¹⁵ Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. ¹⁶ Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer [meu] Mestre)! João 20.
O detalhe narrado por João nessa abordagem intencional a Maria nos faz imaginar o tom de voz de Jesus.
Revela-se intimista e personalizado. Refletimos sobre a personalidade dela. A presença no túmulo, o choro e sua ansiedade pela solução do dilema.
Quem somos, qual nossa(s) experiência(s) com Jesus e o que nos angustia. Há muitas "Marias", mesmo na Bíblia. Essa poderia até ser chamada "Maria dos sete demônios".
Marcos assim se refere à ela. Não que a discrimine, mas porque ressalta o que Jesus nela havia operado.
⁹ "Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios." Marcos 16.
Jesus escolheu aparecer primeiro a essa Maria. João, na sua narrativa, descreve a pergunta que os anjos do túmulo fizeram a ela. Qual a razão do choro.
A ansiedade dela foi tamanha que nem notou o inusitado, ora, anjos, dois deles, bem ali onde morte nunca mais. O túmulo que esvaziou todos os outros.
E então Jesus lhe aparece. Mas perdura a ansiedade dela. Tanto que ainda pergunta, em desespero: ¹⁵ "... respondeu Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei."
Então ouve-se e, no nosso caso, imagina-se o tom pelo qual Jesus chama. Porque o chamado de Jesus é igual para todos. Audível, numa mesma intensidade.
Talvez Marcos não precisasse destacar a vida pregressa de Maria. Mencionar a quantidade de demônios que lhe privavam a intimidade talvez motive preconceito contra ela.
O que seria um erro, porque quem foi liberto por Jesus, estava na mesma carente condição de Maria. E nem sabemos do número de demônios pelos quais já fomos tentados.
Mas certamente reconhecemos quantas vezes cedemos a tais tentações. Aliás, quem nos revelou ter sido alvo da influência deles foi o próprio Jesus.
Definitivamente, não nos cabe diminuir Maria. Mas pôr vista no tamanho da ação de Jesus na vida dela e na mesma proporção de sua gratidão.
A ansiedade de Maria por Jesus precisa ser marca de nossa personalidade. A pergunta dela por Ele, desejando reassumir o papel de Jesus em sua vida, a companhia de Jesus, representa outra lição a se aprender.
E ouvir com que tom Jesus pronuncia nosso nome. Pelo menos uma razão do chamado de Jesus e da tonalidade que usou foi advertir Maria de Sua presença ali, bem ali, ao lado.
E que estava distraída para o mais inusitado, o novo, o cúmulo da profecia, que é a ressurreição. A nossa ressurreição. Jesus adianta para Maria, primeiro a ela, o efeito da ressurreição.
Ouvir esse tom de Jesus é reconhecer que Ele sempre chama, sempre está perto, e que sempre estamos distraídos para menos do que representa Sua presença.
Ponha seu nome nesse chamado. Proposital Jesus aparecer primeiro a uma mulher, a mulheres, para que fizessem o anúncio da ressurreição.
¹⁰ "E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam. ¹¹ Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram." Marcos 16.
Talvez, esquecendo que foram mulheres nossas mães, como homens, decidimos não acreditar nelas. Sempre redunda em prejuízo, principalmente quando são sábias.
Paulo ora para que reconheçamos o chamado de Jesus, a glória desse chamado e a experiência do poder dessa ressurreição atuante em nós. Consideremo-mos advertidos, em tom suave.
¹⁸ "...iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos ¹⁹ e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; ²⁰ o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais." Efésios 1.
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