⁵⁵ "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus". Fp 2.
O que é ter esse sentimento? E que sentimento? Comecemos por entender o dilema de Deus. E o dilema de Deus é o amor. Este sentimento define Deus.
Deus é amor. Amei Jacó, aborreci Esaú, faz parte da escolha de Deus em amor. Israel foi o laboratório do amor de Deus. Há um texto em Oseias que expõe esse dilema:
⁷ "Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz. ⁸ Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. ⁹ Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira." Oseias 11.
Eu sou Deus e não homem. Porque homens e mulheres são inclinados a se desviar. Pois Jesus nunca se desviou. Foi o Filho amado de todo o prazer de Deus. Essa voz declaradamente os apóstolos a ouviram:
¹⁶ "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, ¹⁷ pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. ¹⁸ Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo." 2 Pe 1.
Jesus é o Filho que entende, compreende e vivencia de modo pleno o dilema de amor do Pai. Aprendeu como homem. Porque partiu desse esvaziamento do Pai. NEle, no Pai, reside a fonte desse sentimento.
Jesus, já aos doze anos, no Templo, demonstra interesse pela palavra de Deus. Porque por meio da palavra de Deus se aprende e viver esse sentimento.
⁴⁶ "Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. ⁴⁷ E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. ⁴⁸ Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. ⁴⁹ Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?" Lc 2.
Jesus começou a entender que nEle mesmo via toda a palavra do Pai. Neste texto, Lucas chega bem perto das declarações de João, que começa seu Evangelho dizendo ser Jesus o Verbo de Deus.
E é por essa palavra que somos santificados. Como afirma Paulo a Tito, o Espírito nos educa, para que o que, na tristeza e depressão do pecado, tornou-se em nós natural, herdemos, por Jesus, as perfeições do Pai.
¹¹ "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, ¹² educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, ¹³ aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus". Tito 2.
¹⁷ Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. ¹⁸ Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. ¹⁹ E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade." João 17.
Santidade, outro sentimento de Jesus, não provém de magia, mas da obediência, outorgada no batismo do Espírito, esse que nos torna, como Jesus, filhos de Deus. Somente quem é tornado filho de Deus, aspira ao sentimento de Cristo.
Fruto do Espírito é ter, em si, os atributos de Deus. Até mesmo o domínio próprio, quando Deus se contém, em Sua ira, para dizer: "Sou Deus e não homem". Sim, Deus a si amarrou, tanto a nós, quanto a Israel, com cordas de amor.
¹ "Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. ² Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. ³ Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. ⁴ Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer." Oséias 11.
Jesus é, para Deus e para nós, a corda humana de amarrar em Deus, por amor. Jesus é a prova divina de amor. Jesus é quem encarna o sentimento de Deus, resolve o dilema de Deus e, por meio do Espírito, promove em nós Seu sentimento.
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