³² "... e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se." Mateus 13.
Grande privilégio me concedeu o Pr Nerval de me receber em sua igreja para realizarmos juntos o casamento de João Marcos e Andreia.
Foi a última vez em que estivemos juntos, estando separados por mais de 4 mil quilômetros. Trata-se da mesma responsabilidade, ou seja, o ministério pastoral.
Até 1995, ano em que vim para o Acre, convivemos nos encontros e desencontros da rotina congregacional. Ele representa um tempo que já se pode chamar antigo.
Mas que traz à memória belas recordações. Uma delas foi sua convivência de anos a fio com o Pr Porto Filho, sendo ovelha dele e participando da história da Campograndense.
O que essa fase representou marcou definitivamente a nossa vida. Ainda alcancei o pastor Porto Filho professor no externato, em 1978, trazendo consigo sua especialidade, eclesiologia, a doutrina de ser igreja.
Com ele, o que conhecíamos da Campograndense, com os traços de seu ministério e o testemunho de tanta gente, que eu não conseguiria enumerar, mas cujo efeito desse testemunho é fruto permanente.
Pedra de Guaratiba era o ponto de encontro máximo, talvez mais do que as Assembleias Gerais, por sua multivariedade de irmãos ali reunidos, na fantástica, naqueles idos, Festa do Abrigo.
Pastor Nerval desempenhava papel decisivo em seu lugar no time de sua igreja. Não me perguntem a quantidade de goals ou sua posição no ataque, mas sua leveza sempre foi destaque.
E seu sorriso sua marca decisiva. Chegou a mim a história de uma falta desclassificante de um dos brutamontes zagueiros. Até desconfiava-se que era, vamos dizer, terceirizado, ou seja, não membro eventual de igreja, mas em campo.
Toda a assistência em volta do velho campo se assustou com o ímpeto com que se levantou o atacante, partindo incotinente em direção ao muralha. Ora, juntando as duas coxas do atacante não se tinha uma que fosse do inimigo.
Não apareceu o sorriso de sempre. Mas se impôs uma bruta descompostura, em tom e gestos de autoridade, talvez já antecipando a vocação pastoral. O que se conta é que o time adversário ficou com um a menos, pelo efeito desorientador da exortação recebida.
Não fui tão íntimo da turma do pastor Nerval. Convivi com um bom grupo de Campo Grande, devido à forte integração daqueles dias. Pastor Paulo Leite, um novo convertido naquela igreja, foi meu colega de Seminário.
Mas pouco ao lado do pastor Nerval sempre foi muito. Porque fé não tem tamanho. Jesus até sugeriu que, se tivesse, seria grão de mostarda. Mas os efeitos são belos, fiéis e permanentes.
Permiti-me reunir esses traços de memórias que tenho desses momentos vividos próximo da Campograndense, perto da gente de lá, experimentando, vendo e compartilhando flashes dessa história, para expressar a Deus gratidão.
Geração marcante essa. Agora entendi o fim da parábola. Testemunhamos ao mesmo tempo de ser participantes desse efeito. Fez-se árvore, expandindo-se, de modo a acolher gente após gente, assim como espalhar semente.
Marcante, pastor, o seu sorriso. Também a sua trajetória e seu testemunho. Fico imaginando o encontro desses dois sorrisos, o seu e Jesus te recebendo com o sorriso dele.

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