João apóstolo de destaca em relação aos outros evangelistas. Este são chamados sinóticos, porque seguem um escopo igual, possível de se definir comparativamente entre os três.
Marcos foi o idealizador. Lucas e Mateus seguiram o modelo dele, acrescentando material exclusivo de cada um deles. Mas também é verificável ter Mateus e Lucas disposto material deles dois, que Marcos desconhecia ou não utilizou.
Especula-se ter havido uma fonte de Logia (palavras) a respeito de Jesus, que Marcos tenha usado, e esse material comum a Lucas e Mateus é denominado fonte Quelle, "comum" a esses dois evangelistas.
João é um intelectual versado em filosofia grega e conhecedor do contexto religioso do mundo grego de sua época. Eram as "religiões de mistério", das quais o gnosticismo era a crença top de linha.
Constituiu-se numa séria ameaça externa à doutrina da igreja primitiva, porque sutilmente distorcia a doutrina da revelação de Deus em Cristo Jesus, comprometendo a identidade de Deus no Antigo Testamento e a de Jesus no Novo Testamento.
João, já na introdução do seu Evangelho, cai de sola, rebuscando, de modo provocativo e inteligente, no próprio ambiente da filosofia grega o ponto de partida de sua argumentação teológica.
Por isso João alcançar o conceito filosófico do logos e o incorporar, definindo de uma vez a incerteza que havia, no contexto filosófico, de sua definição. Afirma, como qualquer grego de seu tempo que, sim, "No início era (havia) o logos". Então incorpora-o em sua teologia.
Deus tem consigo o logos, João afirma, dizendo em seguida: "O logos estava com Deus", para logo concluir, eliminando a identidade incerta, na filosofia, do que seria o logos, afirmando: "O logos era (é) Deus".
Retorna à filosofia, para dizer que sim, o logos está no princípio, e que, segundo a filosofia da época pressupunha, a partir do logos tudo foi criado. Mas em João a identidade desconhecida do logos é revelada, foi Deus que criou todas as coisas.
E então João introduz outro conceito muito usado na época, porém de contornos indefinidos, como a identidade do próprio logos, que é luz. Para as religiões de mistério luz é conhecimento, ilustração, revelação mística.
Para João, Deus é luz, porque ilumina, no sentido de ser verdadeira e única revelação, assim como, segundo está dito no Gênesis, Deus é quem separa luz e trevas.
E João direciona sua introdução para o ponto central de seu Evangelho, no que diferencia-se dos demais evangelistas, quando afirma: "O logos se fez carne e habitou entre nós". Aqui João introduz a Pessoa de Jesus.
E já aqui identifica Deus e Jesus como a mesma Pessoa, Deus espírito, como Jesus mesmo ensina à samaritana, e Deus homem, a Pessoa de Jesus, o logos feito carne.
João segue em seu Evangelho demonstrando como Deus encarna o Filho para a salvação pela fé. Vai escolher 7 sinais (semeia, no grego), bem significativos do poder de Deus em agência no Filho.
E vai selecionar os principais discursos de Jesus com o rivais saduceus, fariseus, sacerdotes e doutores da lei, no período da ação pública do Mestre, em Jo capítulos 1-12, assim como a fala específica aos discípulos, em Jo 13-17.
Em 18-21 sua narrativa da paixão e ressurreição de Jesus, trecho no qual situa sua afirmativa do propósito geral de seu Evangelho:
³⁰ "Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. ³¹ Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." João 20.
A síntese de João bem ilustra o amplo espectro do ministério de Jesus, assim como a plena suficiência do texto bíblico. Não foi tudo abordado ou dito, mas na economia do que segue anotado, está o registro suficiente para a fé: "Para que crendo, tenhais vida em seu nome."
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