quinta-feira, 16 de julho de 2026

Achar graça diante de Deus

 ⁸ "Porém Noé achou graça diante do Senhor." Gn 6.

³⁷ "Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem." Mateus 24.

   Se fosse manchete do que, antes, chamava-se jornal, seria sensasionalista. Mais ou menos deste jeito: JESUS DECLARA-SE PESSIMISTA QUANTO AO FINAL DOS TEMPOS.

   Com o seguinte subtítulo: "Para os que acreditam no 'fim dos tempos', Jesus é um pessimista: previne que, como nos dias de Noé, vai de mal a pior".

   Porque a tendência é focar no destaque negativo. Ou reforçar, com cores ainda mais sombrias, as situações alarmantes. 

   Inegável que Jesus faz uma advertência. E destaca, ainda que não se contentem com isso somente, mas que a maldade humana cresce exponencialmente.

   Supondo-se, por uma espécie de redução ao absurdo, de que Deus (e nem Jesus) existam, como realidade factual, realmente, para atestar que a maldade humana se multiplica, será impossível negar.

   A época de Noé coincide com a narrativa bíblica do dilúvio. O bom senso deste século, pós-moderno, iluminista, era das luzes da razão, desmistificam e negam a história da arca.

   Mas os relatos nomeados científicos, por seu lado, atestam várias eras antigas na formação do planeta, nas quais sucedem invernos brutais, enchentes inomináveis, choques de asteroides, enfim, não seria de todo prudente negar o dilúvio.

  Nem descartar que a arca, ainda que não literal, repreenta um escape que preservou a humanidade daqueles dias. Mas o que menos atrai a percepção é a declaração de que Noé achou graça diante de Deus.

    A história do dilúvio não existe para demonstrar o sadismo divino em destruir a humanidade inteira afogada.  Nem precisa existir Deus:  a humanidade vai dar conta de si mesma por si própria.

    Mas encontrar graça diante de Deus é encontrar a cura para a multiplicação da maldade.  Esta se confirma como a principal característica da condição humana.

   Não se acredite no dilúvio, ou nem em Noé, nem em Deus. Mas a maldade humana é insofismável. A história do dilúvio é a da depressão de Deus.

⁵ "Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; ⁶ então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração." Gênesis 6.

   Impossível negar a maldade humana.  Imprescindível achar graça diante de Deus. Essa é a maior oferta. Porque  a humanidade, na pós-modernidade nuclear, pode ser inundada por fogo. E Deus nada terá a ver com isso. 

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