quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Deus dos detalhes

      Certo. Não está escrito em lugar nenhum na Bíblia que Deus conta ou sabe da quantidade de folhas que caem. Porque não precisa. Ele sabe. 


      Agora, fios de cabelos contados, a Bíblia fala deles, em Lucas 12,7, na versão lucana do Sermão da Montanha. Por que falar disso? Para falar que Deus se atém a pormenores. 

      A todos os pormenores. Há uma crítica burra e rasa, feita por pseudo cientistas amadores, de que, por exemplo, se chove, Deus acionou a chuva. Se venta, Deus acionou o vento. 

      Ora, meu pai dizia que Deus rege o mundo com leis sábias. Pois prefiro a opinião dele, para dizer que não são em todos os processos que Deus interfere. 

       Consequências ou sequências de processos físicos, na natureza, assim como químicos, variações macro, como a gravitação dos planetas, ou micro, como o movimento invisível dos sistemas em nosso organismo, estão entregues a um modo natural de procedimentos.

      Mas, por exemplo, as queimadas, elas têm a nossa assinatura. Animais irracionais, assim chamados, não estão pondo em risco o planeta. Os racionais top de linha da "evolução", não sei que evolução é essa, esses sim vão destruí-lo.

      Portanto, Deus, na Sua soberania, sim, é detalhista e rege tudo, tendo a conta dos cabelos que caem e dos que ficam na cabeça, como a Bíblia diz, ou a conta das folhas que caem e das que ficam nas árvores, como a Bíblia não diz e nem precisa dizer. 

       Basta selecionar, por sua temática,  alguns salmos, como o 139, ou ler alguns trechos das reclamações de Jó, para saber do que Deus se ocupa. Aprecia a beleza de Sua criação e, quanto a nós, nos fez a Sua imagem e semelhança. 

     Perdemos essa faceta, na queda. Mas, qual artista, em estado de arte, como diz Paulo aos Efésios 2,9, poiema, "criados em Cristo Jesus" somos um poema de Deus. Com isso, prioritariamente, Deus se ocupa. 

      Em Filipenses 1,6 está escrito ergon agaton, quer dizer, a "boa obra" de que Deus se ocupa e vai completar em nossa vida. E em 2,13 Paulo afirma que Deus "opera", energon, em nós, "tanto o querer", telein, "como o realizar", energein.

    Ou seja, Deus quer nos iluminar para que o nosso querer seja tal que a obra que resulte seja inspiração dEle e realização conjunta nossa e dele.

      Não sabemos como ou quando Deus interfere nos processos rotineiros da natureza. Milagre é essa alteração. Mas podemos realizar, sempre, nos mínimos detalhes, obras que sejam indicação dEle, assim como parceria com Ele. 

     Que seja essa a obra que sempre desejemos realizar. E que não atrapalhemos o que Deus quer realizar em nossa vida e por meio dela. Porque quer completar, em Cristo, e até (e para) o dia de Cristo a obra que em nós realiza. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Sequidão de estio

 

       O Salmo 32 define a radicalidade do pecado e os estragos em seu portador. O problema é que todos somos portadores desse mal. O Salmo inteiro, expressa, em termos democráticos, sem isentar nenhum vivente, esse tour existencial de experiência. 

    “Bem-aventurado", "confessei-te o meu pecado", "todo homem (ou mulher) piedoso(a) te fará súplicas", "alegrai-vos no Senhor" indicam o alento que, didaticamente, o salmista deseja transmitir, especificando, nessa experiência comum, o jogo aberto com Deus na expressão dessas mazelas. 

     E não poupa pormenores mais sórdidos, fazendo veemente advertência, caso sejamos tentados, a menosprezar a principal lição transmitida. "Calar os pecados", "mão que pesa dia e noite", "não seja como o cavalo ou a mula", "muito sofrimento terá de curtir o ímpio", esta parte, tão real quanto a anterior, deve ser evitada e, para tanto, o salmista compartilha conosco sua lição.  

      Sequidão de estio, tirada da vida prática a metáfora, caracterizada pela estação da seca, exprimindo a condição interior de quem não encara de frente, dia a dia, a triste realidade do pecado em sua própria vida. Mas com Deus, até em sequidão de estio há frutos. Lendo Números aliás, desde o Êxodo, conferimos as "estações da rebeldia" nos conflitos de Israel com Deus, pelo deserto.

        Quase duvidamos de Oseias, quando diz que o deserto foi o namoro de Deus com o povo escolhido. Afirma que ali Deus lhes falou ao coração. Sequidão de estio com Deus é ouvir a voz dEle ao coração. Significa experimentar o Seu amor e esperar os frutos. Significa ser, por Deus, amarrado com cordas de amor.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Deus e o diabo na terra de Jó

 "É sem motivo a fé de Jó?"

    Essa foi a pergunta de Satanás a Deus. Queria provar ser fraude em Jó tudo que se dizia dele. Torturado por perdas, haveria de ficar comprovado. 

    Há muitos, aliás, no Brasil, sem conta, que colocam os bens acima de tudo. Até mesmo e displicentemente acima do caráter que não têm. 

    Que dizer acima de pessoas. Certamente na vida de Jó a perda de toda a família foi a maior. O maior bem de Jó e sua maior riqueza eram filhos, filhas, esposa, servos seus, enfim, pessoas. 

   E o que lhe proporcionava essa opção de valor era sua fé. Esse valor somente se obtém por fé. Uma fé sem fingimento, como destacou Paulo ter Timóteo, a mesma de sua mãe e avó.

   Mas Satanás apostou que diante das perdas, ele perderia também a "fé", que o danado supunha ou queria provar ser frágil ou mesmo falsa. Perdeu. 

    Mas não pensemos que foi uma aposta entre compadres. A humanidade não é fruto do acaso e nem videogame para diversão sideral. 

   Claro que os bandos que atacaram as fazendas de Jó, o cataclisma que derrubou sobre os filhos e filhas a casa e as demais pragas que lhe tiraram a saúde tudo estava sob a permissão de Deus. 

    E também Deus não é tentado pelo mal, portanto não cedeu à sugestão de Satanás, que tem como agônica e permanente missão provar que, por detrás da fé, há interesses inconfessáveis e fraudulentos. Perdeu.

    Com Jó, perdeu. Deus mesmo é o motivo da fé. Compadres são Deus com todo o que crê. Compadres velhos conhecidos eram Deus e Jó. Aliás, são, eternamente.

    Fé resiste toda e qualquer prova. Ela só aumenta. Sofrimentos como esses se cumprem, espalhados por todo o canto. Sofrimento não vem de Deus, mas está associado à condição humana.

   Um dia não mais haverá nenhum tipo de sofrimento. Mas, por enquanto, nesta vida e nesta nossa condição, são-nos comuns. A fé também para eles é socorro, solução e termo. Porque a fé tem um único objeto. 

   Pode-se dizer que o sofrimento é aleatório. E até seu sensível reconhecimento também depende da ação misericordiosa de Deus no homem. Por exemplo, era por amor que Jó considerava sua família bem maior do que suas posses.

    Mencionamos aqui quem inverte esse valor. Isso é maior sofrimento. Porque torna alguém e todos à volta objeto de sua cobiça. Mas somente assim entende-se sensível quem se submete à misericórdia que é o amor de Deus. 

    Mal maior é não compreender o motivo da fé. Não era mercado, matéria de troca ou interesseira a fé de Jó. Era sem fingimento. Autêntica. Não escolhemos sofrimento e perda. Mas fazem parte de nossa existência, intimamente associada a pecado e sofrimento.

   Mal maior é enfrentar sem fé. Mal maior é ser um promotor de perda e sofrimento. Pecado é perda total. É sofrimento maior. É sinistro cujo seguro de vida, literalmente, está com Jesus. Grátis.

    No início da criação, como imediato recurso após a queda do casal primordial, Deus prometeu a Si mesmo que seria ferido pelo único sofrimento que é vicário, qual seja, no lugar de todos os outros e remédio definitivo para todos eles. 

    Podemos até desviar os olhos diante do pavor que nos proporciona ver, na face de Jesus,  todo esse sofrimento estampado, como anota Isaías, Jesus, "homem de dores, que discerne o que é  sofrimento e de quem escondemos nosso rosto".

   Mas Jesus é cara limpa. E na sua face vemos o rosto de Deus. Este é o motivo da fé, único recurso que nos resta entre a queda e a total redenção. Porque sem fé, é impossível agradar a Deus. 

    Veja o reflexo da glória de Deus na face de Jesus. Veja no rosto de Jesus o sorriso de nossa maior saudade,  que é sua companhia. E a certeza de que o sorriso de todos os que creem, um dia, vão se encontrar juntos, morando na cidade cujo nome Ezequiel indica como última legenda de seu livro: "o Senhor está ali".

      Este é o único motivo da fé.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

 Jó

    Introdução 

    Tão pequeno o nome, e tão rico em lições para cada um de nós. O livro começa com a síntese bíblica de sua personalidade. 

     Portanto, a primeira lição do livro com que a Bíblia nos deseja despertar é para a sua personalidade marcante.

     Há muitas outras sínteses se personalidade na Bíblia, como  de Noé, por exemplo, e Daniel, citados junto com Jó pelo profeta Ezequiel. 

     O profeta equipara a justiça desses três à falta dela entre o povo. De Daniel, a síntese é que "resolveu firmemente não se contaminar", Dn 1,8, enquanto que Noé, pelo que está em Gn 6,8-9, "achou graça aos olhos do Senhor" e "Noé andava com Deus".

      Antes de que mergulhemos na jornada que nos leva até o último capítulo do livro, em meio às alterações com os amigos e com o próprio Deus, diante de nós está a síntese de sua personalidade. 

    O hebraico enfatiza da seguinte maneira a pessoa de Jó:

"Homem houve na terra de Uz. Jó o nome dele. E o homem que ele era íntegro e reto e temente a Deus e errava o mal".

     A expressão popular atual "me erra" era a permanente postura de Jó diante do mal. A Bíblia adverte para fugir até do mal aparente, 1 Ts 5,22, mas não recuar diante do próprio tentador, Tg 4,7.

    Quanto ao temor do Senhor, era a atitude permanente dos crentes na igreja de Atos dos Apóstolos que, com todas as outras, compunha o quadro de virtudes que a mantinha viva e ativa: "em cada alma havia termor", At 2,43.

     E quanto a ser íntegro e reto, trata-se se de uma expressão que não se quebra,  de uma vez definindo duas posturas que não são independentes, mas somente ocorrem em conjunto. 

    A primeira lição no livro de Jó e aprender a praticar esse mesmo modelo de personalidade. No Novo Testamento há três textos que podem ser indicados como modelos dos itens que devem compor a personalidade de quem deseja seguir esse modelo. 

    As características das bem-aventuranças, em Mt 5,1-12, o fruto do Espírito, em Gl 5,16-26, e 2 Pe 1,3-11, que indica o conjunto de virtudes que se entrelaçam na constituição da personalidade de quem verdadeiramente  crê em Deus.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Oremos por maravilhas, pelas mãos de Jesus

E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?". Marcos 6,2.

     Carecemos disso. As mãos de Jesus nunca deixaram de operar maravilhas. Principalmente na vida de quem nEle crê. Os que são filhos dEle sempre e mais de perto as experimentam. 
     Algumas vezes carecemos de maravilhas que não vemos Jesus realizar. Explico. Nosso desejo não se realiza, porque, dessa vez, queremos estipular a Jesus o que desejamos que ele faça. 
    Ele é soberano. Em seu ministério terreno dependia do Pai para realizar milagres. Agora contínua a realizar, mantendo com o Pai as mesmas prioridades.
    As nossas prioridades devem ser as mesmas de Deus. O que Ele considera vital, também devemos considerar. Deus é vida, Deus é luz, Deus é amor. Devemos aspirar à vida, à  luz e ao amor de Deus. 
    Guiados pelo amor de Deus, nunca nos faltará luz e vida. Dependentes, desse modo, sempre Jesus estará operando maravilhas em nossa vida.
   Nunca vamos andar em trevas. "Quem há entre vós que tema ao SENHOR e que ouça a voz do seu Servo? Aquele que andou em trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus". 
    As trevas em que Jesus andou, foi para nos dela resgatar. Não mais andamos nas trevas do medo, da falta de fé e do pecado. Nas trevas do desamor. "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz". Isaías 9,2.
     O evangelho é a maior maravilha de Jesus. Não. Não maior: não existe maior ou menor maravilha. Como se fazem maravilhas pelas mãos de Jesus! Siga o sinal da profecia.
    Jesus não realizou maravilhas alheias. Somente as que, por sua mão, em comunhão com o Pai, continua a realizar milagres. Hoje oramos. Hoje precisamos de que Jesus opere maravilhas.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Nosso menino Cavuca

    

    A gente aqui da igreja chamava de menino o Cavuca. Josibias Cavalcante Chaves. Cavuca, o apelido carinhoso.
   Chamava de menino, talvez, pelo tamanho. Mas não era só isso. A esperteza também, com os olhinhos sempre assuntando as coisas.
   Cavuca não tinha sossego no trabalho. Para o que nós o contratamos, como manda a lei, carteira assinada e tudo o mais, ele sempre fez muito mais do que o esperado.
   Nosso caseiro. Tudo muito limpinho. A grama a dois dedos do chão. Folhas que caíam, recolhidas logo. Arremates por fazer, como a cinta por cima do muro, no perímetro do terreno, era deixar com ele e descansar. 
    Material, dinheiro na conta dele, prazo de trabalho, fiscalização de tempo e qualidade, tudo com o Cavuca, sem nenhuma preocupação. Nem precisava perguntar onde era mais barato, porque ele já sabia. 
    O camarada das grades atrasou a entrega. Ele foi lá e deu prazo. Ligou, justificando os problemas que o rapaz teve. Ele mesmo deu prazo final e me avisou. Eu disse, Cavuca, sem problema, está bom, veja isso aí você mesmo. 
   Era um contador de histórias. Claro que foi um menino pirracento. Cavuca não teve só acertos em sua vida. Isso porque, nesse sentido, era igual a todo mundo.
   A Bíblia diz isso: quem fala que acerta todo o tempo está mentindo. Mas os amigos e conhecidos de Cavuca que, desde muito tempo o acompanhavam em Rio Branco, não pensaram 2 vezes em indicá-lo para a sua função entre nós da igreja. 
    Principalmente Lúcia e Jorge, amigos de longa data, garantiram que ele seria e pessoa certa. E foi muito além da expectativa de todos. E sempre mais do que um simples funcionário. Amigo. Todo o tempo Cavuca foi nosso amigo. 
    Conquistou nossas crianças e toda a vizinhança à volta também. Para isso adquirimos a chácara: para alcançar as crianças do bairro, procurando encaminhá-las nas escolhas, caminhando com Jesus. 
    E, aos domingos, quando sentávamos com elas, sentávamos támbem com o Cavuca. A gente estava estudando Atos dos Apóstolos. Explicávamos a ele como era continuação da revelação de Jesus Cristo no e por meio do evangelho. 
   Ele ouvia atento. Mesmo que fôssemos só ele, eu e a pastora, que era como ele chamava minha esposa Regina. Todo domingo esperava os quitutes extras que ela levava. Fossem umas bistecas a mais, algum doce ou o famoso bolo cuca. 
    Tínhamos que recomendar a ele que não comesse todo, de uma vez, aquele guloso! Sentado ouvindo a Bíblia, às vezes, aliás, muito frequentemente, seus olhos marejavam com lágrimas. Eu fingia que não percebia.
   Acho que, ali, ele estava absorvendo a mensagem e focando em fases da vida em que deve ter agido desse modo pirracento. E como diz a própria Bíblia, não deixamos de lhe falar toda a mensagem.
    Sejam os aspectos positivos, sejam os menos agradáveis, como quando a mensagem diz que, sem arrependimento dos pecados, não dá para caminhar com Jesus. Arrependimento e confissão de pecados é o lado mais doloroso, mas essencialmente necessário. 
      Falou dos filhos. Eu agora descobri que não falou de todos. Mas ficamos conhecendo mais da metade. E Josy, a caçulinha do primeiro casamento, representou muito bem todos os outros. 
    Já havia estado aqui com o esposo e sua filhinha. Desta vez, veio para cuidar do pai. Incansável, cuidadosa e dedicada. Os momentos mais difíceis, ela viu de perto. Irmãos da igreja dividiram com ela essa ajuda, mas ela encarou, com coragem, o principal. 
    Por isso dizemos que ela representou muito bem toda a família. A mana Alzira veio, com o esposo e o mano Josafá, de Manaus a Rio Branco, pela estrada, mais de 1.400 km, para ver Cavuca. O sobrinho Jorge veio três vezes de Rondônia, cidade vizinha a 540 km daqui.
    Não medimos esforços. Gratidão à grande amiga Regina, a Japonesinha, do Cavuca, que há muitos anos o ajuda em todas as horas, nesta e em outras enfermidades, como na época da cirurgia na vizinha Bolívia. Gratidão à Dra. Alina, cardiologista, e sua secretária Renata: competência, dedicação e diligência no cuidado com esse paciente.
    Numa das conversas que teve com a mana Alzira, os dois falaram em perdão. Esse é o principal sentimento de Deus. É fruto do amor. Não é fácil perdoar. Mas a Bíblia recomenda que, se formos perdoar, que seja como Deus perdoa. 
    Só existe esse tipo de perdão. E, para praticar, só aprendendo com Deus e praticar com a ajuda dEle. Cavuca falou em perdão. Pode até não ter tido o tempo e a oportunidade que desejou para praticar. 
   Mas também, nós ofendemos, tanto, a Deus e, consequentemente, a tantos e tantas vezes à nossa volta, que nem lembramos de todas as mágoas que nós mesmos provocamos.
   Somente Deus para nos ensinar a perdoar e a ter coragem para pedir perdão. O olhar da foto do Cavuca, acima, indica a disposição que o menino tinha para ouvir, assuntar, contar histórias e aprender sempre. 
    O "tá legal" da foto abaixo, na esperança que ele teve, Josy desejou e todos da igreja e da família pedimos a Deus para que ele saísse de mais essa, foi atendida em parte. A gente preferia o Cavuca, de novo, na rotina com que conquistou a todos nós. 
    Deus, o Pai, quis o menino assuntando com Ele, na congregação do céu. Tá legal, Altíssimo. Mas vamos seguir em frente, seguindo Jesus, na parte que nos cabe, como meninos, porque Jesus disse que, quem não se faz como criança, não vê e nem entra no reino de Deus.


terça-feira, 7 de julho de 2020

Lição 16 - Paulo em Éfeso - Atos 18,19-20,21

Paulo em Éfeso 

 
   A estada de Paulo em Éfeso, em sua 3a viagem missionária, permite-nos deduzir algumas injunções que, pelo texto de Lucas e outros textos bíblicos, incluidas outras informações históricas e de pesquisa crítica dos textos nos conduzem a reconhecer a amplitude dos resultados.
 
    Aspectos estratégicos: o início em Éfeso
    Analisando o texto de Atos 18,19-20,1, que descreve sua primeira chegada a Éfeso e sua partida, podemos elencar traços graduais da importância dessa viagem de Paulo em todos o contexto imediato e remoto do Novo Testamento.
1. Sua passagem pela cidade, At 18,19-21, no final da 2a viagem missionária, já desenha uma ação promissora, visto que sua pregação na sinagoga motivou que lhe solicitassem permanecer entre eles, o que, de imediato, não atendeu, mas comprometeu-se a retornar;
2. Nesse meio tempo, cumpriu seu périplo, rotina entre uma viagem e outra: desembarcou em Cesareia, alcançou Jerusalém, retornou à sua igreja de origem em Antioquia da Síria, sempre compartilhando seus relatórios, e voltou confirmando os irmãos, na fé, percorrendo a região frígio-gálatas, At 18,22-24, até chegar a Éfeso;
3. Em At 18,24-28, antes de propriamente o apóstolo alcançar a cidade, pela segunda vez, é narrada a chegada de Apolo, que vai se revelar um obreiro de grande envergadura, em função de seu preparo, arrojo e oratória. Destaca-se, aqui, a assistência dada pelo casal  Áquila e Priscila, que o orientaram, visto somente conhecer o batismo de João Batista. Resolvida essa questão, rumou para a Acaia, onde Paulo já estivera, e promoveu um ministério de grande efeito;
4. Pareceu haver um grupo organizado de irmãos que não tinham conhecimento da continuidade, em Jesus, do ministério e profecia de João Batista, porque Paulo, ao chegar a Éfeso, At 19,1-7, exorta um grupo de 12 homens que, crendo em Jesus, receberam o Espírito Santo, após a oração de Paulo, com os mesmos sinais de Pentecostes e da casa de Cornélio, em Cesareia;
5. Eram discípulos tardios de João Batista. A importância desse profeta, como Jesus mesmo indica em Mt 11,1-19, ele enaltece o profeta, v. 11, em função de ser, em pessoa, a transição da antiga para a nova aliança, apontando Jesus. O próprio apóstolo João indicou, em Jo 1,35-42, quando se deu, na época aprazada, essa transição de seguimento, dos discípulos de João a Jesus;
6. A seguir, Paulo passou três meses explorando sua estratégia de ensinar nas sinagogas: "falando ousadamente, dissertando e persuadindo", o que provocou a reação esperada que os judeus ssempre promoviam. Isso fez com que Paulo levasse seus discípulos para a escola de Tirano, onde permaneceu, diariamente, por 2 anos, o que provocou uma oportunidade grandiosa de expansão do reino de Deus naquela região, At 19,8-10.

     A expansão do reino em Éfeso
     O "espaço de dois anos" de Paulo, na escola de Tirano, "dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos".
    A Ásia Menor, hoje equivalente ao território da Turquia, representava na época de Paulo como que uma vitrine do Mediterrâneo. A situação geográfica estratégica e o colar de igrejas que ali se constituiu, descritas no Apocalipse pelas 7 igrejas, indica a importância desse circuito.
     Situam-se, uma das outras, em média de distância de 200 km, como de Esrmina a Pérgamo. Numa só viagem, é possível visitar Tiatira, Sardes e Filadélfia. E no outro turno, chegar a Laodiceia e a Éfeso.
    A natureza de dificuldade que Paulo vai enfrentar em Éfeso, relacionada às religiões de mistério de tradição grega. Em At 19,19, Lucas relata o resultado do ministério de Paulo na cidade, e como um grupo significativo de praticantes de "artes mágicas", por efeito de sua pregação, queimou em praça pública toda a sua biblioteca, num prejuízo de 50 mil denários.
     Essa quantia, como costuma ser calculada na Bíblia, o denário como o salário de um dia, representa o resultado de cerca de135 anos de trabalho. Avaliar o impacto disso, numa cidade em que, como veremos com detalhe, na causa que se constituiu principal para a saída rápida de Paulo, tem intrincada relação com o orgulho pessoal e corporativismo daquela sociedade e o modo como foi afetada pelo estrondoso efeito do evangelho.
   As consequências do ministério de Paulo em Éfeso podem ser avaliadas:
 (1) em função dessa conversão em massa de mágicos da cidade e do "prejuízo" configurado em denários que isso representou, mais para a mídia, em Éfeso, refletindo na própria cidade, do que a quantia monetária em si;
(2) dos "sinais extraordinários" que Deus permitiu a Paulo exercer, visto que havia uma grande sorte de falsos profetas, curandeiros e mágicos, em Éfeso, enganado o povo. Até mesmo o sinal dos filhos de Ceva, At 19,13-17, que resultou "notório a todos os habitantes de Éfeso" e, por isso, "o nome do Senhor Jesus era engrandecido";
(3) a amplidão do ministério, em termos dos 2 anos de ensinamento diário na escola de Tirano, refletido na observação de Lucas. de que "todos os que habitavam na Ásia, ouviram a palavra do Senhor Jesus". Evidente que "todos" pode ser um exagero, mas pela lavra de Lucas, representa uma imensa amplitude;
(4) e, de modo remoto, ainda sem mencionar o desfecho, a despedida que promoveu quando passou por ali perto, em At 20,17-38, a dimensão do ministério de Paulo, nesse circuito da Ásia Menor, vai se projetar nas Carta aos Efésios, que precisa ser lida no contexto das demais assim chamadas Carta da Prisão (Filipenses, Colossenses e Filemom), com mais o Evangelho de João, francamente desenvolvido no ambiente que essa visita e seus desdobramentos, em Éfeso, bem indicam;
(5) a despedida do apóstolo da cidade, At 19,21-41, deu-se não sem mais um tumulto, desta vez provocado pelo líder dos artífices de prata, que fabricavam nichos com a deusa Diana, certamente um ponto turístico de atração e ainda mais lucro para a cidade. O testemunho do "inimigo", At 19,25-27, tentou incriminar Paulo e o ajuntamento provocou uma confusão que reinou durante 2h. Não fosse a sábia intervenção de um anônimo Escrivão da Cidade, depois de gritarem nesse período de tempo "Grande é a Diana dos efésios", a lógica do escrivão desfez a multidão a Paulo, que desejava se mostrar e mediar, mas foi sabiamente impedido pelos irmãos, o próprio apóstolo se despediu, voltou à Macedônia, percorreu-a, retornou acompanhado de vários companheiros de ministério, At 20,4, e retornou, em direção à Jerusalém, para nela alcançar o Pentecostes, At 20,16, é que vai se encontrar, novamente, com os irmãos em Éfeso, At 20, 1-16.

       Conclusão
      Vários são os resultados positivos e a amplitude do ministério de Paulo em Éfeso:
1. O circuito das cidades que aparecem no Apocalipse, ali indicadas por João, certamente foram permanentemente influenciadas pelo ministério de Paulo em Éfeso. O fato de constarem como as sete igrejas simbólicas do Apocalipse significa que, de certo modo, guardavam entre si conexão;
2. O próprio destaque que a igreja de Éfeso apresenta, em sua descrição, no Apocalipse, assim como na carta que Paulo escreve, em função se sua própria temática, essencialmente eclesiológica e proclamando e mesma ênfase de salvação a judeus e gentios, e caso seja também lida Colossenses, a ênfase da cristologia, reafirmando a doutrina de Cristo frente a ideias gnósticas, destaca p ambiente de religiões mágicas e de mistério tão comuns em Éfeso e, certamente, nesse circuito de igrejas;
3. A tradição situa João apóstolo com alguém especialista na contestação das religiões gregas herméticas, em função do Evangelho de João e seu modo de apresentar Jesus, como o Logos de Deus, além de sua terminologia, nos modos de indicar a ação do Espírito Santo no crente, a noção de novo nascimento, a significação bíblica do batismo em água, a afirmação de Jesus como luz, de mesma natureza de Deus ser luz, enfim, as abordagens de João em seu Evangelho fracamente reafirmar todo o contexto que Paulo vivenciou em Éfeso;
4. Deparamos os efeitos contínuos de um ministério bem vivido, experimentado e demarcado, de modo a atender o tempo e momento de sua atuação, assim como se projetar para o futuro, incluída a atividade por escrito do Espírito Santo, atuando nos autores do texto bíblico, promovendo a inspiração do texto de modo a avançar até os nossos dias. Assim percebemos como as Escrituras têm um contexto definido de composição que se configura no tempo e, segundo a providencia de Deus, projeta-se para o futuro.