domingo, 17 de setembro de 2017

O seguimento de Jesus 1

        Definitivamente, após contato com Jesus, não dá para sair igual, seja para o bem, seja para o mal.

       À samaritana Jesus pediu que fosse buscar o marido. Ela poderia ter dito: "está bem, espere que já volto". Mas preferiu ser sincera. Saiu do encontro convertida a Jesus.

       O jovem rico, dublê de gente boa, chamou Jesus de "bom Mestre". E Jesus, sempre polêmico, disse que não existe bom, a não ser Deus.

         E simulou um teste, dizendo ao jovem que abrisse mão de toda a sua riqueza e se tornasse discípulo. Perda total. Renúncia de si mesmo.

        Mas, para aquele jovem, sua riqueza valia mais do que o seguimento de Jesus. Saiu do encontro o mesmo de antes, não convertido a Jesus.

       Não dá para "aceitar" Jesus e continuar sendo o mesmo. Não dá para continuar igual ao que antes.

       A própria razão da morte violenta de Jesus é que ele não foi, todo o tempo, uma unanimidade. Não dá para defrontar Jesus, sem perda total.

     Nada a ver. Há muitos hoje querendo encarar conversão a Jesus de modo reducionista. Seja você mesmo, seja autêntico, embrulha e manda: Jesus te engole.

     Não é o que a Bíblia diz. Aliás, o Livro diz que Jesus vomita. Isso não é fundamentalismo. É fundamento. Favor não confundir.

     Ou se perde tudo. Ou morre-se e ressuscita-se em Cristo. Ou se renuncia a si mesmo e ganha-se Cristo.

      Ou, uma vez defrontando-se com Jesus, sai-se do encontro não convertido a Jesus. Sai o mesmo. E não será para o bem.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Tentação

         Considerando, para Cristo, luta íntima intensa contra as sugestões feitas por Satanás, Jesus enfrentou, internamente, três principais tentações.

        O conflito interno do homem Jesus referiu-se a (1) acreditar que tinha superpoderes, para realizar qualquer milagre na hora que bem entendesse, principalmente para suprir suas humanas limitações, usando e abusando do mandado divino;

        (2) realmente acreditar que Deus teria a obrigação de lhe poupar a vida, livrando-o de toda e qualquer ameaça de que, humanamente, pudesse ser alvo: definitivamente, não correria nenhum risco;

        (3) acreditar que poderia, duma vez, dar jeito no mundo, assumindo autoridade estranha a si mesmo, supondo mesmo que seria capaz de governar o mundo com "justiça", de modo atabalhoado, em conflito aberto com o Pai.

       A reação de Jesus a essas tentações marcam Sua identidade como o único que venceu satanás, diferentemente do casal primordial, no Éden. Tal vitoria, como marco inicial de Seu ministério, predispôs Jesus a cumprir Sua vocação.

      Milagres de Jesus nunca estiveram a serviço dEle mesmo, porém realizou-os em total submissão ao Pai. Constituíam-se num sinal da presença do Reino de Deus no mundo, assim como era referendo de que era apóstolo de Deus no mundo.

      Não tinha seguro total, como se o Pai tivesse obrigação de lHe preservar a vida. Jesus já conhecia os textos do Antigo Testamento, a Bíblia de seu tempo, suficientemente para atribuir a Si mesmo os que indicavam o sofrimento e a rejeição de que seria alvo, até a morte.

       E para Ele, o principal problema do mundo era destruir o mal em seu nascedouro, porém preservando homem e mulher, portadores por excelência do pecado. Portanto, não lHe impressionou ser tentado a governar o mundo, solução superficial para o momento, porém direito Seu inalienável.

       Tentações-modelo vencidas por Jesus, as mesmas aplicadas à igreja, que pensa que pode requerer autoridade para milagres, na hora em que bem entender, ou que pode aspirar a governar o mundo, a pretexto de sua suposta posição diante de Deus.

           Ou se ainda pensa julgar-se a si mesma ser invulnerável, como se fosse blindada por Deus, tornando-se pivô dos seus próprios caprichos, apta a encarar o que elege para si mesma como prioridade e falsa marca de seu triunfalismo.

        Como diz Paulo Apóstolo, se Cristo tem uma glória, essa é a igreja que, por sua vez, se também a possui, Jesus é essa glória. Daí a equivalência em prova de autenticidade compartilhada entre Jesus e sua igreja. Vitórias de Cristo são nossas próprias. Assumamos. Porém, no poder de Jesus, não nos deixemos persuadir em nada por satanás, uma vez que, constantemente, somos por ele tentados.
     

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Laodiceia

      Já esta é a igreja a que nenhuma outra deseja ser comparada. Mas atentem para o fato de que a vitória reserva uma promessa inédita, assim como impensável em sua exclusividade: "Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono".

     A nenhuma outra igreja houve promessa de um destaque exclusivo e inédito como esse, atributo único do Pai e do Filho, somente aqui indicado como concessão.  Aqueles crentes, definitivamente, haviam-se tornado intratáveis (e intragáveis). Não há meio termo no Reino de Deus: ou verdadeiramente dentro, ou obviamente fora.

    Eram crentes nominais que, ao invés das três virtudes reunidas pelos filadelfos, boas obras, apego à palavra e amor, uma quadra de vícios os definia como miseráveis, pobres, cegos e nus. Buscavam honra humana, enquanto Jesus lhes sugeria, como compensação, suprir sua falha com equivalentes recursos que lhes restaurassem a dignidade.

     O Senhor da igreja tinha os antídotos: ouro, que suprisse sua pobreza; vestes, que cobrissem a sua nudez; e colírio a fim de, reastaurada a visão, avaliassem sua real condição. A riqueza com que Deus nos supre, após a condição de nudez que nos persegue desde a perda do Éden, proporciona readquirir, em Cristo, o valor usurpado pelo pecado.

     Quem nos permite enxergar essa real condição é o Espírito. E nos é natural, como fez o primeiro casal, fugir do cara a cara com Deus, assim como não querer admitir a nossa culpa. Daí a tentativa de se esconder, simulando fuga, mentindo para si mesmo e para Deus.

    E nem sabes. Porém Cristo reúne expedientes de Sua graça, por meio da palavra que expõe seu amor incondicional: sempre disciplina a quantos ama, como indica Hebreus, apontando para a perfeita disciplina que procede diretamente de Deus. Portanto, propõe o zelo com que, diligentemente, deve-se buscar o lugar do arrependimento.

      Então Jesus sugere outra promessa, talvez a mais íntima entre todas as descritas até agora, qual seja a de, por convite voluntário, ser aceito no lugar onde, para os que ouvem e guardam Sua palavra, Pai e Filho habitam - eis que estou à porta e bato - segundo João Apóstolo ensina, o coração daquele que crê: "viremos para ele e faremos nele morada".
   
     Não há, para Jesus, grau de condição lastimável que não desperte Sua empatia, por efetiva restauração. Não há, em contrapartida, limite para a simulação do ser humano, em sua tentativa de comprar, por moeda sem valor o que, em sua mesquinha concepção, supostamente considera compensador.

      Privar, sim, do amor de Jesus, da comunhão em Sua intimidade, assim como sentar, no trono celestial, em companhia do Pai e do Filho, com os quais se privou morada nesta vida, é literal promessa e plena vitória. Real e nada figurativa a riqueza do Pai, a qual deseja, permanente e ansiosamente, repartir conosco.
Filadélfia

     Toda e qualquer igreja queria ser como esta, que nem as portas do inferno contra ela prevalecem, segundo a definição do que Jesus indicou que representa a autoridade a elas delegada.

     O ser humano faz confusão entre poder e autoridade, como Pilatos, diante de Jesus: ele disse ter poder, Jesus lhe mostrou a diferença, em relação a ter autoridade. Talvez entre as sete, fosse esta a menor de todas. Mas nem era pelo tamanho, mas por essência mesmo que, independentemente do seu tamanho, uma igreja apresenta (ou não) autoridade.

      Jesus menciona, com relação a ela, aprovação nas verdadeiras obras, fruto de fé autêntica, perseverança em guardar a palavra e ser alvo e reflexo do amor de Jesus. Não bastava mais nada. Diante dela, se uma porta se abrisse, ninguém fecharia.

    A pouca força é outra característica. A excelência do poder, a suficiência é toda de Deus. Ele mesmo esvaziou-se a Si mesmo, fez-se homem, servo em dependência total. E, como diz o autor de Hebreus, aprendeu a obedecer pelas coisas que sofreu.
 
     Esse mesmo anônimo autor aponta no texto que, por fé, da fraqueza se tira a força. E aqui residia toda a virtude daqueles crentes. Independentemente do tamanho da igreja, segundo a equivocada visão humana que costumamos ter, sua força  reside no poder de Deus.

     Por isso Jesus só teve elogios para essa igreja. Não que fosse perfeita, pois toda igreja é santa e pecadora. Mas atinavam com a essência do poder, que emana de Deus, granjearam autoridade em Jesus e reconheciam suas limitações, aprendendo a andar unicamente por fé.

     Como ensina Paulo Apóstolo, ser igreja é estar crucificado com Cristo, não sendo nós próprios a viver, mas Cristo viver em nós, em plena indentidade e andar senão por fé. Essa igreja, em sua força, vivia isso. Basta à igreja viver isso.

    Atualmente assistimos ao triste espetáculo de grande parcela de igrejas aspirar ao poder que não vem de Deus: desejam poder político, financeiro e, o que é mais ridículo ainda, presumem ter poder "espiritual". Trata-se da mais completa fraude, arremedo de Reino de Deus.

     Jesus afirma aos de Filadélfia que não negaram Seu nome. Um conjunto de atitudes, demonstrado por aqueles crentes, permitiu definir essa igreja como perfeitamente identificada com Jesus. Como afirma Paulo Apóstolo aos tessalonicenses, o nome de Jesus é glorificado em nós e nós glorificados no nome dEle: isso também, em essência, é ser igreja.

   

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sardes

    O que se pode dizer como um paciente terminal. Mas havia vida e gérmen de resistência no seio dessa igreja. O mesmo remédio que podia salvar Éfeso, arrependimento, é sugerido por Jesus a esses crentes.

     Uma igreja que vivia de aparência: nome, vistoso, de vivo mas a realidade era o inverso. Obras não somam para a salvação, mas quando autênticas, são indicador de fé verdadeira. As que a igreja praticava, eram sintoma indicativo de seu estado terminal.

    Paulo Apóstolo diz aos tessalonicenses que nenhuma igreja e crentes sadios serão apanhados desprevenidos quando da súbita chegada de Cristo em sua segunda vinda. Mas os desta igreja haviam perdido sua identidade e seriam surpreendidos como qualquer incrédulo.

    Jesus adverte que qualquer igreja esteja atenta para o que recebeu e ouviu como, de novo, Paulo falou aos coríntios: o que tenho recebido e ouvido vos tenho transmitido. Quem tem ouvidos para ouvir...

    O padrão de avaliação para esta igreja está relacionado aos dois modos de abordar fé e obras: Tiago o fez com aproximação pelas obras autênticas, para chegar à fé verdadeira; Paulo fez aproximação pela fé verdadeira, para que, decorrência natural, sugissem suas obras, vistosas e perfeitas, aos olhos de Jesus.

     Um restante não se havia contaminado. Sua marca diferencial eram vestes brancas de um sacerdócio real, como agora é Pedro Apóstolo que destaca. Uma contaminação da fé não permite que verdadeiras obras, de um sacerdócio real que agrada a Jesus, apareçam.

    Como observou Paulo a Timóteo, uma fé sem fingimento, que o jovem pastor trazia consigo, herança de duas mulheres que o precederam, permite discernimento para que nenhum contágio contamine a vida da igreja.
Tiatira

      Parecem os tessalonicenses do tempo de Paulo Apóstolo, indicados como quem tinha amor abnegado, fé operosa e firme esperança. Esses crentes enfileiravam amor, fé, serviço, perseverança e boas obras, todos os indicadores de uma igreja viva e operante.

      Mas lhes faltava iniciativa para pôr freio a uma falsa profetisa que, por similaridade, como no caso pregresso de Balaão, aqui foi chamada Jezabel, heroica ao inverso no Antigo Testamento.

     Essa mulher granjeou fama e fez escola, muito provavelmente liderando uma turma que, além de preservar consigo elementos de sua religião pagã anterior, certamente não eram verdadeiramente convertidos, por ainda também conservar, entre si, práticas mundanas.

     Mesmo assim ganham tempo para que se arrependam o que, segundo a Bíblia, significa ser induzido por uma "tristeza segundo Deus" a qual, certamente, conduz ao verdadeiro arrependimento que produz salvação.

      Jesus vai interferir de modo a deixar claro para as demais igrejas, já que cada uma serve como parâmetro a todas as outras, de que pode prostrar todos os seguidores dessa falsa "pastora".

      Muitas vezes, como nessa igreja, outras mais fogem do confronto com más lideranças que surgem em seu meio, preferindo um ajuste político de "boa vizinhança". A principal desculpa é tolerar desvios de conduta, para não perder "ovelhas". Vivemos um tempo em que quantidade e não qualidade conta muito.

     Jesus exige confronto com a verdade, e não confronto por força ou violência, contrário ao Espírito, como diz Zacarias, profeta. Essa mulher havia conquistado espaço de ensino, sedução e prática em meio aos irmãos.

       Não por ser, precipuamente, mulher, o que até era inusual para a época. Porém por ser liderança negativa que, deixada por sua própria conta, comprometia uma parcela acentuada de um grupo em tudo enriquecido por virtudes do evangelho, porém acovardado diante da relevância às avessas conquistada pela falsa profetisa.

     Eles precisavam do mesmo avivamento por que passou Elias, deprimido, intimidado e acovardado em Horebe, onde havia se escondido da Jezabel histórica. Deus o reanimou, trazendo-o de volta ao contexto de sua vocação. Jesus coloca essa igreja diante desse mesmo incentivo, por meio de uma grave advertência.
Pérgamo

      Uma igreja que fazia concessões. Agir desse modo descaracteriza, torna-se perda de identidade. Que tipo de concessão, hoje, individual ou coletivamente igrejas estão se permitindo fazer?

      Neste caso, são mencionadas doutrinas danosas no seio dessa igreja, que competiam com o que Paulo Apóstolo denomina "sã doutrina". Talvez contaminação por religiões de mistério, tão comuns na sociedade da época, aqui caracterizadas pelo estilo Balaão de se deixar corromper por interesses escusos. O fato era que Jesus estava contra tais práticas.

      Reconhecidamente, não era fácil o contexto social daqueles irmãos, caracterizada a cidade como "onde está o trono de satanás", muito provavelmente, entre outras, a religião oficial do culto ao Imperador de Roma, obrigatória, fascinante e tremendamente influenciadora.

     Mas essa pressão de fora para dentro da igreja não era justificativa para que ainda outro grupo distintivo, pouco identificado, dos nicolaítas, fosse tolerado, ao lado do anterior, uma segunda falsa doutrina acolhida clandestinamente, de influência negativa entre os irmãos. Revelava simpatia pelo que é "vã filosofia", despreparo e covardia para dizer não, provavelmente a gente influente dentro da igreja.

     Os aspectos positivos dessa igreja não compensavam a indiferença com relação aos dois grupos de falsa doutrina, independentemente do grau de relevância que tivessem. E a corrupção interna e pressão sofrida de fora são caracteristicas permanentes de enfrentamento para cada igreja em todas as épocas.

    De qualquer modo, o problema de Pérgamo, na visão do Senhor da Igreja, foi posto: doutrinas que contaminavam a saúde que somente a sã doutrina proporciona à igreja, contra as quais o próprio Jesus se colocava impediam, internamente, que tivessem autoridade para fazer frente às pressões de fora para dentro. Traços indicativos que caracterizam o embate atual de qualquer igreja.