segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sendo igreja, segundo Paulo ensina aos Filipenses

 ¹ "Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, ² completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento." Fp 2.

  Paulo circunscreve sua avaliação do que representa ser igreja a essas exortações aos Filipenses.  O ponto de partida é afirmar que toda exortação tem Cristo como origem e somente é dirigida à igreja.

  Por quê? Porque antes de ser igreja, nenhuma exortação faz efeito nenhum em ninguém. Portanto, o que torna alguém igreja, de modo a quem exortação de Cristo o alcance e, uma vez atendida, tenha efeito?

   A resposta já antecipadamente se inclui no combo dessas afirmativas paulinas, no item "pensem em conjunto": ou seja, pensar a mesma coisa não significa uma homogeneidade despersonalizada, mas atinar no que significa ser igreja.

   Para ser igreja provém-se de uma condição negativa, de escravidão ao pecado. E não adianta tentar uma classificação do nível de maldade anterior à conversão, como se alguém precisasse menos do sangue de Cristo.

²⁰ "...e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. ²¹ E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, ²² agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis" Cl 1.

  De onde viemos e o que nos tornou igreja é a primeira coisa a pensar, em conjunto, para que não se perverta origem e finalidade.  Há ainda outro texto aos Colossenses que aborda a realidade de nossa origem e a transformação que Deus operou em nós:

¹³ "E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; ¹⁴ tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz." Cl 2.

   E o que nos torna igreja? Não é o batismo de João Batista que nos torna igreja. Esse último profeta, o maior deles, pois apontou Jesus em Pessoa, aliás, que batizou o próprio Jesus, apontou também aquele que batiza com o Espírito Santo, ninguém senão o próprio Jesus. Este batismo a seco, sem água, é que autentica a fé.

   É isso que Paulo alinha acima, quando menciona comunhão do Espírito, afetos e misericórdias entranhados e consolação de amor.  E que somente tem efeito se opera em quem foi, por Cristo, batizado no Espírito.

  Determinante porque, por ele, não somente somos convertidos, do pecado para a santidade, da morte (espiritual) para a vida, mas somos feitos filhos de Deus, porque batizados em Cristo, e adquirimos comunhão, não somente com Cristo, pelo Espírito, mas com Deus, pelo Filho.

¹⁶ "...para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; ¹⁷ e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor". Ef 3.

   Por isso Paulo menciona consolação de amor. O maior dom de consolo é ser amado por Deus e, uma vez reconhecido esse amor, por ele sermos feitos filhos de Deus.  João diz que somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou plenamente o que havemos de ser.

¹ "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. ² Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é." 1 João 3.

   E quando Paulo menciona que há entranhados afetos e misericórdias, jamais isso fará parte de nossa condição, a não ser por ação do Espírito em nós. Entranhas de afetos e misericórdias, como mencionou Zacarias em seu cântico, são privativo de Deus.

⁷⁶ "Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, ⁷⁷ para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, ⁷⁸ graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, ⁷⁹ para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz". Lc 1.

   A igreja de Cristo é o lugar onde Deus compartilha com os salvos sua personalidade.  Paulo menciona o sentimento de Cristo pelo menos três vezes aos Filipenses.  Referindo-se ao próprio Jesus, a Timóteo e à igreja.

   Daí a possibilidade de ser servo, em plenitude, por meio do aprendizado e função primordial exercida na e pela igreja. Igreja é o lugar onde se aprende a imitar Jesus. É o lugar no qual se priva pela coparticipação na natureza  de Deus.

¹ "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." 1 Coríntios 11.

¹ "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." Efésios 5.

³ "Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, ⁴ pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo". 2 Pe 1.

    Na igreja, por meio do Espírito, somos tornados participantes da natureza de Deus. Nela, pelo fruto do Espírito, somos feitos participantes dos atributos tramissíveis de Deus.  A glória de Deus, como Jesus menciona em sua oração sacerdotal, marca a nossa identidade, no aperfeiçoamento que se torna contínuo.

¹⁸ "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." 2 Co 3.

   Que outra benção há, por meio do evangelho, que privilégio maior existe, senão esse?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Isso é perdão

    O perdão é problemático. Porque para que seja, por definição, o que é, não há limite para a falta, nem tamanho ou intensidade.  A cruz está posta.

  Paulo aos Colossenses disse que devemos perdoar como Deus perdoa: ¹³ "...perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós." Colossenses 3.

   E há somente esse tipo de perdão. Não há meios termos. A falta primordial abriu caminho para todos os outros tipos de falta. E todos nós somos possíveis e capazes de cometê-las.

Portanto, não podemos nos constituir juízes das faltas alheias. Porque se não as vemos em nós, é pela misericórdia de Deus, o único capaz de pôr freio às faltas.  

   Somos cúmplices de todo o pecado, a não ser que, em nós, Deus tenha operado o perdão.  E, para isso, à frente vem o arrependimento.  Que precisa ser sincero e verdadeiro.

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz  morte." 2 Coríntios 7.

  O mais chocante é avaliar que qualquer falta pode ser perdoada, porque o trauma de cruz supre toda carência de justiça. 

  Por somente alimentar sede de vingança, principalmente diante de faltas que arbitramos as mais cruéis, evidentemente sempre atribuídas a outrem, nunca a nós mesmos.

   Mas inexiste escalonamento de faltas. Pode até existir consequência mais dramática, trauma maior ou sordidez mais acentuada.

   Porém todas dependem do derramar do mesmo sangue, da brutalidade da cruz, da remissão do mesmo e único sacrifício, que é exatamente o de Jesus.

  É por isso que, muitas vezes, como antídoto ao desejo de vingança, expresso pelo trauma da constatação de uma falta brutal, somente vai restar o perdão.

   Por mais absurdo que possa parecer, Deus antepõe (ou antepõe-Se) amor distante de desfaçatez do pecado. Isso pode soar incompreensível, exatamente por ser amor, que excede todo o entendimento. 

¹⁹ "... e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Efésios 3:19.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Advertências em Hebreus

 A identidade de Jesus

¹ "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ² nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo..³ Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, ⁴ tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles." Hebreus 1.

1ª advertência: Apegar-se às verdades ouvidas 
Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.  Hebreus 2.

2ª advertência: Considerar atentamente Jesus
¹ Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, ² o qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus." Hebreus 3.

3ª advertência: Cuidar de falha no ouvir 
¹ "Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. ² Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Hebreus 4.

4ª advertência: Conservar firme a confissão 
¹⁴ "Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão."  Hebreus 4.

5ª advertência: Ser experiente na palavra 
¹² "Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. ¹³ Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança." Hebreus 5.

6ª advertência: Atender ao que é perfeito
¹ "Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito". Hebreus 6.

7ª advertência: Ser diligente, não indolente
¹¹ "Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; ¹² para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas." Hebreus 6

A segurança da salvação

¹³ "Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, ¹⁴ dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. ¹⁵ E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. ¹⁶ Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. ¹⁷ Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, ¹⁸ para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; ¹⁹ a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, ²⁰ onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Hebreus 6.

⁴ "Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos." Hebreus 7.

1. Melquisedeque: o quase anônimo personagem, sem genealogia, o que se revelava essencial aos judeus, é o homem a quem Abraão, o patriarca considerado o pai da fé, entrega o dízimo de seus bens e acata como seu sacerdote: Melquisedeque tipifica Jesus.

2. O sacerdócio de Jesus: perfeito é superior ao levítico que, aliás, existia em função de qualificar profeticamente o sacerdócio eterno, suficiente e perfeito de Jesus.

3. Nosso acesso ao tabernáculo definitivo: o tabernáculo terreno, onde Jesus nunca entrou, por ser judaíta e não levita, tipificava o céu, morada de Deus, onde Jesus está e ainda como nosso precursor, ou seja, onde todos os que nEle creem um dia estarão. 

A ousadia do acesso aos céus

¹⁹ "Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, ²⁰ pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, ²¹ e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, ²² aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. ²³ Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. ²⁴ Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. ²⁵ Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima." Hebreus 10.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A respeito da paz: a conta gotas

 

Fim de linha?                                                       ¹⁷ "Já não sei mais o que é paz e esqueci o que é felicidade." Lamentações 3.

Verdade ou mentira?
¹⁴ "Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz." Jeremias 6.

⁸ "Desconhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; quem anda por elas não conhece a paz." Isaías 59.

Veredito?
²⁵ "Vem a destruição; eles buscarão paz, mas não há nenhuma." Ezequiel 7.

²¹ "Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz." Isaías 5.

Quem é ele?
³⁷ "E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, ³⁸ dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!" Lucas 19.

⁷⁸ "...graças à entranhável misericórdia de nosso Deus,  pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, ⁷⁹ para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz." Lucas 1.

¹⁴ "Porque ele [Jesus  Cristo] é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade". Efésios 2.

²⁷ "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize."
João 14.

³⁴ "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada." Mateus 10.

Vai passar
⁸ "...tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz." Eclesiastes 3.

Efeito não colateral 
¹⁷ "O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre." Isaías 32.

⁷ "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus." Filipenses 4.

³⁷ "Observa o homem íntegro e atenta no que é reto; porquanto o homem de paz terá posteridade." Salmos 37.

²⁰ "Há fraude no coração dos que maquinam mal, mas alegria têm os que aconselham a paz." Provérbios 12.

Continue procurando 
⁷ "Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz." Jeremias 29.

¹⁴ "Aparta-te do mal e pratica o que é bom;
procura a paz e empenha-te por alcançá-la." Salmos 34.

¹⁹ "Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros." Romanos 14.

Paz para você, paz para mim
⁸ "Por amor dos meus irmãos e amigos,
  eu peço: haja paz em ti!" Salmos 122.

¹⁶ "Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias. O Senhor seja com todos vós." 2 Tessalonicenses 3.

¹¹ "O Senhor dá força ao seu povo,
  o Senhor abençoa com paz ao seu povo."
Salmos 29.

⁷ "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus." Filipenses 4.

¹ "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Romanos 5.

Revista ULTIMATO, Paz, Edição 417

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Síntese de ser igreja

 ¹ "Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, ² completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento." Fp 2.

   Há textos na Bíblia que sintetizam o que representa ser igreja.  Não significa que esgotam o conceito, mas que esboçam o alcance do que ela representa.

   Parecem evocar as medidas ao infinito de Paulo, em sua oração aos Efésios. E o amor é o essencial:

¹⁸ "...a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Efésios 3.

   Também aparece "consolação de amor" neste texto.  A exortação em Cristo é o ponto de partida. O amor o maior consolo. A comunhão é dádiva do Espírito. E a natureza nova de afetos e misericórdias é dom de Deus.

⁷⁸ "...graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas". Lucas 1.

   Essa característica de Deus, exclusiva dele, é transmitida a nós. Igreja é o lugar, na graça de Deus, que nos faculta, como afirma Pedro, ser "coparticipante da natureza de Deus".

⁴ "...pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo". 2 Pedro 1.

  Por isso Paulo expressa que é possível a plenitude de uma alegria completa. A segunda parte do texto indica até onde Deus nos conduz em Sua graça.

  A comunhão de um só pensamento, qual seja, experiência de tudo o que se refere à ser igreja.  Em Atos, Lucas expõe essas características, num texto abrangente:

⁴² "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. ⁴³ Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. ⁴⁴ Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. ⁴⁵ Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. ⁴⁶ Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, ⁴⁷ louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos." Atos 2.

   Doutrina, quer dizer, Bíblia. Comunhão, temor, milagres, unidade, solidariedade (não somente interna, mas externa), e mais presença na igreja, mais comunhão, louvor, simpatia e resultados por conversões.

   Esse perfil da igreja primitiva está sintetizado nessas segundas afirmativas do texto. Por isso igreja é milagre que Deus realiza em nós. É o lugar que Deus escolhe para repartir conosco seu caráter, personalidade e atributos.

  E nos ensinar um sentimento que, como seres humanos, não é natural em nós. Somente Jesus soube praticar com intensidade. E pode formar em nós, contanto que aprendamos com Ele, nesse contexto que Ele mesmo estabelece: a igreja.

¹⁶ "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. ¹⁷ Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. ¹⁸ Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mateus 16.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Aleijões de Deus

 ² "Jornada de onze dias há desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia."  Deuteronômio 1.

   Os roteiros expressos no Pentaeuco, mormente em Números e Deuteronômio, têm pouca chance de ser históricos, dizem os estudiosos, genericamente assim chamados.

   Mas nenhum deles se chama Raimundo Nonato, Severino Barata, João ou José Silva. Porque seus nomes são, notável e principalmente alemães.

  Nada contra eles. Mesmo porque nem lhes entendo a língua. Mas são cerca de 1500 anos mais velhos do que nós. Basta dizer que, na adolescência destas paragens, apenas 1517, deu-se toda a confusão do Renascimento, embutida a Reforma.

   Daí se dizer que temos complexo de vira-latas. Eu sou um deles.  Por isso, acredito como históricos cada trajeto. Ora, diz-se, também e, talvez, principalmente, a arqueologia não dá sinal nenhum de passagem pelo deserto.

   Por exemplo, dos maias sobram evidências, mas de seu trajetos, pouco se sabe, ainda que pela ajuda dessa ciência. Mas dos hebreus, muito se sabe de seu roteiro, mas não há crédito, porque é Bíblia.

   Ora, será muito difícil se dar credibilidade ao livro sem que sejam verdadeiros esses roteiros. Porque de Deus é aleijado de agir do modo como os autores do livro indicam, vai-se embora a credibilidade deles, do livro e, consequentemente, do que se atribui a Deus que tenha efetivamente feito.

   Talvez seja por isso que vacila a vocação das igrejas evangélicas. Porque acreditava-se na integridade do livro. Acusou-se a antiga igreja, chamada Católica, por desprezá-lo. Ela, que canoniza milhares de santos ao longo de seus alegados 2 mil anos de história, credita-lhes milagres.

   Mas aqueles narrados nas Escrituras, descaredita-os. Eu acho que o problema reside mesmo no livro. Muito incomoda. Eivado de absurdos. A começar pelo princípio, isso mesmo, o Gênesis.

   Afirma que Deus fala. "E disse Deus: haja luz". Afirma que Deus cria: "E houve luz". Ora, a ciência está aí para desmentir. E Deus falar, o homem ouvir, é deveras absurdo. E ainda não abordamos aqui o inverso, que é falarmos e Deus ouvir.

   Deus radicaliza tanto, que o livro vai afirmar que Ele se fez homem. Encarnou-se numa virgem, nascendo homem, saído de dentro dela. E, pelo visto, não são somente os muçulmanos que riem, afirmando ter nosso Deus sido expelido pelo canal de uma mulher.

   Seremos salvos pela mitologia cristã. Basta transformá-la em teologia. Com sobrenomes nórdicos ou anglo-saxões, talvez uns poucos românicos, visto que somos vira-latas.

  Eu sou um deles.  Não acredito nessa mitologia. Não fui resgatado pelo século das luzes. Minha razão vacila. Até provarem a mim o contrário, há uma "jornada de onze dias, desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia".
   
    Fecho com o Deus da Bíblia, como assim definido, com todas as suas incapacidades e aleijões. Ah, assunto para uma outra escaramuça: também acredito que, da boca desse time de profetas do AT sim, sai palavra autêntica. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A cruz fora do jardim

 "E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado." Gênesis 2.

   Somente uma ideia  assim, divina, de pôr num jardim que Ele mesmo plantou o homem que criou. Qual seria a intenção?

  Perdeu-se o jardim? A história, mesmo no jardim, não obteve o rumo requerido. Foi curto o período e as consequências funestas.

²⁴ "E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3.

   A árvore da vida era a ênfase principal.  Por isso que Deus a pôs no meio do jardim. Já no primeiro diálogo com a mulher, a serpente sagaz já a predispôs a mais valorizar a polarização bem x mal, aguçando curiosidade, mas omitindo todo o prejuízo da péssima escolha.

¹ Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? ² Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, ³ mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais."  Gênesis 3.

   Foram erros seguidos, indicados na resposta da mulher, revelando: 1. Falsa ênfase na troca de posição das árvores; 2. Atribuição de intransigência a Deus, pela alteração tocar/comer.

   Desde então, ainda que não se admita, a preferência pelo mal, no ser humano, supera o bem. Muito embora, mesmo que se quisesse, tornou-se impossível ao ser humano, sozinho, sem Deus, prevalecer contra o mal.

   Ainda que não se admita. Evidente que se costuma impor aos outros, esquecidos de si mesmo, mal maior. O outro é sempre pior. Até nesse aspecto configura-se o tamanho do fracasso.

   Somente as Escrituras propõem a admissão individual da culpa. Chama isso arrependimento. E afirma não se tratar de uma iniciativa humana, mas de um gesto divino de sensibilização:

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte." 2 Coríntios 7.

  Isso mesmo. A escolha errada, pelo desprezo à vida e preferência ao mal, conduziu ao acolhimento em si do mal, à expulsão do jardim e à necessidade de arrependimento.

  O caminho para a árvore da vida, desprezada no Éden, está acessível, perto e próximo, porém com uma cruz no meio do trajeto. Jesus assumiu, em nosso lugar, essa cruz, para nos legar vida.

   Fora do jardim há salvação. Em meio a esse deserto da vida. No jardim, todo o bem estava explícito e o mal sub-repitício. Na vida fora do jardim, o mal está explícito e o bem ao alcance da fé.

   Para Deus, mesmo que nus e fora do paraíso, há remédio.  "Há bálsamo em Gileade". É declarar perda total e considerar maior a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus.

⁸ "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.

   Perda total, ganho total. Fora do jardim, sim, mas não impossível de obter vida. Somente quem perde todas as coisas, ganha Cristo, o bem mais sublime.  De volta à vida.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Naamã e a banalidade do lugar comum

 ¹¹ "Naamã, porém, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, pôr-se-ia de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso." 2 Rs 5.

    Pensar, se pensa muito, Naamã. E muito, também, no varejo, ensina-nos a sua história. A começar pela (pré)adolescente anônima que, levada cativa à Síria, proveniente de Israel, não alimentou ressentimentos.

   Ela aconselha sua senhora a encaminhar o esposo, Naamã, à sua terra natal, porque lá, como diz o próprio Eliseu, havia profeta.

⁸ "Ouvindo, porém, Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel." 2 Reis 5.

   Pois diante de Eliseu, comparece Naamã, um comandante de exército que contraíra hanseníase, para então,  finalmente, obter o que lhe fora garantido por depoimento da menina, a tão esperada cura.

   Havia criado expectativas de um ritual. Ele anteviu Eliseu, a quem ainda não conhecia, solenemente postado diante dele, erguendo aos céus uma oração e movendo a mão num gesto ritual de santa expressividade.

   Decepcionou-se. Apenas recebeu um recado do (mal) aprendiz de profeta, Geazi, dizendo que se deslocasse às margens do Jordão e desse 7 mergulhos.

   Muito indignou-se o homem. Deve ter pensado, como toda hora se pratica aqui, ele não sabe com quem está falando. E saiu fora. Seus ajudantes de ordens esperaram um pouco para, logo depois, argumentar com inteligência.

  Com permissão,  Comandante: o Sr está tão ávido pela cura, que faria qualquer coisa por ela. Veja bem, ele somente indicou esse simples remédio. Por que, então, não fazer?

   E Naamã fez e ficou curado. Entre outras lições, aprendeu que não se enquadra Deus numa caixinha de regras. Mergulhar 7 vezes no Jordão não cura hanseníase.

  Esperar um jogo de cena, com mover de mãos, presença impositiva e oração farisaica dirigida às alturas, é gesto de contravenção. Por isso Jesus adverte que, um combo de atitudes pré-moldadas de falsa autoridade e espitualidade não têm valor, nem como fantasia de bloco carnavalesco.

²² "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? ²³ Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." Mateus 7.

   Eliseu não era um blefe. E a cena imaginada pelo bem intencionado Naamã, projetada pelo seu ideário, não se encaixava na permanente, surpreendente e nunca enfadonha maneira de Deus agir. Desculpe aí, meu Comandante.

   Não há burocracia no agir de Deus. E nem atravessadores. Por exemplo, o primeiro capítulo da Bíblia já demonstra a praticidade de Deus por ordem direta de sua palavra.

  Por isso, confiar na palavra de Deus traz lucidez, consolo e segurança. Naamã saiu dali aprendido. Levou consigo a fé num Deus não burocrático, mas do contato direto, da resposta plena, pura e simples.

   Basta acompanhar as jornadas de Jesus nas páginas dos Evangelhos. E ninguém, como ele para, plenipotenciariamente representar Deus.  Jesus, por assim dizer, é teologicamente desconcertante.

   Há, sim, muita tentativa de enquadrá-lo, estilo Naamã, em regras que, muitas vezes, até primam por desqualificar as narrativas desses mesmos Evangelhos. Ora, não pode ser assim, tão desconcertante.  Mas, talvez, haja chance de um resgate à fé, simplicidade e humildade de um Naamã pós encontro com Eliseu e tudo que este profeta representava.

   E o representava muito bem. Diga ao rei que "há profeta em Israel". E autorizado. Autêntico.  Representa Deus. Mas não tente encaixá-lo no seu modelo pessoal, em sua expectativa assim, tão restrita.

   Porque nem fará a oração que você espera, o manjado jogo de cena ou ritual já consagrado (e desgastado). Não será burocrático e, quando disser "Haja luz", haverá. Ah, sim: e será por milagre, muito distante do enquadramento requisitado. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ora, às moscas

³ "Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom?" 2 Rs 1.

   Essa pergunta grita. Já dizia Salomão, que a sabedoria grita nas ruas. E passa despercebida, não porque lhe falta expressividade, mas pela indiferença alheia.

²⁰ Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; ²¹ do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras: ²² Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?" Provérbios 1.

  E não somente os baalins da vida, todos eles parentes de Baal, mas as próprias corruptelas do que chamam deus, com minúscula mesmo, pelo fato de se diminuir ou anular a glória de Deus.

   Em sua oração, chamada de sacerdotal, Jesus como que efetuou uma síntese de seu ministério e projetou para a igreja sua ênfase ministerial.

   Então Jesus se expressou afirmando ter, no mundo, glorificado o nome de Deus, seu Pai, e que transmitia, à igreja, esse mesmo ministério, para que, no mundo, até sua (de Jesus) segunda vinda, ela fosse expressão viva dessa mesma glória.

⁹ "É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ¹⁰ ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado." João 17.

   Continua, na rua, gritando a sabedoria. A pregação do evangelho corresponde, em plenitude, ao dom dessa sabedoria. Aliás,  Paulo indica como, da parte de Deus, Jesus se torna sabedoria para todo o que crer.

³⁰ "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, ³¹ para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor." 1 Coríntios 1.

    Quem não consulta Deus, não permanece neutro. Bem quisessem. Mas não funciona dessa forma.  Seja por pura superstição que se procure, alhures, deus qualquer.  Ou ainda, por pura soberba, declare-se que se não carece de Deus.

   Fiquem às moscas. Isso mesmo, um velho trocadilho hebreu para Baal-Zebul, "Senhor da Habitação", que os israelenses estigmatizaram pejorativamente para Baal-Zebube, "Senhor das Moscas".

   Sempre será prudente prestar atenção, concentrar ouvidos aos gritos da sabedoria. Eles se constituem nos termos do evangelho que, como afirma, de novo, Paulo Apóstolo, espalha-se por todo o mundo.

⁵ "...por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, ⁶ que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade". Colossenses 1.

    Está posta a opção, está feita a advertência: ou se dá atenção a Deus,  e Sua palavra, ou ao "deus das moscas". Qualquer outra opção que não seja Deus, entrega os "surdos por conveniência", ora, às moscas.  

domingo, 11 de janeiro de 2026

José do Egito: semelhanças com a igreja de Jesus

 A. Texto: ⁴ "Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente. ⁵ Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais.6 Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive. [...] Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente? E com isso tanto mais o odiavam, por causa dos seus sonhos e de suas palavras." Gn 37.


Família de José: órfão de mãe e proveniente de uma família problemática, sobre a qual o patriarca Jacó não tinha autoridade. Foco de ódio aumentado, vai sendo forjada a personalidade de José.

¹⁷ "Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros. ¹⁸ Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. ¹⁹ Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia." João 15.

1ª semelhança com a igreja é uma personalidade forjada num ambiente de ódio: Deus ama inimigos e é por causa disso que hoje estamos aqui. 

¹⁰ "Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida". Romanos 5.

²⁰ "...e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.
²¹ E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas". Colossenses 1.

B. Texto: ⁶ "Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive: ⁷ Atávamos feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e os vossos feixes o rodeavam e se inclinavam perante o meu. [...] Teve ainda outro sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim. ¹⁰ Contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o o pai e lhe disse: Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?"
Gn 37.

Nesta fase da história Deus lança mão da revelação de Sua vontade por meio de sonhos dados a José: ele se torna um especialista em traduzir. Mas alertem para a sua própria observação:

¹⁵ "Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. ¹⁶ Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó." Gn 41.

Deus prepara seu(s) servo(s) todo o tempo. Como está no Apocalipse,  ¹⁰ "Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia." Ap 19, o clã de Jacó desceria ao Egito, acolhido em providência, para ali se forjar  a nação.  Assim como no Egito se forjou  o povo, no contexto do mundo forja-se a igreja.  E ela também é um sinal de profecia.

¹¹ Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós.
¹² "Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. [...] ¹⁵ Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.
¹⁶ Eles não são do mundo, como também eu não sou. [...] ²⁰ Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; ²¹ a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste". João 17.

2ª semelhança com a igreja, está no mesmo ambiente do ministério de Jesus, para dar continuidade a  esse ministério e ponha nisso atenção, não se engane, é ambiente francamente hostil.

3ª semelhança, o sonho concedido a José e contado a toda a família, cumpriu-se cabalmente. Os irmãos odiaram o enredo, mas Jacó desconfiou que poderia ser verdade: "Seus irmãos lhe tinham ciúmes; o pai, no entanto, considerava o caso consigo mesmo." Gn 37. Porque a igreja se conduz por direção divina. Vem do alto a direção a tomar, como a nuvem no deserto 🏜  ou a coluna de fogo 🔥 : não se apagou e a nuvem não desapareceu.

C. Texto: "Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles e disse: Não lhe tiremos a vida. ²² Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cisterna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele; isto disse para o livrar deles, a fim de o restituir ao pai. [...] Então, disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? ²⁷ Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne." Gn 37.

Judá e Rubem, em meio a toda a facção, são usados por Deus para preservar a vida de José, o protegido de Deus, que entra no Egito como escravo. José,  1. Paparicado pelo pai; 2. Odiado em grau aumentado pelos irmãos; 3. Hostilizado, atirado a uma cova e vendido como escravo, em nenhum momento maldisse sua sorte.

4ª semelhança com a igreja: todas. Ela já sofreu (e sofre) no mundo o pensado e o impensado.  Mas ainda que haja maior requinte ainda, não se deixará afetar, mas seguirá guardada por Deus, como o foi José, pela profecia de amor a seu favor (e a favor do mundo) que tem de cumprir.

² "O Senhor era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio." Gn 39. Aqui já na casa de Potifar, mas o Senhor foi com José todo o tempo,  até ali.

D. Texto: ³ "Vendo Potifar que o Senhor era com ele e que tudo o que ele fazia o Senhor prosperava em suas mãos, ⁴ logrou José mercê perante ele, a quem servia; e ele o pôs por mordomo de sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. [...] ⁶ Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava."

A bênção de Deus acompanhava José e recaía sobre a casa de Potifar. O fato da esposa dele assediar José vai desencadear uma nova fase que, embora vá se constituir numa grande provação,  vai manter o caráter de José ajustado e ainda mais aperfeiçoado.

5ª semelhança com a igreja: deverá manter seu caráter no mundo ainda que venham todos os tipos de provações, havendo renovação de requinte e ainda imprevisibilidade.

¹² Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.
¹³ "Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, ¹⁴ prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Fp 3.

¹ "Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, ² olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus." Hb 12.

E. Texto: ²⁰ "E o senhor de José o tomou e o lançou no cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; ali ficou ele na prisão. ²¹ O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; ²² o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali. ²³ E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o Senhor era com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava." Gn 39.

6ª semelhança: em meio mais provações, se parecia que, agora na casa de Potifar tudo estaria encaminhado, José retorna à cova. Mas seu caráter não se altera e, no cárcere, destacou-se sua virtude. Ali decifra, pela graça de Deus, outros sonhos, o que,  2 anos depois, vai conduzi-lo a Faraó: somente Deus gere o preparo da igreja que, todo o tempo e sob qualquer circunstância, nunca o deixa de ser, para a conduzir até onde Ele deseja,  em sua providência.

F. Texto: ¹ "Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho. [...] ¹⁵ Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. ¹⁶ Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó. [...] ³⁷ O conselho foi agradável a Faraó e a todos os seus oficiais. ³⁸ Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? ³⁹ Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. ⁴⁰ Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu". Gn 41.

7ª semelhança: Deus conduz a igreja até onde quer. Ela deverá manter seu caráter, independentemente da provação que enfrentar. Como em Atos, quanto mais amadurecida, ainda assim contra ela veio assolação. E a solução de Deus foi converter Paulo. E assim como José, nele, assim como em nós, os Faraós deste mundo deverão enxergar a ação do Espírito.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Deus e o dilema de amor

 ⁵ "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Fp 2.

      O que é ter esse sentimento? E que sentimento? Comecemos por entender o dilema de Deus. E o dilema de Deus é o amor. Este sentimento define Deus.

  Deus é amor. Amei Jacó, aborreci Esaú, faz parte da escolha de Deus em amor. Israel foi o laboratório do amor de Deus. Há um texto em Oseias que expõe esse dilema:

⁷ "Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz. ⁸ Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. ⁹ Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira." Oseias 11.

   Eu sou Deus e não homem. Porque homens e mulheres são inclinados a se desviar. Pois Jesus nunca se desviou. Foi o Filho amado de todo o prazer de Deus. Essa voz declaradamente os apóstolos a ouviram:

¹⁶ "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, ¹⁷ pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. ¹⁸ Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo." 2 Pe 1. 

   Jesus é o Filho que entende, compreende e vivencia de modo pleno o dilema de amor do Pai. Aprendeu como homem. Porque partiu desse esvaziamento do Pai. NEle, no Pai, reside a fonte desse sentimento.

   Jesus,  já aos doze anos, no Templo, demonstra interesse pela palavra de Deus. Porque por meio da palavra de Deus se aprende e viver esse sentimento.

⁴⁶ "Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. ⁴⁷ E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. ⁴⁸ Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. ⁴⁹ Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?" Lc 2.

   Jesus começou a entender que nEle mesmo via toda a palavra do Pai. Neste texto, Lucas chega bem perto das declarações de João, que começa seu Evangelho dizendo ser Jesus o Verbo de Deus.

   E é por essa palavra que somos santificados.  Como afirma Paulo a Tito, o Espírito nos educa, para que o que, na tristeza e depressão do pecado, tornou-se em nós natural, herdemos, por Jesus, as perfeições do Pai.

¹¹ "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, ¹² educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, ¹³ aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus". Tito 2.

   ¹⁷ Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. ¹⁸ Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. ¹⁹ E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade." João 17.

   Santidade, outro sentimento de Jesus,  não provém de magia, mas da obediência, outorgada no batismo do Espírito,  esse que nos torna, como Jesus, filhos de Deus. Somente quem é tornado filho de Deus, aspira ao sentimento de Cristo.

   Fruto do Espírito é ter, em si, os atributos de Deus. Até mesmo o domínio próprio, quando Deus se contém, em Sua ira, para dizer: "Sou Deus e não homem". Sim, Deus a si amarrou, tanto a nós, quanto a Israel, com cordas de amor.

¹ "Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. ² Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. ³ Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. ⁴ Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer." Oséias 11.

   Jesus é, para Deus e para nós, a corda humana de amarrar em Deus, por amor. Jesus é a prova divina de amor. Jesus é quem encarna o sentimento de Deus, resolve o dilema de Deus e, por meio do Espírito, promove em nós Seu sentimento. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

2026 em aventuras com Deus

¹⁶ "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, ¹⁷ a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." 2 Tm 3.

 Para começo de ano, pensar num Deus com espírito de aventura. Não tomar o terno "espírito" no sentido de espiritualidade e nem aventura no sentido aleatório, mas definitivamente ato de fé. 

   Porque sem fé,  é impossível agradar a Deus. E porque por aventura, entenda-se que Deus retira das circunstâncias oportunidade de se revelar, pelos atos que empreende.

⁶ "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." Hb 11.

   Pelas Escrituras, descobre-se quem crê e quem não está disposto a crer. Basta ver nelas o agir de Deus. Por exemplo, o modo como o clã de Israel, que foi Jacó, o homem que lutou com Deus, chegou ao Egito.

²³ "Tomou-os e fê-los passar o ribeiro; fez passar tudo o que lhe pertencia, ²⁴ ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia." Gn 32.

   Em 400 anos de Egito, o clã que havia entrado pela providência de Deus,  pelo ministério de José, um dos meninos de Jacó,  agora era uma nação. Nesse meio tempo muita coisa mudou, e para pior.

⁷ Mas os filhos de Israel foram fecundos, e aumentaram muito, e se multiplicaram, e grandemente se fortaleceram, de maneira que a terra se encheu deles. ⁸ Entrementes, se levantou novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José. ⁹ Ele disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. ¹⁰ Eia, usemos de astúcia para com ele, para que não se multiplique, e seja o caso que, vindo guerra, ele se ajunte com os nossos inimigos, peleje contra nós e saia da terra." Êxodo 1.

  Então Deus empreendeu sua aventura. Se José entrara escravo no Egito, chegando a 1⁰ ministro, pela providência desse Deus, para acolher o clã que viraria nação, agora Deus vai enviar como escravo Moisés, que nasceu filho da rainha do Egito.

⁸ "Respondeu-lhe a filha de Faraó: Vai. Saiu, pois, a moça e chamou a mãe do menino. ⁹ Então, lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou." Êxodo 2.

  Deus, que dá fraqueza suscita força. Deus, perito nessa inversões, para que somente prevaleça Sua força, e não a do homem. Histórias das Escrituras. Aventuras de Deus. Há quem nessas histórias põe crédito. Ações de Deus na história que Ele mesmo preparava para nela revelar o Filho. Há quem se julgue mais forte do que Deus, para afirmar que nada disso Ele fez.

   Moisés quis fugir de sua vocação. Deus demonstrou a ele que, quando ele chama, morre-se ou morre-se. Morre-se para está vida, nasce-se para a vida plena, que é eterna.  Ou segue-se morto nesta vida.

   Foi assim com Paulo, foi assim com Moisés:

⁷ "Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. ⁸ Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo". Fp 3.

²⁴ "Estando Moisés no caminho, numa estalagem, encontrou-o o Senhor e o quis matar." Êxodo 4.

  Então Moisés decidiu crer:

   ²⁴ "Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, ²⁵ preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; ²⁶ porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão." Hb 11.

       Nem a igreja é a estalagem da fuga. Nem Deus é dos covardes.  Jeremias apenas pensou em se esconder.  Neemias recusou refúgio no templo. Homens (e mulheres) de Deus não fogem: morrem para a futilidade da vida, para seguir sua própria vocação.

² "Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, são um bando de traidores". Jr 9

¹¹ "Porém eu disse: homem como eu fugiria? E quem há, como eu, que entre no templo para que viva? De maneira nenhuma entrarei." Neemias 6.

   Moisés então avistou-se com Faraó. Os "cientistas" dele garantiram que os sinais indicados por Moisés eram pura farsa. Mas já no terceiro, abdicaram. Faraó teimou, passando a acreditar que a sequência de calamidades era ocasional.  Mas ninguém pode ser mais teimoso do que Deus.

  A fé é a negação da teimosia. Por ela, acreditamos no que a Escritura afirma que Deus fez. E Deus é pura aventura.  Aventure-se com Deus a cada dia de 2026. Guie-se pelo que a Escritura diz que Ele faz.