¹ "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." Ef 5.
Aí o cara exagerou. Ainda que seja Paulo, com toda essa sua estatura, devocional, espiritual e teológica, dizer: "Sede imitadores de Deus".
Vamos admitir. Sugerir que seja possível, imitar o Altíssimo não poderá ser Fake. Senão, não faz sentido supor essa possibilidade.
Bem, fica ao gosto do freguês essa imitação? Certamente não. Admite-se um (certo, determinado, pressuposto) critério.
Porque se não houver critério, retorna-se ao meramente suposto, longe, muito distante do possível. E tudo se torna uma brincadeira de mau gosto.
Inconcebível no contexto sério de uma epístola paulina. Então vamos a essa possibilidade, já constatada, plenamente exequível, definindo em que termos.
Deus se permite imitar, sem que isso soe irreverente. Ainda que haja a distância presumível e comprovada entre a Sua Pessoa e a nossa pessoa.
Ora, então há uma proximidade. Óbvio. Para se pensar e exercer essa imitação, já está pressuposta um aproximação. Sem arremedos.
Não se trata de pantomima, mas se exige precisão. A imitação de Deus sugere-se matemática. Virtudes, pois a identidade entre Pessoas só existe ao nível da Trindade.
Aliás, foi importante mencioná-la, porque a imitação de Deus é o precípuo propósito dela. Deus se permite imitar, o Filho torna isso possível e o Espírito aplica.
Há perfeita sincronia entre os Três, que aspiram seja esse o nosso propósito. Aliás, a continuidade do trecho acima já indica o ambiente ou contexto em que seja possível pôr em prática.
"Andar em amor como Cristo". A afinidade entre Pai e Filho está posta como padrão ao pleno alcance. E, como homem, o Filho foi pleno, todo o tempo, no Espírito.
Portanto, a imitação do Pai foi algo que Jesus plenamente praticou, plenamente assistido pelo Espírito. Por isso Paulo escreveu também: "Sede imitadores de Cristo".
E Paulo Apóstolo pôs-se a si mesmo como modelo, exortando a que nisso o imitem atestando, conclusivamente, ser isso possível: ¹ "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." 1 Coríntios 11.
Imitar Deus inclui refletir demoradamente em Sua Pessoa. Sem pedantismo. Desprovidos totalmente de presunção. Às vezes, é tão intuitivo e, disssimuladamente, admitida uma certa "espiritualidade de carregação", porém inautêntica.
Seria melhor fôssemos tais quais o publicano: "Sê propício a mim, pecador". E o que está posto e propício é ser imitador de Deus. Plausível. Exequível. Pleno.
Cântico para reflexão:
"Dá-um coração igual ao Teu, meu Mestre."
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