cessam de advertir que Deus, o Senhor, é Santo, Santo, Santo, que nem por eles pode ser visto, nem seus pés podem definir que compareçam diante dEle e sua função é voar circunscritos em Sua presença advertindo do temor e tremor perante Ele. 
    Então Isaías mede a si mesmo pela santidade de Deus, vendo-se nu. Clama "Aí de mim", como qualquer um que fosse invadido pelo temor do Senhor. Isso demarca a ação de Deus a seu favor. 
    Se ele se considera impuro no falar, como indica Tiago no Cap 3 de sua epístola, não é pecado localizado. Mas que enche toda a vida. Deus interpela o profeta. 
    Deus deseja que seja seu emissário, que o envie, que seja Seu apóstolo, portanto, faz o que somente Deus pode fazer. 
    O gesto simbólico, da brasa retirada pelo anjo do altar, como é o batismo no nosso caso, indica a operação específica de Deus na purificação e no perdão do pecado:
    "Vê que isto te tocou os lábios: desapareceu tua culpa, o teu pecado está perdoado". Perdão e remissão de pecado vêm acompanhado de ação de Deus na vida do pecador.  
    Surpreendido, ele atende ao clamor do Altíssimo, que é permanente: "Quem há de ir por nós?". O profeta não pode negar. Ele mesmo se queda surpreso em responder: "Eis-me aqui, envia-me a mim". Estão em oposição as expressões "Ai de mim"/"Envia-me a mim". Deus ocupa o intervalo.
    A missão revela o dilema de Deus, o dilema do profeta e o dilema da mensagem. Esta é clara. Representa todo o recurso de Deus. O profeta é o porta-voz. Os verbos que descrevem a ação profética, todos se referem à conversão do pecador. 
    Ouvir, para (não) entender. Olhar, para (não) compreender. (Não se) converter, para (não) ser salvo. Torna insensível o coração, endurece os ouvidos e cega os olhos. 
    A mensagem de Deus, se não for acompanhada pela fé naqueles que ouvem, como diz o autor anônimo da epístola aos Hebreus, de nada aproveita. "Até quando?", pergunta o profeta. 
    Desmoronem-se as cidades, despovoem-se, fiquem as casas desabitadas, os campos devastados, sejam afastados os homens e cresça, no país, o desamparo.
   Por tudo e por quantas vezes, como sinal ao próprio povo de Israel e às nações isso já ocorreu. Ainda que somente reste o dízimo da quantidade de homens, uma semente santa há de brotar. 
    A princípio, desprezível, brotando como renovo de uma terra inóspita para a fé: "sem presença ou beleza, sem aparência ou formosura, nada que atraísse o olhar ou que cativasse atenção".
    Raiz de uma terra seca, como é o coração humano em sua luta contra si mesmo. O broto é Jesus. O restante fiel é o dízimo entre os que creem. Somos apóstolos e profetas dessa mensagem. 
    Entre o nosso "Ai de mim" e o "Envia-me a mim" está Deus, para nos enviar como Seus apóstolos e profetas. Eis-nos aqui, envia-nos a nós, responda, igreja!

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Hoje é domingo

Todos os dias são domingo
    Todo domingo, desde minha mais tenra infância, vivi na igreja. Minha mãe dizia que, nem para trocar as fraldas, sim, aquelas de pano, dobradas em forma de triângulo, ela me tirava para fora do templo.
   Ia lá para o último banco, na Congregacional de Nilópolis, para fazer a troca. Não eram as descartáveis. Eram lavadas, estendidas ao sol e passadas a ferro de engomar. 
   Fraldas e ferro. Quando criança, ou pegávamos o Cascadura-Nilópolis, no Rio de Janeiro e, mais tarde, tomado pela mão, saíamos da Mendes de Aguiar, atravessávamos a Av. Ernani Cardoso, ledeávamos um atalho pela vila, ao lado da horta, para alcançar, na João Romeiro 212, a Congregacional de Cascadura. 
   Todo domingo. Não me interessa se "domingo", de janeiro a dezembro, faz parte de tradição romana ou pagã. Nem se alguns se fazem prisioneiros de qualquer dia ou intervalo de horas no calendário. 
   Meu pai tinha, em sua antiga estante de livros, um folheto intitulado "Todos os dias são sábados". O autor mexia com a tradição judaica de guardar o sabath. Para ensinar que esse destaque, dado por Moisés e constante nas tábuas dos Dez Mandamentos, longe de impor disciplina de 24h, era para ensinar a viver 365 dias (mais um, no caso de 2020) dedicados ao Senhor. 
    Domingo é o "dia do Senhor", aprendeu a geração dos dias de meus pais. Não havia obrigação porque, para o Senhor, nada tem valor de for por obrigação. Seja voluntário, ou nem precisa ser.
    Domingo não é o "dia do Senhor". Todos os dias o são. Ou melhor, é melhor que todas as horas sejam: 8.760 horas neste ano (mais as 24h de 29/02/2020). Melhor, que sua vida seja, de modo voluntário, a Ele dedicada. 
   Então, todos os dias serão domingos. A Igreja, o ajustamento do povo de Deus terá, para você, o perfume de Cristo. A Bíblia, para você, terá outro sentido. Passado, presente e futuro, na sua vida, serão resgatados pelo preço voluntário da cruz.
    Preço alto, pelo qual nossa vida foi valorizada. Pago pelo Filho de Deus. Honrada pelo Espírito que em nós habita. Entrega voluntária, como culto autêntico, dedicada ao Senhor.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Leituras Bíblicas - 3

  "Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã".      Isaías 1,16-18
       Este trecho do livro, logo no início, já propõe uma reviravolta no quadro negativo desenhado. Porque Deus convoca ao arrependimento.
     Deus propõe as etapas:
1. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. 
2. Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas;
3. Vinde então, argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve.
      Textos como esse operam uma inversão no desenrolar da profecia, quando aspectos negativos da infidelidade do povo vêm sendo descritos em sequência. Com isso, Deus demonstra que sempre espera o arrependimento, aguardando para que opere, então, Sua restauração. 
    Outro texto, em Isaías 2,1-5:

      "Palavra que, em visão, veio a Isaías, filho de Amoz, a respeito de Judá e Jerusalém.
Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos.
Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém.
Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.
Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor".

     Na verdade, já em Is 1,24-31 já se opera uma inversão. A palavra do profeta que, até ali, ressaltava os aspectos negativos da conduta do povo, altera-se para uma ação restauradora do Senhor: 

    "Portanto, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos, o Poderoso de Israel: Ah! Tomarei satisfações aos meus adversários e vingar-me-ei dos meus inimigos.
Voltarei contra ti a minha mão, purificar-te-ei como com potassa das tuas escórias e tirarei de ti todo metal impuro".  
Is 1,24-25.

     Essas unidades de fala profética são denominadas "oráculos". Verifique que, antes do profeta falar, ele introduz com "diz o Senhor". Aqui lembramos falas de Paulo Apóstolo que distinguiu palavra sua, de Paulo, com relação à palavra do Senhor. 
    Mas logo acrescentou: "...segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus". 1 Coríntios 7,40. Está aí uma definição de profeta, aquele que fala em nome de Deus, porque nele habita o Espírito do Senhor.
    E é o mesmo apóstolo Paulo que, em 1 Co 14,1 exorta a igreja a fazer três coisas: (1) seguir o amor; (2) procurar (e praticar), com zelo, os dons recebidos do Espírito; e (3) principalmente, profetizar. A leitura da Bíblia é o aprendizado da profecia. 
    Porque Moisés, já em Dt 18,20, já postulava, orientando: "Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá".
    Falar, presumidamente, ou, como diz o texto, com presunção, em nome de Deus, não deve ocorrer, seja intencional ou não intencionalmente. Nem bem intencionado e nem mal intencionado. 
   Para isso, precisamos da "cartilha do Espírito Santo", que são as Sagradas Escrituras, a Bíblia, Antigo e Novo Testamentos. Oráculo é o recado emitido, em nome de Deus, pelo autêntico profeta. 
    Não se trata de adivinhação, previsão do futuro ou exibição de êxtase de poder forjado. Antes de mais nada, o profeta, como diz, de novo, Paulo, tem controle de si e autoridade concedida por Deus. 
   E, além do mais, o que falar, está sujeito à conferência, quer dizer, profecia começa a partir da Bíblia, palavra de Deus, e retorna a ela para posterior conferência.  Veja aí, de novo, a palavra de Moisés, professor de profetas: 
     "Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.   Dt 18,22
    E, para encerrar, duas definições de profecia no Novo Testamento: 1 Co 14,3: "Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação". Profecia é (1) edificação, (2) exortação e (3) consolação. 
   A outra, Ef 4,29: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem". Profecia: (1) não é palavra torpe; (2) é boa para promover edificação; (3) conforme a necessidade; (4) transmite graça aos que a ouvem.
    Assim, profetize, irmão.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Leituras Bíblicas - 2

    A leitura dos livros proféticos implica conhecer o contexto em que pregaram. Desse modo, nossa compreensão do texto será mais exata. 
    Os livros 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas nos fornecem informações sobre esses reis, na época de quem os profetas pregaram. Seus nomes, geralmente, aparecem no primeiro versículo do livro. 
    Assim, Isaías, que profetiza na época de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Enquanto isso, os profetas Amós e Oseias profetizavam contra o reino do Norte, cuja capital era Samaria.
   No primeiro versículo desses dois livros consta os reis no período de quem profetizam. Veja que em Oseias são mencionados os mesmos reis que em Is 1,1 e mais o rei Jeroboão, do Norte.
   E, em Amós, é mencionando somente Uzias, rei no Sul, capital Jerusalém, e o mesmo Jeroboão, mencionado em Os 1,1. Veja as informações sobre esse Jeroboão em 2 Reis 14,15-23.
   Ele reina durante 51 anos, mesmo tempo de Uzias, no Sul, com a diferença de que aquele "fez o que era mau aos olhos do Senhor", 2 RS 14,24, ao contrário de Uzias.
   Mas as informações, na sua quase totalidade, negativas sobre Jeroboão II aparecem nas profecias de Amós e Oseias. Pelo que observamos, o profeta Amós prega na época desse rei, correspondendo em Judá ao período de Uzias.
    Portanto, a ordem cronológica de atuação desses profetas foi Amós, Oseias e Isaías. Porque este último assinalou o ano da morte do rei Uzias, Is 6,1, como a data de seu chamado. 
   Então, embora a ordem dos livros, no Antigo Testamento - AT seja Oseias - [Joel] - Amós, este profeta atuou antes de Oseias. Atenção, este Jeroboão aqui citado é chamado "segundo", porque na época da morte de Salomão outro Jeroboão, chamado "primeiro", separou as 10 tribos do Norte e fundou esse reino, em separado das tribos do Sul.
    Esses três profetas são também conhecidos como Profetas do século VIII, antes de Cristo - a. C., porque pregaram cerca de 750-700 anos antes de Jesus nascer. 
    Portanto, é interessante ler em conjunto esses três profetas. O livro maior, do profeta Isaías, costuma ser dividido em três partes: proto-Isaías, Cap. 1-39; deutero-Isaías, Cap. 40-55; e trito-Isaías, Cap. 56-60.
   Essa subdivisão tem a ver com a progressão de temáticas no livro, assim como a cronologia da coleção dos textos e a edição final e publicação dessas coleções. 
   Bom proveito em sua leitura e pesquisa.