Antes de tudo, a Bíblia. Na minha vida, encontrei um casamento misto: Ha Ha Ha. Explico: meu pai pastor Batista e minha mãe Congregacional.
Aliás, congregacionais os dois. Explico de novo: Batistas são congregacionais no regime de governo e nós, Congregacionais, tomamos esse termo como título da denominação.
E o que é denominação? Apenas isso, denominação: ou seja, o nome que foi dado. Protestantes que somos, herdeiros da Reforma que tem esse nome, nós nos subdividimos.
E isso tem a ver com a liberdade de exame das Escrituras, conquistada, exatamente, na época da Reforma. Mas jamais a ortodoxia denominacional deve ser entendida como acima das Escrituras.
As ortodoxias denominacionis, diferentes entre si, devem ser entendidas como leituras personalizadas das Escrituras. Porque estas continuam prevalecendo sobre aquelas. E se assim não for entendido, surge o fundamentalismo, que é a estupidez de alguma denominação se achar superior.
Desculpem. Vocês não são superior, apenas são diferentes. E a particular leitura feita a partir das Escrituras é contingente. Caso individualmente avaliem como única e a mais certa, estarão imitando certa Igreja que, antes da Reforma, achava-se maioral. Esperamos ter ela aprendido a lição.
Congregacionais porque postulam ser a congregação aquela que se autogoverna. Ela que, com a Bíblia aberta, vai decidir seus rumos. Sem hipocrisia, é óbvio sempre ocorrer uma tensão entre pastor, que simboliza Jesus, em meio à congregação, e ela mesma.
Porque se o pastor quiser autonomia em relação à congregação, usurpando para si direitos que não lhe pertencem, ou o contrário, a congregação entender que pode tomar decisões sempre à revelia do pastor, ambos perderam sua vocação. Diante das Escrituras, terão exercido violência ao dom de Deus recebido.
Há um versículo clássico que Jesus usou para autodefinir-se:
⁴⁵ "Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos." Marcos 10.
Ora, se Jesus se coloca como servo, e temos toda a certeza de que Ele nunca foi um demagogo, se há pastores que, diante do rebanho, imitam de Jesus a virtude, serão servos. Pastores não existem para ser servidos (ou para servir-se a si mesmos: saia fora a ideia de ser lobo do rebanho).
Mas a congregação também deverá ser de servos, seguindo o mesmo raciocínio, jamais servir-se a si mesma, usurpando fama para si mesma. Esse deve ter sido o espírito do raciocínio de Jesus, no Apocalipse, ao criticar a Igreja de Éfeso. Tornara-se orgulhosa do perfil alcançado e, desse modo, fracassou no amor.
⁴ "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor." Apocalipse 1.
Talvez o primeiro amor seja o serviço. Quem sabe, ser Congregacional signifique (ou carece de significar) servir. Assim, desse modo, imitar Cristo. Quem sabe seja, tanto para congregação, quanto para pastores, essencial imitar Cristo. E isso, embora não sendo tão fácil assim, seja essencial.
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