⁸ "Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à Rainha dos Céus; e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira." Jeremias 7.
Vejam que se trata de uma reunião de famílias, típica dos tempos de Jeremias, numa época crítica para Israel. Não mais havia o reino do norte, dissidência rebelde descolada após a morte (e por causa) de Salomão.
Foram invadidos e dispersos pelos assírios Mesopotâmia afora (ali pelos lados do Irã), em 722 a.C. A tarefa indesejada de Jeremias era prevenir destino idêntico para o reino do sul, Judá, capital Jerusalém, dali a poucos anos.
Ele denunciou as razões por que tudo isso e de modo igual se repetiria. Foi uma culpa bem distribuída. Prova disso foi a indisposição de Jeremias contra tudo e contra todos: sacerdotes (aliás, sua ex-classe e função), profetas (seu novo grupo agregado), anciãos, juízes e até o rei.
Acima, na citação, focam-se famílias numa rotina típica daquela época. Todas muito unidas por sinal, participantes de um ritual conjunto de idolatria, muito na moda naquele tempo. Demonstra que a corrupção idólatra alcançava todos os segmentos sociais.
Ativa cooperação, meninos recolhem lenha, talvez nos arrabaldes, ou compram barato de terceiros. E são famílias, visto que os componentes estão todos no número plural. Os homens cuidam de acender o fogo, as mulheres produzem a receita dos bolos rituais para a oferta aos ídolos, agiam num todo harmônico bem sincronizado.
Mas não se trata de culto ao Deus de Isarel, mas oferta a uma tal Rainha dos Céus, com amplitude para um panteão de deuses. Deve ser divertido, conciliador, como agradável mutirão, enfim, uma tarefa que envolve todo um grupo, levada a efeito com bom humor, prazer e participação conjunta.
Deve ser fácil assim para uma família e até várias famílias juntas trocar o verdadeiro culto por uma outra rotina qualquer mais agradável, descomprometida, menos estressante, livre de regras, livre, leve e solta. Porque há tanta e muita coisa junta que hoje distrai e afasta da comunhão com Deus.
Talvez tenhamos feito de nossas reuniões algo monótono, ou tenhamos tentado turbinar com fogo estranho a oferta ao Senhor, incorporando traços da cultura vigente, numa tentativa frustrada de tornar palatável, "engulível" os serviços do culto.
O profeta Elias encontrou em ruínas o altar do Senhor, na reunião de desafio do Carmelo:
³⁰ "Então, Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; Elias restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas." 1 Reis 18.
O modo como hoje se compreende igreja, esse ajuntamento de famílias, tem sido encarado, compartilhado e sido vivenciado como algo anacrônico, ou seja, desatualizado. O mundo atual está mais conectado, rápido e prático do que púlpito, Bíblia, estudo bíblico, oração e quanto compostura ética cristã queiram exigir.
Não vamos buscar lenha, nem manufaturar bolos ou receitas rituais e nem oferecer culto a nenhuma rainha dos céus. Não. Não vamos flertar com uma idolatria tão exposta, óbvia e desqualificante.
Mas colocar outras atenções, trocar a rotina cansativa da igreja por outras mais leves e alegres, ocupar o pouco tempo que resta com atividade mais lúdica, certamente.
A agenda da igreja no mundo implica um estresse adicional. A proposta é remar contra a maré. Mas essa maré mundana já virou maremoto. Não dá para nadar contra, porque o tamanho da vaga é imensa. A receita é adotar amenidades que ocupem o pouco tempo que resta às famílias para manter-se unida.
O altar em ruínas está em nós. Porque somos, para Deus, o altar, o templo dEle, somos os sacerdotes e, ao mesmo tempo, somos os ministros do culto. Como João deixa explícito em sua 1 João, a nossa comunhão é:
³ "...a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo." 1 João 1.
E onde estamos, todo o tempo somos culto ao Senhor. E o mais inteligente possível. Racional, porque fomos, em todos os sentidos, restaurados. Temos a mente do Espírito, segundo ensina Paulo em sua aula, em 1 Co 2.
¹ "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional". Romanos 12.
¹⁶ "Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo." 1 Coríntios 2.
A igreja somos nós. Somos as pedras que vivem, edificadas sobre Jesus, a Pedra Angular, eleita e preciosa para com Deus. A glória de Deus, íntegra e presente na Pessoa de Jesus, o Filho, habita na igreja, ou seja, habita em nós.
A visão equivocada e o demérito pelo que se pratica na igreja é crise de identidade. A nossa distância das Escrituras distorce o sentido preciso da fé. Nessa proporção, então, vamos nos afastar e afastar todos de nossas relações e ser, em família, fator de desagregação.
Em nós não se cumprirá, então, o que expressa o salmista, que uma geração será capaz para traduzir a outra os feitos do Senhor:
⁴ "Uma geração louvará a outra geração as tuas obras e anunciará os teus poderosos feitos." Salmos 145.
Para nunca ser o que pesou de negativo sobre a geração vivente após a grande fase do ministério de Josué. Se não restaurarmos em nós, o altar do Senhor, seremos como palha dispersa ao vento:
¹⁰ "Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o Senhor, nem tampouco as obras que fizera a Israel. ¹¹ Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; pois serviram aos baalins. ¹² Deixaram o Senhor, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o Senhor à ira." Juízes 2.
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