terça-feira, 2 de março de 2021

Visões da Bíblia - o pesadelo de Abraão - 5

"A isto respondeu logo o Senhor, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça". Gn 15:4-6.


      A base da "justificação pela fé", isenta na Bíblia, que vincula o ser humano a Deus unicamente por fé individual, com um único intermediário, Jesus, o qual supre, em relação a Deus, tudo o de que carecemos, tem sua base no Antigo Tratamento.

     Caso Paulo tenha desenvolvido, na sua carta aos Romanos, todo o seu raciocínio, a partir da leitura em Habacuque, da sentença "o justo viverá pela fé", certamente esse profeta faz sua leitura a partir dessa altercação entre Deus e seu amigo, ainda, Abrão.

      "Sai para fora, conta as estrelas, se é que podes, será assim a tua posteridade". Em seu chamado, Deus havia dito a Abrão que dele "faria uma grande nação", "abençoar-lhe-ía" e "faria grande o seu nome". Nenhuma dessas atribuições associadas à vaidade humana.

     Todas dentro do padrão de grandeza e bênção típicos da concepção divina. Assim como a nação, prometida a um homem que, há anos, esperava o cumprimento de uma promessa de Deus, envelhecido, de esposa estéril, nada, humanamente falando, tipificado pela conta inumerável de estrelas.

      Mas o texto diz que Abrão creu em Deus, o que lhe foi imputado como justiça. Crer em Deus, para Deus, basta, para que nos seja, da parte dEle, imputada justiça.

Visões da Bíblia - o pesadelo de Abraão - 4

"Depois destes acontecimentos, veio a palavra do Senhor a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. Respondeu Abrão: Senhor Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa na será o meu herdeiro". Gn 15:1-3.


    Os acontecimentos que precipitam o pesadelo de Abraão são todos aqueles associados a um estado de guerra, saque, sequestro de Ló, seu sobrinho, e negociações com os maiorais da terra de sua peregrinação.

      A tal "guerra de 4 reia contra 5" foi uma invasão de Canaã, que pegou Abraão de surpresa, que se viu nela envolvido para além do pescoço. Perseguiu os reis invasores, que relaxaram, dando-se por vitoriosos, de sobra, tendo organizado a resistência com seus agregados e o povo da terra.

      Resgatou o sobrinho, desbaratou as tropas hostis e trouxe de volta os despojos, para entregar intactos aos donos. Só retirou deles a soma dos mercenários aliados e o dízimo, que entregou a Melquisedeque.

     Essa tal desconhecido, "sacerdote do Deus Altíssimo", Koen leEl Elion, tinha sua autoridade reconhecida pelos homens da terra e pelo próprio patriarca. Porque a fé, de que Abraão acabará por ser reconhecido "pai", era anterior a ele.

     E tudo o que passou na sua vida era exercício de fé. Ela não vem pronta, como se fosse um "aplicativo", incorporado por download. Não. É relacional e depende de exercícios. Sua musculatura depende, principalmente, das provações ao longo do caminho.

     Vide Tiago. Daí a altercação entre dois velhos conhecidos, por amizade, Deus e Abraão. Este argumenta com ele, o assunto de "Eu sou teu escudo, teu galardão será sobremodo grande", enquanto que o outro entra com a cobrança: "que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro de minha casa é o damasceno Eliézer"?

    Fé é "certeza do que se espera", ao mesmo tempo que "convicção de fatos que não se veem". Nessa mesma unidade das Escriruras, aos Hebreus, diz-se de Abraão, de um já "amortecido" saiu "posteridade tão numerosa quanto as estrelas dos céus" e também dele, e de outros que (1) "morreram na fé", (2) em vida, "viam (sem ver) as promessas de longe", (3) "confessando serem peregrinos na terra" e (4) em busca de uma "pátria celestial".

      Fé é exercício. Deus testava a musculatura de Abraão, como testa a nossa. Porque, como assinala o próprio autor anônimo de Hebreus, "sem fé, é impossível agradar (ou andar) com Deus".
     

Visões da Bíblia - Jacó e sua escada - 3

Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus. Tendo-se levantado Jacó, cedo, de madrugada, tomou a pedra que havia posto por travesseiro e a erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite. E ao lugar, cidade que outrora se chamava Luz, deu o nome de Betel". Gn 28:16-19.

   Jacó acordou. Talvez porque, recém-despertado, sem que ainda houvesse refletido atentamente no que viu e ouviu, começasse a, por iniciativa própria, reagir às impressões do sonho.

    Primeira constatação, segundo Ele, Deus estava naquele lugar ou, mais exatamente, com Jacó, e ele não sabia. Realmente, era o óbvio que ele precisava reconhecer, o que faz com a ajuda de Deus.

     Deu nome ao lugar. Achou-o mais que temível, resolveu dizer que era "casa de Deus" e "porta do céu". Embora bastante modificativos os nomes, com tremenda carga simbólica, são menos importantes os nomes do que a constatação, em si, da presença de Deus.

     Porque na presença de Deus, em todo lugar que Ele habita, onde Se faz presente, esse lugar será Sua casa e, consequentemente, porta do céu. Toda essa agitação daquela noite fez Jacó madrugar. Levantou-se, "acordei-me", como se diz no Acre, e tomou iniciativas.

    Ergueu um monumento, usando como referência a pedra de que se servira como travesseiro, derramou sobre ela azeite e rebatizou o lugar onde havia, aflitivamente, pernoitado. A cidade cananeia Luz, passa a se chamar Betel, "casa de Deus", no hebraico.

    Para Jacó, naquele momento, assim como geograficamente e para a história subsequente do povo, até constar nas Escriruras, a experiência de Jacó, o lugar e seu sentido posterior ficam, definitivamente, assinalados.

    Mais tarde Jacó reconhecerá como notável, o mais grandioso para ele, em toda a sua vida, a providência de Deus. Que sempre está perto, no lugar que é Sua casa e sempre porta do céu. Deus me apareceu em Luz.

    E eu não o sabia. Muito semelhante à experiência de Agar, no deserto. Muito semelhante à experiência de Jesus, no deserto. Às vezes o mundo parece um deserto. Nunca deixemos de reconhecer que Deus sempre está perto e de que anjos sobem e descem num azáfama, para nos assistir. 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Visões da Bíblia - Jacó e sua escada - 2

"Perto dele estava o Senhor e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido".  Gênesis 28:13-15  

      Na visão da escada, um sonho raro, na Bíblia, seguido de interpretação, o texto indica que "Perto dele estava o Senhor" e ainda acrescenta: "E lhe disse".

     Na condição de Jacó, gêmeo com Esaú, a quem, literalmente, "pegou no pé" no ato do nascimento, porque foi o segundo a sair, estava sozinho, fugido e sem rumo.

    Travado ali, por exaustão, foi contemplado com a interferência divina, corriqueira na vida humana, em função dos propósitos de Deus para o ser humano.

    E por isso a história de Jacó está sendo contada e a providência de Deus nela assinalada, para que saibamos que Deus tem um propósito, não somente na vida de Jacó, mas na vida de cada um.

    E podemos dizer que há propósitos de Deus que são genéricos, daí sua fala a Jacó, que nos alerta para a nossa inclusão nesse propósito, assim como a parte individual e histórica da questão, que nos permite a comparação com o caráter de Jacó, suas próprias circunstâncias e a relação com Deus.

     Deus se revela a Jacó, para quem não era totalmente desconhecido, visto sua história familiar. Deus reafirma a promessa feita ao avô: Jacó está recostado numa terra que, um dia, será sua e de seu povo, uma vez tendo sido prometida por Deus ao avô Abraão.

     E fala para além do horizonte histórico de Jacó, nessa hora que nos inclui, porque a descendência de Jacó, aqui referida, não será somente aquela de mesmo DNA, apenas étnica, mas a de todos os que creem em Deus.

     Jacó não esperava que na sua fuga e no aleatório de suas peregrinações e jornada neste mundo havia um propósito de Deus, que o procurava para alertá-lo sobre isso, acrescentando uma participação coletiva e inclusiva por meio de uma fé comum.

     O trapaceiro não esperava por essa. Era alvo do amor de Deus. Surpreendente o amor de Deus. 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Visões da Bíblia - Jacó e sua escada - 1

 "Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela". Gn 28:11,12


     Jacó pousou em "certo lugar" a que, posteriormente, dará nome. Fez uma pedra de travesseiro. E sonhou.

     No caso, o que é raro na Bíblia e não autoriza nenhuma regra, seu sonho tinha um significado.

    A escada que avistou nele unia céu e terra e apresentava um sobe e desce de anjos, movimento febril, segundo se desenha ao leitor.

    A nota principal indicada é que perto de Jacó estava o Senhor. Que lhe vai assinalar as promessas de que é alvo, associadas a Abraão, seu avô.

    Assinalaremos o seu sentido no próximo texto, porque neste desejamos refletir sobre a visão propriamente dita, o cenário do movimento dos anjos.

    A escada estabelece ligação entre céu e terra e a movimentação dos anjos a indicação de expediente contínuo.

    É para Jacó compreender que do céu à terra e da terra ao céu existe uma correspondência de atuação dos anjos, ao mesmo tempo estabelecendo contato, assim como uma agenda pré-definida, diligente e contínua a seu favor.

     Vale destacar que a história de Jacó está sendo escrita, assim como programada, não exclusivamente por ele, com seus erros e acertos, de uma maneira, digamos, propedêutica.

     Isso quer dizer que, de forma propositiva e dentro da providência de Dsus, os fatos relacionados à vida de Jacó e à sua peregrinação, ainda que de uma forma forçada por sua trapaça com o irmão e cumplicidade com a mãe, não escapam aos cuidados de Deus e vão cumprir Seus propósitos.

    O que não quer dizer, absolutamente, que Deus abençoa os trapaceiros ou sempre distorce ou conserta nossos erros.  Mas sim que, de modo único, Ele cumpre os propósitos de bênçãos a nosso favor, evitando que sejamos autodestrutivos.

    Sempre haverá um expediente intenso a nosso favor, um azáfama de anjos num fluxo de mão dupla entre a terra e o céu, mesmo porque estamos todos incluídos na bênção de Jacó, definitivamente.

    Por um lado, porque todos somos, por modo semelhante, trapaceiros, senão exatamente pelo que ele fez, seremos por outra variação qualquer. E, por outro lado, é que, do mesmo modo como Deus inclui Jacó em Seus planos, como que nos chama nele, e também individualmente, do mesmo modo como o chamou.

     "Perto dele estava o Senhor e lhe disse", acrescenta o texto. A pergunta, de resposta implícita, seria: de quem Deus não está perto? E a quem Deus não tem algo a dizer?

    A ligação céu-terra, com o sobe e desce angelical, não foi expediente exclusivo a Jacó. É uma indicação de que todos estão (ou estamos) incluídos nas promessas feitas a ele. Bastando que, para isso, não se autoexcluam (ou não nos excluamos).
     

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Texto e contexto

    Infinitamente mais. Paulo ora. Um texto que revela o efeito prático, singelo e verdadeiro da oração.

     O apóstolo ora por amor, para que possamos perceber algo além de nossa compreensão, e enumera grandezas que não medem seu tamanho.

    Menciona altura, largura, comprimento e profundidade. E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejamos tomados de toda a plenitude de Deus.

    Palmilhando o texto, deparamos o peculiar da Bíblia, em sua extensão. Não dá para diminuir o efeito, a relevância e a importância da oração.

    E o principal conteúdo apontado para ela é o amor. O apóstolo menciona que o conheçamos, prevenindo que excede todo o entendimento.

    Para logo complementar que isso permite sermos tomados de toda a plenitude de Deus. Ora, Paulo está afirmando ser o amor "a plenitude de Deus", que podemos ser "tomados" dela e ainda acrescenta "toda", quer dizer, de modo pleno, completo, inteiro.

     Textos como esses, na Bíblia, definitivamente definem sua autenticidade ou fraude. Porque se essa afirmação é fraudulenta ou, no mínimo, inautêntica ou pretensiosa, o livro não pode ser levado a sério.

     Amor de Deus em plenitude, para a imediata afirmação que podemos ser por ele tomados de modo completo, o que excede nosso entendimento, mas é possível sermos inseridos nesse limite sem limite.

     Textos que definem, de uma vez, a Bíblia como verdadeira e exequível para aquele que crê.  Conhecer o amor de Deus, que excede todo o entendimento, ser tomado de toda a plenitude de Deus.

     Paulo encerra a oração afirmando que Deus pode fazer infinitamente mais de que tudo quanto pedimos ou pensamos. Após apontar para o máximo impensável, aponta agora para o "infinitamente mais".

     E o mais pontual é que, ao alcance dessa oração, tudo é real, possível e tangível. O desvelo de Deus pelo ser humano é compartilhado por Ele conosco.

    Amor é o principal sentimento do caráter de Deus. No homem esse sentimento inexiste em estado natural. Deus resgata no homem essa condição, chamando-o à comunhão com Ele.

     O que pode ser infinitamente mais do que essa experiência com Deus? Ao alcance de uma oração. Real, possível e tangível. Esse o contexto e texto da Bíblia.

    Palmilhando, então, texto e contexto, somos convidados a essa plenitude de amor. Em qualquer contexto, vamos atentar ao texto. A Bíblia nos é dada para que, em qualquer contexto, acolhamos o texto em sua clareza e plenitude.

    Então, neste contexto, somos convidados a uma experiência de amor. Deus nos oferece essa experiência de amor, porque Deus é amor e Se oferece inteiro, "tomados de toda a plenitude de Deus".

     Ao alcance de uma oração. A Bíblia diz, também, que não sabemos orar como convém. Como convém orar? Que oração fazer nesse e neste contexto? Aqui Paulo Apóstolo convida ao texto e contexto do amor de Deus.

      Primeiro existe Deus e o seu (dEle) amor. Para logo depois Deus compartilhar conosco o Seu amor. E está acima do nosso entendimento. As medidas são dadas, as dimensões são exatas, altura, largura, comprimento e profundidade. Mas não são dadas.

     Porque são infinitas. O amor que Deus compartilha é intenso, real e infinito. Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, Jesus. Na verdade, deu-Se no Filho. Infinitamente mais.

    A experiência de Deus com Seu próprio amor extrapola o próprio Deus, de tão intensa, por isso deu-Se a si mesmo. E convidou, com Ele, ao Filho e ao Espírito Santo a compartilhar essa igual experiência de amor.

    Que se manifesta entre nós, entre homens e mulheres, na igreja. Infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos. Qual a nossa oração neste contexto? Deus nos convida a uma intensa experiência de amor.


Infinitamente mais - Asaph Borba 

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Gritos

"Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras". Provérbios 1:20,21


    Quantos e quais gritos? Qual deles se sobressai? Que ruídos calam os gritos? Afinal, que voz prevalece?

    O ouvido, dos 5 sentidos, é o mais difícil de se bloquear. Não dá para fechá-lo ou abrir por nenhum mecanismo, que não seja pela palma das mãos, as pontas dos dedos ou o sobrepor das dobras dos braços.
   
    Caso não seja assim, ter-se-á de ouvir e, caso se queira fazer de surdo, tergiversar. Fingir que não ouviu. Qual o grito das ruas? Não é fácil discernir. Até para quem pousa de ilustre.

     Prossegue o sábio:
"Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento? Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras". Provérbios 1:22,23

     Ele denuncia as razões por que não se ouve o grito da sabedoria. Senão, vejamos: 1. O amor a necedade; 2. O desejo e apego ao escárnio; 3. E o aborrecimento, pelo louco, do conhecimento. O sábio propõe um "derramar do espírito" que, por sua vez, associado ao "saber de palavras".

    Por extensão, um "derramar de palavras", na opinião dele, pode reverter toda a situação, de modo a permitir que seja ouvido o grito da sabedoria. Na opinião do sábio, não seria tão difícil assim dar com a sabedoria nas ruas, não fossem os obstáculos que ele mesmo enumera.
    
      Loucura, necedade e escárnio, para o sábio, representam o acúmulo de obstáculos que se antepõem aos gritos da sabedoria. Não seria nem preciso que gritasse, mas ela busca esse recurso, na tentativa de se fazer ouvir.

    Necedade abre mão de toda a lógica. Escárnio, também, nem quer ouvir, porque já se antepõe com ironia e desprezo. E a loucura é afrontosamente escarchada, prefere o que de antemão já elegeu como prioridade.

     Em todos os casos foi subvertida a sabedoria e nenhum de seus porta-vozes será atendido. Pior que desprezar a sabedoria é desmerecer todas as consequências que dela advêm. Ou seja, sabedoria tem o seu corolário.

     Desprezá-la significa, exatamente, abrir mão dele, sem medir consequências. Por isso que se chama necedade, escárnio e loucura. Ainda assim, para ouvi-la, para os que decidirem, será imprescindível a humildade.

    Para que alguém não se autopresuma sábio, sem atentar para a prioridade no grito, em si, por isso que o sábio vai apontar para uma instrução prévia "adquire a sabedoria". Para ouvir o grito é necessário, antecipadamente, exercitá-la.

     Há muitos gritos. Há os que prevalecem, mas, muitas vezes, estão surdos, por causa da suposta prioridade de outros gritos sobrepostos.

     Nem precisava haver grito, caso os ouvidos estivessem abertos.