sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Com firma reconhecida

   Costuma-se culpar as Escrituras. Pondo a culpa no autor ou, mais rotineiro ainda, em Deus. Isso porque é pressuposto ter ocorrido uma parceria na autoria do Livro.

   Eu, mais uma vez, por pretensão de um deslize, qual seja, tentar engenharia elétrica, em 1977, achei ter entendido o que seja uma redução ao absurdo.

  Vou aplicar. Supondo não existir Deus, mulher, árvore e serpente terão qualquer significado que se queira atribuir. Vamos, então, arbitrar.

  Árvore significará vida, serpente será ardil e mulher será pecado. Talvez seja consensual árvore significar vida. Quanto aos outros dois simbólicos, pode-se cambiar entre si: mulher, significando ardil, e serpente, pecado.

   Mais preconceituoso, impossível.  Mas o que se deseja destacar é exatamente isso, qual seja, a capacidade de arbitrar sentidos, independente de afetação prévia.

   O autor bíblico misturou os três.  Mas não gruda, em nenhum deles, qualquer arbitrariedade, porque o simbólico nesse contexto foi eventual. 

   A outra árvore, por exemplo, era (não somente do conhecimento, como mentiu a serpente) da experiência do mal, porque o bem não estava nela. Não somente da experiência, mas do império do mal (ou das trevas, como denomina Paulo Apóstolo).

   E a serpente, erguida  no deserto, representou Jesus erguido na cruz.  E quanto à mulher, em Maria o Verbo, que na teologia de João, é Deus, encarnou. Deus jamais encararia num ser tão vil, como deveras se tentou atribuir.

  Portanto, simbologia é arbitrário. O mistério do Gênesis não reside em dirimir a dúvida de quem seja mais culpado, se a serpente, a mulher ou, como denuncia Tiago que tentam fazer, o máximo culpado é Deus.

   Mas demonstrar que o ser humano chamou o mal para dentro de si e, em sua orgia, se esbalda. Redução ao absurdo, seria afirmar: Deus não existe.  Ora, resolva-se, então, sem Deus, o problema do mal.

   E quando se tentar culpar Deus, lembrar-se do discurso de Jesus:

²¹ "Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, ²² a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. ²³ Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem." Marcos 7.

    Procuremos dentro de nós a origem do mal. Resolvamos em Jesus a origem deste mal. E vamos cessar essa atribuição esquiva de procurar alhures (em qualquer lugar) a origem do mal. Pois ele tem nosso nome, assinatura e autoria. Com firma reconhecida. 

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