¹³ "Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério." Hebreus 13.
Aí reside o problema. Em que proporção esse vitupério, essa vergonha ou afronta? Assumir-se cristão, mas em que sentido?
Pulverizou-se o significado de se afirmar cristão, ou crente, evangélico, protestante, "os Bíblia", no meu tempo de criança.
A cruz é uma afronta. Uma das razões alegadas por judeus para não reconhecer Jesus como Messias consta nas Escrituras:
²³ "...porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus". Deuteronômio 21.
Ora, mas isso Paulo afirma aos Gálatas, que o crucificado Jesus se fez maldito, porém para que a maldição que carregamos, fosse nEle exaurida, e a santidade dEle a nós fosse atribuída, com e por justiça.
¹³ "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), ¹⁴ para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido." Gl 3.
Esse sentido da cruz é o original. Para se associar a ele, isto é, ver-se incluído nessa troca de maldição por bênção, ou seja, herança individual trazida do berço trocada pela santidade imputada pelo sacrifício do Filho, é necessário assumir-se o combo.
Com tudo que inclui, ser tido por ridículo, em acreditar nessas coisas, ou assumir-se marcado por pecado, ou ainda discriminado por autodeclarar-se cristão. Porque ser cristão traz uma enorme carga de vergonha assumida, mas somente de um tipo original.
Que é a constatação da realidade do pecado no viver. E este representa a condição de que algo muito ruim, que sempre pôde ser evitado, ocupou a parcela completa do ser e do viver.
Na conversa com Caim, Deus lhe revela a natureza do mal. Pelo menos, três conceitos fundamentais referentes a esse mal estão assim definidos:
⁷ "Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo." Gênesis 4.
1. O pecado (sub)jaz, como numa emboscada, dentro e pronto a nos subverter; 2. O desejo do pecado não é aprovado por Deus e é homicida (contra Deus, contra o portador e contra o interlocutor); 3. Somos responsáveis por dominar, evidentemente, se e quando recorremos a Deus.
Deus revela o pecado. O arrependimento provém de Deus, por uma tristeza que, diante do pecado, somente Deus possui. E tudo isso pela bondade de Deus, que conduz ao arrependimento a quem ama. E Deus a todos ama.
¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.
⁴ "Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" Romanos 2.
Assuma a tua vergonha. A original. Enxerga o teu pecado pela tristeza de Deus. Arrepende-te. Saia, fora da porta, ao encontro do crucificado. E carregue contigo, pelo restante de tua existência e pelo viés autêntico, a vergonha do evangelho.
¹⁶ "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; ¹⁷ visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé." Romanos 1.
E, uma vez sendo autêntico, nunca te envergonhes de admitir.
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