¹⁵ "Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto." Rm 7.
A citação acima, do apóstolo Paulo aos Romanos, não significa livre conduto para o pecado. E somente autênticos convertidos ao evangelho entendem o que vai escrito.
Paulo quer dizer que no seu íntimo, escondido e embutido no velho homem, persiste uma disposição vil, somente contida, após ter sido desmascarada, na conversão ao evangelho de Jesus.
Então se inicia essa luta interna contra a disposição vil, somente contida na vida de quem é suprido pelos recursos da Trindade. Sim, porque na luta contra o pecado somos supridos por Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
Isso mesmo: são um e são três ao mesmo tempo. Veja, abaixo, na oração de Paulo aos Efésios, o que ele pede a Deus, em Efésios 3:
¹⁶ "...para que, segundo a riqueza de sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; ¹⁷ e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, ¹⁸ a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade ¹⁹ e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus."
Pelo Espírito, Cristo habita no coração de quem crê e, alicerçado no amor de Deus, esse que crê passa a conhecer o amor que excede todo o entendimento, sedo tomado de toda a plenitude de Deus.
A conversão ao evangelho não é menos do que isso. Pedro, outro apóstolo, assíduo leitor das cartas de Paulo afirma, os que cremos, ser "coparticipante da natureza de Deus", e somente assim libertos da disposição para o pecado.
⁴ " ... [Deus] nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo." 2 Pe 1.
E Paulo continua na argumentação de seu (dele e nosso) dilema: ¹⁸ "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo." Rm 7.
Não habita bem nenhum. Em outro trecho desta carta aos Romanos, Paulo exorta a nunca desconsiderar que é a bondade de Deus, e não eventualmente a nossa, que conduz ao arrependimento.
Somente sendo coparticipante da natureza de Deus há viabilidade de se livrar das paixões que há no mundo, que agora também habitam dentro, incorporadas no pecado.
Quando Eva decidiu que comeria do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a serpente não havia dito que jamais então ela dominaria o mal.
Tornar-se-ia participante do mal. Foi como se ela dissesse: "Como, como sim, e ainda dou ao meu marido." Se não foi dito, essa foi a intenção. Ela o disse com sua atitude.
Adão foi imediatista, talvez dizendo consigo, "por que não?". Todo pecado é blasfemo e imediatista. E somente na conversa com Deus, fosse Adão, ou fosse Eva, esta mais sincera do que o marido, puderam ser confrontados, já de uma vez possuídos por um desejo incontido de, continuamente, pecar.
A morte se tornou consolo. Sim, porque caso, indevidamente, aspirassem à eternidade, seriam eternamente separados de Deus. A morte põe fim ao pecado. Por isso Jesus a experimentou. E, por não ter pecado, Deus pôde ressuscitá-lo.
¹ "Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, ² o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, ³ com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi ⁴ e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor". Rm 1.
Esse homem sem pecado, Jesus, morreu a nossa morte, tomou sobre si o nosso pecado, e ressuscitou para que, todo o que crer nesse evangelho, seja resgatado de sua condição vil.
Pelo evangelho, há chance de fazer o que agrada a Deus, dando preferência à Sua vontade, rejeitando o que for detestável. A Trindade opera em nós essa vontade, qual seja, ser coparticipantes da natureza de Deus.
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