domingo, 29 de março de 2026

Encontros com Jesus: um grito, um pedido e uma denúncia

⁶ "Timeu, estava assentado à beira do caminho ⁴⁷ e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!." Marcos 10.

    Houve uma novela, de 1975, transmitida pela Rede Globo, escrita pelo paulista Jorge Andrade, denominada O Grito.

    Era a história de um menino com problemas mentais que, durante a noite, emitia gritos lancinantes no edifício onde residia, na cidade de São Paulo.

   No caso de Timeu, a fama de Jesus havia chegado a ele. E quando soube que Jesus passaria por sua cidade, manteve o plantão e, mal chegando a turba ao alcance de seu grito, não vacilou.

    Com ele aprendemos que, em qualquer emergência, podemos gritar. Ainda que seja no íntimo, como na oração de Ana, haverá prontidão em ouvir. Tiago ensinou assim:

¹⁶ "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica dos justos." Tiago 5.

   Os encontros com Jesus, narrados nos Evangelhos, ilustram sua personalidade bem como a natureza do que conosco é compartilhado.

   À mulher samaritana, em seu encontro com ela, pediu água. Jesus era carente de sede, como qualquer um de nós, mas tinha consigo uma água da qual todos são carentes, para saciar uma sede universal.

   Paulo, no caminho para Damasco, já mais perseguido do que perseguidor, defronta-se com Jesus que dele cobra as razões por que ele mesmo, Jesus, era perseguido por Paulo.

   As três situações se aplicam, com diferente intensidade, a todos os que creem. Porque o evangelho corresponde a uma ansiedade desconhecida, porém urgente na vida de todo ser humano.

  O cego Bartimeu reconheceu isso, em função de uma necessidade premente, que foi a cegueira física, mas todo ser humano é carente por cegueira espiritual.

   E com relação ao diálogo com a samaritana, no caso, foi Jesus que lhe fez um pedido. Podemos supor que pedidos ou quais pedidos nos faria. As Escrituras, por si, elencam vários deles, que se constituem num fardo leve.

²⁸ "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. ²⁹ Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.³⁰ Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." Mateus 11.

   E na experiência da conversão de Paulo, talvez digamos que nunca perseguimos seguidores de Jesus, como Paulo fez. Mas, certamente, a perseguição de Jesus havia antes alcançado Paulo.

  Sem dúvida, o conteúdo do evangelho pregado pelos irmãos da igreja primitiva, alvo da ação persecutória de Paulo, ele conheceu logo e de antemão. Seu nível intelectual pressupõe isso.

   Mas do que ansiosos, sedentos ou perseguidores, antecipadamente nossa necessidade é reconhecida por Deus, que depara para cada um o momento do encontro.

   Em sua condição atual, o testemunho de Jesus, indubitavelmente autenticador de sua presença e da verdade do evangelho, reside na realidade visível da Igreja.

   Nós estamos no mundo para testemunhar Jesus. A diferença nossa para todo o restante da humanidade é somente a realidade e consciência dessa verdade: Jesus nos converteu ao Pai, batizando-nos no Espírito, para nos tornar testemunhas dEle neste mundo.

⁸ "...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra." Atos 1.

¹⁵ "Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles." Atos 14.

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