terça-feira, 31 de março de 2026

João Evangelista não sinótico

    João apóstolo de destaca em relação aos outros evangelistas. Este são chamados sinóticos, porque seguem um escopo igual, possível de se definir comparativamente entre os três.

   Marcos foi o idealizador. Lucas e Mateus seguiram o modelo dele, acrescentando material exclusivo de cada um deles. Mas também é verificável ter Mateus e Lucas disposto material deles dois, que Marcos desconhecia ou não utilizou.

   Especula-se ter havido uma fonte de Logia (palavras) a respeito de Jesus, que Marcos tenha usado, e esse material comum a Lucas e Mateus é denominado fonte Quelle, "comum" a esses dois evangelistas.

   João é um intelectual versado em filosofia grega e conhecedor do contexto religioso do mundo grego de sua época. Eram as "religiões de mistério", das quais o gnosticismo era a crença top de linha.

   Constituiu-se numa séria ameaça externa à doutrina da igreja primitiva, porque sutilmente distorcia a doutrina da revelação de Deus em Cristo Jesus, comprometendo a identidade de Deus no Antigo Testamento e a de Jesus no Novo Testamento.

    João, já na introdução do seu Evangelho, cai de sola, rebuscando, de modo provocativo e inteligente, no próprio ambiente da filosofia grega o ponto de partida de sua argumentação teológica.

   Por isso João alcançar o conceito filosófico do logos e o incorporar, definindo de uma vez a incerteza que havia, no contexto filosófico, de sua definição. Afirma, como qualquer grego de seu tempo que, sim, "No início era (havia) o logos". Então incorpora-o em sua teologia.

   Deus tem consigo o logos, João afirma, dizendo em seguida: "O logos estava com Deus", para logo concluir, eliminando a identidade incerta, na filosofia, do que seria o logos, afirmando: "O logos era (é) Deus".

    Retorna à filosofia, para dizer que sim, o logos está no princípio, e que, segundo a filosofia da época pressupunha, a partir do logos tudo foi criado. Mas em João a identidade desconhecida do logos é revelada, foi Deus que criou todas as coisas.

    E então João introduz outro conceito muito usado na época, porém de contornos indefinidos, como a identidade do próprio logos, que é luz. Para as religiões de mistério luz é conhecimento, ilustração, revelação mística.

  Para João, Deus é luz, porque ilumina, no sentido de ser verdadeira e única revelação, assim como, segundo está dito no Gênesis, Deus é quem separa luz e trevas.

    E João direciona sua introdução para o ponto central de seu Evangelho, no que diferencia-se dos demais evangelistas, quando afirma: "O logos se fez carne e habitou entre nós". Aqui João introduz a Pessoa de Jesus.

   E já aqui identifica Deus e Jesus como a mesma Pessoa, Deus espírito, como Jesus mesmo ensina à samaritana, e Deus homem, a Pessoa de Jesus, o logos feito carne.

    João segue em seu Evangelho demonstrando como Deus encarna o Filho para a salvação pela fé. Vai escolher 7 sinais (semeia, no grego), bem significativos do poder de Deus em agência no Filho.

   E vai selecionar os principais discursos de Jesus com o rivais saduceus, fariseus, sacerdotes e doutores da lei, no período da ação pública do Mestre, em Jo capítulos 1-12, assim como a fala específica aos discípulos, em Jo 13-17.

    Em 18-21 sua narrativa da paixão e ressurreição de Jesus, trecho no qual situa sua afirmativa do propósito geral de seu Evangelho:

³⁰ "Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. ³¹ Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." João 20.

   A síntese de João bem ilustra o amplo espectro do ministério de Jesus, assim como a plena suficiência do texto bíblico. Não foi tudo abordado ou dito, mas na economia do que segue anotado, está o registro suficiente para a fé: "Para que crendo, tenhais vida em seu nome."

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