Certo. Não está escrito em lugar nenhum na Bíblia que Deus conta ou sabe da quantidade de folhas que caem. Porque não precisa. Ele sabe.
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Deus dos detalhes
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
Sequidão de estio
O Salmo 32 define a radicalidade do pecado
e os estragos em seu portador. O problema é que todos somos portadores desse
mal. O Salmo inteiro, expressa, em termos democráticos, sem isentar nenhum
vivente, esse tour existencial de experiência.
“Bem-aventurado",
"confessei-te o meu pecado", "todo homem (ou mulher) piedoso(a)
te fará súplicas", "alegrai-vos no Senhor" indicam o alento que,
didaticamente, o salmista deseja transmitir, especificando, nessa experiência
comum, o jogo aberto com Deus na expressão dessas mazelas.
E não poupa pormenores
mais sórdidos, fazendo veemente advertência, caso sejamos tentados, a
menosprezar a principal lição transmitida. "Calar os pecados",
"mão que pesa dia e noite", "não seja como o cavalo ou a
mula", "muito sofrimento terá de curtir o ímpio", esta parte,
tão real quanto a anterior, deve ser evitada e, para tanto, o salmista
compartilha conosco sua lição.
Sequidão de estio,
tirada da vida prática a metáfora, caracterizada pela estação da seca, exprimindo
a condição interior de quem não encara de frente, dia a dia, a triste realidade
do pecado em sua própria vida. Mas com Deus, até em sequidão de estio há frutos.
Lendo Números aliás, desde o Êxodo, conferimos as "estações da rebeldia"
nos conflitos de Israel com Deus, pelo deserto.
Quase duvidamos de Oseias, quando diz que o deserto foi o namoro de Deus
com o povo escolhido. Afirma que ali Deus lhes falou ao coração. Sequidão de
estio com Deus é ouvir a voz dEle ao coração. Significa experimentar o Seu amor
e esperar os frutos. Significa ser, por Deus, amarrado com cordas de amor.
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Deus e o diabo na terra de Jó
"É sem motivo a fé de Jó?"
Essa foi a pergunta de Satanás a Deus. Queria provar ser fraude em Jó tudo que se dizia dele. Torturado por perdas, haveria de ficar comprovado.
Há muitos, aliás, no Brasil, sem conta, que colocam os bens acima de tudo. Até mesmo e displicentemente acima do caráter que não têm.
Que dizer acima de pessoas. Certamente na vida de Jó a perda de toda a família foi a maior. O maior bem de Jó e sua maior riqueza eram filhos, filhas, esposa, servos seus, enfim, pessoas.
E o que lhe proporcionava essa opção de valor era sua fé. Esse valor somente se obtém por fé. Uma fé sem fingimento, como destacou Paulo ter Timóteo, a mesma de sua mãe e avó.
Mas Satanás apostou que diante das perdas, ele perderia também a "fé", que o danado supunha ou queria provar ser frágil ou mesmo falsa. Perdeu.
Mas não pensemos que foi uma aposta entre compadres. A humanidade não é fruto do acaso e nem videogame para diversão sideral.
Claro que os bandos que atacaram as fazendas de Jó, o cataclisma que derrubou sobre os filhos e filhas a casa e as demais pragas que lhe tiraram a saúde tudo estava sob a permissão de Deus.
E também Deus não é tentado pelo mal, portanto não cedeu à sugestão de Satanás, que tem como agônica e permanente missão provar que, por detrás da fé, há interesses inconfessáveis e fraudulentos. Perdeu.
Com Jó, perdeu. Deus mesmo é o motivo da fé. Compadres são Deus com todo o que crê. Compadres velhos conhecidos eram Deus e Jó. Aliás, são, eternamente.
Fé resiste toda e qualquer prova. Ela só aumenta. Sofrimentos como esses se cumprem, espalhados por todo o canto. Sofrimento não vem de Deus, mas está associado à condição humana.
Um dia não mais haverá nenhum tipo de sofrimento. Mas, por enquanto, nesta vida e nesta nossa condição, são-nos comuns. A fé também para eles é socorro, solução e termo. Porque a fé tem um único objeto.
Pode-se dizer que o sofrimento é aleatório. E até seu sensível reconhecimento também depende da ação misericordiosa de Deus no homem. Por exemplo, era por amor que Jó considerava sua família bem maior do que suas posses.
Mencionamos aqui quem inverte esse valor. Isso é maior sofrimento. Porque torna alguém e todos à volta objeto de sua cobiça. Mas somente assim entende-se sensível quem se submete à misericórdia que é o amor de Deus.
Mal maior é não compreender o motivo da fé. Não era mercado, matéria de troca ou interesseira a fé de Jó. Era sem fingimento. Autêntica. Não escolhemos sofrimento e perda. Mas fazem parte de nossa existência, intimamente associada a pecado e sofrimento.
Mal maior é enfrentar sem fé. Mal maior é ser um promotor de perda e sofrimento. Pecado é perda total. É sofrimento maior. É sinistro cujo seguro de vida, literalmente, está com Jesus. Grátis.
No início da criação, como imediato recurso após a queda do casal primordial, Deus prometeu a Si mesmo que seria ferido pelo único sofrimento que é vicário, qual seja, no lugar de todos os outros e remédio definitivo para todos eles.
Podemos até desviar os olhos diante do pavor que nos proporciona ver, na face de Jesus, todo esse sofrimento estampado, como anota Isaías, Jesus, "homem de dores, que discerne o que é sofrimento e de quem escondemos nosso rosto".
Mas Jesus é cara limpa. E na sua face vemos o rosto de Deus. Este é o motivo da fé, único recurso que nos resta entre a queda e a total redenção. Porque sem fé, é impossível agradar a Deus.
Veja o reflexo da glória de Deus na face de Jesus. Veja no rosto de Jesus o sorriso de nossa maior saudade, que é sua companhia. E a certeza de que o sorriso de todos os que creem, um dia, vão se encontrar juntos, morando na cidade cujo nome Ezequiel indica como última legenda de seu livro: "o Senhor está ali".
Este é o único motivo da fé.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Jó
Jó
Introdução
Tão pequeno o nome, e tão rico em lições para cada um de nós. O livro começa com a síntese bíblica de sua personalidade.
Portanto, a primeira lição do livro com que a Bíblia nos deseja despertar é para a sua personalidade marcante.
Há muitas outras sínteses se personalidade na Bíblia, como de Noé, por exemplo, e Daniel, citados junto com Jó pelo profeta Ezequiel.
O profeta equipara a justiça desses três à falta dela entre o povo. De Daniel, a síntese é que "resolveu firmemente não se contaminar", Dn 1,8, enquanto que Noé, pelo que está em Gn 6,8-9, "achou graça aos olhos do Senhor" e "Noé andava com Deus".
Antes de que mergulhemos na jornada que nos leva até o último capítulo do livro, em meio às alterações com os amigos e com o próprio Deus, diante de nós está a síntese de sua personalidade.
O hebraico enfatiza da seguinte maneira a pessoa de Jó:
"Homem houve na terra de Uz. Jó o nome dele. E o homem que ele era íntegro e reto e temente a Deus e errava o mal".
A expressão popular atual "me erra" era a permanente postura de Jó diante do mal. A Bíblia adverte para fugir até do mal aparente, 1 Ts 5,22, mas não recuar diante do próprio tentador, Tg 4,7.
Quanto ao temor do Senhor, era a atitude permanente dos crentes na igreja de Atos dos Apóstolos que, com todas as outras, compunha o quadro de virtudes que a mantinha viva e ativa: "em cada alma havia termor", At 2,43.
E quanto a ser íntegro e reto, trata-se se de uma expressão que não se quebra, de uma vez definindo duas posturas que não são independentes, mas somente ocorrem em conjunto.
A primeira lição no livro de Jó e aprender a praticar esse mesmo modelo de personalidade. No Novo Testamento há três textos que podem ser indicados como modelos dos itens que devem compor a personalidade de quem deseja seguir esse modelo.
As características das bem-aventuranças, em Mt 5,1-12, o fruto do Espírito, em Gl 5,16-26, e 2 Pe 1,3-11, que indica o conjunto de virtudes que se entrelaçam na constituição da personalidade de quem verdadeiramente crê em Deus.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Oremos por maravilhas, pelas mãos de Jesus
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Nosso menino Cavuca
terça-feira, 7 de julho de 2020
Lição 16 - Paulo em Éfeso - Atos 18,19-20,21
As consequências do ministério de Paulo em Éfeso podem ser avaliadas:
(1) em função dessa conversão em massa de mágicos da cidade e do "prejuízo" configurado em denários que isso representou, mais para a mídia, em Éfeso, refletindo na própria cidade, do que a quantia monetária em si;
(2) dos "sinais extraordinários" que Deus permitiu a Paulo exercer, visto que havia uma grande sorte de falsos profetas, curandeiros e mágicos, em Éfeso, enganado o povo. Até mesmo o sinal dos filhos de Ceva, At 19,13-17, que resultou "notório a todos os habitantes de Éfeso" e, por isso, "o nome do Senhor Jesus era engrandecido";
(3) a amplidão do ministério, em termos dos 2 anos de ensinamento diário na escola de Tirano, refletido na observação de Lucas. de que "todos os que habitavam na Ásia, ouviram a palavra do Senhor Jesus". Evidente que "todos" pode ser um exagero, mas pela lavra de Lucas, representa uma imensa amplitude;
(4) e, de modo remoto, ainda sem mencionar o desfecho, a despedida que promoveu quando passou por ali perto, em At 20,17-38, a dimensão do ministério de Paulo, nesse circuito da Ásia Menor, vai se projetar nas Carta aos Efésios, que precisa ser lida no contexto das demais assim chamadas Carta da Prisão (Filipenses, Colossenses e Filemom), com mais o Evangelho de João, francamente desenvolvido no ambiente que essa visita e seus desdobramentos, em Éfeso, bem indicam;
(5) a despedida do apóstolo da cidade, At 19,21-41, deu-se não sem mais um tumulto, desta vez provocado pelo líder dos artífices de prata, que fabricavam nichos com a deusa Diana, certamente um ponto turístico de atração e ainda mais lucro para a cidade. O testemunho do "inimigo", At 19,25-27, tentou incriminar Paulo e o ajuntamento provocou uma confusão que reinou durante 2h. Não fosse a sábia intervenção de um anônimo Escrivão da Cidade, depois de gritarem nesse período de tempo "Grande é a Diana dos efésios", a lógica do escrivão desfez a multidão a Paulo, que desejava se mostrar e mediar, mas foi sabiamente impedido pelos irmãos, o próprio apóstolo se despediu, voltou à Macedônia, percorreu-a, retornou acompanhado de vários companheiros de ministério, At 20,4, e retornou, em direção à Jerusalém, para nela alcançar o Pentecostes, At 20,16, é que vai se encontrar, novamente, com os irmãos em Éfeso, At 20, 1-16.
Conclusão
Vários são os resultados positivos e a amplitude do ministério de Paulo em Éfeso:
1. O circuito das cidades que aparecem no Apocalipse, ali indicadas por João, certamente foram permanentemente influenciadas pelo ministério de Paulo em Éfeso. O fato de constarem como as sete igrejas simbólicas do Apocalipse significa que, de certo modo, guardavam entre si conexão;
2. O próprio destaque que a igreja de Éfeso apresenta, em sua descrição, no Apocalipse, assim como na carta que Paulo escreve, em função se sua própria temática, essencialmente eclesiológica e proclamando e mesma ênfase de salvação a judeus e gentios, e caso seja também lida Colossenses, a ênfase da cristologia, reafirmando a doutrina de Cristo frente a ideias gnósticas, destaca p ambiente de religiões mágicas e de mistério tão comuns em Éfeso e, certamente, nesse circuito de igrejas;
3. A tradição situa João apóstolo com alguém especialista na contestação das religiões gregas herméticas, em função do Evangelho de João e seu modo de apresentar Jesus, como o Logos de Deus, além de sua terminologia, nos modos de indicar a ação do Espírito Santo no crente, a noção de novo nascimento, a significação bíblica do batismo em água, a afirmação de Jesus como luz, de mesma natureza de Deus ser luz, enfim, as abordagens de João em seu Evangelho fracamente reafirmar todo o contexto que Paulo vivenciou em Éfeso;
4. Deparamos os efeitos contínuos de um ministério bem vivido, experimentado e demarcado, de modo a atender o tempo e momento de sua atuação, assim como se projetar para o futuro, incluída a atividade por escrito do Espírito Santo, atuando nos autores do texto bíblico, promovendo a inspiração do texto de modo a avançar até os nossos dias. Assim percebemos como as Escrituras têm um contexto definido de composição que se configura no tempo e, segundo a providencia de Deus, projeta-se para o futuro.

