segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Cornélio Miranda: um nome bastante

    O que mais sempre clamou por minha atenção em Cornélio Miranda foi seu sorriso.  A inclinação especial do rosto, inflexão do olhar e o desenho de seu sorriso eram enigmáticos.

   Mas em que sentido enigmáticos? Reveladores. Era um sorriso revelador. Porque havia por detrás e havia o que era patente. Por detrás de Cornélio, havia a fé. E ela tem, ao mesmo tempo, um sentido enigmático e outro revelador.

   Por causa de minha origem, por mãe, nos limites da fronteira de Nilópolis, da igreja congregacional da Mena Barreto até os 9 anos, mais exatamente 1966, conheci por lá a família Miranda. Eram pura música.

   O sorriso de Cornélio a todos representa. E também nos expõe. Essa sensação eu tinha quando o via sorrir. Como se, por esse modo de ver, ele desejasse extrair de nós um máximo. Um máximo de evangelho.

    Cornélio foi alguém que extraía da gente vocação evangélica. Minha memória fugidia enxerga traços de Cornélio e Abigail em Ariquemes. Porque em agosto de 1993, numa viagem contaminante, em quatro fomos de Campo Grande do Rio até Rio Branco, Acre.

   E contagiamos Cornélio e Abigail, sua primeira esposa, porque havíamos pernoitado naquela cidade. O casal atendeu ao chamado de Deus. Ela, profeticamente falando, sempre foi auxiliadora idônea. Ficaram sobeja e vantajosamente conhecidos naquela cidade por seu modelo amoroso de dedicação.

   Trocamos correspondências, eu aqui em Rio Branco, a 700 km de Ariquemes, fomos e voltamos várias vezes até lá, inclusive no lançamento da pedra fundamental do templo congregacional no Setor 4 e algumas vezes voltando, do Rio de Janeiro, pela rodovia, para alcançar Rio Branco, hospedamo-nos bondosamente acolhidos na residência do casal.

   Há nomes que se encaixam na personagem. O Cornélio da Bíblia era também assim irrequieto. Homens assim despertam em Deus um interesse muito enorme. Por isso que Pedro teve de receber repetidos recados e reprises  - acho que pela primeira vez na Bíblia  - de visões para entender. E ainda uma cutucada do Espírito Santo, para Pedro entender a importância de Cornélio, como pura vocação apostólica. 

   Ah, quantos conheceram Cornélio, quantos querem ser como Cornélio, a quem o evangelho tanto empolga. Ah, como Deus folga, empolga e se alegra com o evangelho. O sorriso de Cornélio, eu acho, também tinha a ver com a notícia do evangelho.

   E com a alegria de repartir o evangelho. Quem e quantos ainda enxergam no evangelho essa novidade, essa alegria, essa urgência e esse poder? Passou entre nós Cornélio, homem que movia Deus e era por Ele movido, folgando em repartir evangelho.

   Ah, Pai, quanto carecemos de Cornélio e Abigail.  E de Waldira, sua segunda esposa, por quem tão amorosamente acolhidos no último contato que tive com ele em Miguel Pereira, em janeiro de 2026. Efeitos do amor, efeito da notícia essencial que nos alcança por meio do evangelho.

  Tiago se refere ao profeta Elias sendo um homem como nós. De sã consciência, jamais nos compararíamos a Elias. Cornélio, um homem como nós. Ele nos ensina, como Abel, continua falando quanto pode um homem que escancara toda a vida à graça de Deus.

  Ah, nosso amigo e irmão Cornélio, de sorriso maroto, o que esconde esse enigmático sorriso, esse modo oblíquo e tão instigante de nos olhar? Por detrás não há segredo. Há um coração que experimentou plenitude do Espírito em vida.  Privou no íntimo o que deixa Deus tão alegre. 

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