domingo, 23 de agosto de 2026

O grito de Deus

¹ Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ² nestes últimos dias, nos falou pelo Filho". Hb 1.

   "Havendo Deus falado". Assim começa o autor da carta aos Hebreus. E ainda acrescenta ter Deus falado "muitas vezes e de muitas maneiras".

     Desfilam no Antigo Testamento as palavras de Deus. Talvez se dissesse, ora, por que não de outra forma? Porque, como informa um deles, Pedro, "homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo".

  Seria, portanto, inusitado, no mínimo, escolher, para Deus, o método pelo qual falasse. Esses homens que falaram, assim procederam porque, antes de mais nada, Deus falou com eles.

   E ainda que em todas as vezes, tendo Deus exaustivamente falado, ainda assim não se cresse no que foi dito, ou nem no próprio Deus ou em quem tenha, em nome dEle, falado, Deus falou pelo Filho.

   Então o grau de mentira seria máximo. Para se ler a carta aos Hebreus, terá de se acreditar nessa introdução. Se não, para-se a leitura ali mesmo, fechando-se o Livro inteiro. Esse anônimo autor percorre a história pregressa, tanto de Israel, quanto das Escrituras, para anunciar que Deus falou e fala.

    Portanto dizer que se ouve Deus seria místico? Repete-se, de modo constante, no Apocalipse, um refrão óbvio: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". Apure-se a percepção, porque Deus fala. Aliás, talvez se diga, Deus grita.

²⁰ "Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; ²¹ do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras". Provérbios 1.

   Este trecho acima encontra-se no livro de Provérbios. E na carta aos Coríntios, Paulo Apóstolo escreve:

³⁰ "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". 1 Coríntios 1.

   O Filho também se nos tornou sabedoria. Jesus é o grito de Deus. Não há maior ênfase do que o anúncio do Filho. Jesus se constitui na prova final, cabal, no principal sinal.

   Desde a história do menino encontrado enrolado em panos, deitado numa manjedoura, acolhido num curral, por não haver mais lugar nas hospedarias.

    A força de Deus constitui-se em extrair do que é mais insignificante. Sinais proféticos não são os mais espetaculares, mas aqueles que, aos olhos humanos, são os mais desprezíveis.

   Jesus mesmo, certa vez, assim se expressou:

²¹ "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado." Lucas 10.

   Ponha nos sinais assim os mais desprezíveis as certezas de sua fé.  Pois foi nesse bebê assim gerado, que Deus gritou ao mundo que ainda há uma única (e última) chance para ele. 

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