segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Ponha a cabeça na Pedra - Jornadas de Jacó - Final

 ¹¹ "Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir." Gn 28.

  Jacó em fuga, sem saber em que lugar estava.  Nem o autor do texto, tão detalhista o sabe.  Improvisou uma pedra por travesseiro.

   Para dormir-se melhor, usa-se um apoio para a cabeça. Aqui no Acre a moda importada do nordeste é a rede. Nos seringais, na colocação, a casa improvisada que se institucionalizou, rede foi essencial.

   Nela, não se precisa de travesseiro. Quem põe pedra por travesseiro, pode esperar sono ruim ou pesadelo.  Pesadelo se tornara a vida de Jacó pela ameaça do irmão.

   Pois foi muita a misericórdia de Deus conceder um sonho bom, ainda que seu travesseiro fosse uma pedra. Pôr a cabeça na pedra é esperar as bênçãos de Deus, ainda que se atravesse um pesadelo.

   E saber que, como diz o autor de Hebreus, anjos sobem e descem uma escada, imaginária a escada,  reais os anjos. A escada faz parte do sonho, os anjos fazem parte da vida.

¹⁴ "Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?" Hb 1.

   A resposta retórica a essa pergunta do versículo é sim, os anjos ministram por Deus ações emergenciais, recados curtíssimos, muitas vezes agindo sem que a gente perceba. São ainda mais um excesso de cuidado, mais um a nosso favor.

   Deus esperava, do estelionatário Jacó, o que nasceu para "pegar no pé" do irmão que reconhecesse seu erro, arrependendo-se. Não.  Deus não acolhe esse tipo de pecador.

   Deus acolhe todos os tipos de pecadores.  Paulo Apóstolo até se aventura a perguntar, em sua argumentação aos Gálatas, se Deus, por assim acolher, seria "ministro do pecado".

¹⁷ "Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não!" Gl 2.

   Ele mesmo responde. Certo que não. Deus é ministro do amor. Jacó será Israel.  Dele descenderá o Cristo.  E o Israel de hoje nem reconhecer Jesus, como nação, o fez ainda.

   Israel também precisa pôr a cabeça na pedra. De novo, entender que não se foge de Deus. E ainda que se tenha agido errado, como foi Jacó, cúmplice de uma mulher ao inverso daquela de Provérbios 14 que, por infeliz ironia, era a própria mãe:

¹ "A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba." 

    Essa mãe foi Rebeca. Semeou discórdia em família, enviou Jacó para onde, sabiamente, Abraão não queria enviar Isaque. Ainda assim Jacó entendeu, ao acordar, quão tremendo são todos os lugares, quando se deita, para se recostar do cansaço, ainda que o travesseiro seja pedra, mas se tenha Deus no encalço. 

   E travesseiro também é conselheiro, sendo o sono de cada dia também tranquilo. Vai depender do reconhecimento que se tem da proximidade de Deus:

⁴ "Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai. [...] ⁸ Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro." Sl 4.

   Vamos saber que a assistência de Deus não cessa, enquanto estivermos em nossa jornada, que Deus nos ama, que ele nos abençoa e que, na caminhada, qualquer lugar onde recostar, cansado, a cabeça, esse lugar é Betel, Casa de Deus, porta do céu. 

domingo, 19 de outubro de 2025

Ponha sua cabeça na pedra - Jornadas de Jacó - Considere santo o que Deus santifica - 2

 ³¹ "Disse Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. ³² Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura?" Gn 25

   Leia a Bíblia,  nesse tempo que te resta. Esse trecho da vida dos meninos, podemos dizer, é poético. A síntese diz o que precisa ser dito.

  Cresceram os meninos. Esaú caçador, deleitava o pai com suas proezas. Olha, pai, hoje trouxe um queixada, diria, caso caçasse em selvas do Acre.

  Jacó, caseiro, reproduzia as receitas de Rebeca, que deviam lembrar sua saudosa terra e seu povo. Deveriam estar na memória de Isaque, que ouviu do pai Abraão, muito agradando a todos sua degustação. 

  Foi difícil para Deus descolar Abrão de sua parentela. Toda aquela família era muito unida. Rebeca trazia consigo memórias das quais Isaque viveu longe. Talvez aí resida a diferença de fé do casal.

  Mas foi longe demais a preferência descarada, talvez até, mal disfarçada ou já assumida da mãe por Jacó e,  cruzado, do pai por Esaú.

   Havia esse porém: ²⁸ "Isaque amava a Esaú, porque se saboreava de sua caça; Rebeca, porém, amava a Jacó". Uma contrapartida que não devia existir. Cabia aos pais corrigir-se, assim como nos filhos, os reflexos negativos de sua predileção.

  Não ocorreu. Talvez Esaú reconhecesse até, que o direito de primogenitura, provavelmente a causa da predileção do pai por ele, nada valesse. Foi isso que deu a entender na altercação com o irmão.

   Proposta descabida. Jacó fez propositalmente. Esaú simulou descaso. Ainda que avaliasse, pelo caráter do irmão, que ele não estivesse brincando, não achava que houvera cabimento.

    Nada poderia fazer Jacó para alterar o destino antecipadamente a favor dele mesmo. Então ficou (mal) acertado. Jacó foi o esperto, Esaú o escrachado, que não acreditou que tão longe fosse o irmão.

   Esaú não considerou santo o que Deus considerava. O sentido da primogenitura não era uma mera herança de bens, mas de bênçãos. É melhor nunca se rejeitar herança de bênçãos.

   Favor não confundir bênçãos, unicamente provenientes de Deus, com benefícios provenientes da cobiça humana, porque estes conduzem à falência espiritual. O autor de Hebreus analisa essa troca de Esaú:

¹⁶ "...nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. ¹⁷ Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado." Hebreus 12.

   Aprendamos: 1. Esaú foi impuro e profano, diante de Deus; 2. Porque "vendeu" ao irmão, desprezando, o que para Deus era santo; 3. Deus o rejeitou, do mesmo modo que ele rejeitou a bênção de Deus; 4. Precisava arrepender-se, para ser salvo, porque a primogenitura e sua relevância, diante de Deus, havia perdido; 5. Chorou lágrimas de crocodilo, choro não bem-aventurado.

   Mas Esaú perguntou ao pai, então, que bênção restaria a ele. E embora privilegiado pela predileção de Isaque, sendo este crente, profetiza ao filho três bênçãos que lhe restaram. Aprendamos com as bênçãos de Esaú:

³⁹ "Então, lhe respondeu Isaque, seu pai:  Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação,  e sem orvalho que cai do alto. ⁴⁰ Viverás da tua espada e servirás a teu irmão;  quando, porém, te libertares,  sacudirás o seu jugo da tua cerviz." Gênesis 27.

    Aqui nasceu o ódio de morte de Esaú pelo irmão. E Rebeca continuou sua manipulação, ela mesma confessa, para não perder num só dia os dois filhos. Então se iniciam as Jornadas do estelionatário Jacó. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Ponha sua cabeça na pedra - Jornadas de Jacó - Faltou virtude - 1

 ²¹ "Isaque orou ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. ²² Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao Senhor. ²³ Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço. [...]  ²⁴ Cumpridos os dias para que desse à luz, eis que se achavam gêmeos no seu ventre. ²⁵ Saiu o primeiro, ruivo, todo revestido de pelo; por isso, lhe chamaram Esaú. ²⁶ Depois, nasceu o irmão; segurava com a mão o calcanhar de Esaú; por isso, lhe chamaram Jacó. Era Isaque de sessenta anos, quando Rebeca lhos deu à luz." Gênesis 25.

    O nascimento dos gêmeos acontece cercado de mistérios e alguns transtornos. Esterilidade confirmada, intercessão do pai, gravidez difícil para a mãe, que chega a desesperar da vida, nascimento prognosticado dos meninos.

   O peludo, desde o nascimento,  Esaú, o que "pega no pé", segundo a nascer, Jacó. O direito de primogenitura, que torna o mais velho, nesse caso, Esaú, herdeiro dos bens do patriarca, pertenceu por direito ao cabeludinho.

  A profecia que serviu de advertência à mãe, prevenia que os irmãos seriam adversários entre si. O que não indicava determinismo, isto é,  uma sina pré definida para os dois, impositiva desde o ventre da mãe.

  Porém circunstâncias do temperamento dos dois e outros fatores externos como, por exemplo, a preferência cruzada dos pais, a da mãe dirigida a Jacó, enquanto a do pai dirigida a Esaú, precipitaram os acontecimentos. 

   Esse preâmbulo da vida dessa família antecipa alguma questão não resolvida. Para se entender que as desavenças entre os irmãos procedem dos equívocos da educação que receberam: era desavença proveniente dos pais, gérmen que neles produziu efeito.

  O casamento de Isaque foi cercado de mimos. Abraão preocupava-se com pretendentes da terra por onde peregrinava. Por isso resolveu buscar alguém ligado à sua descendência.

  Enviou um servo que, por consagração pessoal, orou e pediu a Deus orientação para trazer a pessoa acertada. Embora a Bíblia não descreva traços da personalidade da escolhida, demonstrou ser atenciosa, cordata e recatada.

   Essa moçoila que encontram é filha de Betuel, ou seja, o sobrinho de Abraão, filho do irmão Naor e da cunhada Milca. Isaque vai se casar com a filha do seu primo, ela que tem por irmão o não menos espertalhão Labão. 

   Mais à frente, quando encontramos a família dividida entre as preferências por um e outro filho, bem delineada no plano de Rebeca e Jacó para enganar Isaque, percebemos um sério problema que vai gerar graves consequências. 

   Mas os fatores que conduzem a esse racha de preferências, certamente engendrou-se como resultado da relação conjugal entre pai e mãe, muito provavelmente devido à diferença da vivência de fé entre os dois. 

  Pouco se fala de Rebeca, o que se fala de Isaque apenas pode fazer supor traços de seu temperamento. Uma solidão de cada um dos dois, uma parcela essencial à vida a dois não vivida, deixou Rebeca prisioneira de sua própria índole. 

   Ela porá em prática um desvio de caráter, além de estimular o próprio filho de sua predileção. Porém Jacó também se faz culpado. Um estimula o outro na cumplicidade desse engano.

  Talvez tenham faltado, à mãe e aos filhos, traços de caráter de Isaque não absorvidos para imitação e conduta. Parece que, nessa família, virtudes de fé que havia no pai morreram com ele. 

domingo, 12 de outubro de 2025

O protocolo de Deus.

 ¹⁵ "Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido. ¹⁶ Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. ¹⁷ E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus." Gênesis 28.

   Jacó fugia. Consciente de que agira errado, embora tivesse sua mãe Rebeca como cúmplice.  Era uma família dividida pelas preferências com relação aos gêmeos.

   Isaque preferia o caçador Esaú, que nascera à frente de Jacó. Rebeca preferia o caseiro Jacó, mais ligado a ela. Pois estes dois se juntaram e se valeram da cegueira do pai para o enganar.

   Acentuara-se o abismo familiar, até a morte, bem definido no juramento de Esaú:

⁴¹ "Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e disse consigo: Vêm próximos os dias de luto por meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão." Gn 27.

  Essa história de ódio entre irmãos rendeu a Jacó sua fuga e o medo que trazia consigo. O que pôde preservar sua vida foi a opção do amor de Deus por ele.

¹³ "Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú." Romanos 9.

  Esta  é a primeira lição que aprendemos, Deus opta por amar, não somente Jacó, mas a cada um ou uma a quem criou. Mas cabe a nós aceitar, voluntariamente, esse amor.

   Deus amou Esaú igual. O erro dele foi não considerar santo o que Deus considera. O autor de Hebreus analisa essa atitude dele.

¹⁶ "...nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. ¹⁷ Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado." Hb 12.

   O texto do sonho de Jacó nos ensina a avaliar a nós mesmos, o projeto de Deus para as nossas vidas e qual o lugar de estar, nesta caminhada, no plano de Deus.

  Jacó não sabia quem ele mesmo era, por causa de sua pusilanimidade e por avaliar que poderia manipular Deus.  Não confundir amor de Deus com permissividade humana.

   Ele avaliava que poderia agir segundo a sua própria escolha, julgando-se o esperto da hora, inclusive porque Deus estava ali mesmo, à disposição dele, pronto para abençoar.

   E em sua fuga, Jacó achava que, onde estivesse, contanto que fosse longe do inimigo que conquistou, estaria seguro. Ele nada ainda sabia do protocolo de Deus.

   O amor de Deus é incondicional. Deus não faz acepção de pessoas. Não se pode obter bênçãos como numa oferta de mercado.  O propósito de Deus na vida é sempre bondade.

⁶ "Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor  para todo o sempre." Salmos 23.

   Na Bíblia, pelo menos três homens, em seu conflito pessoal, entenderam errado o sentido da Casa do Senhor na caminhada. Em Êxodo 4,24 Moisés quis fugir de sua vocação escondido numa estalagem:

²⁴ "Estando Moisés no caminho, numa estalagem, encontrou-o o Senhor e o quis matar."

  Em Jeremias 9,2 ele deseja refugiar-se das agruras do ministério numa estalagem no meio do caminho:

² "Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, são um bando de traidores". Jeremias 9.

   E quando tentam subornar Neemias, atraindo-o com suspeição e malícia para uma arapuca dentro do templo de Jerusalém:

¹¹ "Porém eu disse: homem como eu fugiria? E quem há, como eu, que entre no templo para que viva? De maneira nenhuma entrarei." Neemias 6.

   A casa de Deus segue conosco. Não é lugar de fuga, mas de intimidade com Deus. A escada que transparece uma atividade angelical intensa, representa o interesse de Deus pela vida de Jacó.

   E pela vida de quem Ele ama. Por isso Jacó assustou-se com a visão. Sim, sempre é tremendo. Sempre é casa de Deus.  E sempre é porta do céu. Esse é o protocolo de Deus.

sábado, 11 de outubro de 2025

Dedicado a Lorenna

⁷ "O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino. ⁸ Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe." Provérbios 1.

   Um recado rápido. Provérbios  é o livro da sabedoria.  Cheio de instruções práticas.  Fáceis de entender e todo o tempo necessárias.

  O vesículo que, às  pressas, escolhi ontem está aí em cima. Fala de três coisas fundamentais para a sabedoria em sua vida:

1. Temer ao Senhor: (יִרְאַת יְהוָה - yirat Adonai, no hebraico). Significa basicamente três coisas:
1.1. Sentir-se atraído pela beleza, santidade e perfeição de Deus;
1.2. Desejo de adorá-lo com sinceridade de coração em todo o tempo;
1.3. Compromisso de amor em assumir e obedecer Sua vontade em nossa vida.

  Você não é mais uma menina, apenas uma criança. Mas também não é ainda uma pessoa adulta.

   Então,  já sabe fazer escolhas que uma criança não faz, até porque os pais não permitem, mas também está ainda apreendendo a sempre fazer as escolhas certas.

   Por isso você precisa sempre reafirmar o seu compromisso com Deus, sempre atenta em sempre manter no coração e em sua mente o temor do Senhor.

   A outra parte do versículo fala sobre os pais. Embora os seus não mais vivam juntos, você deve amá-los igual e intensamente. Ali no versículo ocorre o que se chama, na poesia bíblica, um paralelismo:

  Então a gente deve ler pai = mãe, ensino = instrução e ouvir = não deixar. Teu pai e tua mãe te instruem, ainda que não sejam perfeitos.

    Então sempre ame intensamente e honre tanto o seu pai, quanto a sua mãe. Assim como, e sua idade já desperta você para isso, avalie de modo crítico e sensato as atitudes deles.

  Você já está na idade do diálogo.  Pode conversar com eles que, aos poucos, vão compreender que você está na transição para a vida adulta.

  Ore por eles, tanto quanto ora por você. Peça a Deus que os oriente, tanto quanto pede a Deus que oriente você.  Que tanto seja amiga de seu pai e de sua mãe, quanto deseje que eles dois sejam amigos entre si.

   Grato por sua amizade.  Sempre vai me encontrar na igreja. E sempre ao alcance de um contato no dia a dia da vida. Seja, permanentemente, temente a Deus, para alcançar, permanentemente, sabedoria. 

  E siga também o conselho de Paulo no versículo abaixo: desenvolva a sua salvação:

¹² "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; ¹³ porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade." Filipenses 2.

   

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A depressão de Deus

 ⁵ "Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; ⁶ então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração." Gn 6.

   A tristeza de Deus é a nossa maior segurança. O que a Ele entristece deveria, todo o tempo, também nos entristecer.

  Mas alegria, no Senhor, é a nossa força. Quando Neemais tomou notícia, pela descrição de Hanani, do grau de calamidade em Judá, chorou, lamentou, jejuou e sensibilizou Artaxerxes.

   À vista do que era preciso fazer, para restaurar Jerusalém, que estava como Gaza hoje, ele estimulou o povo no grande ajuntamento após toda a tarefa que empreenderam: ¹⁰ "...porque a alegria do Senhor é a vossa força." Ne 8.

   Por isso Tiago vai ensinar que, até quando tudo é provação, será motivo de toda a alegria.  Notemos aqui os indefinidos "tudo/toda/várias":

   ² "Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, ³ sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança." Tg 1.

   Não sabemos nem nos entristecer. Essa sensibilidade nos é devolvida na conversão. Porque até o arrependimento é uma "tristeza segundo Deus":

¹⁰ "Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz a morte." 2 Co 7.

   Não existe sensibilidade humana após a violência do pecado em nossas vidas. Por exemplo, basta notar o cinismo de Caim na conversa com Deus, após o primeiro homicídio da história:

⁹ "E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?" Gn 4.

  É melhor não apedrejar Caim na mídia, porque todos nós sofremos da síndrome de Caim. E quem nos cura é Deus. Sem esquecer que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento:

⁴ "Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" Rm 2.

   A matriz de nossa sensibilidade está guardada com o Criador. Somente a comunhão com Ele vai nos devolver. Sozinho e isolados, somos Caim.

  Para ser Abel,  somente ressuscitados em Cristo. Por isso Hebreus 11,4 afirma que "depois de morto (Abel) ainda fala". E também Paulo recomenda ter em nós o sentimento de Cristo:

⁵ "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Fp 2.

  Tudo incluído na palavra amor. Deus é amor. E nos ensina o bê-a-bá do amor. Somos educados no e pelo Espírito,  desde que nele somos batizados:

¹¹ "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, ¹² educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente". Tito 2.

⁴ "Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, ⁵ [...] ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo".Tt 3.
  
  O pecado na condição humana deprime Deus. Toda a sensibilidade reside em Deus. Se não nos devolver Sua imagem e semelhança, somos aberrações e não humanos.

    A tristeza de Deus, assim como a alegria no Senhor são nossa segurança e força. A sensibilidade de Deus carece ser a mesma nossa. O nome disso é amor compartilhado. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

A loucura de Deus

 ²⁵ "Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." 1 Co 1.

   Deftivamante. Um dos dois é louco: ou Paulo,  que atribui loucura a Deus, ou Deus mesmo é louco, e Paulo está correto.

  Podemos seguir, verificando o que Paulo chama  de loucura e atribui a Deus.  Acima, nesse mesmo trecho, chamou de loucura a pregação. Pregação do quê? Do evangelho. Veja abaixo:

¹⁸ "Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus." 1 Co 1.

  O textos dos evangelhos nos socorrem, com a lógica do ladrão. Havia um de cada lado de Jesus. Aliás, podem até ter sido mais de dois: os romanos costumavam enfileirar crucificados.

   Um deles questionou Jesus, mais ou menos assim: "Você é salvador do que ou de quem? Caso confirmado, salve a você e a nós dois", referindo-se a ele e ao cúmplice das delinquências.

   Então outro disse, mais ou menos assim: "Rapaz, respeite: nós sempre soubemos que, quando nos pegassem, terminaríamos aqui. Mas esse aí não tem nenhuma culpa".

  E voltado para Jesus, ele disse:
⁴² "E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino." Lc 23.

  Talvez, também fosse louco. Que reino? É preciso ser louco para crer na loucura de Deus. Caso não queira crer no que Deus pretende, cure-se da loucura de Deus.

  Caso queira crer na "palavra da cruz", seja louco junto com Deus. Porque Paulo ainda argumenta pelo texto lá de cima. A loucura de Deus é mais sábia do que a ciência dos homens.

  E a fraqueza de Deus é mais forte do que a força do homem. Será sábio optar pela loucura de Deus, assim como por Sua (de Deus) fraqueza. 

  O Salvador foi pregado na cruz, específico lugar de toda a vitória. Específico lugar de toda a salvação.

  Ah, sim, mais uma coisa que o ladrão disse: Jesus vem no reino dele. Em Lucas está a reposta de Jesus quando os fariseus lhe perguntaram sobre o reino:

²⁰ "Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. ²¹ Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós." Lc 17.

  O reino de Jesus  está (ou não está) dentro.  O ladrão crucificado,  o outro, o que não era debochado, sabia do reino, que já estava dentro dele.

  Isso mesmo. Salvação (e participação no reino) é estar crucificado com Jesus. Encerramos com mais uma afirmativa de Paulo Apóstolo, mais um louco da hora:

¹⁹ "Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; ²⁰ logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim." Gl 2.

  Então, crucifique-se com Cristo, seu(a) louco(a).