quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Certo dia

Adriele, Wisley Filho ao colo, com
Patric (+12/10/2017) e Jonatan (+17/10/2023), primos entre si assassinados em assalto.

 Certo dia, saí sem rumo. Porque alguém me dizia que era fácil encontrar Deus. Mas eu sufocava com tudo o que era triste.

   Eu pensava, não posso ser um cínico. Alguém indiferente ao sofrimento alheio. E eu via gente anestesiada para o sofrimento e ainda gente anestesiada com, isto é, acostumada a sofrer.

  E via aqueles que provocavam o sofrimento nos outros seguindo impunes. E quem deveria cobrar deles, na proporção do mal que causavam, esses então indiferentes.

   Isso me causou tanto mal, que eu achei que ia ficar doente, por dentro, revoltado, amargurado, cheio de ódio. Eu então comecei a pensar qual seria ou se havia um remédio.

   Porque o mal, então, que via neles, com o meu desejo de vingança, tudo somado, ia me fazendo igual. Eu, se pudesse, seria ainda mais mau, eu seria pior. Eu saí assim.

   Para mim, ser alegre, sorrir, então, seria como estar dopado, entorpecido, sob efeito de uma droga qualquer, ainda que somente o álcool. Minha alegria não seria, nunca mais, verdadeira.

   Em mim, o mal havia vencido. O sofrimento me dobrou, fiquei prostrado. Se alguém visse meu riso, não estaria vendo meu coração. Seria tudo mentira. Então, pensei: somente a vingança me trará de volta a paz.

   Foi então que alguém me lembrou da cruz. Disse que no caminho até Deus, há uma cruz. Eu não entendi. Explicaram: Deus deu o Filho dele ao mundo. Como assim, perguntei?

   Explicaram: Jesus Cristo é o Filho de Deus. Deus o deu ao mundo, e eles o mataram crucificado. Ora, mas quem o matou? Todos os que o rejeitaram. Como assim rejeitaram? Não era o Filho de Deus?

   Quem passou a odiá-lo. Sem motivo. Aliás, não há motivo para odiar. Assim o Filho ensinava. Mas odiaram-no sem motivo. Rejeitaram-no e o mataram. Havia quem não queria matar? Sim, havia, mas era uma minoria. A maioria quis matar.

   Essa história acabou? Não. O mal nunca vence. Mas não mataram o Filho de Deus? O mal então venceu. Não venceu. Ele ressuscitou. Venceu a morte. Ela é o pior mal. Ela é a maior dor. E o que foi feito dos que mataram o Filho de Deus?

   Ele perdoou. Como assim perdoou? Deu uma nova chance. Caso se arrependessem. Mas arrependimento não paga o preço da vingança. Deus paga todo o prejuízo. O Filho de Deus pagou todo o preço, inclusive o preço da vingança.

   Então quem matou fica impune? Não. Mas a vingança pertence a Deus. Porque somente Deus para tirar de nós a mágoa que nos consome. Essa vitória do mal, que invade nossas vidas, para nos fazer maus, igual a eles, essa mágoa somente Deus retira.

   Ora, mas por que Deus permite a maldade? Por que uma maldade maior do que a minha, de que não sou capaz de fazer, me atinge? Devasta a minha vida. Fica um vazio onde estava quem eu ainda amo.

   Não há razão e reposta para a maldade. Só sabemos que não vem de Deus. E não queremos, por vingança, ser tão maus como são eles. Nem ainda pior do que eles. Então deixa para Deus a vingança.

   Mas sempre, sem nunca esquecer que Deus não é vingança. A nossa sede de vingança. Deus é amor. E este é o remédio. Deixa perdurar o amor. Quem prevalece, na vida de quem não rejeita o Filho de Deus, é o amor.

   Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito. E ainda que o assassinassem na cruz, perdoou. Deu chance de arrependimento. Arrependimento é quando se deseja nunca ter sido mau.

   Mas e as consequências do mal? De novo, Deus paga o prejuízo. Não se deixe vencer pelo mal. Vence o mal com a bondade de Deus. Fique leve. Depõe esse peso. Larga de mão essa carga. Você não vai estar traindo a memória de quem foi bom.

   Mas vai dar a Deus o espaço de ação que é de Deus. Ele vai trazer alívio. Paz. O amor de Deus excede todo o entendimento. Eu quero ser tomado do amor de Deus, que dEle é toda a plenitude.

   Um dia saí por aí, desconsolado. Arrasado. Sem mais ser eu. Então, falaram de Deus para mim. E eu perguntei mas onde? Então disseram que havia uma cruz no meio do caminho. Lugar de violência, sim, da parte dos homens, mas também de amor, agora, da parte de Deus.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Um textão para o crente Abraão

     Novamente o crente Abraão. Talvez fosse possível pensar-se as Escrituras sem o crente Abraão. Uma das flagrantes e mais exposta evidência de autenticidade dela é sua simplicidade.

   Elas partem já da evidência de que Deus existe. Pois, ainda no Gênesis, quem se põe a falar de Deus, inicia descrevendo a criação. Supõe-se estar mentindo?

  Fala de Deus para informar o como. Ao mesmo tempo que fala da Criação, expõe Seu autor. E assim espera que tenha credibilidade. Pode-se afirmar sobre o gênero textual o que se quiser.

   Mito, que seja. Mas essa concepção não era conceitual para a época de sua formulação e quem compôs não expunha um deus de mentira. Acreditava e deseja que acreditassem.

   E com sua continuidade, as Escritiras seguem de modo sempre simples e ao alcance de seu leitor. Evidentemente que o perfil desse leitor não corresponde às exigências do leitor atual. E nem o que se conhecia, no tempo, de seu contexto, equivale ao atual.

   Um dos principais erros de abordagem das Escrituras é exatamente este, de olhar e avaliar pelos olhos de hoje, com as exigências do século atual, o que se expressou numa linguagem, contexto e ótica antigos.

  Personagens como o já mencionado, colocado em destaque, dão personalidade à fé. A partir dele, constrói-se um modelo definido de crer, que percorre Antigo e Novo Testamentos. Personalidade que dá personalidade à fé.

  Abraão em seu locus original, no AT, afirma-se dele que creu em Deus. Essa assertiva segue destacada por Habacuque, na mídia da tabuleta, onde escreve "o justo viverá por sua fé". Argumentação esta posteriormente desenvolvida por Paulo, em sua carta aos Romanos.

   Afirma-se, de Abraão, que Deus lhe disse "sai da tua terra e da tua parentela", para logo acrescentar um rol de promessas, todas elas mais de projeção subjetiva do que estritamente literal.

   Por exemplo, a "grande nação" não seria, literalmente, tornar os judeus a maior nação do planeta, nem em tamanho ou em relevância. Mas tornar amplo e incontável, entre todas as nações, um povo "de propriedade exclusiva de Deus", como interpreta Pedro, em sua segunda epístola.

   Deus falou a Abraão e lhe fez promessa. Então, lemos essa história. E logo a aplicamos a cada um de nós. E saímos por aí dizendo que Deus também falou conosco. E nos fez promessas semelhantes.

   E não as interpretamos, no sentido objetivo, como acréscimos materiais ou físicos, senão, para usar esse termo, por aspectos subjetivos, espirituais, ou seja, a mesma fé que inclui Abraão nos inclui, como ele, sob os cuidados do Deus dele (e então nosso).

   Vivemos hoje. Num totalmente outro contexto de vida. Mas a mesma certeza de fé nós a temos. Deus falar a Abraão, fazendo a ele as promessas que fez, inclui tanto o patriarca, quanto a cada um de nós.

   Simples assim. Alguém pode dizer, Abraão é um personagem ficcional. Mas eu não sou. Pode-se contra-argumentar, mas você está embalando num mito, diga-se. Então, eu replico que Deus não é um mito. E, definitivamente, creio que Ele fala por meio das Escrituras.

   Com personagens tão históricos quanto eu. E caso os milagres sejam, um a um, questionados, falta dizer que um deus desprovido de qualquer capacidade, senão aquela que a mente do século atual concebe, não é mesmo Deus.

   Portanto, voltamos à página 1 da cartilha: se Deus existe, fala. Então, concordo com o autor (anônimo) da Carta aos Hebreus: "Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras".

   Falou aos pais, ou seja, antigamente. E agora fala pelo Filho. Se Ele existe, fala. E Sua fala está nas Escrituras. De uma vez por todas entregue aos homens. Por meio de quem a escreveu, daqueles que as tradicionaram, dos que lhes fizeram as versões, até chegar a quem, com sofreguidão, lê suas linhas.

   Chega simples, chega audível, chega crível esta palavra. E hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração.

domingo, 8 de outubro de 2023

Quando virdes essas coisas

 ³³ "Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas."

Mateus 24:33

   A uma pergunta dos apóstolos, Jesus discorre sobre uma ênfase acertada em seu eixo. Trata-se de uma questão atual, cuja ênfase perdura.

   A construção do templo era um orgulho nacional para os judeus. Sua origem estava envolvida num pacto entre Deus e seus dois principais reis: Davi e Salomão.

   O primeiro, teve no coração o desejo de erguer, para o Senhor, uma casa. Deus adverte de que não habita templos erguidos por mãos humanas. Embora aceite, como o foi com Moisés, no deserto, que os planos de se erguer o templo sejam definidos.

   Mas revela a Davi que o reino a ele prometido, em profecia, não é humano, porém eterno. Que ele mesmo, como rei, não será o edificador do templo (e nem do reino), mas seu filho Salomão (do templo, e Jesus, Filho de Deus, do Reino eterno). E que essa aliança se estende a todo o povo de Israel (aliás, a todas as nações, como prometido a Abraão).

    Em Êxodo 40,34, tanto quanto em 2 Crônicas 7,1, a glória do Senhor aparece, seja na consagração da Tenda do Tabernáculo, no deserto, quanto na consagração do Templo, em Jerusalém.

   Dessa forma, Deus legítima a intenção das duas casas, seja aquela dos primórdios, ainda da peregrinação pelo deserto, seja esta mais recente e definitiva, sob Salomão.

   Mas ao longo da história do povo, a referência do templo, que indica a presença do Senhor, perde sua força simbólica, em função da infidelidade do povo de Israel.

   A injustiça social denunciada pelos profetas, assim como a corrupção moral do sacerdócio e insistência do povo em seguir a idolatria, afastam do Templo a glória do Senhor.

   Como insiste em denunciar Jeremias, não é o Templo que é santo, não o lugar, em si, mas quem oferece a oferta e quem foi indicado por Deus que o reprensente. E Ezequiel, em sua vocação, como profeta, vê a glória do Senhor fora se sua casa, mas presente entre os exilados.

   Portanto, Jesus retoma a ênfase de Jeremias, quando indica que não é a construção do templo que guarda consigo a presença de Deus, mas a revelação, em si, de onde, verdadeiramente, Deus habita.

   Jesus alinha os sinais: 1. virão muitos, falsamente, em seu nome; 2. rumores de guerras, nação contra nação; 3. perseguição contra a igreja; 4. razão, por que, muitos esfriarão na fé; 5. a pregação do evangelho se espalhará por todo o mundo.

   Logo depois Jesus se concentra nos acontecimentos históricos mais próximos e relacionados especificamente a Israel. Mas todas essas menções de Jesus têm dupla referência, aplicando-se a Isarel, assim como aos acontecimentos escatológicos.

   Jesus enumera: 1. fuga alucinada e atribulada pela surpresa dos acontecimentos; 2. uma tribulação incomparável, como nenhuma outra; 3. falsos Cristos e falsos profetas com surpreendentes sinais e prodígios do engano; 4. sinais nos astros, como foi estabelecido em Gênesis 1,14.

   Então virá no céu o sinal do Filho do homem. Diferente de quando, pela prirmeira vez, anjos somente anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus, deste vez ele mesmo aparecerá. E os anjos, com ele, recolherão os salvos por onde se acham dispersos.

   Com esse sermão Jesus ajusta o eixo de suas predições e como devemos esperar: 1. nós somos o templo de Deus, onde habita o seu Espírito e é vista a sua glória; 2. o evangelho é a prioridade de proclamação da igreja, já como um sinal de vinda iminente de Jesus; 3. guardamos conosco a autenticidade da fé na pessoa de Jesus, sem que nos deixemos enganar por falsos profetas, pelo falso Cristo e por sinais e prodígios da mentira.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Culto com Melquisedeque

 Gn 14,12-24

¹⁸ Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo;
¹⁹ abençoou ele a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; ²⁰ e bendito seja o Deus Altíssimo,
  que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo. 
Gênesis 14:18-20

    1. O poder material de Abraão
Erro frequente e desonesta proposta de "igrejas de arrecadação" é prometer que qualquer crente pode ser rico como Abraão. Nada de errado há com a riqueza, se for obtida por meios honestos. Mas tê-la como principal propósito da vida, certamente, desvia do real propósito de Deus para nós.
    2. O poder espiritual de Abraão
Esta era a riqueza de Abraão. As Escrituras descrevem seu testemunho. Até numa guerra de guerrilha esteve envolvido, mas seu trato com os bens recolhidos e com as pessoas marcaram os efeitos de seu caráter e de sua comunhão com Deus. Celebrou a vitória não com um banquete, mas com um culto, em companhia de Melquisedeque.
    3. O referencial de fé para Abraão
Abraão não foi o primeiro a crer. Herdou a mesma fé de seus antepassados, mas precisou crer, ser convertido, mesmo porque não era de família crente em Deus. Certamente a fé de Melquisedeque chegou ao patriarca. Desde que atendeu ao chamado de Deus, reconhecendo sua vocação e peregrinando por Canaã, transmitiu com fidelidade seu testemunho de fé.
    4. O cerimonial do pão e do vinho
O simbolismo do pão e do vinho eram antigos. A cerimônia da Páscoa o adotou. E dela Jesus apontou para esses dois elementos que o representam, no sacrifício da cruz. Reprentam comunhão, alegria, mas também sofrimento, tanto no contexto da Páscoa, como atualmente no contexto da Ceia do Senhor.
    5. Bendito Abraão, pelo Deus Altíssimo, bendito o Deus que abençoa.
Como Paulo menciona em Efésios 1,1, Bendito o Deus de bênçãos. Como foi com Abraão, mais do que esperar bênçãos, devemos ser bênção. O evangelho não está posto para compor nossa personalidade, como acessório, ou para turbinar nossa vaidade. Mas para nos deixarmos gastar no compromisso que, por meio dele, devemos ter com Deus.

   1. Podemos não ter chance de bens materiais que nos enriqueçam (como o jovem rico que não trocou os bens por Jesus).
   2. Mas temos chance do poder espiritual: que não é para nos enriquecer materialmente, mas para nos ensinar que (1) tudo pertence ao Senhor, (2) devemos, então, viver no mundo nossa vocação, (3) testemunhando com fidelidade nossa fé.
   3. Melquisedeque traz e tem a mesma fé que Abraão tem, conhece e compartilha: o testemunho em Canaã, tanto dele, quanto de Abraão, comprova o valor de uma vida andando por fé. Sem fé, impossível agradar a Deus.
   4. Pão e vinho representam sustento, alegria, provação, comunhão. Rt 2,14. No texto da última Páscoa, Jesus retira a simbologia para lembrar o pão, que desceu do céu, Jesus, para dar vida ao mundo, o sangue pelo perdão dos pecados e a videira do testemunho, que é a igreja.
   5. Como Paulo aos Efésios, Deus é o Deus de bênçãos. Abraão segue com seu testemunho, andando por sua fé e enaltecendo o nome do Senhor. Quando chamado, ouviu de Deus: "Se tu uma benção", e cumpriu sua vocação.

Lições práticas:
1. Riqueza, para Deus, são os dons eternos que dEle recebemos, para testemunhar enquanto, nesta vida, formos peregrinos;
2. Abraão deu sua vida inteira ao Senhor, significando que tudo pertence ao Senhor. Por isso deu o dízimo a Melquisedeque.
3. Há quem se nega a entender que 1/10 é para o privilégio de sustentarmos a obra do Senhor. Deus não precisa de nossa esmola. Ou somos dele e tudo o que temos é dEle, representado na escolha de dar a décima parte (e ficar com 9 (nove) partes), ou nossa vida está avarenta e desorganizada.
4. A escolha de Abraão em fazer um culto e não uma festa ou banquete foi coerente com a vida que vivia em meio àqueles reis e líderes em Canaã. No próprio diálogo com o rei de Sodoma, demonstrou seu desapego com os bens materiais e sua honestidade diante de Deus.
   

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Prof e Pastor Henry Bacon - Nosso professor no Seminário de 1978 a 1981

 O Professor e Pastor paraquedista 

                   
Aviões mencionados pelo Prof e Pr Henry Bacon: sem cor, Withley, do treinamento e, em cores, o Stirling, que os levou à Normandia, no Dia D, 6 de junho de 1944.

"Sou pacifista não para continuar vivo, mas para não matar"

Se o leitor quiser conversar em português mesmo com um dos pára-quedistas britânicos que desceu na Normandia no Dia D, vá até a praia de Meaípe, no litoral do Espírito Santo, pela manhã. Você verá um homem magro de 84 anos nadando os seus 800 metros diários. Não o interrompa, por favor. Imagine-se, então, num campo a uns 3 quilômetros da praia no litoral francês, e no dia 6 de junho de 1944. Você verá na sombra da noite alguns homens descendo de pára-quedas a 100 metros do solo. Entre eles está o veterano de Meaípe, Henry Bacon, nascido em Londres no dia 18 de maio de 1920, casado, cinco filhos (todos residentes no Brasil), bacharel em letras pelo Queen Mary College (Universidade de Londres) e em teologia pelo St. Luke’s College, em Londres, missionário aposentado da Latin Link no Brasil desde 1952, ex-professor de teologia e arqueologia em seminários evangélicos de São Paulo, Belo Horizonte e Vitória, especialista em Euclides da Cunha e atual pastor da Igreja Batista de Meaípe.

Por Henry Bacon

Cedo na Segunda Guerra Mundial, fui alistado para servir no exército britânico. Registrei-me como pacifista, e fui colocado num “corpo não-combatente”. Porém, foi feito apelo a voluntários para desarmar bombas lançadas pelos aviões alemães que não explodiram. Eu me ofereci. O secretário que recebeu o meu registro disse: “Olha, Bacon, se os riscos fossem razoáveis, eu aceitaria seu nome sem dizer nada. Mas os acidentes são tantos, com tantas mortes... Você realmente quer se registrar?” Respondi: “Não sou pacifista para não morrer, mas para não matar outros”.

Fui colocado numa seção de dezoito homens. Nos dois anos de trabalho, desarmamos centenas de bombas, e não perdemos um só homem por acidente.

Fomos tirados daquele trabalho, mas outra possibilidade se abriu. Estavam sendo preparadas brigadas de paraquedistas para descer no litoral da França, ocupado pelos alemães, para proteger o desembarque de tropas que vinham pelo mar. Não podiam mandar pára-quedistas sem ambulâncias de campo para acompanhar. Apelaram para os “não-combatentes” para se oferecer como enfermeiros. Então fui com muitos outros.

Tivemos de fazer oito saltos de treinamento. Antes de fazer o primeiro, vimos um soldado que não conseguiu se livrar da correia com que saltou ser arrastado no ar atrás do avião, até que morreu. Trata-se de um acidente raro, mas desanimador! No treinamento, o avião do qual saltamos foi o Whitley, conhecido como “caixão voador”. A abertura para saltar era pequena. Para o dia D, tivemos o Stirling para nos levar a França. Podíamos ficar de pé, e a abertura para o salto daria para jogar um jipe.

Soubemos quando o dia D estava perto. Toda permissão para viagens de licença foi cancelada, e fomos para um acampamento ao lado do rio Tâmisa. Fomos levados para dentro de uma barraca, muito bem guardada, onde havia fotografias e lentes estereoscópicas para examiná-las. Era exatamente o terreno onde íamos descer e ocupar na França. Pouco depois, fomos ao aeródromo para embarcar. Lá havia filas e filas de grandes aviões, os Stirlings, prontos para levar duas brigadas de pára-quedistas e soltá-las em território francês, onde o inimigo esperava para repulsá-las. Era 11h30 da noite, mas durante a guerra a Inglaterra observava horário de verão dobrado, de maneira que ainda não estava escuro. Havia chá quente para nós, bem adoçado e à vontade. O nosso comandante andava para lá e para cá com a mão cheia de rosas vermelhas, dando uma para cada um dos seus oficiais. Eu me aproximei de meu amigo e disse: “John, se eu voltar são e salvo desta, saberei que minha vida pertence a Deus”. Nenhum de nós sabia o que estava à nossa espera quando chegássemos à terra, mas podíamos imaginar.

Embarcamos, e o nosso avião decolou. Uma hora depois, sobrevoamos a França. Um amigo da onça na minha frente, que olhava pelo buraco para baixo, nos informou: “Há bastante fogo antiaéreo subindo contra nós”. (Para o salto ser eficiente, o vôo deveria ser não muito alto, nem muito rasante, mas justamente dentro do alcance da artilharia antiaérea.) Então veio o momento do salto. Eu aterrissei num campo arado. Livrei-me do pára-quedas e peguei meu equipamento. Então uma figura apareceu da escuridão. Pensei: “Se esse é um alemão, já sou prisioneiro de guerra”. Mas falou em inglês: “Oi, amigo, sabe onde o 13º batalhão está reunindo?” Olhei ao redor. Aquele batalhão tinha uma luz por sinal visível e um chifre de caça por sinal audível. Mas havia luzes de vários pára-quedas de carga pelo campo e barulho de muitos aviões e do fogo das metralhadoras. Não pude ajudá-lo, e ele foi embora em busca da sua unidade. Minutos depois, o cirurgião e mais um da nossa equipe apareceram. O cirurgião começou a nos guiar para o ponto de concentração. De repente, uma faixa de metralha luminosa passou pela nossa frente. Esperamos um pouco; o cirurgião disse: “Acho que estamos seguros agora”, e atravessamos o campo em direção ao lugar onde o resto da nossa unidade estava reunida, numa vala ao lado de uma estrada. Ouvimos o barulho de uma moto, depois um tiro, e apareceu um preso, ferido numa perna, um jovem alemão mensageiro, que nem imaginava que havia ingleses por perto. A essa altura, havia bastante barulho. Então, vi uma coisa que nunca vou esquecer: um planador, alto no céu, inteiramente envolto em chamas. (Uma brigada de tropas em planadores completava a divisão. Um planador levava um pelotão de homens, ou um tanque leve, ou uma peça de artilharia.) Quantos homens pereceram naquele planador, não sei.

Para um colega, cristão, o pára-quedas foi uma armadilha, pois pegou numa árvore. Ele ficou suspenso no ar e morreu furado por balas. Outro desceu num quintal onde havia tanques alemães estacionados e luzes na casa. Era o quartel-general de uma divisão de tanques. Ele escalou o muro o mais depressa possível, mas lembrou que havia deixado o saco de equipamento médico no quintal. Voltou pelo muro, pegou o equipamento, saiu outra vez e atravessou os campos para se juntar a nós.

Outro, ainda, era padioleiro com um pelotão de infantaria. O avião deles os deixou fora da “nossa” área. Quando se reuniram, o líder se declarou incapaz de achar um caminho para se juntar à nossa divisão. O padioleiro então os guiou através das linhas inimigas até encontrar a massa dos companheiros. (Perto do fim da guerra, esse mesmo padioleiro morreu em ação na Alemanha. Seu irmão mais novo que estava servindo junto teve de enterrá-lo às pressas, para continuar a marcha.)

Naquela primeira noite, esperamos na vala, até que a infantaria tirou os alemães do lugarejo mais perto, Ramville. Perto da alvorada, nós os seguimos e ocupamos o chateau escolhido para o nosso centro cirúrgico. Fomos avisados de que havia franco-atiradores alemães no sótão por cima de nós, mas estávamos ocupados demais para ligar para isso. O cirurgião indicou um quarto para nosso teatro cirúrgico. Conformando-me com o meu treinamento, lavei e escovei tudo naquele cômodo. Então, fui para o quarto contíguo para comer um lanche. Ouvimos o barulho de morteiros perto. Foi quando o inimigo chegou quase a tomar o chateau onde estávamos. Depois do lanche, fui ver como estava o meu trabalho. O nosso “teatro” era um montão de entulho; a poeira enchia o ar.

Os feridos dos nossos rapazes começaram a entrar. O dia inteiro trabalhamos no que restava do chateau. Os dois cirurgiões faziam operações continuamente. Perto da noite, fui ver os meus pertences, que tinha deixado ao pé de uma árvore. A capa antigás e a mochila haviam sido perfuradas por uma bala. Aquele franco-atirador havia tido um dia ativo! Apressamo-nos em cavar trincheiras onde pudéssemos descansar. O meu couro cabeludo nunca se recuperou bem depois que fiquei três meses dormindo na terra.

No primeiro dia, estávamos isolados das forças que vinham pelo mar. Somente um corpo de elite, dos Comandos, chegou até nós. O líder deles, Lord Lovat, chegou ao nosso centro com um corte profundo em uma nádega. Colocamos-lhe uma atadura, e ele voltou para liderar a sua turma. No segundo dia, as outras forças nos alcançaram, e os feridos que estávamos atendendo foram evacuados.

Mudamos da casa, por ser um alvo perigoso, para o fundo de uma pedreira. Lá, um avião do Luftwaffe resolveu nos atacar. Quando vi as faíscas do seu canhão brilhando em todas as direções, sabia que eu era o alvo. Joguei-me dentro de uma vala, do esgoto das nossas pias. Momentos depois, levantei-me, encharcado de água ensaboada, mas são e salvo.

Dias depois, tive de acompanhar numa ambulância dois cadáveres para a praia. Lá estavam ainda os detritos do desembarque, mas também vi o porto improvisado, construído seguindo uma sugestão de Churchill: imensos cascos de concreto tinham sido rebocados através do mar e assentados sobre o fundo ainda em água bastante, para formar um molhe e cais onde navios de grande porte pudessem atracar e descarregar. Somente assim o suprimento de munições e provisões de todo tipo pôde ser mantido.

Da nossa pedreira, fomos espectadores da sucessão de tanques, artilharia, tropas motorizadas e tudo mais que Montgomery levou avante no seu ataque contra Caen. Também vimos o terrível bombardeio noturno de mil aviões sobre Caen, que iluminou o céu inteiro com uma triste luz vermelha. Depois, avançando, passamos no meio de Caen, entre altos barrancos de entulho.

Horas antes do embarque para o salto no campo de batalha, eu estava orando com dois companheiros numa barraca de lona, ao lado do rio Tâmisa. Quarenta e oito horas depois, eu e os mesmos dois fizemos oração numa trincheira na França. Creio que tivemos a proteção de Deus nos perigos daqueles dias. Mas hoje não penso que tivemos razão em ser “não-combatentes”. Depois da guerra veio à tona a verdade a respeito do esforço nazista de extinguir totalmente a nação judaica e dos horrores dos campos de concentração. O domínio do regime nazista seria um mal pior que a guerra.

Este texto está em Ultimato:

https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/288/sou-pacifista-nao-para-continuar-vivo-mas-para-nao-matar

Veja também sobre a comemoração dos 60 anos do desembarque na Normandia:

https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/288/o-dia-d-60-aniversario-da-mais-dificil-e-complicada-operacao-militar-de-todos-os-tempos

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Os 28 Artigos - Robert Reid Kalley

 Doutrina congregacional

A igreja local possui autonomia para sua própria reflexão teológica, expansão missionária, relação com outras congregações e seleção de seu ministério. O congregacionalismo está baseado nos seguintes princípios:

Cada congregação de fiéis, unida pela adoração, observação dos sacramentos e disciplina cristã, é uma Igreja completa, não subordinada em sua administração a qualquer outra autoridade eclesiástica senão a de sua própria assembleia, que é a autoridade decisória final do governo de cada igreja local.

Não existe nenhuma outra organização ou entidade maior ou mais extensa do que uma Igreja local a quem pode ser dada prerrogativas eclesiásticas ou ser chamada de Igreja.

As igrejas locais estão em comunhão umas com as outras, são interdependentes e estão intercomprometidas no cumprimento de todos os deveres resultantes dessa comunhão. Por isso, se organizam em concílios, sínodos ou associações. Entretanto, essas organizações não são Igrejas, mas são formadas por elas e estão a serviço delas.

O congregacionalismo é o regime de governo mais comum em denominações como anabatistasIgreja BatistaDiscípulos de Cristo, Igreja de Cristo no Brasil, Igreja Evangélica de Panorama e obviamente a própria denominação que deu nome ao termo: a Igreja Congregacional.

28 Artigos (Síntese doutrinária do congregacionalismo)

(Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo)

Art. 1º – Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus – Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre vontade, governa todas as coisas(4). (1) Dt.6:4; (2) Jr 10:10; (3) Sl 8:1; (4) Rm 9:15,16.

Art. 2º – Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem – Ao testemunho das suas obras Deus acrescentou informações(5) a respeito de si mesmo(6) e do que requer dos homens(7). Estas informações se acham nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento(*) nas quais possuímos a única regra perfeita para nossa crença sobre o Criador, e preceitos infalíveis para todo o nosso proceder nesta vida(8).(5) Hb 1:1; (6) Ex 34-5-7; (7); II Tm.3.15,16; (8); Is.8.19,20.(*) Os livros apócrifos não são parte da Escritura devidamente inspirada.

Art. 3º – Da Natureza dessa Revelação – As Escrituras Sagradas foram escritas por homens santos, inspirados por Deus, de maneira que as palavras que escreveram são as palavras de Deus(9). Seu valor é incalculável(10), e devem ser lidas por todos os homens(1). (9) II Pe 1:19-21; (10) Rm 3:1,2. (1) Jo 5:39.

Art. 4º – Da Natureza de Deus – Deus o Soberano Proprietário do Universo é Espírito(2), Eterno(3), Infinito(4) e Imutável(5) em sabedoria(6), poder(7), santidade(8), justiça(9), bondade(10) e verdade(1). (2) Jo 4:24; (3) Dt 32:40; (4) Jr 23:24; (5) Ml 3; (6) Sl 146:5; (7) Gn 17:1; (8) Sl 144:17; (9) Dt 32: 4; (10) Mt 19:17; (1) Jo 7:28.

Art. 5º – Da Trindade da Unidade – Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só Ente, é verdade que na Divindade exista uma distinção de pessoas indicadas nas Escrituras Sagradas pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo(2) e pelo uso dos pronomes Eu, Tu e Ele, empregados por Elas, mutuamente entre si(3). (2) Mt 28:19: (3) Jo 14:16,17

Art. 6º – Da Criação do Homem – Deus, tendo preparado este mundo para a habitação do gênero humano, criou o homem(4), constituindo-o de uma alma que é espírito(5), e de um corpo composto de matérias terrestres(6). O primeiro homem foi feito à semelhança de Deus(7), puro, inteligente e nobre, com memória, afeições e vontade livre, sujeito Àquele que o criou, mas com domínio sobre todas as outras criaturas deste mundo(8). (4) Gn 1:2-27; (5) Ec 12:7; (6) Gn 2:7; (7) Gn 1:26,27; (8) Gn 1:28

Art. 7º – Da Queda do Homem – O homem assim dotado e amado pelo Criador era perfeitamente feliz(9), mas tentado por um espírito rebelde (chamado por Deus, Satanás), desobedeceu ao seu Criador(10); destruiu a harmonia em que estivera com Deus, perdeu a semelhança divina; tornou-se corrupto e miserável, deste modo vieram sobre ela a ruína e a morte(1). (9) Gn 1:31; (10) Gn 2: 16,17; (1) Rm 5:12.

Art. 8º – Da Conseqüência da Queda – Estas não se limitam ao primeiro pecador. Seus descendentes herdaram dele a pobreza, a desgraça a inclinação para o mal e a incapacidade de cumprir bem o que Deus manda(2); por conseqüência todos pecam, todos merecem ser condenados, e de fato todos morrem(3).(2) Sl 50:7; (3) I Co 15:21

Art. 9º – Da Imortalidade da Alma – A alma humana não acaba quando o corpo morre. Destinada por seu Criador a uma existência perpétua, continua capaz de pensar, desejar, lembrar-se do passado e gozar da mais perfeita paz e regozijo; e também de temer o futuro, sentir remorso e horror e sofrer agonias tais, que mais quereria acabar do que continuar a existir(4); o pecado da rebelião contra o seu Criador, merece para sempre esta miséria, que é chamada por Deus de segunda morte(5). (4) Lc 16:20-31; (5) Ap 21:8

Art. 10º – Da Consciência e do Juízo Final – Deus constituiu a consciência juiz da alma do homem(6). Deu-lhes mandamentos pelos quais se decidissem todos os casos(7), mas reservou para si o julgamento final, que será em harmonia com seu próprio caráter(8). Avisou aos homens da pena com que com punirá toda injustiça, maldade, falsidade e desobediência ao seu governo(9); cumprirá suas ameaças, punindo todo pecado em exata proporção à culpa(10).(6) Rm 2:14,15; (7) Mt. 22:36-40; (8) Sl 49:6; (9) Gl 3:10; (10) II Co 5:10

Art. 11º – Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus – Deus vendo a perversidade, a ingratidão e o desprezo com que os homens lhe retribuem seus benefícios e o castigo que merecem(1), cheio de misericórdia compadeceu-se deles; jurou que não desejava a morte dos ímpios(2); além disso, tomou-os e mandou declarar-lhes, em palavras humanas, sua imensa bondade para com eles; e quando os pecadores nem com tais palavras se importavam, ele lhes deu a maior prova do seu amor(3) enviando-lhes um salvador que os livrasse completamente da ruína e miséria, da corrupção e condenação e os restabelecesse para sempre no seu favor(4).(1) Hb 4:13; (2) Ez 33:11; (3) Rm 5:8,9; (4) II Co 5: 18-20.

Art. 12º – Da Origem da Salvação – Esta Salvação, tão preciosa e digna do Altíssimo (porque está perfeitamente em harmonia com seu caráter) procede do infinito amor do Pai, que deu seu unigênito Filho para salvar os seus inimigos(5). (5) I Jo 4:9

Art. 13º – Do Autor da Salvação – Foi adquirida, porém, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue(6), pois tomou para Si um corpo humano e alma humana(7) preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem(8); assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem(9). Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens(10), como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos(1) e sofreu a morte e a maldição como como o substituto dos pecadores(2), ressuscitou(3) e subiu ao céu(4). Ali intercede pelos seus remidos(5) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra(6). É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(7), que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador(8).(6) I Pe1:18,19; (7) Hb 2:14; (8) Mt 1:20; (9) Jo 1:1,14; (10) At 10:38; (1) I Pe 2:22; (2) Gl 3:13; (3) Mt 28:5,6; (4) Mc 16:19; (5) Hb 7:25; (6) Mt 28:18; (7) At 5:31; (8) Jo 1:14.

Art. 14º – Da Obra do Espírito Santo no Pecador – O Espírito Santo enviado pelo Pai(9) e pelo Filho(10), usando das palavras de Deus(1), convence o pecador dos seus pecados e da ruína(2) e mostra-lhe e excelência do Salvador(3), move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz uma grande mudança espiritual chamada nascer de Deus(4). O pecador nascido de Deus está desde já perdoado, justificado e salvo; tem a vida eterna e goza das bênçãos da Salvação(5).(9) Jo 14:16,26; (10) Jo 16:7; (1) Ef 6:17; (2) Jo 16:8; (3) Jo 16:14; (4) Jo1:12,13; (5) Gl 3:26

Art. 15º – Do Impenitente – Os pecadores que não crerem no Salvador e não aceitarem a Salvação que lhes está oferecida de graça, hão de levar a punição de suas ofensas(6), pelo modo e no lugar destinados para os inimigos de Deus(7). (6) Jo 3:36; (7) II Ts 1: 8,9

Art. 16º – Da Única Esperança de Salvação – Para os que morrem sem aproveitar-se desta salvação, não existe por vir além da morte um raio de esperança(8). Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveraram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio(9). (8) Jo 8:24; (9) Mc 9:42,43

Art. 17º – Da Obra do Espírito Santo no Crente – O Espírito santo continua a habitar e a operar naquele que faz nascer de Deus(10); esclarece-lhe a mente mais e mais com as verdades divinas(1), eleva e purifica-lhe as afeições adiantando nele a semelhança de Jesus(2), estes fruto do espírito são prova de que passaram da morte para a vida, e que são de Cristo(3).(10) Jo 14:16,17; (1) Jo 16:13; (2) II Co 3:18; (3) Gl 5:22,23

Art. 18º – Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço – Aqueles que tem o Espírito de Cristo estão unidos com Cristo(4), e como membro do seu corpo recebem a capacidade de servi-Lo(5). Usando desta capacidade, procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus, seu Salvador(6).(4) Ef 5:29,30 ( 5) Jo 15:4,7 (6) I Co 6:20

Art. 19º – Da União do Corpo de Cristo – A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma(7) só e compõe-se de todos os sinceros crentes no Redentor(8), os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo(9), para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante a eternidade(10). (7) Ef 3:15; (8) I Co 12:13; (9) Ef 1:11; (10) Rm 8: 29,30.

Art. 20º – Dos Deveres do Crente – É obrigação dos membros de uma Igreja local, reunirem-se(1) para fazer oração e dar louvores a Deus, estudarem sua Palavra, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem um dos outros e promoverem o bem de todos os irmãos; receberem(2) entre si como membros aqueles que o pedem e que parecem verdadeiramente filhos de Deus pela fé; excluírem(3) aqueles que depois mostram a sua desobediência aos preceitos do Salvador que não são de Cristo; e procurarem o auxílio e proteção do Espírito Santo em todos os seus passos(4).(1)Hb 10:25; (2) Rm 14:1; (3) I Co 5:3-5; (4) Rm 8:5,16.

Art. 21º – Da Obediência dos Crentes – Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo(5), recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos(6) e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se si acharem salvos de graça(7).(5) Ef 2:8,9; (6) I Jo 5:2,3; (7) Tt 3:4-8.

Art. 22º – Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito – Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo(8), que é o Mestre(9), Pontífice(10) e Único Cabeça de sua Igreja(1); mas como Governador de sua casa(2) estabeleceu nela diversos cargos(3) como de Pastor(4), Presbítero(5), Diácono(6), e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que ele quer para cumprirem os deveres desses ofícios(7), e quando existem devem ser reconhecidos pela igreja e preparados e dados por Deus(8). (8) I Pe 2:5-9; (9) Mt 23:8-10; (10) Hb 3:1; (1) Ef. 1:22; (2) Hb 3:6; (3) I Co 12:28; (4) Ef 4:2; (5) I Tm 3:1-7; (6) I Tm 3: 8-13; (7) I Pe 5:1; (8) Fl 2:29.

Art. 23º – Da Relação de Deus para com Seu Povo – O Altíssimo Deus atende as orações(9) que, com fé, e, em nome de Jesus, único Mediador(10) entre Deus e os homens, lhe são apresentadas pelos crentes, aceita os louvores(1) e reconhece como feito a Ele, todo o bem feito aos Seus(2). (9) Mt 18:19; (10) I Tm 2:5; (1) Cl 3:16,17; (2) Mt 25:40,45; (3) Hb 10:1; (4) At 10:47,48; (5) Mt 26:26-28.

Art. 24º – Da Cerimônia e dos Ritos Cristãos – Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo Ministério de Moisés , eram sombras dos bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram(3): os ritos cristãos são somente dois: o batismo com água(4) e a Ceia do Senhor(5).

Art. 25º – Do Batismo com Água – O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador , quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador(6). Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação(7). (6) Mt. 3:11; (7) At 2:41

Art. 26º – Da Ceia do Senhor – Na Ceia do Senhor foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente o corpo que foi morto e o sangue derramado no Calvário(8); participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isso em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro fielmente quanto a sua fé, seu amor e o seu procedimento(9). (8) I Co 10:16; (9) I Co 11:28,29.

Art. 27º – Da Segunda Vinda do Senhor – Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem(10), em Sua própria glória(1) e na glória de Seu Pai(2), com todos os santos e anjos; assentar-se-á no trono de Sua glória e julgará todas as nações. (10) At 1:11; (1) Mt 25:31; (2) Mt 16:27

Art. 28º – Da Ressurreição para a Vida ou para a Condenação – Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e ressuscitarão(3); os mortos em Cristo ressurgirão primeiro(4); os crentes que neste tempo estiverem vivos serão mudados(5), e sendo arrebatados estarão para sempre com o Senhor(6), os outros também ressuscitarão, mas para a condenação(7). (3) Jo 5:25-29; (4) I Co 15:22,23;(5) I Co 15:51,52; (6) I Ts 4:16; (7) Jo 5:29.

Os Vinte e oito artigos da ” BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO ” foram lavrados pelo Dr. Robert Reid Kalley e aprovados em 02 de julho de 1876 e este documento, de memorável valor histórico, consagrou-se como síntese doutrinária das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.

 Retirados do link abaixo: história da Igreja Evangélica Congregacional Pernambucana:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Evang%C3%A9lica_Congregacional_Pernambucana_%28IECP%29

domingo, 24 de setembro de 2023

Sacerdócio da igreja

 "¹ Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados, ² e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. ³ E, por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo. ⁴ Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão". Hebreus 5:1-4.

   1. Sumo sacerdote tomado dentre os homens (nesse mesmo sentido, o próprio Jesus foi escolhido);
   2. Constituído no que concerne a Deus (Jesus, de forma absoluta, toda a igreja, de forma vocacionada);
   3. Oferecer sacrifícios pelos pecados (Jesus deu-se a si mesmo, os sacerdotes humanos ofereciam o que tipificava essa profecia);
   4. Ninguém toma para si essa honra (é Deus quem vocaciona, unge e capacita para esse ministério).

   Para que o ministério da igreja tenha a identidade de sacerdócio, foi necessário que, pelo ministério de Cristo, essa capacitação se tornasse possível.

    É Pedro que define, para a igreja: "⁹ Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz", 1 Pe 2.

   Em função do sacerdócio, o que é a igreja:
1. Raça eleita: a partir do novo nascimento em Jesus, Jo 1,11-12;
2. Sacerdócio real: capaz de repartir, com os demais homens e mulheres, o que Deus realizou em sua vida, 1 Co 4,1-2;
3. Nação santa: a santidade não está no cumprimento externo das normas da lei, mas na ação da propiciação de Jesus e da ação do Espírito Santo na santificação, Cl 1,21-22 e Rm 8,1;
4. Povo de propriedade exclusiva de Deus: comprados autenticamente por Jesus e santificados continuamente pelo Espírito, 1 Co 6,19-20;

   A igreja vive para proclamar as virtudes de Deus, o que equivale, no texto de Hebreus 5,1, no que concerne, diz respeito a Deus. Como a igreja proclama as virtudes de Deus:

1. Pela obra nela realizada por Deus, em Jesus Cristo: o Espírito, na igreja, opera a obra que Deus realiza: Ef 3,14-17;

2. Pelo testemunho, em palavra de autoridade, também legitimada pelo Espírito naqueles que creem, At 5,31-32;

3. Pelo exaltação e glorificação, dela em Cristo e dEle nela, do mesmo modo que Jesus Cristo exaltou o Pai: 2 Ts 1,12 e Ef 1,22-23.