A Bíblia apresenta diversos textos que indicam a nossa identidade. Há também aqueles que o fazem indiretamente. Porque, decisivamente, as Escrituras são o texto que nos coloca dentro delas.
Aos Efésios há, em 2,11-22, um desses textos de afirmação direta. Inicia com "lembrai-vos". Signfica lembrar do que éramos antes, para reconhecer o que somos agora.
Não será, talvez, ameno lembrar. Mas é necessário. E se trata da feição bíblica. Isso quer dizer que nem sempre se valoriza, ou se desconhece, ou nem importa.
Mas começa com 5 indicações do que foi o passado, quer dizer, antes de Cristo, como segue abaixo:
¹¹ "Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, ¹² naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo". Efésios 2.
Podemos descrever a condição nova, em Cristo, por indicação inversa do que foi exposto. Estar sem Cristo foi substituído por estar em Cristo. Não se trata, apenas, de uma sutil substituição de preposições.
Mas do milagre do batismo em Cristo. Isso mesmo, essa é a palavra. Com Deus e por Deus somente milagre. E este primeiro é que o Espírito Santo nos una a Jesus, na morte e ressurreição dEle (Jesus), para firmar nossa comunhão em Cristo (atente bem nesta preposição).
Antes separados da comunidade, agora o lugar da comunhão é em (de novo a preposição do milagre) comunidade. Porque a conversão a Cristo, o batismo em Cristo nos torna igreja. Esta é o corpo de Cristo. Signfica dizer comunhão (de novo, observe as preposições) por, com e em Cristo, com Ele, com o Pai, pelo Espírito, e com os demais crentes em Cristo.
E de estranhos, passamos a ter identidade. Porque passamos a constar como personagens do Livro. As "alianças da promessa" estão elencadas e notificadas na Bíblia. Éramos estranhos, desconhecendo o que constava nessas Escrituras. Agora inteirados, partícipes pela fé, tornamo-nos o povo do Livro.
Desesperados. Quem somente acalenta a perspectiva da morte, pode até tentar disfarçar, mas não tem acalanto e, sim, desespero. Raízes de nossa esperança residem na Pessoa de Jesus. Ele é o lugar, por meio de Sua cruz, de nossa salvação. Jesus, Autor e Consumador de nossa fé, é a nossa garantia, raiz de nossa esperança, âncora de nossa alma.
¹⁸ "...para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; ¹⁹ a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, ²⁰ onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Hebreus 6.
E com Deus no mundo. A situação de desespero configura-se somente, pelo detalhe (e que detalhe!) de se pensar na expressão "sem Deus no mundo". Como, se "No princípio criou Deus os céus e a terra"? Como, absoluto absurdo, estar "sem Deus no mundo".
Deus dentro. Trata-se de invocar o nome do Senhor: ¹³ "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." Romanos 10. Mas é (tristemente) natural, no ser humano, rejeitar Deus. No mundo, rejeitando Deus. Extremo desespero.
Mas o que segue, aos Efésios, 2,13-22 expressa com detalhes o que muda tal situação. É necessário, a toda hora, retomar essa memória. E todo o compromisso que ela representa. Afinal, ser (autêntico) cristão, que natureza, alcance e profundidade de compromisso representa?
E é essa a oração de Paulo para que compreendamos:
¹⁴ "Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai [...] ¹⁸ a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." Efésios 3.
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